{"id":20147,"date":"2018-07-04T22:13:06","date_gmt":"2018-07-05T01:13:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20147"},"modified":"2018-07-04T22:13:06","modified_gmt":"2018-07-05T01:13:06","slug":"reforma-trabalhista-aprofunda-empobrecimento-e-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20147","title":{"rendered":"Reforma Trabalhista aprofunda empobrecimento e desigualdades"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/07\/03_07_desigualdades_foto_camuflados.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jo\u00e3o Vitor Santos<\/p>\n<p>Seis meses depois da implementa\u00e7\u00e3o da\u00a0Reforma Trabalhista, aprovada em novembro de 2017, os setores mais afetados pelas mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles que convivem com\u00a0baixos sal\u00e1rios,\u00a0alta rotatividade\u00a0e\u00a0informalidade, mas as consequ\u00eancias tamb\u00e9m ser\u00e3o sentidas pela classe m\u00e9dia, diz\u00a0Barbara Vallejos Vazquez\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. \u201cMuitos setores ainda est\u00e3o come\u00e7ando a aplicar as novas regras. Infelizmente, penso que a\u00a0Reforma\u00a0ser\u00e1 pesada para os setores mais pauperizados, mas n\u00e3o ir\u00e1 poupar as\u00a0ocupa\u00e7\u00f5es de classe m\u00e9dia. Diversas empresas p\u00fablicas que geram empregos est\u00e1veis e com maior remunera\u00e7\u00e3o, como\u00a0Caixa,\u00a0BB,\u00a0Petrobras, abriram\u00a0programas de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria\u00a0ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o da Reforma. Estes empregos est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por formas at\u00edpicas de contrata\u00e7\u00e3o. O\u00a0Banco do Brasil, por exemplo, abriu este ano uma ag\u00eancia completamente terceirizada na\u00a0Zona Leste de S\u00e3o Paulo, empregando trabalhadores que recebem aproximadamente 75% menos que um banc\u00e1rio\u201d, informa.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dela, al\u00e9m de a\u00a0Reforma Trabalhista\u00a0n\u00e3o resolver os problemas estruturais do mercado de trabalho brasileiro, ela \u201cnaturaliza as\u00a0desigualdades, ao inv\u00e9s de buscar corrigi-las\u201d. Como exemplo dessa naturaliza\u00e7\u00e3o,\u00a0Barbara\u00a0cita a cria\u00e7\u00e3o de \u201cdiversas modalidades de contrato de trabalho, com diferentes n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o e acesso a direitos\u201d, como o\u00a0trabalho intermitente. E adverte: \u201cao permitir os contratos intermitentes, a legisla\u00e7\u00e3o autoriza o pagamento de sal\u00e1rios mensais menores que o\u00a0sal\u00e1rio m\u00ednimo. O efeito destas \u2018inova\u00e7\u00f5es\u2019 no\u00a0mercado de trabalho\u00a0\u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00e9dio anual, gerando o empobrecimento de uma grande parcela dos trabalhadores no\u00a0Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez\u00a0\u00e9 graduada em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, mestra em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pela Universidade de Campinas &#8211; Unicamp e t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos &#8211; Dieese. Atualmente \u00e9\u00a0professora na Escola Dieese de Ci\u00eancias do Trabalho.<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Passados seis meses da entrada em vigor da Reforma Trabalhista, quais s\u00e3o os principais impactos no mercado de trabalho de modo geral?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0Segundo demonstrou o artigo \u201cSeis meses de reforma trabalhista: um balan\u00e7o\u201d, que\u00a0Euz\u00e9bio Jorge da Silveira,\u00a0Ana Luiza Matos Oliveira\u00a0e eu escrevemos em parceria, a reforma tem impactado setores marcados por baixos sal\u00e1rios e alta rotatividade. As principais ocupa\u00e7\u00f5es impactadas pelo contrato intermitente, por exemplo, foram assistente de vendas, servente de obras e faxineiro. Desde o in\u00edcio, cr\u00edticos da reforma indicaram seu alto potencial de\u00a0aumentar a desigualdade.