{"id":20134,"date":"2018-07-04T21:50:17","date_gmt":"2018-07-05T00:50:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20134"},"modified":"2018-07-04T21:51:02","modified_gmt":"2018-07-05T00:51:02","slug":"teoria-marxista-da-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20134","title":{"rendered":"Teoria marxista da depend\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/brasil\/imagens\/tmd_capa.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/brasil\/tmd_29jun18.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resistir.info<\/a><\/p>\n<p><b><i>\u2013 &#8220;Onde se vive menos e pior \u00e9 onde se trabalha mais&#8221;<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>por Mathias Seibel Luce<br \/>\nentrevistado por Nilton Viana<\/b><\/p>\n<p><center>Capacidade de trazer explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para quest\u00f5es e problemas reais e fundamentar a a\u00e7\u00e3o humana tendo como horizonte a transforma\u00e7\u00e3o. Assim, Mathias Seibel Luce, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), define a atualidade da Teoria Marxista da Depend\u00eancia (TDM).<\/center>Autor do livro\u00a0<i>&#8220;Teoria Marxista da Depend\u00eancia (TDM): problemas e categorias, Uma vis\u00e3o hist\u00f3rica&#8221;\u00a0<\/i>[1]\u00a0, nesta entrevista concedida durante o lan\u00e7amento da publica\u00e7\u00e3o na Livraria da Editora Express\u00e3o Popular, em S\u00e3o Paulo (SP), entre outras quest\u00f5es, o professor explicou o car\u00e1ter da super-explora\u00e7\u00e3o em pa\u00edses dependentes como o Brasil.<\/p>\n<p><b>Qual a atualidade ou vig\u00eancia da Teoria da Depend\u00eancia como instrumento cr\u00edtico de leitura da realidade da Am\u00e9rica Latina?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A atualidade ou vig\u00eancia de toda teoria cr\u00edtica se mede pela capacidade de trazer explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para quest\u00f5es e problemas reais e fundamentar a a\u00e7\u00e3o humana tendo como horizonte a transforma\u00e7\u00e3o. A TMD ajuda a explicar porque 80% da popula\u00e7\u00e3o vivendo em favelas s\u00e3o habitantes de pa\u00edses como os nossos. Ou porque os n\u00edveis salariais s\u00e3o mais baixos e as jornadas de trabalho mais extensas em nossas economias. Ou porque n\u00e3o basta a industrializa\u00e7\u00e3o como sa\u00edda para os problemas sociais de nossos pa\u00edses, como muitos pensavam na d\u00e9cada de 1950, pois aqui o capitalismo acirra suas contradi\u00e7\u00f5es. E isto exige, ainda mais, uma resposta da classe trabalhadora e do povo construindo uma alternativa de poder que abra caminho para a supera\u00e7\u00e3o da sociedade da mercadoria.<\/p>\n<p><b>Quais exemplos pode nos dar sobre a atual crise brasileira com base na Teoria da Depend\u00eancia?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A crise mundial de 2008 se abateu sobre o Brasil esfumando a alta conjuntural das mat\u00e9rias-primas que sustentara momentaneamente um excedente econ\u00f4mico que p\u00f4de atender, por um per\u00edodo, interesses de distintas fra\u00e7\u00f5es de classe. Mas essa relativa estabilidade foi ef\u00eamera. E sob um modelo produtivo baseado na especializa\u00e7\u00e3o desigual na divis\u00e3o internacional do trabalho e na depreda\u00e7\u00e3o da natureza. Os primeiros sintomas da crise foram sentidos j\u00e1 desde 2008, quando a massa salarial passou a encolher, ainda que seguisse crescendo o n\u00edvel do emprego formal. Eram, contudo, empregos mais prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por volta de 2014, a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas adicionou novos ingredientes. Como em toda crise, os capitalistas pressionam pela eleva\u00e7\u00e3o (ou retomada) da taxa de lucro, rebaixando o valor da for\u00e7a de trabalho e aumentando a espolia\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para reduzir o disp\u00eandio de capital em meios de produ\u00e7\u00e3o e obter lucros extraordin\u00e1rios mediante renda diferencial e o avan\u00e7o sobre novos dom\u00ednios da vida.