{"id":203,"date":"2008-10-30T08:56:39","date_gmt":"2008-10-30T08:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=203"},"modified":"2008-10-30T08:56:39","modified_gmt":"2008-10-30T08:56:39","slug":"as-eleicoes-de-2008-e-as-alternativas-da-esquerda-socialista-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/203","title":{"rendered":"AS ELEI\u00c7\u00d5ES DE 2008 E AS ALTERNATIVAS DA ESQUERDA SOCIALISTA NO BRASIL"},"content":{"rendered":"\n<p>E o pior \u00e9 que, se a esquerda socialista e os movimentos populares n\u00e3o criarem uma alternativa, quem vai decidir o jogo ser\u00e1 o PMDB, o partido que sai mais fortalecido dessas elei\u00e7\u00f5es e que j\u00e1 come\u00e7a a falar grosso, querendo as Presid\u00eancias do Senado e da C\u00e2mara, amea\u00e7ando candidatura pr\u00f3pria em 2010, para negociar mais espa\u00e7o de poder, al\u00e9m dos seis minist\u00e9rios que j\u00e1 ocupa. E \u00e9 bom lembrar que o PMDB s\u00f3 tem compromisso com Lula at\u00e9 2010 e assim mesmo se o partido continuar confort\u00e1vel em seu governo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, esse jogo pode ser resolvido antes de come\u00e7ar o primeiro tempo. Alguns fatores podem levar a um consenso burgu\u00eas que imponha, em 2010, uma solu\u00e7\u00e3o de &#8220;uni\u00e3o nacional&#8221;, em torno de algu\u00e9m como A\u00e9cio Neves, que se apresenta &#8220;acima das classes e dos partidos&#8221;, reencarnando seu av\u00f4, Tancredo Neves, a julgar pela experi\u00eancia piloto vitoriosa em Belo Horizonte, onde haver\u00e1 um governo de &#8220;coabita\u00e7\u00e3o&#8221; PT\/PSDB, na barriga de aluguel da legenda do PSB. Se este governo for um sucesso, a burguesia pode for\u00e7ar a edi\u00e7\u00e3o nacional dessa experi\u00eancia. Afinal, os dois partidos fizeram alian\u00e7a em mais de 1.000 munic\u00edpios nestas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O fator com mais potencial para pressionar uma solu\u00e7\u00e3o desse tipo \u00e9 a imprevis\u00edvel crise mundial do capitalismo, que j\u00e1 &#8220;atravessou o Atl\u00e2ntico&#8221; e come\u00e7a a trazer turbul\u00eancias para a economia brasileira. O agravamento da crise e o risco de Lula ficar ref\u00e9m do PMDB podem levar o governo federal para posi\u00e7\u00f5es mais conservadoras.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque a for\u00e7a do PMDB fica maior ainda, quando se verifica que a disputa pelo segundo lugar, nestas elei\u00e7\u00f5es, entre PTxPSDB, n\u00e3o teve vencedor. N\u00e3o havendo uma segunda for\u00e7a incontest\u00e1vel, a primeira paira acima das duas. Ambos saem destas elei\u00e7\u00f5es mais ou menos do mesmo tamanho, em n\u00famero de prefeitos e vereadores. Serra teve uma vit\u00f3ria em S\u00e3o Paulo, mas com um candidato &#8220;terceirizado&#8221;, filiado ao DEM, partido derrotado nacionalmente, condenado a sublegenda do PSDB, que consolidou sua hegemonia na oposi\u00e7\u00e3o de direita, que inclui (quem diria!) o PPS.<\/p>\n<p>O PT ficou do mesmo tamanho, mas perdeu qualidade, saindo das capitais mais importantes para a periferia. Perdeu tr\u00eas segundos turnos em capitais para o PMDB. N\u00e3o se pode dizer que Lula foi derrotado nestas elei\u00e7\u00f5es, mas saiu com menos peso pol\u00edtico. A fal\u00e1cia da transfer\u00eancia de votos se esfarelou, praticamente tirando do p\u00e1reo a candidata a &#8220;poste&#8221;, Dilma Russef, gerente principal do &#8220;choque de capitalismo&#8221;. Outro potencial candidato da base do governo, o indefect\u00edvel Cyro Gomes, pilotou um terceiro lugar na campanha em Fortaleza, que considerava seu quintal. E como deu trabalho para Lula eleger Luiz Marinho, em S\u00e3o Bernardo, onde o Presidente mora, vota e tem seu ber\u00e7o pol\u00edtico: foram necess\u00e1rios dois turnos e a campanha mais cara de todo o pa\u00eds, na rela\u00e7\u00e3o custo\/eleitor! A situa\u00e7\u00e3o do PT em 2010 pode n\u00e3o ser confort\u00e1vel. Pela primeira vez, Lula n\u00e3o ser\u00e1 candidato a Presidente e at\u00e9 agora n\u00e3o apareceu o &#8220;candidato natural&#8221; do Partido.<\/p>\n<p>Diante deste quadro, deve saltar aos olhos de quem se considera de esquerda a necessidade de se tentar criar uma alternativa \u00e0 bipolaridade conservadora ou ao consenso burgu\u00eas. A primeira coisa \u00e9 abandonar a ilus\u00e3o de uma candidatura &#8220;de esquerda&#8221; do PT \u00e0 sucess\u00e3o de Lula (que nem \u00e9 &#8220;de esquerda&#8221;), at\u00e9 porque qualquer candidatura do PT s\u00f3 ter\u00e1 alguma possibilidade se aprovada pelo PMDB. Ali\u00e1s, pode acontecer de o PMDB oferecer a Vice ao PT em 2010, pois, com a crise econ\u00f4mica, a tend\u00eancia \u00e9 que Lula, na ocasi\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o desfrute mais do atual \u00edndice de popularidade.