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; A flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, bradado pela reforma, se efetivou na gera\u00e7\u00e3o de mais empregos? Quais os impactos nos empregos informais?<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, com a agudiza\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, o setor informal se expandiu rapidamente, lado a lado com o aumento do desemprego aberto &#8211;\u00a0Barbara Vallejos Vazquez<\/p>\n<p>Tweet<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0O emprego informal sempre foi alto no\u00a0Brasil. Nos \u00faltimos anos, com a agudiza\u00e7\u00e3o da\u00a0crise econ\u00f4mica, o setor informal se expandiu rapidamente, lado a lado com o\u00a0aumento do desemprego aberto. A\u00a0Reforma\u00a0n\u00e3o resolve esta quest\u00e3o estrutural do\u00a0mercado de trabalho\u00a0brasileiro. O volume de empregos n\u00e3o pode ser determinado pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Esta \u00e9 uma falsa premissa econ\u00f4mica. O que a Reforma faz, em realidade, \u00e9 dar legitima\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a formas at\u00e9 ent\u00e3o consideradasfraudes trabalhistas, como a exist\u00eancia de aut\u00f4nomos com exclusividade, intermitentes e terceirizados. Passa-se, ent\u00e3o, para a formalidade, formas prec\u00e1rias de trabalho. Isso pode alterar o indicador estat\u00edstico, mas n\u00e3o muda a realidade prec\u00e1ria destes empregos.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Pelas an\u00e1lises que voc\u00ea tem feito, os setores mais impactados s\u00e3o aqueles com trabalhadores com mais baixa remunera\u00e7\u00e3o e alta rotatividade. Gostaria que detalhasse quais s\u00e3o esses impactos e analisasse como a precariza\u00e7\u00e3o afeta ainda mais esses trabalhos.<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0Os dados dos primeiros seis meses da\u00a0Reforma\u00a0demonstraram forte impacto em setores que convivem com\u00a0baixos sal\u00e1rios,\u00a0alta rotatividade\u00a0e informalidade, como faxineiros, serventes de obras, vigilantes etc. Entretanto, nesse per\u00edodo, a\u00a0MP 808\u00a0ainda tramitava no\u00a0Congresso Nacional, deixando d\u00favidas sobre as regras da Reforma. Muitos setores ainda est\u00e3o come\u00e7ando a aplicar as novas regras. Infelizmente, penso que a Reforma ser\u00e1 pesada para os setores mais pauperizados, mas n\u00e3o ir\u00e1 poupar as ocupa\u00e7\u00f5es de classe m\u00e9dia. Diversas empresas p\u00fablicas que geram empregos est\u00e1veis e com maior remunera\u00e7\u00e3o, como\u00a0Caixa,\u00a0BB,\u00a0Petrobras, abriram programas de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o da Reforma. Estes empregos est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por formas at\u00edpicas de contrata\u00e7\u00e3o. O\u00a0Banco do Brasil, por exemplo, abriu este ano uma ag\u00eancia completamente terceirizada na Zona Leste de S\u00e3o Paulo, empregando trabalhadores que recebem aproximadamente 75% menos que um banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; O setor de servi\u00e7os demanda muita m\u00e3o de obra, mas \u00e9 comum que isso ocorra apenas em determinadas \u00e9pocas do ano, como no caso do com\u00e9rcio, nos finais de ano, e em hot\u00e9is, bares e restaurantes em cidades tur\u00edsticas, nos per\u00edodos de f\u00e9rias. De que modo a reforma tem afetado a rela\u00e7\u00e3o entre os empregadores e trabalhadores desse setor que acaba gerando demanda por m\u00e3o de obra em \u00e9pocas espec\u00edficas?