<\/p>\n<p>O golpe de 2016 e a agenda da contra-reforma trabalhista de Michel Temer [MDB] e das federa\u00e7\u00f5es patronais s\u00e3o uma resposta da burguesia dependente \u00e0 crise. E a investida de transnacionais como a Nestl\u00e9 e a Coca-Cola pela privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, for\u00e7ando por novos neg\u00f3cios em pa\u00edses como o nosso, \u00e9 outro exemplo desse contexto. Um ensinamento da TMD que se confirma com esta crise \u00e9 que a depend\u00eancia pode mudar de forma ou de grau, mas ela somente ser\u00e1 superada com o enfrentamento das rela\u00e7\u00f5es imperialistas, que fincam ra\u00edzes em nossas economias, exigindo um projeto que questione o capitalismo como um todo.<\/p>\n<p><b>Qual a principal descoberta da Teoria da Depend\u00eancia no contexto marxista?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A descoberta da TMD foi demonstrar que o antagonismo capital-trabalho e as contradi\u00e7\u00f5es entre produ\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o de riqueza, entre produ\u00e7\u00e3o e consumo e entre produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o s\u00e3o acirradas em nossos pa\u00edses latino-americanos. Isto se d\u00e1 no contexto da economia mundial capitalista e suas rela\u00e7\u00f5es de desenvolvimento desigual. Aqui, historicamente transformou-se em &#8220;regra&#8221; \u2013 quer dizer, em tend\u00eancias sistem\u00e1ticas e estruturais \u2013 as transfer\u00eancias de valor expressando rela\u00e7\u00f5es de interc\u00e2mbio desigual, a super-explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e o div\u00f3rcio entre a estrutura produtiva e as necessidades das massas. Com essas formula\u00e7\u00f5es, a TMD ajuda a desvelar o sentido de explora\u00e7\u00e3o redobrada e de soberanias fr\u00e1geis (tanto do ponto de vista da soberania nacional, como da soberania popular) em nossas na\u00e7\u00f5es oprimidas sob as rela\u00e7\u00f5es imperialistas, que fincam ra\u00edzes em nossas forma\u00e7\u00f5es sociais. Assim, a TMD se perfila entre as melhores tradi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas do marxismo latino-americano, que teve alguns de seus antecedentes em Mari\u00e1tegui, que pensou a articula\u00e7\u00e3o entre a quest\u00e3o agr\u00e1ria e a quest\u00e3o ind\u00edgena, e no Che, que pensou a necessidade do car\u00e1ter continental da revolu\u00e7\u00e3o para promover a emancipa\u00e7\u00e3o humana em nossa realidade.<\/p>\n<p><b>Dentro da Teoria da Depend\u00eancia, voc\u00ea cita a transfer\u00eancia de valor como uma das caracter\u00edsticas das economias dependentes. Quais s\u00e3o as modalidades de transfer\u00eancia de valor?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Como voc\u00ea sublinhou, nossas economias s\u00e3o marcadas por transfer\u00eancias ou perdas de riqueza (valor) mediante a especializa\u00e7\u00e3o desigual na divis\u00e3o internacional do trabalho. Grande parte da riqueza produzida com o suor de nossa classe trabalhadora e com a explora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da fertilidade natural de nossos territ\u00f3rios alimenta a sanha da acumula\u00e7\u00e3o e a sede vampiresca das transnacionais e das economias dominantes. Isto n\u00e3o sem o apoio de seus s\u00f3cios menores, a burguesia dependente, que \u00e9 integrada e subordinada ao imperialismo: baixa a cabe\u00e7a para ele, enquanto pisa redobrado nos de baixo, na classe trabalhadora. Existem quatro modalidades para as transfer\u00eancias de valor, que explicamos no livro: 1) a deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de interc\u00e2mbio; 2) as remessas de lucros, royalties e dividendos; 3) o servi\u00e7o da d\u00edvida; 4) a apropria\u00e7\u00e3o de renda da terra (renda diferencial).