<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o \u00e9 reconhecer que a frente de esquerda formada em 2006 \u00e9 absolutamente insuficiente para se auto-proclamar alternativa de poder. N\u00e3o se trata aqui de analisar a quest\u00e3o somente pelo resultado eleitoral dos tr\u00eas partidos que a compuseram (PCB, PSOL e PSTU), que foi abaixo da expectativa, sobretudo no caso do PSOL, partido-frente, herdeiro de uma tradi\u00e7\u00e3o eleitoral da antiga esquerda do PT, portador de quatro mandatos no Congresso Nacional. Os resultados matem\u00e1ticos desses partidos foram fracos, principalmente pela desigualdade de condi\u00e7\u00f5es frente aos partidos burgueses e reformistas, que disp\u00f5em de recursos fabulosos dos setores do capital que os financiam. Mas o fato \u00e9 que esses tr\u00eas partidos, mesmo juntos, n\u00e3o se tem apresentado como uma real alternativa de poder.<\/p>\n<p>Tanto \u00e9 que a frente de esquerda n\u00e3o se reproduziu nacionalmente nestas elei\u00e7\u00f5es exatamente porque em 2006 n\u00e3o passou de uma coliga\u00e7\u00e3o eleitoral, sem sequer um programa, sem continuidade, sem se transformar numa FRENTE POL\u00cdTICA real, permanente. Uma frente de esquerda tem que apresentar um projeto pol\u00edtico alternativo, para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o ser um mero expediente para eleger parlamentares e dar musculatura a m\u00e1quinas partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma alternativa real de poder em 2010 n\u00e3o pode ser apenas um ato de vontade da esquerda. Se o movimento de massas n\u00e3o se reanimar, a reedi\u00e7\u00e3o de uma frente de partidos com registro em 2010 (PCB, PSOL e PSTU) ser\u00e1 apenas um gesto burocr\u00e1tico, mais uma coliga\u00e7\u00e3o eleitoral, fadada novamente \u00e0 derrota. O que precisamos, al\u00e9m de apostar no movimento de massas, \u00e9 constituir uma FRENTE POL\u00cdTICA, baseada num programa comum e na unidade de a\u00e7\u00e3o, uma frente muito mais ampla do que esses tr\u00eas partidos citados e que incorpore outras organiza\u00e7\u00f5es populares, movimentos sociais, personalidades e correntes de esquerda n\u00e3o registradas no TSE, at\u00e9 para enfrentar as conseq\u00fc\u00eancias da crise do capitalismo, que certamente recair\u00e3o nas costas dos trabalhadores e do povo em geral.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pode ser uma frente pol\u00edtica apenas para disputar elei\u00e7\u00f5es, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco hist\u00f3rico para lutar por uma alternativa de esquerda para o pa\u00eds, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas, na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade fraterna e solid\u00e1ria. As experi\u00eancias recentes na Am\u00e9rica Latina mostram que a esquerda socialista s\u00f3 tem possibilidade de se tornar alternativa de poder e de realizar mudan\u00e7as a partir de elei\u00e7\u00f5es, se a vit\u00f3ria eleitoral for produto do avan\u00e7o do movimento de massas e se vier a enfrentar os inimigos de classe e romper os limites da legalidade burguesa.<\/p>\n<p>(*) Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Ivan Pinheiro*\nAs elei\u00e7\u00f5es municipais deste ano, apesar de absolutamente despolitizadas, acabaram por armar o cen\u00e1rio em que se dar\u00e1 a batalha eleitoral de 2010. Se a esquerda socialista n\u00e3o aprender com os resultados de 2008, vai continuar assistindo o jogo institucional de fora do campo, pela televis\u00e3o, uma briga de cachorro grande entre dois projetos, cada vez mais parecidos, ambos se apresentando como a melhor alternativa para destravar e alavancar o capitalismo: o campo majorit\u00e1rio do PT e o PSDB. O centro do debate ser\u00e3o n\u00fameros macro-econ\u00f4micos, ou seja, a compara\u00e7\u00e3o entre os governos FHC e Lula do ponto de vista do &#8220;risco Brasil&#8221;, do pre\u00e7o do d\u00f3lar, da balan\u00e7a comercial, das reservas internacionais, de quem criou mais (e piores) empregos e captou mais investimentos estrangeiros. Para usar uma express\u00e3o dos comentaristas econ\u00f4micos burgueses, &#8220;quem fez melhor o dever de casa&#8221;, leia-se, quem mais favoreceu o capital, que continua, no governo Lula, a aumentar sua participa\u00e7\u00e3o na riqueza nacional, em detrimento do trabalho.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/203\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c29-organizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3h","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}