{"id":20121,"date":"2018-07-02T22:51:57","date_gmt":"2018-07-03T01:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20121"},"modified":"2018-07-02T22:51:57","modified_gmt":"2018-07-03T01:51:57","slug":"as-ilusoes-perdidas-no-jornalismo-burgues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20121","title":{"rendered":"As ilus\u00f5es perdidas no jornalismo burgu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.elesquiu.com\/u\/fotografias\/m\/2018\/5\/4\/f620x350-264114_295132_15.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Ant\u00f4nio Lima J\u00fanior*<\/p>\n<p>Nesta \u00faltima segunda-feira (25), vimos mais um show de horrores na dramaturgia do jornalismo pol\u00edtico brasileiro. O Roda Viva, exibido pela TV Cultura, no ciclo de entrevistas com os presidenci\u00e1veis, entrevistou a pr\u00e9-candidata do PCdoB, Manuela d\u2019\u00c1vila. Antes de mais nada, n\u00e3o custa recordar que, enquanto jornalista e militante do PCB, tenho enormes diverg\u00eancias com o programa pol\u00edtico do PCdoB e de sua candidatura \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Entretanto, diante da cena lament\u00e1vel da entrevista, \u00e9 preciso se engajar contra o pseudojornalismo do programa Roda Viva exemplificado nesta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a entrevista, Manuela foi interrompida 62 vezes, um recorde que mostra o quanto a pol\u00edtica \u00e9 mis\u00f3gina. Uma mulher pr\u00e9-candidata n\u00e3o tem o direito de expor sua linha de racioc\u00ednio sem ser ridicularizada como uma candidatura falha pelo simples fato de ser mulher e seguir a l\u00f3gica de que \u00e9 natural interromp\u00ea-la, diferente dos demais candidatos que passaram pelo programa anteriormente.<\/p>\n<p>O PCdoB h\u00e1 muito abandonou o comunismo, usando o nome apenas para se cacifar na esquerda. Entretanto, o time de entrevistadores aparentemente estava mais preocupado em \u201ccombater o fantasma do comunismo\u201d, com perguntas que nada tinham a acrescentar aos telespectadores sobre o programa de governo da pr\u00e9-candidata. Figuras como Stalin, Mao ou Enver Hoxha foram excomungadas no programa pelo simples prazer da difama\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o estilo fake news que o jornalismo padr\u00e3o t\u00e3o fingidamente sabe combater, usando da mesma arma quando necess\u00e1rio para seus fins ideol\u00f3gicos. Afinal de contas, a grande imprensa tem um lado na luta de classes e a entrevista, em conjunto com a de Guilherme Boulos [1], foi bem clara: comunismo n\u00e3o \u00e9 tema cab\u00edvel para os meios de comunica\u00e7\u00e3o e para isso qualquer arma \u00e9 v\u00e1lida, at\u00e9 mesmo a informa\u00e7\u00e3o imprecisa que hoje \u00e9 bem nomeada de fake news.<\/p>\n<p>Feito um Balzac do s\u00e9culo XXI, a entrevista assombrou mais um fantasma da grande imprensa: o mito da imparcialidade. Qual a justificativa para, em uma entrevista com a presidenci\u00e1vel, escalar Frederico d\u2019Avila para a roda de entrevistadores, que apesar do sobrenome \u00e9 um homem assumidamente coordenador de campanha de outro presidenci\u00e1vel, o antag\u00f4nico Bolsonaro (PSL)? Os meios de comunica\u00e7\u00e3o mostram nesse pequeno movimento que seu interesse nada mais \u00e9 que ver o circo pegar fogo e gozar com a crise pol\u00edtica que vivenciamos, para depois apontar os problemas que ela mesmo criou. Hoje a imprensa corre atr\u00e1s de apagar o fogo que ela ati\u00e7ou com a imagem do Bolsonaro, como datilografei em um texto anterior [2]. Brincando com as palavras de Marx, concluo que o jornalismo liberal traz consigo o pr\u00f3prio coveiro da liberdade de imprensa.<\/p>\n<p>Muito se discute hoje na academia sobre as transforma\u00e7\u00f5es da imprensa p\u00f3s-s\u00e9culo XX. O que antes era uma imprensa que, apesar de burguesa, tinha como miss\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, agora temos uma vis\u00e3o de mercado: a informa\u00e7\u00e3o virou consumo e mera presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. As not\u00edcias s\u00e3o reguladas n\u00e3o pelo grau de influ\u00eancia na sociedade, mas pelos par\u00e2metros de mercado, naquilo que d\u00e1 ou n\u00e3o d\u00e1 audi\u00eancia. E o Roda Viva \u00e9 a prova de como o jornalismo padr\u00e3o est\u00e1 padronizado nessa l\u00f3gica. Convoca especialistas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma especialidade que n\u00e3o seja buscar o confronto direto com o entrevistado, por um punhado de likes ou na tentativa de jogar cascas de banana para que algu\u00e9m caia e torne-se o meme do dia seguinte.<\/p>\n<p>Ciro Marcondes Filho, na sua cl\u00e1ssica obra \u201cO capital da not\u00edcia\u201d, ainda no final dos anos 1980, alertava para o car\u00e1ter de cultivo da passividade na produ\u00e7\u00e3o da not\u00edcia, tendo como consequ\u00eancia a despolitiza\u00e7\u00e3o do real. Assim, n\u00e3o est\u00e3o preocupados em informar, tampouco em esclarecer o p\u00fablico. Atra\u00eddos pelo grande palco das redes sociais integradas aos meios padr\u00f5es, os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00f3 buscam o prazer da refer\u00eancia e do alcance. Aqui vemos a necessidade de perder as ilus\u00f5es com esses meios de comunica\u00e7\u00e3o que s\u00e3o apropriados pelos interesses da burguesia. D\u00e9cadas de uma esquerda que negou a pauta da democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o quando estiveram gerenciando o poder burgu\u00eas, em paralelo \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o das alternativas de comunica\u00e7\u00e3o, mostram o fracasso dessa pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 alimentou o contra-ataque da burguesia com um jornalismo cada dia mais deplor\u00e1vel e mesquinho.<\/p>\n<p>Para construir uma outra comunica\u00e7\u00e3o, a sa\u00edda \u00e9 construir a consci\u00eancia de classe dos seus oper\u00e1rios da palavra, que, sob a \u00f3tica da aliena\u00e7\u00e3o de classes, reproduzem a ideologia dominante. Do jornalista que prefere escrever \u201cinvas\u00e3o\u201d ao inv\u00e9s de \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d, at\u00e9 os especialistas que nada dizem de especial, temos um longo combate \u00e0 frente. E nessa guerra, todas as armas s\u00e3o v\u00e1lidas: ocupemos a comunica\u00e7\u00e3o! Seja ela alternativa ou oficial, seja ela uma webguerrilha ou a de corpo-a-corpo. Fa\u00e7amos como Lenin, uma imprensa que corra todo o pa\u00eds, para informar os trabalhadores de acordo com seus interesses, sem o lucro do sensacionalismo que goza com as mis\u00e9rias do povo.<\/p>\n<p>1. Boulos no Roda Viva: a abertura inicial para a reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda socialista https:\/\/jornalismoproletario.blogspot.com\/2018\/05\/boulos-no-roda-viva-abertura-inicial.html<\/p>\n<p>2. A imprensa como fermento para o fascismo https:\/\/jornalismoproletario.blogspot.com\/2017\/10\/a-imprensa-como-fermento-para-o-fascismo.html<\/p>\n<p>*Dirigente do PCB do Cear\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20121\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[224],"class_list":["post-20121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ex","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}