<\/p>\n<p><b>Pode citar um exemplo de transfer\u00eancia de valor numa economia como a brasileira?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Percebemos essa rela\u00e7\u00e3o no fato de sermos uma economia que envia anualmente bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o exterior em remessas de lucros industriais e financeiros das multinacionais e que paga royalties cada vez que utiliza equipamentos como um tom\u00f3grafo em um hospital (onde eles existirem e quando a popula\u00e7\u00e3o puder acess\u00e1-los)\u2026 Ou no servi\u00e7o da d\u00edvida, cujos pagamentos representam uma dedu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio direto (via impostos desiguais e regressivos) e indireto (via cortes de verbas nas pol\u00edticas sociais) para canalizar o fundo p\u00fablico para remunerar os lucros fict\u00edcios dos detentores dos t\u00edtulos da d\u00edvida &#8220;p\u00fablica&#8221;, uma engrenagem que se retro-alimenta inclusive quando h\u00e1 mudan\u00e7a de perfil de d\u00edvida externa para interna, com o agravante de sobre ela incidir uma das maiores taxas de juros reais no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Os economistas t\u00eam chamado isso de passivo externo em reais. E a categoria transfer\u00eancia de valor, da TMD, explica como e porque isso acontece. Um outro exemplo ainda \u00e9 o Pr\u00e9-Sal, com a entrega de fatias cada vez maiores para as transnacionais, a despeito de a Petrobras controlar a tecnologia para explora\u00e7\u00e3o de \u00e1guas profundas e, com isso, gerar renda diferencial II, aquela que \u00e9 obtida mediante aplica\u00e7\u00e3o de meios de produ\u00e7\u00e3o potenciando a extra\u00e7\u00e3o da fertilidade natural do recurso, neste caso o petr\u00f3leo. Desse modo, a apropria\u00e7\u00e3o de renda diferencial por capitais de economias imperialistas sobre os recursos naturais das economias dependentes expressam rela\u00e7\u00f5es de interc\u00e2mbio desigual inclusive no pr\u00f3prio terreno em que nossas economias possuem maior riqueza em seus diferenciais de fertilidade natural da terra.<\/p>\n<p><b>O trabalhador numa economia dependente \u00e9 mais explorado, mais afetado?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Mostramos no livro, a partir de evid\u00eancias hist\u00f3ricas e dados concretos, que a taxa de mais-valia \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 produtividade numa mesma esfera de economia (sejam as economias centrais, sejam as economias dependentes). Mas quando o assunto \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o mundial entre as forma\u00e7\u00f5es sociais imperialistas e as forma\u00e7\u00f5es dependentes, como \u00e9 o capitalismo latino-americano, a l\u00f3gica do capital opera com tend\u00eancias adicionais. Assim, em nossas economias, que possuem n\u00edveis de produtividade inferiores, a burguesia dependente procura compensar sua desvantagem pondo em marcha o regime de super-explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer dizer, remunerando a for\u00e7a de trabalho abaixo do seu valor e consumindo a energia vital do trabalhador provocando seu desgaste prematuro. Isto, ao final, termina ampliando a taxa de mais-valia, mas n\u00e3o simplesmente por outros expedientes e sim mediante a viola\u00e7\u00e3o do valor da for\u00e7a de trabalho. Em palavras simples, a super-explora\u00e7\u00e3o se identifica com duas assertivas: onde se vive menos e pior \u00e9 onde se trabalha mais! E se vive menos porque se trabalha mais!