{"id":20185,"date":"2018-07-09T22:38:44","date_gmt":"2018-07-10T01:38:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20185"},"modified":"2018-07-09T22:38:44","modified_gmt":"2018-07-10T01:38:44","slug":"em-cuba-aprendemos-o-lado-humano-da-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20185","title":{"rendered":"&#8220;Em Cuba, aprendemos o lado humano da medicina&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/05\/31-05-2018-saude-pixabay.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580630-em-cuba-aprendemos-o-lado-humano-da-medicina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU<\/a><\/p>\n<p>Em Havana, a sergipana Sandra Glaucia da Concei\u00e7\u00e3o realizou o sonho de estudar medicina. Com o Mais M\u00e9dicos, veio a oportunidade de retornar ao Brasil.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Clarissa Neher, publicada por Deutsche Welle, 05-07-2018.<\/p>\n<p>Na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade do centro de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, crian\u00e7as, jovens e idosos aguardam pacientemente para serem atendidos pela m\u00e9dica Sandra Glaucia da Concei\u00e7\u00e3o. Muitos dos que esperam fazem quest\u00e3o de serem examinados apenas por ela, que chegou ao munic\u00edpio sergipano em 2013 pelo programa Mais M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Sandra, de 39 anos, trabalha na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade J\u00e2nio Teixeira de Jesus, numa regi\u00e3o carente do munic\u00edpio, o quarto a ser fundado no Brasil. Ela se formou em Cuba e morava na Argentina quando viu no Mais M\u00e9dicos a oportunidade de voltar a sua terra natal.<\/p>\n<p>De origem humilde, Sandra conhecia bem a realidade que encontrou em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. &#8220;Fiz parte desta popula\u00e7\u00e3o, fui da periferia, minha fam\u00edlia usava o SUS. Poder estar aqui mostra que realmente podemos chegar a essa posi\u00e7\u00e3o. Fazer esse trabalho \u00e9 maravilhoso. A popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 me conhece. Sou m\u00e9dica da cidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica trata os pacientes com muito carinho e aten\u00e7\u00e3o. Nenhum detalhe passa despercebido por Sandra, que, al\u00e9m de cuidar da sa\u00fade, tamb\u00e9m refor\u00e7a a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o a jovens e crian\u00e7as e os incentiva sempre a continuar na escola.<\/p>\n<p>As primeiras perguntas que faz aos novos pacientes s\u00e3o se sabem ler e onde vivem. Segundo a m\u00e9dica, ambos os questionamentos s\u00e3o fundamentais para a prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos na comunidade onde ela trabalha. No munic\u00edpio, as taxas de analfabetismo entre maiores de 15 anos passam de 12%, segundo o Censo de 2010.<\/p>\n<p>&#8220;Se o paciente n\u00e3o sabe ler, preciso prescrever o medicamento de uma forma que ele entenda. Al\u00e9m disso, alguns pacientes n\u00e3o t\u00eam como comprar muitas das medica\u00e7\u00f5es, por isso, preciso indicar um tratamento de acordo com sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Essa vis\u00e3o mais humana de entender as necessidades do paciente e suas possibilidades de cumprir um tratamento aprendi em Cuba&#8221;, diz Sandra.<\/p>\n<p>Com sua dedica\u00e7\u00e3o e carisma, Sandra conquistou n\u00e3o somente os pacientes, mas sua equipe e tamb\u00e9m autoridades de sa\u00fade municipais e estaduais. Elogios ao trabalho da m\u00e9dica s\u00e3o uma unanimidade.<\/p>\n<p>Atualmente, Sandra \u00e9 um exemplo para seus pacientes, principalmente para crian\u00e7as e jovens do bairro carente. Mas seu caminho para cursar medicina e conquistar o reconhecimento na profiss\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Nascida em 1979 em Aracaju, ela cresceu num bairro da periferia da cidade. Sua m\u00e3e trabalhava como cozinheira para sustentar os quatro filhos. O pai nunca se interessou pela fam\u00edlia. Aos 17 anos, um tio, que era agente de sa\u00fade, a apresentou ao Movimento Negro Unificado. O engajamento lhe abriria, alguns anos mais tarde, as portas para realizar o sonho de estudar medicina.<\/p>\n<p>Mas antes de realizar esse sonho, sua fam\u00edlia conseguiu conquistar uma moradia digna. Morando de favor na casa da av\u00f3, Sandra, sua m\u00e3e e irm\u00e3os se juntaram a outras 167 fam\u00edlias, em 1999, e ocuparam o condom\u00ednio 5 de agosto, que estava sendo constru\u00eddo com recursos p\u00fablicos. Dez anos depois, a ocupa\u00e7\u00e3o foi regularizada, e os moradores conseguiram o devido financiamento para pagar pelo im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Devido ao seu envolvimento nos movimentos sociais, em 2000, a ativista ganhou uma bolsa para estudar medicina na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Havana, voltada para a forma\u00e7\u00e3o de estrangeiros no curso, cujo pa\u00eds \u00e9 refer\u00eancia mundial.