{"id":20193,"date":"2018-07-09T22:52:19","date_gmt":"2018-07-10T01:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20193"},"modified":"2018-07-09T22:52:19","modified_gmt":"2018-07-10T01:52:19","slug":"colombia-estao-nos-matando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20193","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: \u201cEst\u00e3o nos matando&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/documentalli.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Resumen Latinoamericano*<\/p>\n<p>Dois cineastas estrangeiros e um produtor colombiano acompanharam por mais de um ano dois l\u00edderes sociais do norte do Cauca amea\u00e7ados de morte. O objetivo: colocar rosto no fen\u00f4meno que afeta o pa\u00eds com mais intensidade desde que se assinou o acordo de paz entre o Governo e as FARC. J\u00e1 morreram mais de 200 l\u00edderes, adverte o audiovisual.<\/p>\n<p>Bem poderia dizer-se que o document\u00e1rio, \u201cEst\u00e3o nos matando\u201d, \u00e9 um grito de aux\u00edlio dos milhares de l\u00edderes sociais que vivem nos territ\u00f3rios onde outrora se desenvolveu a guerra entre as FARC e o Governo. \u00c9 um document\u00e1rio que coloca em voga a vida cotidiana de um defensor de direitos humanos na Col\u00f4mbia. Neste caso, as hist\u00f3rias do l\u00edder ind\u00edgena, Feliciano Valencia, e a do l\u00edder afrodescendente, H\u00e9ctor Marino Carabal\u00ed. As duas, carregadas de resist\u00eancia e perigo.<\/p>\n<p>As lentes de Tom Laffay e Emily Wright percorreram as plan\u00edcies do norte do Cauca. As terras repletas de cultivos de cana, e de ind\u00edgenas e negros que seguem reclamando esses territ\u00f3rios como seus, enfrentando os empres\u00e1rios a\u00e7ucareiros. Depois, subiram a cordilheira central, as montanhas de Corinto, para registrar o funeral do l\u00edder ind\u00edgena Eder Cuetia Conda, a tr\u00e1gica e cruel cena com a qual se inicia este document\u00e1rio. Por que? Por que tanta crueldade?<\/p>\n<p>O cineasta Laffay, que est\u00e1 h\u00e1 dois anos radicado na Col\u00f4mbia, explicou que o objetivo do audiovisual justamente \u00e9 esse: transmitir a dor e a resist\u00eancia dos l\u00edderes sociais na Col\u00f4mbia, desde os territ\u00f3rios onde lideram batalhas para impedir que seu pa\u00eds retorne \u00e0 viol\u00eancia. \u201cNa m\u00eddia internacional n\u00e3o se fala do tema, porque na Col\u00f4mbia o interesse da paz est\u00e1 enfocado na desmobiliza\u00e7\u00e3o das FARC. E tudo bem, porque isso \u00e9 chave para o processo de paz. No entanto, aqueles que t\u00eam de carregar a responsabilidade de constru\u00ed-la s\u00e3o os l\u00edderes sociais e s\u00e3o eles que est\u00e3o sendo assassinados. Por isso, este documental \u00e9 um grito de aux\u00edlio\u201d, diz.<\/p>\n<p>Um grito de aux\u00edlio para buscar os respons\u00e1veis pelos homic\u00eddios. Emily Wright disse que os culpados n\u00e3o s\u00e3o unicamente os grupos armados ilegais. \u201cA pergunta deveria ser sobre a terra: quem a possui e a controla. Durante a guerra, grandes extens\u00f5es de terra foram ocupadas por rancheiros, empres\u00e1rios da palma e da banana, narcotraficantes e grupos armados, que agora t\u00eam pouco interesse em renunciar a ela. O acordo de paz prev\u00ea a devolu\u00e7\u00e3o da terra aos agricultores que uma vez a possu\u00edram, por\u00e9m os ativistas que persistem nisso frequentemente s\u00e3o vistos como uma amea\u00e7a aos interesses econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>Advertem no document\u00e1rio que desde a assinatura do acordo de paz foram assassinados mais de 200 l\u00edderes. \u201cO audiovisual est\u00e1 concentrado no norte do Cauca, por\u00e9m \u00e9 uma mostra real e contundente do que est\u00e1 ocorrendo com esta popula\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds. Identificamos que o departamento \u00e9 uma das regi\u00f5es de maior risco na Col\u00f4mbia para o desenvolvimento da defesa dos direitos humanos. