{"id":20251,"date":"2018-07-16T22:48:37","date_gmt":"2018-07-17T01:48:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20251"},"modified":"2018-07-16T22:48:37","modified_gmt":"2018-07-17T01:48:37","slug":"a-atualidade-da-luta-por-memoria-verdade-e-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20251","title":{"rendered":"A atualidade da luta por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.greenme.com.br\/images\/viver\/abaixo-a-ditadura.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Lima J\u00fanior*<\/p>\n<p>No dia 03\/07), o ministro chileno Miguel V\u00e1zquez condenou a 18 anos de pris\u00e3o os nove ex-funcion\u00e1rios do Ex\u00e9rcito respons\u00e1veis pelo sequestro e assassinato do cantor Victor Jara e do dirigente comunista Littr\u00e9 Quiroga, em setembro de 1973 [1]. Jara e Littr\u00e9 foram presos ap\u00f3s o golpe contra o governo socialista de Salvador Allende e levados para o Est\u00e1dio do Chile, onde sofreram diversas torturas.<\/p>\n<p>Jara teve sua l\u00edngua cortada e suas m\u00e3os destro\u00e7adas, sendo assassinado com bala\u00e7os em 16 de setembro, cinco dias ap\u00f3s o golpe e sua pris\u00e3o. Littr\u00e9 Quiroga fora assassinado um dia antes e teve seu corpo encontrado junto ao de Jara e outros quatro cad\u00e1veres no cemit\u00e9rio metropolitano de Santiago.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 apenas um dos v\u00e1rios crimes associados \u00e0 ditadura militar chilena (1973-1990), que t\u00eam sido levados \u00e0 tona em busca de responsabilizar seus autores e lutar por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a. Casos como o rapto de crian\u00e7as durante a ditadura [2] ou as suspeitas sobre a real morte do poeta Pablo Neruda [3] tamb\u00e9m entram no bojo desse combate.<\/p>\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o aos crimes cometidos pela ditadura militar daqui (1964-1985) s\u00e3o bem diferentes. Dois dias ap\u00f3s a senten\u00e7a chilena, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Estado brasileiro pela falta de investiga\u00e7\u00e3o e julgamento aos respons\u00e1veis pela tortura e assassinato do jornalista Vladmir Herzog, nos por\u00f5es do DOI\/CODI em 1975. A apela\u00e7\u00e3o veio do Instituto Vladimir Herzog, encabe\u00e7ado pelo filho do jornalista, Ivo Herzog, ap\u00f3s desistir do julgamento nos tribunais nacionais ou em inst\u00e2ncias como a Comiss\u00e3o de Anistia.<\/p>\n<p>Diretor de telejornalismo da TV Cultura e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Herzog foi preso em 24 de outubro, ao comparecer nas instala\u00e7\u00f5es do DOI-CODI, ap\u00f3s intima\u00e7\u00e3o. Assassinado depois das sess\u00f5es de tortura, no dia seguinte teve sua morte declarada oficialmente como suic\u00eddio, o que levou ao grande combate para desmentir a vers\u00e3o oficial, gerando uma como\u00e7\u00e3o internacional, que resistiu \u00e0 censura da imprensa.<\/p>\n<p>O jornal El Pa\u00eds lembrou tamb\u00e9m que a CIDH havia decidido, em 2011, que o Estado processasse os acusados pelos assassinatos e desaparecimento de 62 pessoas na guerrilha do Araguaia [4]. Casos como esses mostram o papel conivente do estado brasileiro em rela\u00e7\u00e3o aos crimes cometidos no per\u00edodo da ditadura militar e a inefici\u00eancia do per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o em investigar e julgar, buscando reparar os erros e prezar para que os crimes de estado n\u00e3o mais aconte\u00e7am.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Chile, exemplos como o da Argentina mostram a diferen\u00e7a nos pa\u00edses em que os crimes dos regimes militares foram julgados e seus danos reparados, como a emblem\u00e1tica pris\u00e3o do ex-ditador Jorge Videla, condenado a 50 anos pela responsabilidade no sequestro de beb\u00eas, cometidos pelo seu governo no regime militar argentino (1976-1983). Aos 86 anos, Videla cumpriu pris\u00e3o em regime fechado, falecendo no ano seguinte como condenado por suas atrocidades [5].<\/p>\n<p>A luta por mem\u00f3ria, verdade e justi\u00e7a permanece na ordem do dia aqui no Brasil. \u00c9 importante a mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e democr\u00e1ticos nesta empreitada, buscando n\u00e3o somente que o Estado assuma seus erros, como que haja a responsabilidade aos culpados. Como Walter Benjamin diz nas suas teses sobre o conceito de hist\u00f3ria, s\u00e3o os vencedores quem contam a hist\u00f3ria oficial. Deixar escapar essa luta \u00e9 aceitar que a ditadura militar venceu ao apagar f\u00edsica e memorialmente aqueles que resistiram e sempre estiveram ao lado do povo. Que o Estado pague pelos seus crimes, antes que os ditadores morram tranquilos em suas camas confort\u00e1veis, enquanto muitos ainda choram na busca incessante pela resposta do paradeiro de seus entes queridos. O que n\u00f3s queremos \u00e9 a verdade, antes de tudo.<\/p>\n<p>1. Assassinos de Victor Jara s\u00e3o condenados no Chile\u00a0\u00a0http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20143\/assassinos-de-victor-jara-sao-condenados-no-chile<\/p>\n<p>2. Chile: acusa\u00e7\u00f5es por rapto de menores durante a ditadura\u00a0http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/19669\/chile-acusacoes-por-rapto-de-menores-durante-a-ditadura<\/p>\n<p>3. Hora de fazer justi\u00e7a com Neruda e com todos no Chile\u00a0http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/10922\/hora-de-fazer-justica-com-neruda-e-com-todos-no-chile<\/p>\n<p>4. Brasil \u00e9 condenado por n\u00e3o investigar assassinato e tortura de Vladimir Herzog\u00a0\u00a0https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/04\/politica\/1530734238_207748.html<\/p>\n<p>5. Morreu o antigo ditador argentino Jorge Videla\u00a0\u00a0https:\/\/www.publico.pt\/2013\/05\/17\/mundo\/noticia\/morreu-o-antigo-ditador-argentino-jorge-videla-1594722<\/p>\n<p>*Militante do PCB do Cear\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20251\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[221],"class_list":["post-20251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5gD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20251\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}