<\/p>\n<p>Como um emprego sazonal pode durar \u00be de um ano? &#8211;\u00a0Barbara Vallejos Vazquez<\/p>\n<p>Tweet<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0O argumento da sazonalidade em determinados setores \u00e9 alvo de debate h\u00e1 muitos anos. O\u00a0Trabalho Tempor\u00e1rio\u00a0j\u00e1 era autorizado no\u00a0Brasil\u00a0desde 1974 pela\u00a0Lei 6.019. A partir da aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0Lei 13.429\/2017, que foi um pre\u00e2mbulo da\u00a0Lei da Reforma Trabalhista, pode-se estender a dura\u00e7\u00e3o de um contrato tempor\u00e1rio para at\u00e9 nove meses. O argumento da sazonalidade se perde, nesse caso. Como um emprego sazonal pode durar \u00be de um ano? Nesse caso, fica claro que, em primeiro lugar, pretende-se privar os trabalhadores das verbas rescis\u00f3rias, al\u00e9m de possibilitar aumento do contrato tempor\u00e1rio para mais setores de atividade. Imagine o impacto que este contrato pode ter para os docentes de escolas p\u00fablicas e privadas, por exemplo.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Em que outros setores o trabalho intermitente passou a ser realidade?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0Foram impactados com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o civil, vigil\u00e2ncia e trabalhadores rurais. O\u00a0contrato intermitente\u00a0n\u00e3o est\u00e1 ligado estritamente ao setor de servi\u00e7os, como muitas vezes se imagina. Tr\u00eas ocupa\u00e7\u00f5es tipicamente industriais aparecem no ranking de 10 maiores ocupa\u00e7\u00f5es impactadas pelo contrato intermitente: alimentador de linha de produ\u00e7\u00e3o, soldador, mec\u00e2nico de manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; E sobre as terceiriza\u00e7\u00f5es, o que esses seis meses de nova legisla\u00e7\u00e3o t\u00eam revelado?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0At\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0Lei de Terceiriza\u00e7\u00e3o\u00a0e da\u00a0Reforma Trabalhista, toda terceiriza\u00e7\u00e3o de atividade fim ou atividade principal da empresa contratante era considerada fraude trabalhista, em conson\u00e2ncia com a\u00a0S\u00famula 331 do TST. Isso porque, neste caso, era expl\u00edcito que o objetivo do processo de terceiriza\u00e7\u00e3o seria a mera redu\u00e7\u00e3o de custo do trabalho, caindo por terra os argumentos de especializa\u00e7\u00e3o ou de aumento da flexibilidade na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No\u00a0setor banc\u00e1rio, por exemplo, desde o in\u00edcio dos anos 2000, convive-se com a expl\u00edcita\u00a0terceiriza\u00e7\u00e3o de atividade-fim, realizada por meio dos correspondentes banc\u00e1rios, \u201cparcerias\u201d entre empresas do com\u00e9rcio varejista e uma institui\u00e7\u00e3o financeira para a presta\u00e7\u00e3o de ampla gama de servi\u00e7os financeiros: saques, extratos, abertura de contas correntes, poupan\u00e7a, opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio etc. Como o trabalho \u00e9 realizado por empregados do com\u00e9rcio, que recebem, em m\u00e9dia, 75% menos que um banc\u00e1rio, os bancos lucraram muito com esse modelo de neg\u00f3cios. Por\u00e9m, at\u00e9 mar\u00e7o de 2017, esta pr\u00e1tica era considerada il\u00edcita. Se um trabalhador de correspondente acessasse a Justi\u00e7a do Trabalho, teria altas chances de ver reconhecidos seus direitos.<\/p>\n<p>Com a Reforma, os trabalhadores j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o recorrer \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o de direitos na Justi\u00e7a do Trabalho &#8211;\u00a0Barbara Vallejos Vazquez<\/p>\n<p>Tweet<\/p>\n<p>\u00c9 o que demonstrou pesquisa sobre as Decis\u00f5es Judiciais, realizada a partir de metodologia desenvolvida pela Professora do Instituto de Economia da Unicamp,\u00a0Magda Barros Biavaschi: no caso dos correspondentes, o\u00a0Tribunal Superior do Trabalho &#8211; TSTofereceu resist\u00eancia a esta forma de terceiriza\u00e7\u00e3o em 72,9% dos casos, concedendo ao trabalhador equipara\u00e7\u00e3o de direitos em rela\u00e7\u00e3o aos banc\u00e1rios ou reconhecimento do v\u00ednculo com a empresa contratante. Agora, com a Reforma, os trabalhadores j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o recorrer \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o de direitos na\u00a0Justi\u00e7a do Trabalho &#8211; JT. Ter\u00e3o que aceitar receber \u00bc da remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de um banc\u00e1rio para realizar trabalho de conte\u00fado id\u00eantico.