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, se registraram 34 eventos violentos e foram assassinados sete l\u00edderes sociais\u201d, conta Jomary Orteg\u00f3n Osorio, presidenta do Coletivo de Advogados Jos\u00e9 Alvear Restrepo (Cajar), a organiza\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos que acompanhou o projeto.<\/p>\n<p>H\u00e9ctor Marino Carabal\u00ed, um dos l\u00edderes protagonistas desta hist\u00f3ria, explica como se fortaleceram as organiza\u00e7\u00f5es sociais no norte do Cauca, ind\u00edgenas e afros, que, apesar das amea\u00e7as de morte, seguem unidas por sonhos comuns. \u201cTemos que nos atrever e sermos mais vis\u00edveis para proteger nossa integridade f\u00edsica. Este document\u00e1rio significa muito para n\u00f3s, porque \u00e9 um document\u00e1rio que percorre a mem\u00f3ria inter\u00e9tnica do movimento ind\u00edgena e afro, porque com eles compartilhamos territ\u00f3rios, viv\u00eancias, momentos de dor, por\u00e9m tamb\u00e9m, constru\u00edmos sonhos neste devir que nos legaram nossos ancestrais em meio \u00e0s adversidades, assassinatos e amea\u00e7as que n\u00e3o param\u201d.<\/p>\n<p>Carabal\u00ed aparece em uma caminhonete blindada e junto de duas escoltas fornecidas pela Unidade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o (Unp). Assim protegem sua vida das amea\u00e7as de grupos neoparamilitares na zona. No entanto, advertem os documentaristas e o pr\u00f3prio Carabal\u00ed, que muitos l\u00edderes ainda est\u00e3o desamparados e, por isso, exigem a implementa\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o coletiva para estas comunidades.<\/p>\n<p>Tom Laffay assim o advertiu, ap\u00f3s gravar Carabal\u00ed em reuni\u00f5es no norte do Cauca, junto de v\u00e1rios integrantes da Guarda Cimarrona. Igualmente, falou com Feliciano Valencia sobre a Guarda Ind\u00edgena. \u201cSei que o Governo faz um esfor\u00e7o importante atrav\u00e9s da UNP para proteger os l\u00edderes, por\u00e9m creio que deve avan\u00e7ar em reconhecer e legitimar as guardas \u00e9tnicas, ind\u00edgenas e cimarronas, que s\u00e3o grupos de pessoas desarmadas que podem defender de maneira coletiva estas sub-regi\u00f5es da Col\u00f4mbia\u201d.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio foi produzido por estes dois cineastas acompanhados pelo produtor colombiano, Daniel Bustos Echeverry, com quem cobriram protestos no sul do pa\u00eds e fizeram entrevistas no transcurso de um ano. \u201cVale a pena mencionar que t\u00ednhamos outro personagem, por\u00e9m decidimos cortar sua hist\u00f3ria do filme final pela seguran\u00e7a do l\u00edder e de sua fam\u00edlia\u201d, explica Laffay.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-lan\u00e7amento do audiovisual se realizou em abril passado na Universidade do Tolima, em Ibagu\u00e9, com estudantes que debateram o tema ao final da proje\u00e7\u00e3o. \u00c9 que esse \u00e9 precisamente o objetivo de \u201cEst\u00e3o nos matando\u201d, que se converta em uma ferramenta jornal\u00edstica e de mem\u00f3ria, em torno da qual as comunidades conversam e debatem sobre o fen\u00f4meno. E, tamb\u00e9m, tomam decis\u00f5es de como atuar frente \u00e0queles que querem silencia-los.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio tamb\u00e9m foi publicado nos meios de comunica\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e promete chegar a outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Norte para que a comunidade internacional se inteire dos sofrimentos, sacrif\u00edcios e dores que padece a sociedade civil colombiana na busca de construir um pa\u00eds em paz, conclui Laffay.