<\/p>\n<p>Segundo dados da OIT, nos pa\u00edses dependentes, desde o in\u00edcio de sua regulamenta\u00e7\u00e3o, a dura\u00e7\u00e3o semanal m\u00e9dia da jornada de trabalho historicamente tem estado em torno de 48h ou acima desse patamar, podendo chegar a 55 horas em certas atividades, em pa\u00edses latino-americanos como El Salvador (ou em certas regi\u00f5es do Brasil); nunca tendo se estabilizado em torno das 40h em nosso continente, como aconteceu nas economias centrais por volta da metade do s\u00e9culo XX e que \u00e9 o patamar que esse organismo internacional que \u00e9 a OIT preconizou ao ser criado no ano de 1917.<\/p>\n<p>No Brasil, 25% da for\u00e7a de trabalho nas regi\u00f5es metropolitanas cumpre atualmente jornadas iguais ou superiores a 49h. No com\u00e9rcio, metade dos trabalhadores tem jornada acima de 49 horas semanais. E com a contra-reforma trabalhista do governo golpista de Michel Temer a burguesia brasileira quer legalizar que se chegue at\u00e9 60h onde assim puder impor!<\/p>\n<p>Ainda segundo dados da OIT, em nossos pa\u00edses o n\u00famero de pessoas que seguem trabalhando por decis\u00e3o n\u00e3o volunt\u00e1ria ap\u00f3s idade para se aposentar ou porque n\u00e3o conseguem sobreviver com as pens\u00f5es ou proventos e continuam trabalhando por necessidade \u00e9 de 48% para a for\u00e7a de trabalho masculina e de 28% para a feminina, ao passo que nas economias centrais essa cifra \u00e9, respectivamente, de 19% e 12%. Embora a crise esteja golpeando as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho tamb\u00e9m nas economias centrais, este \u00e9 um contraste que se mant\u00e9m.<\/p>\n<p><b>Pode nos explicar como se d\u00e1 essa super-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A for\u00e7a de trabalho, na super-explora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estar submetida \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista em suas determina\u00e7\u00f5es mais gerais (mais-valia absoluta e relativa), \u00e9 tamb\u00e9m submetida a determina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, que atuam de modo estrutural e sistem\u00e1tico sob as economias dependentes, com o capital apropriando-se seja do fundo de consumo do trabalhador, seja apropriando-se do seu fundo de vida. Se aspectos da super-explora\u00e7\u00e3o podem ocorrer nas economias centrais em \u00e9pocas de crise, nas economias dependentes ela \u00e9 a regra ou assume car\u00e1ter estrutural. \u00c9 aqui que essa face se revela nua e cruamente.<\/p>\n<p>A super-explora\u00e7\u00e3o pode se dar mediante tr\u00eas formas: 1) o pagamento da for\u00e7a de trabalho abaixo do seu valor \u2013 que no caso brasileiro podemos ver comparando o abismo entre o sal\u00e1rio m\u00ednimo corrente e o sal\u00e1rio calculado pelo Dieese (sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio); 2) o prolongamento da jornada de trabalho al\u00e9m dos limites normais \u2013 como no uso recorrente de horas extras, na necessidade de mais de um emprego para se sustentar, no contingente trabalhando por decis\u00e3o n\u00e3o volunt\u00e1ria ap\u00f3s idade para se aposentar; 3) o aumento da intensidade do trabalho al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es normais \u2013 que tem um de seus indicadores aproximados na ocorr\u00eancia de acidentes de trabalho, incluindo doen\u00e7as laborais, invalidez e mortes no ambiente de trabalho. O Brasil, a prop\u00f3sito, \u00e9 um dos campe\u00f5es mundiais de acidentes de trabalho\/doen\u00e7as laborais, na 4\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>E a mulher neste contexto \u00e9 ainda mais explorada?