{"id":20195,"date":"2018-07-09T22:55:06","date_gmt":"2018-07-10T01:55:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20195"},"modified":"2018-07-09T22:55:06","modified_gmt":"2018-07-10T01:55:06","slug":"franca-as-lutas-prosseguem-cada-vez-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20195","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: as lutas prosseguem, cada vez mais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/franca\/imagens\/remy_08jul18.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por R\u00e9my Herrera<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/resistir.info\/franca\/remy_08jul18.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resistir.info<\/a><\/p>\n<p>Se, no conflito no SCNF*, as organiza\u00e7\u00f5es &#8220;reformistas&#8221; (CFDT) e de direita (UNSA) oficializaram em 28 de junho a sua sa\u00edda do movimento dos ferrovi\u00e1rios, os sindicatos combativos, CGT e Sud-Rali, representando s\u00f3 por si mais de 50% dos efetivos sindicalizados do setor ferrovi\u00e1rio, anunciaram a sua vontade de prosseguir em conjunto a mobiliza\u00e7\u00e3o no m\u00eas de julho \u2013 e provavelmente mais tarde, no ver\u00e3o. Mas a estrat\u00e9gia posta em marcha vai mudar: ao contr\u00e1rio da &#8220;greve intermitente&#8221; praticada desde abril, com um calend\u00e1rio de dias de greve estabelecido muito tempo antes (o que permite aos utilizadores preverem solu\u00e7\u00f5es de substitui\u00e7\u00e3o para seus transportes, assim como \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do SCNF organizar-se para atenuar os efeitos do movimento), a CGT e o Sud-Rali decidiram n\u00e3o revelar as datas de cess\u00e3o de trabalho sen\u00e3o poucos dias antes, mirando as grandes partidas de veranistas (fim de semana de 6 e 7 de julho, depois a 11 de julho para uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no setor do frete).<\/p>\n<p>As promessas do presidente Macron duraram apenas algumas horas. A dire\u00e7\u00e3o do SCNF j\u00e1 informou que o ramo do frete da empresa suprimir\u00e1 700 postos de trabalho daqui at\u00e9 2021. A raz\u00e3o apresentada? O d\u00e9ficit registrado por este ramo seria &#8220;agravado&#8221; pelas perdas provocadas pela greve! Os ferrovi\u00e1rios que, para muitos, perderam mais de 30 dias de sal\u00e1rio nos \u00faltimos tr\u00eas meses, seriam em suma respons\u00e1veis por estas demiss\u00f5es! E, sem vergonha, os sindicatos CFDT e UNSA que lan\u00e7aram o movimento \u2013 como se esperava \u2013 est\u00e3o mendigando migalhas nas negocia\u00e7\u00f5es com o departamento de recursos humanos sobre o novo &#8220;acordo coletivo do transporte ferrovi\u00e1rio&#8221; (em substitui\u00e7\u00e3o ao estatuto dos ferrovi\u00e1rios, abandonado). Como se diz aqui, &#8220;quando o patronato tiver decidido restabelecer a escravatura, os &#8216;reformistas&#8217; negociar\u00e3o com os seus mestres a dimens\u00e3o das cadeias usadas pelos escravos&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, uma outra mobiliza\u00e7\u00e3o de amplitude muito maior, tamb\u00e9m ela hist\u00f3rica pela sua for\u00e7a, sua determina\u00e7\u00e3o e sua dura\u00e7\u00e3o, desenvolve-se. Os trabalhadores da energia entraram em luta h\u00e1 mais de dez semanas. Trata-se de uma greve maci\u00e7a, muito din\u00e2mica, conduzida por jovens trabalhadores, principiada nomeadamente do lado de Marselha. Ao apelo da Federa\u00e7\u00e3o CGT da energia, os trabalhadores da eletricidade e do g\u00e1s puseram-se em movimento, em