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um document\u00e1rio de: Emily Wright, Tom Laffay e Daniel Bustos Echeverry:<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IJOKfMaMh3w?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>Document\u00e1rio: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IJOKfMaMh3w<\/p>\n<p>Fonte original: colombia2020<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/07\/05\/nos-estan-matando-un-documental-sobre-el-asesinato-de-lideres-y-lideresas-sociales-colombianas\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<hr \/>\n<p>Luis Barrios e Felicinda Santa Mar\u00eda foram assassinados em sua casa em 3 de julho, enquanto o pa\u00eds estava paralisado pela partida de futebol entre Col\u00f4mbia e Inglaterra. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de luta de dois l\u00edderes comunais que foram seccionados pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Luis Barrios e Felicinda Santa Mar\u00eda n\u00e3o souberam como terminou a partida de futebol entre Col\u00f4mbia e Inglaterra. Os dois foram assassinados em sua casa, na frente de sua fam\u00edlia, antes que terminasse o encontro futebol\u00edstico. Na Comuna Comuna Dos de Quibd\u00f3, em Choc\u00f3, e no munic\u00edpio Palmar de Varela, no Atl\u00e1ntico, o Mundial passou para terceiro plano. A tristeza e a desesperan\u00e7a, ap\u00f3s estes crimes, abarcaram todos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos oito dias, mataram seis l\u00edderes comunais no pa\u00eds. Em 2018 foram assassinados 40 l\u00edderes de juntas de a\u00e7\u00e3o comunal, segundo os n\u00fameros da Confedera\u00e7\u00e3o de A\u00e7\u00e3o Comunal da Col\u00f4mbia. A infame onda de mortes de l\u00edderes e lideran\u00e7as nos territ\u00f3rios n\u00e3o diminui.<\/p>\n<p>Sem prote\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>As amea\u00e7as eram iminentes. Em 8 de maio, Luis Barrios chegou ao escrit\u00f3rio do Defensor do Povo do Atl\u00e1ntico, Albeis Fuentes. O acompanhava Guillermo Polo, secret\u00e1rio do Interior do Atl\u00e1ntico. Barrios explicou com preocupa\u00e7\u00e3o por que sentia que desta vez, depois de anos de trabalho comunal, estava em perigo. \u201cNesse mesmo dia, e com car\u00e1ter urgente, ativei a rota de prote\u00e7\u00e3o com a Unidade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o, a Pol\u00edcia e a Procuradoria para proteger sua vida e sua identidade\u201d, comentou o defensor Fuentes.<\/p>\n<p>Em 15 de maio, se realizou uma reuni\u00e3o de seguran\u00e7a e o tema de Barrios foi central. No entanto, em 17 de maio, a Unidade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o respondeu que o risco por ele apresentado tinha sido avaliado como ordin\u00e1rio e que agora devia voltar a avaliar sua situa\u00e7\u00e3o. A resposta da Pol\u00edcia foi recebida pela Defensoria do Povo nesta quarta-feira. Um dia depois de ser assassinado, assegurando que faziam rondas pela casa de Barrios como medida preventiva. A rota de prote\u00e7\u00e3o, longu\u00edssima e burocr\u00e1tica para o risco que corria Barrios, n\u00e3o serviu de nada. Como tampouco serviu no caso de Bernardo Cuerdo, outro l\u00edder do Atl\u00e1ntico assassinado h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>\u201cSua morte nos golpeia muit\u00edssimo\u201d, disse Guillermo Polo que recorda que Barrios estava em todas as causas sociais. De fato, se ocupava das reclama\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios ante a empresa Electricaribe, pelo mau servi\u00e7o de luz que prestava. E foi muito cr\u00edtico acerca do sistema de sa\u00fade e da corrup\u00e7\u00e3o que, assegurava, corro\u00eda o