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Sim, em todo o mundo capitalista. Mas aqui, novamente, de forma mais aguda. Segundo a PNAD do IBGE\u00a0[2]\u00a0, a mulher trabalhadora \u2013 embora fonte do sal\u00e1rio principal em 40% dos domic\u00edlios no Brasil \u2013 recebe em m\u00e9dia um ter\u00e7o a menos que o sal\u00e1rio dos homens \u2013 sem falar no trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o pago, fundamental para a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e realizado pelas mulheres sob o patriarcado e o machismo. Por falar nisso, al\u00e9m do fardo sexista na manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio lar, o contingente feminino da classe trabalhadora encontra nos empregos prec\u00e1rios de empregada dom\u00e9stica uma importante fonte de ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 principalmente informal. Conforme o DIEESE, em 2011 havia 6,6 milh\u00f5es de pessoas em atividade no emprego dom\u00e9stico, sendo 92% mulheres.<\/p>\n<p>O filme\u00a0<i>Que horas ela volta,<\/i>\u00a0estrelado por Regina Cas\u00e9, retrata essa dupla opress\u00e3o de classe e de g\u00eanero, que refor\u00e7a as rela\u00e7\u00f5es de super-explora\u00e7\u00e3o. Esse tamb\u00e9m foi tema de um ensaio de Vania Bambirra, fundadora da TMD, em seu livro in\u00e9dito\u00a0<i>&#8220;Emancipa\u00e7\u00e3o da mulher: tarefa de ontem, hoje e amanh\u00e3&#8221;.\u00a0<\/i>E para al\u00e9m da esfera salarial, h\u00e1 que lembrar que o Brasil nos assombra ao despontar na quinta posi\u00e7\u00e3o no \u00edndice mundial de feminic\u00eddios, ranking que tem cinco pa\u00edses latino-americanos entre os seis de maior incid\u00eancia de assassinatos contra a mulher. Isso n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. Essa \u00e9 mais uma face do capitalismo dependente, que exacerba todas as formas de opress\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O racismo continua sendo um tema extremamente enraizado na nossa sociedade. Como a TMD pode ajudar no debate a respeito desse tema?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A TMD mostra que um dos fundamentos do regime de super-explora\u00e7\u00e3o \u00e9 a exacerba\u00e7\u00e3o em nossas economias do que Marx chamou de ex\u00e9rcito industrial de reserva (mais trabalhadores despojados de meios de produ\u00e7\u00e3o buscando condi\u00e7\u00f5es de vida ou competindo por um emprego e compelidos a aceitarem condi\u00e7\u00f5es aviltantes). No caso brasileiro, a escravid\u00e3o, al\u00e9m da concentra\u00e7\u00e3o da estrutura da propriedade \u2013 rural e urbana \u2013, acirrou historicamente ainda mais o antagonismo capital-trabalho, em uma intersec\u00e7\u00e3o com o racismo estrutural que atuou tamb\u00e9m decisivamente na configura\u00e7\u00e3o das classes sociais. Em apenas 15 anos, entre 1835 e 1850, entrou em nosso territ\u00f3rio o equivalente a 20% do total de trabalhadores africanos escravizados trazidos para c\u00e1 nos 300 anos do tr\u00e1fico de escravos at\u00e9 aquela data!<\/p>\n<p>Enquanto em 1850 na Europa a classe trabalhadora conquistava a lei das 10 horas \u2013 logrando impor os primeiros diques de conten\u00e7\u00e3o \u00e0 fome vampiresca do capital \u2013 aqui, sob a segunda escravid\u00e3o, era outorgada a Lei de Terras para impedir que o povo negro tivesse acesso aos meios de produ\u00e7\u00e3o, com as classes dominantes mirando o cen\u00e1rio futuro do &#8220;trabalho livre&#8221;. J\u00e1 sob as rela\u00e7\u00f5es de assalariamento, um numeroso ex\u00e9rcito industrial de reserva fez pender sobre o povo negro o duplo fardo da extra\u00e7\u00e3o de mais-valia em condi\u00e7\u00f5es de super-explora\u00e7\u00e3o, conjugada com o racismo estrutural que a refor\u00e7a e amplia. Estudos demonstram que em nosso pa\u00eds, atualmente, as mulheres negras recebem 40% a menos do que trabalhadores brancos que ocupam a mesma fun\u00e7\u00e3o. E que, no \u00faltimo ano, o aumento da informalidade, que fez crescer os &#8220;bicos&#8221; ou trabalho por conta, cresceu em 17,6% entre as mulheres negras, contra 10% entre as mulheres brancas.