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Em poucos meses em vigor, a nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista j\u00e1 provocou a redu\u00e7\u00e3o de processos tramitando na Justi\u00e7a do Trabalho. Como analisa esse dado? O que isso significa do ponto de vista do trabalhador?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0A\u00a0Reforma\u00a0\u00e9 constru\u00edda de forma a enfraquecer as institui\u00e7\u00f5es de\u00a0regula\u00e7\u00e3o do trabalho, sejam\u00a0sindicatos\u00a0ou\u00a0Justi\u00e7a do Trabalho. No caso da Justi\u00e7a do Trabalho, a gratuidade da justi\u00e7a foi restringida e criou-se a possibilidade de que o trabalhador, caso perca a a\u00e7\u00e3o, deva arcar com os honor\u00e1rios e demais custos do r\u00e9u. A\u00a0m\u00eddia\u00a0veiculou diversos casos em que ju\u00edzes impuseram altas custas a trabalhadores, como o de uma banc\u00e1ria que foi condenada a pagar 67 mil reais ao Ita\u00fa, para cobrir custas de um processo que perdeu. Isso pode ter gerado receio dos trabalhadores em reclamarem seus direitos na Justi\u00e7a. Mas \u00e9 importante destacar que o n\u00famero de\u00a0reclama\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a\u00a0voltou a crescer e que, em geral, a\u00a0Justi\u00e7a do Trabalho\u00a0\u00e9 protetiva ao trabalhador, pois a Reforma n\u00e3o destituiu completamente a CLT e n\u00e3o alterou a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; De que forma essa nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista tem afetado a coleta e an\u00e1lise de dados acerca do mundo do trabalho no Brasil hoje?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0Do ponto de vista estat\u00edstico, a\u00a0Reforma\u00a0cria novos desafios, pois possibilita a formaliza\u00e7\u00e3o de contratos anteriormente considerados fraudulentos: intermitentes, aut\u00f4nomos com exclusividade e os de\u00a0terceiriza\u00e7\u00e3o\u00a0de atividade-fim. Traz, ainda, dificuldades para a mensura\u00e7\u00e3o da desocupa\u00e7\u00e3o. Um intermitente que n\u00e3o \u00e9 convocado a realizar servi\u00e7os por mais de um ano, em tese, possui v\u00ednculo ativo de emprego, embora n\u00e3o esteja efetivamente empregado e n\u00e3o receba nenhuma remunera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, os conceitos de desocupa\u00e7\u00e3o e informalidade precisam ser reinterpretados. Al\u00e9m disso, a mensura\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio que a estat\u00edstica do trabalho ainda n\u00e3o enfrentou no\u00a0Brasil.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Quais os impactos da legisla\u00e7\u00e3o p\u00f3s-reforma no n\u00edvel de emprego? Em alguma medida ela estimulou a cria\u00e7\u00e3o de empregos formais? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ao permitir os contratos intermitentes, a legisla\u00e7\u00e3o autoriza o pagamento de sal\u00e1rios mensais menores que o sal\u00e1rio m\u00ednimo &#8211;\u00a0Barbara Vallejos Vazquez<\/p>\n<p>Tweet<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0As\u00a0taxas de desemprego\u00a0aberto passaram de 12,2%, no trimestre imediatamente anterior ao in\u00edcio da vig\u00eancia da\u00a0Reforma Trabalhista\u00a0(agosto a outubro 2017), para 12,9% no dado mais recente (trimestre de fevereiro a abril de 2018), segundo a\u00a0Pnad Cont\u00ednua\u00a0do\u00a0IBGE. A Reforma n\u00e3o gerou mais postos de trabalho e a taxa de desemprego aberto apresentou eleva\u00e7\u00e3o de 0,7 pontos percentuais no per\u00edodo. Contudo, o \u00faltimo resultado do\u00a0Caged\u00a0(maio de 2018) \u00e9 alarmante: o saldo de empregos foi baixo, em torno de 33 mil postos gerados e 10% das novas vagas foram na modalidade intermitente, demonstrando que estamos combinando baixo crescimento do emprego, com piora da qualidade dos postos formais.