hospital municipal de Palmar de Varela. Sua lideran\u00e7a era reconhecida em todo o departamento. Era o dirigente da Associa\u00e7\u00e3o Municipal de Juntas Comunais de Palmar de Varela e presidente do Comit\u00ea Executivo do Polo Democr\u00e1tico deste munic\u00edpio, que ao fim da campanha presidencial impulsionava a candidatura de Gustavo Petro. Uma raz\u00e3o para crer que seu assassinato pode ter motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Eram tantas as causas que levantava, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber de onde vieram os tiros. Recentemente, organizou um grupo de jovens para ajuda-los a sair da depend\u00eancia das drogas e, por isso, sua lua contra os delinquentes e as ondas de microtr\u00e1fico de narc\u00f3ticos foi sem incans\u00e1vel. Denunciou grupos e encarou os criminosos que controlavam o neg\u00f3cio. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o sabemos o que fazer. O Governo n\u00e3o presta a devida aten\u00e7\u00e3o\u201d, conclui com tristeza Alexis Marriaga, presidente da Federa\u00e7\u00e3o de A\u00e7\u00e3o Comunal do Atl\u00e1ntico, outro dos tantos l\u00edderes que apesar de ter um risco qualificado de \u201cextraordin\u00e1rio\u201d, s\u00f3 tem uma escolta com quem caminha e viaja em \u00f4nibus, porque tampouco tem carro de seguran\u00e7a designado.<\/p>\n<p>Os projetos de Felicinda<\/p>\n<p>No s\u00e1bado passado, 30 de junho, os habitantes do bairro Virgen del Carmen viram v\u00e1rios jovens e mulheres limpando galp\u00f5es. O faziam como parte de um projeto que Felicinda Santamar\u00eda Mosquera, l\u00edder comunit\u00e1ria, encabe\u00e7ou. \u201cJovens\u201d e \u201cmulheres\u201d s\u00e3o as duas palavras que pronunciam todas as pessoas com as quais falou Colombia 2020 para descrever sua lideran\u00e7a na Comuna 2 de Quibd\u00f3 (Choc\u00f3).<\/p>\n<p>\u201cEla pedia capacita\u00e7\u00e3o e trabalho para sua comunidade\u201d, conta Miguel Lemus Maturana, presidente das 29 juntas de a\u00e7\u00e3o comunal que existem na Comuna 2 de Quibd\u00f3. Felicinda, que desde abril de 2016 era a presidenta da junta de a\u00e7\u00e3o comunal do bairro Virgen del Carmen, estava incentivando h\u00e1 dois meses um projeto de hortas comunit\u00e1rias, criadouro de peixes e de frangos. Ajudava jovens e m\u00e3es chefes de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No bairro fazem presen\u00e7a uns quatro grupos criminosos, que se dedicam \u00e0 extors\u00e3o, ao furto e \u00e0 venda de narc\u00f3ticos. Al\u00e9m disso, Virgen del Carmen, como v\u00e1rios bairros de Quibd\u00f3, acolheu centenas de deslocados pela viol\u00eancia. \u201cO que mais a preocupava era ajudar os jovens que estavam descarrilando para que voltassem a ter a aceita\u00e7\u00e3o por parte da sociedade, para que n\u00e3o delinquissem nem fizessem coisas ruins\u201d, conta Lenin Gonz\u00e1lez, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Comunal de Choc\u00f3.<\/p>\n<p>Nas reuni\u00f5es de l\u00edderes comunit\u00e1rios, Felicinda sempre falava da situa\u00e7\u00e3o de seu bairro. Denunciava o p\u00e9ssimo estado das vias e do col\u00e9gio, que foram prejudicados por um vendaval, e a falta de lugares para a comunidade reunir-se. \u201cFalta muito a Quibd\u00f3 em termos de esportes e com o que as pessoas possam ocupar o tempo livre. Muitas vezes por falta disso a juventude termina em outros rumos\u201d, enfatiza Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<p>Em 3 de julho passado, ter\u00e7a-feira, segundo contam pessoas do bairro, Felicinda recebeu uma chamada. Disseram-lhe que fosse para a casa. Quando chegou, dois homens a estavam esperando e dispararam contra ela tr\u00eas vezes. A l\u00edder social caiu morta. Um l\u00edder da comunidade, que n\u00e3o se identificou por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, afirmou que no bairro se diz que um dos grupos criminosos culpava a l\u00edder pela captura de v\u00e1rios de seus membros, acusa\u00e7\u00e3o que pode ter desencadeado seu assassinato. No entanto, esperam que as autoridades jur\u00eddicas esclare\u00e7am os autores materiais e intelectuais.