<\/p>\n<p>Ainda que aqui seja geral para a classe trabalhadora, a super-explora\u00e7\u00e3o no Brasil tem cor e o racismo \u00e9 um dos ve\u00edculos da opress\u00e3o redobrada no pa\u00eds. Al\u00e9m de sal\u00e1rios mais baixos, a popula\u00e7\u00e3o negra sofre o racismo estrutural com a viol\u00eancia do Estado. Estudo da ONU aponta que das 30 mil pessoas assassinadas todo ano em nosso pa\u00eds 23 mil s\u00e3o jovens negros. Para al\u00e9m dessas estat\u00edsticas, que captam tend\u00eancias intr\u00ednsecas, essa \u00e9 uma realidade que se sente na carne e na alma no dia a dia: quando a Aracruz Celulose manda passar a\u00a0patrola\u00a0sobre terras\u00a0quilombolas\u00a0para fazer\u00a0grilagem\u00a0, quando uma lideran\u00e7a negra como Marielle Franco \u00e9 brutalmente assassinada, quando a burguesia diz que lugar de negro \u00e9 no elevador de servi\u00e7o\u2026 Essa \u00e9 a face nua e crua do Estado dependente reproduzindo o racismo estrutural que afian\u00e7a ainda mais as rela\u00e7\u00f5es de super-explora\u00e7\u00e3o e faz essa engrenagem andar. A revolu\u00e7\u00e3o latino-americana, na qual se inscreve a transforma\u00e7\u00e3o estrutural do Brasil como possibilidade hist\u00f3rica, ter\u00e1 de dar voz e poder aos trabalhadores e trabalhadoras, ao povo negro, aos ind\u00edgenas e \u00e0s mulheres ou n\u00e3o ser\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Na rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, voc\u00ea cita a financeiriza\u00e7\u00e3o mundial capitalista. Na pr\u00e1tica, como se d\u00e1 essa financeiriza\u00e7\u00e3o e quais as consequ\u00eancias para a nossa realidade?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Em\u00a0Dial\u00e9tica da Depend\u00eancia\u00a0, Ruy Mauro Marini apontou duas contradi\u00e7\u00f5es que acontecem no ciclo reprodutivo do capital em nossas economias, que ele chamou de cis\u00f5es. Uma \u00e9 a cis\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o para o mercado externo e mercado interno e a outra, entre produ\u00e7\u00e3o para as esferas alta e baixa do mercado interno. O significado dessas contradi\u00e7\u00f5es \u00e9 que em nossos pa\u00edses os trabalhadores, que produzem a riqueza, n\u00e3o cumprem um papel da mesma maneira que nas economias dominantes para a circula\u00e7\u00e3o das mercadorias (sua realiza\u00e7\u00e3o ou consumo). Isto incentivou historicamente os patr\u00f5es e o Estado a afian\u00e7arem o regime de super-explora\u00e7\u00e3o, que uma vez instaurado aumenta tamb\u00e9m a atra\u00e7\u00e3o de empresas transnacionais que vem se apropriar de massas de valor sob n\u00edveis de super-explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No livro, apontamos que com o advento a partir dos anos 1970 da subfase do imperialismo que \u00e9 a mundializa\u00e7\u00e3o do capital, teve lugar uma terceira cis\u00e3o, que se agrega \u00e0s demais. Ela consiste de uma cis\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es dinheiro-mundial e capital-dinheiro e a apropria\u00e7\u00e3o de lucros fict\u00edcios. Quer dizer: nossas economias n\u00e3o s\u00e3o as que determinam os fluxos internacionais de capitais (fun\u00e7\u00e3o capital-dinheiro), nem controlam moedas-fortes como d\u00f3lar ou euro (fun\u00e7\u00e3o dinheiro-mundial). E sob a import\u00e2ncia crescente da valoriza\u00e7\u00e3o do capital mediante a apropria\u00e7\u00e3o de lucros fict\u00edcios (derivativos, outros produtos financeiros), se incrementam tamb\u00e9m as transfer\u00eancias de valor e as contradi\u00e7\u00f5es na reprodu\u00e7\u00e3o do capital em nossos pa\u00edses. Theotonio dos Santos, em suas an\u00e1lises sobre a revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-t\u00e9cnica, trouxe elementos para pensar como o aumento da propor\u00e7\u00e3o entre m\u00e1quinas (trabalho morto) e trabalho humano (ou trabalho vivo) gerou, nas rela\u00e7\u00f5es mundiais, uma enorme massa de capitais sobrantes, \u00e0 medida que a roda da economia passa a girar mais veloz e precisando em n\u00fameros relativos de menos gente produzindo e consumindo, ao mesmo tempo que concentra mais e mais a riqueza e o consumo.