coopera\u00e7\u00e3o e em apoio \u00e0 greve dos ferrovi\u00e1rios, conforme modalidades bastante semelhantes, mas com reivindica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ao seu setor e num esp\u00edrito de converg\u00eancia em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Desde meados de junho este movimento vai num crescendo e afeta os s\u00edtios Enedis (filial da \u00c9lectricit\u00e9 de France, [EDF], primeiro fornecedor de eletricidade na Europa) e GRDF (Gaz R\u00e9seau Distribution France), filial da Engie (ex GDF Suez) e principal distribuidor de g\u00e1s natural na Europa). Em fins de junho, cerca de 300 locais estavam bloqueados e mais da metade deles estavam ocupados pelos trabalhadores. Estas greves foram primeiramente &#8220;intermitentes&#8221;, antes de se tornarem prorrog\u00e1veis, mesmo ilimitadas, fazendo desta mobiliza\u00e7\u00e3o a mais importante greve do setor da energia h\u00e1 dez anos no pa\u00eds. O ambiente ali \u00e9 muitas vezes cordial, familiar, mantendo grandes la\u00e7os de solidariedade local.<\/p>\n<p>Escandalizados pelos dividendos astron\u00f4micos pagos aos acionistas privados, os grevistas, na ofensiva, reclamam aumentos de sal\u00e1rios (no m\u00ednimo mais 400 euros mensais), a contrata\u00e7\u00e3o firme de colegas atualmente com contrato de dura\u00e7\u00e3o determinada ou tempor\u00e1ria, a anula\u00e7\u00e3o das supress\u00f5es de postos programadas, a reinternaliza\u00e7\u00e3o de atividades externalizadas e a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos setores da energia para um servi\u00e7o p\u00fablico posto autenticamente ao servi\u00e7o dos utilizadores \u2013 e n\u00e3o dos capitalistas.<\/p>\n<p>\u00c9 o culminar das lutas, m\u00faltiplas e poderosas, conduzidas pelos trabalhadores do g\u00e1s e da eletricidade desde h\u00e1 dois anos (com nomeadamente os &#8220;dias da c\u00f3lera&#8221; organizados durante v\u00e1rios meses no princ\u00edpio de 2017). Face \u00e0 amplitude da rebeli\u00e3o, os meios de comunica\u00e7\u00e3o dominantes imp\u00f5em uma censura total da informa\u00e7\u00e3o. Patronato e governo, aterrorizados, aguardam impacientemente as f\u00e9rias estivais que marcar\u00e3o provavelmente o sufocamento das lutas. Aterrorizada diante do risco de cont\u00e1gio, o poder joga na dispers\u00e3o dos trabalhadores, que a privatiza\u00e7\u00e3o e o desmembramento do setor p\u00fablico efetuam h\u00e1 anos. S\u00e3o discutidos mesmo pr\u00eamios para os empregados que se mantiverem calmos, nos setores nuclear e das linhas de alta tens\u00e3o&#8230; O que acontecer\u00e1 na reentrada [das f\u00e9rias], quando ressurgir a c\u00f3lera dos cidad\u00e3os contra Macron e renascer a esperan\u00e7a de mudan\u00e7a?<\/p>\n<p>*A SNCF ou Soci\u00e9t\u00e9 Nationale des Chemins de fer Fran\u00e7ais \u00e9 uma das principais empresas p\u00fablicas francesas. Ela exerce uma atividade dupla: por um lado, \u00e9 uma empresa ferrovi\u00e1ria encarregada da explora\u00e7\u00e3o comercial dos servi\u00e7os de transporte ferrovi\u00e1rio de passageiros e de mercadorias; e por outro, \u00e9 encarregada da explora\u00e7\u00e3o e da manuten\u00e7\u00e3o da rede f\u00e9rrea nacional francesa, por interm\u00e9dio do SNCF R\u00e9seau.<\/p>\n<p>https:\/\/resistir.info\/franca\/remy_08jul18.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20195\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[233],"class_list":["post-20195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5fJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}