<\/p>\n<p>\u201cNeste momento, a comunidade est\u00e1 calada e assustada, porque o caso foi muito surpreendente\u201d, afirma Lemus, que conta que Felicinda n\u00e3o tinha reportado amea\u00e7as. O crime n\u00e3o tem apenas o medo rondando por Virgen del Carmen, pela comunidade e seus familiares pesarosos, mas tamb\u00e9m deixa \u00f3rf\u00e3os os projetos que a l\u00edder se encarregou de impulsar. Assim ficaram os jovens que Barrios defendia e ajudava a sair da viol\u00eancia e do consumo de drogas em Palmar de Varela.<\/p>\n<p>Colombia2020- Por Natalia Herrera \u2013 Nicol\u00e1s S\u00e1nchez Ar\u00e9valo<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/07\/05\/colombia-dos-lideres-sociales-asesinados-en-un-dia-de-futbol\/<\/p>\n<hr \/>\n<p>Aumentam assassinatos contra l\u00edderes do Colombia Humana<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano \/ 5 de julho de 2018 \/ Olga Patricia Rend\u00f3n Marulanda, El Colombiano<\/p>\n<p>Margarita Estupi\u00f1\u00e1n, lideran\u00e7a da campanha de Gustavo Petro e Angela Mar\u00eda Robledo (Colombia Humana) em Tumaco, foram assassinadas na noite de quarta-feira, na porta de sua casa, localizada na regi\u00e3o de Llorente.<\/p>\n<p>Duas horas antes, foi assassinada Ana Mar\u00eda Cort\u00e9s, em uma cafeteria em C\u00e1ceres, Antioquia.<\/p>\n<p>Sobre isso, Jorge Rojas, gerente da campanha, assegurou na Blu Radio que muitos l\u00edderes do Colombia Humana receberam amea\u00e7as, muitos deles em zonas de conflito por interesses de grupos armados. \u201cExiste um plano de exterm\u00ednio\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Justamente por este motivo, e pelos recentes assassinatos de lideran\u00e7as sociais em todo o pa\u00eds, os simpatizantes de Petro est\u00e3o convocando um vel\u00f3rio nacional nesta sexta-feira, \u00e0s 18:00, em todas as pra\u00e7as do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/07\/05\/aumentan-asesinatos-contra-lideres-de-colombia-humana\/<\/p>\n<hr \/>\n<p>As comunidades de Argelia n\u00e3o querem que a guerra se imponha em seu territ\u00f3rio<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano \/ 5 de julho de 2018 \/ Wilmar Harley Castillo Amorocho<\/p>\n<p>Devido aos fatos ocorridos em 3 de julho, em Argelia, departamento do Cauca, as comunidades campesinas repudiam estes atos violentos com um pronunciamento p\u00fablico e mobiliza\u00e7\u00f5es no lugar onde apareceram os corpos. Al\u00e9m disso, repudiam as estigmatiza\u00e7\u00f5es feitas pelos meios massivos de desinforma\u00e7\u00e3o quanto ao territ\u00f3rio por conta do conflito armado que sofre esta parte do pa\u00eds. Portanto, presume-se que as 7 v\u00edtimas foram assassinadas entre a regi\u00e3o de Honduras e Betania, no munic\u00edpio do Tambo, que limita com os munic\u00edpios L\u00f3pez de Micay e Argelia, j\u00e1 que alguns residentes ouviram disparos de fogo. Presume-se que os corpos foram transferidos \u00e0 vereda Desiderio Zapata, localidade de Zapata de Argelia.<\/p>\n<p>Algumas comunidades da cordilheira do Pat\u00eda afirmam que os corpos s\u00e3o das dissid\u00eancias das FARC, que operam nesta zona. Apesar disto, a situa\u00e7\u00e3o de ordem p\u00fablica na Argelia \u00e9 normal, porque os assassinatos n\u00e3o ocorreram neste munic\u00edpio, mas a comunidade tem serias preocupa\u00e7\u00f5es com a estigmatiza\u00e7\u00e3o de alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o que se apressam em informar sobre o ocorrido sem confirmar a veracidade dos fatos e sem atender aos informes das institui\u00e7\u00f5es competentes. Ressalta-se que Argelia \u00e9 um munic\u00edpio tranquilo devido \u00e0 assinatura dos acordos de paz.