<\/p>\n<p>E, como j\u00e1 esbo\u00e7ado pela teoria do imperialismo, tanto as corpora\u00e7\u00f5es que possuem o dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e se apropriam de lucros industriais empregam seu fundo de acumula\u00e7\u00e3o perseguindo tamb\u00e9m lucros fict\u00edcios (com os quais aumentam sua capacidade de auto-financiamento), como fundos de investimento especializados em lucros fict\u00edcios (especulativos) investem tamb\u00e9m em atividades que produzam riqueza real. Acontece que as economias imperialistas s\u00e3o novamente aquelas que controlam a capacidade de investimento, em mais essa pauta da acumula\u00e7\u00e3o (lucros fict\u00edcios), enquanto as economias dependentes s\u00e3o submetidas a novos v\u00ednculos que ampliam sua subordina\u00e7\u00e3o. Nisto consiste a ess\u00eancia da terceira cis\u00e3o. \u00c9 assim que a partir da TMD compreendemos as rela\u00e7\u00f5es de financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como uma oposi\u00e7\u00e3o ing\u00eanua entre produ\u00e7\u00e3o e especula\u00e7\u00e3o, mas como ambas andam juntas.<\/p>\n<p>Um exemplo concreto \u00e9 o do agroneg\u00f3cio, express\u00e3o do capital financeiro no campo. Grandes capitalistas usam a terra como meio de produ\u00e7\u00e3o para produzir mercadorias como soja para o mercado mundial e tamb\u00e9m como ativo dado como garantia junto a bancos para obter empr\u00e9stimos e, assim, fazer aplica\u00e7\u00f5es em produtos financeiros onde obt\u00eam ganhos sob lucros fict\u00edcios. Outro exemplo s\u00e3o os fundos de pens\u00e3o, que podem comprar t\u00edtulos p\u00fablicos e tamb\u00e9m serem s\u00f3cios em megahidrel\u00e9tricas e outros empreendimentos. Se a acentua\u00e7\u00e3o da financeiriza\u00e7\u00e3o com o capital fict\u00edcio golpeia empregos e pol\u00edticas sociais inclusive nas economias dominantes, aqui essa face \u00e9 ainda mais violenta, com mais espolia\u00e7\u00e3o e sofrimento. Por isso \u00e9 urgente uma auditoria da d\u00edvida &#8220;p\u00fablica&#8221; e uma reforma radical do sistema banc\u00e1rio e financeiro, sob controle popular, como uma das medidas de uma alternativa de poder para o Brasil.<\/p>\n<p><b>Como a Teoria Marxista da Depend\u00eancia avalia os processos neodesenvolvimentistas aplicados por alguns governos na Am\u00e9rica Latina?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A TMD surgiu de debates no seio da esquerda brasileira e latino-americana, em torno \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter de nossas forma\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-sociais e das orienta\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gico-t\u00e1ticas para enfrentar seus problemas. Ela trouxe uma supera\u00e7\u00e3o do marxismo dogm\u00e1tico que &#8220;aplicava&#8221; de maneira euroc\u00eantrica conceitos alheios \u00e0 realidade latino-americana, como nas an\u00e1lises que viam elementos feudais ou semifeudais em nossos pa\u00edses, \u00e0 espera de mais &#8220;desenvolvimento capitalista&#8221;; e foi uma supera\u00e7\u00e3o do pensamento desenvolvimentista de matriz cepalina\u00a0[3]\u00a0, que acreditava que pol\u00edticas econ\u00f4micas industrializantes abririam caminho para nossa reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis