{"id":20145,"date":"2018-07-04T22:10:25","date_gmt":"2018-07-05T01:10:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20145"},"modified":"2018-07-04T22:10:25","modified_gmt":"2018-07-05T01:10:25","slug":"neocolonialismo-e-crise-dos-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20145","title":{"rendered":"Neocolonialismo e \u201ccrise dos imigrantes\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marx21.it\/images\/attualita\/LE_Eithne_Operation_Triton.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ODiario.info<\/p>\n<p>Manlio Dinucci<\/p>\n<p>Com um not\u00e1vel poder de s\u00edntese, este texto diz o essencial sobre a \u201ccrise\u201d sobre a qual as grandes pot\u00eancias capitalistas se dizem preocupar. Na verdade, s\u00e3o elas as respons\u00e1veis pelos enormes fluxos migrat\u00f3rios em causa. Com as suas pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o neocolonial de recursos alheios, com a destrui\u00e7\u00e3o militar de pa\u00edses que de algum modo resistam \u00e0 sua domina\u00e7\u00e3o, com a imposi\u00e7\u00e3o da pobreza extrema e da depend\u00eancia a gigantescas massas humanas.<\/p>\n<p>Dos EUA \u00e0 Europa, a \u201ccrise dos emigrantes\u201d suscita vivas pol\u00eamicas internas e internacionais sobre as pol\u00edticas a adotar a prop\u00f3sito dos fluxos migrat\u00f3rios. Entretanto, em todo o lado estes s\u00e3o representados segundo um clich\u00ea que inverte a realidade: o dos \u201cpa\u00edses ricos\u201d obrigados a sofrer a crescente press\u00e3o migrat\u00f3ria dos \u201cpa\u00edses pobres\u201d.<\/p>\n<p>Dissimula-se assim a causa de fundo: o sistema econ\u00f4mico que no mundo permite a uma restrita minoria acumular a riqueza \u00e0 custa de uma crescente maioria, empobrecendo-a e provocando desse modo a emigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos fluxos migrat\u00f3rios em dire\u00e7\u00e3o aos EUA, o caso do M\u00e9xico \u00e9 emblem\u00e1tico. A sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola afundou-se quando, com o NAFTA (o acordo norte-americano de \u201clivre\u201d com\u00e9rcio), os EUA e o Canad\u00e1 inundaram o mercado mexicano com produtos agr\u00edcolas a baixo pre\u00e7o gra\u00e7as \u00e0s suas pr\u00f3prias subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Milh\u00f5es de camponeses viram-se sem trabalho, vindo assim engrossar a reserva de m\u00e3o-de-obra recrutada nas maquiladoras: milhares de instala\u00e7\u00f5es industriais ao longo da fronteira em territ\u00f3rio mexicano, possu\u00eddas ou controladas, na sua maioria, por sociedades dos EUA, em que os sal\u00e1rios s\u00e3o muito baixos e os direitos sindicais inexistentes.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds em que cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza, aumentou a massa dos que procuram entrar nos EUA. Da\u00ed o Muro ao longo da fronteira com o M\u00e9xico, iniciado pelo presidente democrata Clinton quando a Nafta entrou em vigor em 1994, continuado pelo republicano Bush, refor\u00e7ado pelo democrata Obama, o mesmo muro que o republicano Trump quereria agora completar em toda a extens\u00e3o dos 3.000 Km de fronteira.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos fluxos migrat\u00f3rios em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, o caso de \u00c1frica \u00e9 emblem\u00e1tico. \u00c9 riqu\u00edssima em mat\u00e9rias-primas: ouro, platina, diamantes, ur\u00e2nio, coltan, cobre, petr\u00f3leo, g\u00e1s natural, madeiras preciosas, cacau, caf\u00e9 e muitas outras.<\/p>\n<p>Estes recursos, explorados pelo velho colonialismo europeu com m\u00e9todos de tipo esclavagista, s\u00e3o hoje exploradas pelo neocolonialismo europeu apoiando-se em elites africanas no poder, uma m\u00e3o de obra local de baixo custo e um controlo dos mercados internos e internacionais.<\/p>\n<p>Mais de cem empresas cotadas na Bolsa de Londres, brit\u00e2nicas e outras, exploram em 37 pa\u00edses da \u00c1frica subsariana recursos mineiros de um valor de mais de 1.000 milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a controla o sistema monet\u00e1rio de 14 ex-col\u00f4nias africanas atrav\u00e9s do Franco CFA (originalmente acr\u00f4nimo de \u201cCol\u00f4nias Francesas da \u00c1frica, reciclado em \u201cComunidade Financeira Africana\u201d): para conservar a paridade com o euro, esses 14 pa\u00edses africanos devem entregar ao Tesouro franc\u00eas metade das suas reservas monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>O Estado l\u00edbio, que queria criar uma moeda africana aut\u00f4noma, foi demolido pela guerra em 2011. Na Costa do Marfim (da \u00e1rea CFA), empresas francesas controlam o fundamental da comercializa\u00e7\u00e3o do cacau, de que o pa\u00eds \u00e9 o primeiro produtor mundial: para os pequenos cultivadores sobram a custo 5% do valor do produto final, ainda que a maioria viva na pobreza. S\u00e3o apenas alguns exemplos da explora\u00e7\u00e3o neocolonial do continente.<\/p>\n<p>A \u00c1frica, apresentada como dependente da ajuda externa, fornece ao exterior um pagamento bruto anual de cerca de 58 milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. As consequ\u00eancias sociais s\u00e3o devastadoras. Na \u00c1frica subsariana, onde a popula\u00e7\u00e3o ultrapassa o milhar de milh\u00f5es e se comp\u00f5e de 60% de crian\u00e7as e jovens com idades compreendidas entre os 0 e os 24 anos, cerca de dois ter\u00e7os dos habitantes vivem na pobreza e, entre eles, cerca de 40% &#8211; ou seja 400 milh\u00f5es \u2013 vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema.<\/p>\n<p>A \u201ccrise dos emigrantes\u201d \u00e9 na verdade a crise de um sistema econ\u00f4mico e social insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/www.marx21.it\/<wbr \/>index.php\/internazionale\/pace-<wbr \/>e-guerra\/29111-<wbr \/>neocolonialismo-e-lcrisi-dei-<wbr \/>migrantir-<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20145\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[233],"class_list":["post-20145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5eV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}