<\/p>\n<p>Por tudo que vem ocorrendo desde 3 de julho, a comunidade de Argelia tomar\u00e1 medidas frente a qualquer amea\u00e7a que se assome no territ\u00f3rio e ponha em risco a tranquilidade das pessoas. Entre as medidas, estar\u00e1 a mobiliza\u00e7\u00e3o e a unidade dos argelinos para continuar exigindo o cumprimento dos direitos e denunciar este tipo de ato, que coloque em risco a vida e territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer os interesses que movimentam esta parte do departamento do Cauca, devido ao cultivo da coca e dos produtos que surgem deste cultivo de uso il\u00edcito junto aos interesses de controlar as rotas que existem para sua comercializa\u00e7\u00e3o por parte de diversos grupos armados que operam no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o pronunciamento das comunidades campesinas de Argelia frente aos corpos encontrados neste 3 de julho, na regi\u00e3o de Desiderio Zapata.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/07\/05\/colombia-las-comunidades-de-argelia-no-quieren-que-se-imponga-la-guerra-en-su-territorio\/<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u201cN\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 normal esta morte\u201d, Piedad C\u00f3rdoba Ru\u00edz<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano*, 4 de julho de 2018.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 normal que em mais de um m\u00eas (entre 1\u00b0 de junho e 3 de julho) tenham sido assassinados 19 l\u00edderes sociais neste pa\u00eds e tampouco \u00e9 normal que milh\u00f5es de colombianos continuem por a\u00ed sem nem sequer sab\u00ea-lo ou surpreender-se. Culpa de quem? A quem acusamos pelos assassinatos e a quem condenamos pelo sil\u00eancio? Os usu\u00e1rios das redes sociais indignados n\u00e3o param de postar com imagens cru\u00e9is dos assassinatos que o futebol nos cegou como sociedade, outros cantaram os gols e concomitante \u00e0 derrota da equipe nacional na R\u00fassia, n\u00e3o pararam seus estados de tristeza, equiparando-os com a dor dos l\u00edderes assassinados. Os assassinatos sistem\u00e1ticos n\u00e3o come\u00e7aram com o Mundial de futebol. V\u00eam se apresentando h\u00e1 anos! Sempre buscamos periodiz\u00e1-los, georreferenci\u00e1-los com algum acontecimento, por\u00e9m paradoxalmente o antecedente deste tr\u00e1gico m\u00eas \u00e9 a assinatura do Acordo de \u201cpaz\u201d pactuado pela mais velha guerrilha do continente e o governo Santos. Desde o ano de 2016, n\u00e3o paramos de contar os mortos diariamente, de alertar de milhares de maneira o governo nacional e suas institui\u00e7\u00f5es que caso n\u00e3o se demonstrasse vontade para evitar mais mortes de l\u00edderes sociais, este flagelo se aprofundaria e, no dia de hoje (4 de julho), s\u00e3o mais de 300 os assassinados.<\/p>\n<p>Ao revisar detalhadamente a cobertura di\u00e1ria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre os assassinatos seletivos, indigna e entristece os poucos minutos e a maneira como os jornalistas emitem a not\u00edcia. N\u00e3o se v\u00ea nenhuma careta de raiva e nem a impot\u00eancia que expressavam ao falarem da ditadura na Venezuela, n\u00e3o alertam a essa massa de aut\u00f4matos que os escutam, que acreditam em tudo, que este pa\u00eds mata seus campesinos, seus jovens e mulheres, que est\u00e1 assassinando aqueles que pacificamente defendem suas terras e seus direitos ou, o que \u00e9 pior, que na Col\u00f4mbia se amea\u00e7a e se assassina aqueles que participaram de campanhas eleitorais diferentes das do candidato ganhador.