ent\u00e3o que, no \u00faltimo per\u00edodo, se realimentaram esperan\u00e7as na ideia de desenvolvimento, sem questionar a l\u00f3gica da sociedade da mercadoria. Esse foi um tra\u00e7o dos governos neodesenvolvimentistas, que realizaram certas reformas, mas sem tocar nos pilares econ\u00f4micos do sistema de domina\u00e7\u00e3o no capitalismo dependente. Alguns acad\u00eamicos sugeriram inclusive que o Brasil teria se tornado &#8220;pa\u00eds de classe m\u00e9dia&#8221;. Mas a crise de 2008 fez derreterem as circunst\u00e2ncias conjunturais que criaram as condi\u00e7\u00f5es para o ciclo de governos neodesenvolvimentistas. Por outro lado, \u00e9 importante tamb\u00e9m diferenciar o significado dos governos neodesenvolvimentistas do Cone Sul e o significado da Venezuela sob Ch\u00e1vez ou da Bol\u00edvia, sob Evo Morales, estes dois \u00faltimos sendo governos que promoveram uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia das massas e o debate e medidas concretas em torno a alternativas para a Am\u00e9rica Latina na luta anti-imperialista e pela integra\u00e7\u00e3o soberana dos povos.<\/p>\n<p><b>Como a Teoria da Depend\u00eancia pode ajudar a esclarecer esse car\u00e1ter da super-explora\u00e7\u00e3o e contribuir para elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia da classe trabalhadora para a transforma\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A TMD, como toda a melhor tradi\u00e7\u00e3o que parte do m\u00e9todo de Marx, n\u00e3o \u00e9 nem pode ser uma teoria encastelada na academia. Ela \u00e9, sim, uma arma da cr\u00edtica, que se coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, dos sindicatos e partidos da classe trabalhadora, pela constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder que abra caminho para a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, pela nossa emancipa\u00e7\u00e3o humana. Interpretar criticamente a realidade para poder transform\u00e1-la \u00e9, pois, uma tarefa de todos e todas n\u00f3s.<\/p>\n<p>Como sabemos, erros de an\u00e1lise levam no mais das vezes a erros pol\u00edticos. Explicar e denunciar o car\u00e1ter da super-explora\u00e7\u00e3o em nossos pa\u00edses, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 pressupor nem almejar uma &#8220;explora\u00e7\u00e3o normal&#8221; e sim demonstrar como e porque aqui a espolia\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e dos recursos naturais s\u00e3o ainda mais acirradas, exigindo uma pol\u00edtica que aponte uma sa\u00edda para al\u00e9m da sociedade da mercadoria. Ao mesmo tempo, n\u00e3o devemos deixar de tentar impor diques de conten\u00e7\u00e3o para o incremento desse car\u00e1ter super-explorador, mas sempre tendo como horizonte que sua supera\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 somente com a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo mediante nossa a\u00e7\u00e3o consciente e transformadora, por outra maneira de organizar a vida em sociedade.<\/p>\n<p>29\/Junho\/2018<\/p>\n<p>1. Mathias Seibel Luce,\u00a0Teoria marxista da depend\u00eancia\u00a0, Ed. Express\u00e3o Popular, S. Paulo, 2018, 271p., ISBN 9788574433209<\/p>\n<p>2. PNAD = Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios; \u00a0 IBGE = Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica.<\/p>\n<p>3. Refere-se \u00e0 CEPAL, Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p><b>O original encontra-se em\u00a0www.brasildefato.com.br\/&#8230;\u00a0<\/b><\/p>\n<p>https:\/\/www.resistir.info\/brasil\/tmd_29jun18.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20134\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[226],"class_list":["post-20134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5eK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}