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Uma das marcas do Brasil s\u00e3o as desigualdades. Em que medida podemos associar a implementa\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista com essa realidade do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0A heterogeneidade estrutural sempre foi uma marca do\u00a0mercado de trabalho brasileiro, expresso por uma grande\u00a0desigualdade nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u00a0e\u00a0n\u00edveis salariais. A\u00a0reforma trabalhista, longe de contribuir na moderniza\u00e7\u00e3o da estrutura produtiva brasileira, retira a seguran\u00e7a m\u00ednima de trabalhadores j\u00e1 pauperizados. Os direitos do trabalho buscam reduzir as assimetrias. Ao desconstituir parte destes direitos, a Reforma naturaliza as desigualdades, ao inv\u00e9s de buscar corrigi-las. Foram criadas diversas modalidades de contrato de trabalho, com diferentes n\u00edveis de prote\u00e7\u00e3o e acesso a direitos. Ao permitir os contratos intermitentes, a legisla\u00e7\u00e3o autoriza o pagamento de sal\u00e1rios mensais menores que o sal\u00e1rio m\u00ednimo. O efeito destas \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d no\u00a0mercado de trabalho\u00a0\u00e9 a\u00a0redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00e9dio\u00a0anual, gerando o empobrecimento de uma grande parcela dos trabalhadores no Brasil.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; O Governo Federal segue no discurso da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, afirmando que os empregos est\u00e3o voltando a ser ofertados. Mas isso \u00e9 real a partir da an\u00e1lise dos dados? E quais suas proje\u00e7\u00f5es para o segundo semestre de 2018?<\/p>\n<p>Barbara Vallejos Vazquez &#8211;\u00a0Os dados sobre\u00a0mercado de trabalho\u00a0s\u00e3o sofr\u00edveis. A\u00a0taxa de desemprego\u00a0aberta \u00e9 de 12,9% e a taxa de\u00a0subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho\u00a0aponta para um contingente de cerca de 27 milh\u00f5es de trabalhadores que est\u00e3o desocupados, ou possuem emprego, mas trabalham menos horas do que gostariam, ou trabalhadores que desistiram de procurar emprego. O\u00a0consumo das fam\u00edlias\u00a0\u00e9 uma componente fundamental para o crescimento econ\u00f4mico no\u00a0Brasil\u00a0e depende diretamente da melhora dos n\u00edveis e condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o. Com o mercado de trabalho em frangalhos dificilmente esse indicador reagir\u00e1 de forma robusta em 2018. O\u00a0Banco Central\u00a0come\u00e7ou o ano afirmando que o Brasil cresceria aproximadamente 3% em 2018. Ap\u00f3s sucessivas revis\u00f5es, a expectativa de crescimento do\u00a0PIB\u00a0agora est\u00e1 em 1,6%.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Patricia Fachin<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580483-empobrecimento-e-naturalizacao-das-desigualdades-sao-as-primeiras-consequencias-da-reforma-trabalhista-entrevista-especial-com-barbara-vallejos-vazquez<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20147\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190,15],"tags":[223],"class_list":["post-20147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","category-s18-sindical","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5eX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20147\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}