<\/p>\n<p>Para fazer a cobertura do que conv\u00e9m aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, fazem transporte de equipes jornalistas, entrevistam via chamadas telef\u00f4nicas os diretamente afetados. Durante as not\u00edcias da manh\u00e3, meio-dia e noite, martelam nos c\u00e9rebros os fatos, adotam uma narrativa m\u00f3rbida para contar as hist\u00f3rias e personagens, visando \u201csensibilizar\u201d os que assistem \u00e0s emissoras de televis\u00e3o e os que escutam as r\u00e1dios. Dedicam as primeiras p\u00e1ginas dos jornais \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de imagens impactantes, assim metem medo e bord\u00f5es como o da \u201cideologia de g\u00eanero\u201d e \u201cn\u00e3o vamos nos tornar a Venezuela\u201d. Ent\u00e3o, \u00e9 a\u00ed onde n\u00e3o entendo por que, de maneira igualit\u00e1ria, n\u00e3o tratam um tema t\u00e3o grave como os assassinatos seletivos de l\u00edderes sociais, o que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds e a gravidade da reconfigura\u00e7\u00e3o da guerra? E digo isto n\u00e3o para gerar \u00f3dio nos colombianos, mas solidariedade, reivindica\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a a nossos governantes ou, ao menos, que se fa\u00e7am exig\u00eancias, assim como as fazem a P\u00e9kerman ou a qualquer jogador de futebol.<\/p>\n<p>Nem um s\u00f3 meio de comunica\u00e7\u00e3o falou sobre quem era Felicinda Santamar\u00eda, n\u00e3o enviaram equipes jornal\u00edsticas para entrevistar vizinhos ou seus familiares, tampouco a r\u00e1dio chamou nem se falou sobre seu trabalho comunal no bairro Virgen del Carmen del Choc\u00f3. Nem uma m\u00eddia nacional documentou um s\u00f3 caso dos l\u00edderes que foram assassinados. S\u00f3 reportaram n\u00fameros. Nem uma s\u00f3 hist\u00f3ria de vida ou algo reivindique o que realizavam homens e mulheres; l\u00edderes comunais, ind\u00edgenas, campesinos que ajudavam suas comunidades e sua gente, e agora, em meio \u00e0 norte, resta s\u00f3 a desola\u00e7\u00e3o e a indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Sobre o anterior, minha reclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ao futebol, \u00e9 ao governo nacional (ao que se vai e ao que chega) e aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, porque infelizmente estes \u00faltimos \u201ceducam\u201d mais que a escola. Eles ganharam. Seu triunfo \u00e9 a normaliza\u00e7\u00e3o da morte, o regresso da guerra, o \u00f3dio a quem pensa diferente, \u00e0s mulheres, aos jovens, aos gays, etc. Nunca a hist\u00f3ria que nos contam diariamente estes meios \u00e9 a nossa, esse relato \u00fanico nos submete ao passado e abre de novo o cap\u00edtulo do conflito interno Col\u00f4mbia X Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O \u00edmpeto que me leva a escrever isto n\u00e3o \u00e9 a raiva, mas a profunda tristeza pela morte, assim como pela naturalidade com a qual n\u00f3s colombianos assumimos essas mortes. Pergunto-me se realmente n\u00e3o interessa \u00e0 sociedade ou se os meios de comunica\u00e7\u00e3o impuseram uma matriz de opini\u00e3o para que isso n\u00e3o importe e continuemos com a vida, como se s\u00f3 tivesse ocorrido a derrota do futebol quando o que assistimos \u00e9 a derrota da vida e da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/07\/05\/no-no-es-normal-esta-muerte-piedad-cordoba-ruiz\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20193\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[234],"class_list":["post-20193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5fH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20193\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}