<\/p>\n<p>&#8220;Em Cuba, n\u00e3o s\u00f3 aprendemos a medicina, mas tamb\u00e9m como tratar o paciente da forma mais humana poss\u00edvel e como se colocar no lugar do outro\u201d, destaca Sandra.<\/p>\n<p>No fim dos estudos, em 2006, a m\u00e9dica retornou a Aracaju cheia de disposi\u00e7\u00e3o para p\u00f4r em pr\u00e1tica o conhecimento adquirido em Cuba. O pontap\u00e9 inicial na profiss\u00e3o, no entanto, foi mais dif\u00edcil do que o imaginado. &#8220;Voltei com o diploma embaixo do bra\u00e7o, mas continuava sendo pobre, preta e da periferia\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Sua experi\u00eancia no exterior n\u00e3o foi somente fundamental profissionalmente, mas tamb\u00e9m para sua vida pessoal. Em Cuba, Sandra conheceu o marido, um jornalista da Argentina. Sem condi\u00e7\u00f5es financeiras para revalidar o diploma no Brasil, resolveu tentar seguir a carreira na Argentina.<\/p>\n<p>No pa\u00eds sul-americano tamb\u00e9m teve um pouco de dificuldade para revalidar o diploma, por\u00e9m, conseguiu trabalhar inicialmente na Miss\u00e3o Milagro, criada em 2004 numa parceria dos governos de Cuba e Venezuela que proporcionava em territ\u00f3rio venezuelano opera\u00e7\u00f5es na vis\u00e3o a pacientes de diversos pa\u00edses latino-americano.<\/p>\n<p>Durante quatro anos foi coordenadora cl\u00ednica da miss\u00e3o na Argentina. Depois de revalidar o diploma, Sandra come\u00e7ou a fazer resid\u00eancia em pediatria. Em 2013, quando surgiu o Mais M\u00e9dico viu a oportunidade que tanto esperava para voltar ao Brasil. &#8220;Tinha que fazer o que aprendemos em Cuba, que era estudar l\u00e1 e voltar para trabalhar na nossa comunidade&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Escolhida para atuar em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Sandra chegou ao Brasil com a primeira turma de m\u00e9dicos do programa. Apesar de estar apreensiva, devido \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da categoria contra o Mais M\u00e9dicos, foi recebida de bra\u00e7os abertos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo com a calorosa recep\u00e7\u00e3o, Sandra foi v\u00edtima de preconceito. Em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, a primeira rea\u00e7\u00e3o da secret\u00e1ria de Sa\u00fade na \u00e9poca, ao conhecer a m\u00e9dica, foi criticar o sistema de cotas e afirmar que ela teria o &#8220;perfil ideal\u201d para trabalhar na comunidade carente para a qual foi enviada. Por\u00e9m, quando Sandra a questionou sobre o perfil, ela n\u00e3o soube explicar qual seria.<\/p>\n<p>Sandra contou ainda que, por ser negra, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 reconhecida como m\u00e9dica. &#8220;Pela comunidade fui bem recebida, apesar de muitos acharem que eu era cubana, porque eles n\u00e3o veem um m\u00e9dico negro como brasileiro. Acontecia muito essa discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta. &#8220;Muitos pacientes ainda t\u00eam um impacto ao ver a doutora. Mas \u00e9 gratificante ver que as crian\u00e7as daqui se reconhecem com o m\u00e9dico. Por sermos iguais, muitos se sentem mais confort\u00e1vel no atendimento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Em 2015, Sandra prestou passou no Revalida, a prova para a revalida\u00e7\u00e3o do diploma de medicina no Brasil. Ao completar os tr\u00eas anos no Mais M\u00e9dicos, renovou por mais tr\u00eas anos o contrato, que vencer\u00e1 em 2019.<\/p>\n<p>No futuro, Sandra gostaria de continuar trabalhando em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o pelo programa, apesar de todas as dificuldades enfrentadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;A fixa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico na comunidade melhorou o controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas e o acompanhamento de gestantes. N\u00e3o temos todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, mas se eu n\u00e3o tivesse aqui seria pior para a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Sandra.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580630-em-cuba-aprendemos-o-lado-humano-da-medicina<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20185\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[48],"tags":[226],"class_list":["post-20185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5fz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}