{"id":20301,"date":"2018-07-23T21:20:14","date_gmt":"2018-07-24T00:20:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20301"},"modified":"2018-07-23T21:20:14","modified_gmt":"2018-07-24T00:20:14","slug":"saude-aos-pedacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20301","title":{"rendered":"Sa\u00fade aos peda\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/bf71639932b7e3845809182795d63953_L.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Elaine Tavares<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/240409-saude-aos-pedacos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio Liberdade<\/a><\/p>\n<p>O desmonte sistem\u00e1tico da m\u00e1quina p\u00fablica e o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00fanica via de acesso da maioria da popula\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia e seguran\u00e7a, voltou a colocar o Brasil no mapa da fome e da morte por doen\u00e7as que j\u00e1 deveriam ter sido erradicadas. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, \u00f3rg\u00e3o oficial do governo, divulgou que o \u00edndice de mortalidade infantil cresceu em 2016 pela primeira vez em 26 anos e que deve aumentar. As taxas que vinham sofrendo quedas desde 1990, agora voltaram a subir. Em 2016 foram 36.350 mortes de crian\u00e7as antes de completarem um ano de vida.<\/p>\n<p>Para o governo as causas s\u00e3o externas a ele. Segundo o minist\u00e9rio o aumento das mortes se deve ao surto de zika v\u00edrus, que provocou nascimentos de crian\u00e7as com m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita e tamb\u00e9m a pobreza, que faz com que aumente o n\u00famero de crian\u00e7as com doen\u00e7as do tipo diarreia e pneumonia, comuns nos espa\u00e7os insalubres e famintos.\u00a0 As regi\u00f5es do Centro-Oeste, Norte e Nordeste s\u00e3o as que apresentam taxas mais altas desse tipo de enfermidade.<\/p>\n<p>Entidades que trabalham com sa\u00fade, como a Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, denunciam que a eleva\u00e7\u00e3o desses n\u00fameros se deve ao corte de verbas de programas que eram fundamentais para garantir a sa\u00fade das crian\u00e7as: o Bolsa Fam\u00edlia e o Bolsa Cegonha. O primeiro deles, o Bolsa Fam\u00edlia foi lan\u00e7ado em 2003 pelo governo Lula, e garante uma renda m\u00ednima \u00e0 fam\u00edlias que vivem na extrema pobreza. Esse benef\u00edcio come\u00e7ou a sofrer cortes j\u00e1 em 2013 e desde a\u00ed vem caindo, diminuindo a cada dia o n\u00famero de fam\u00edlias beneficiadas. Atualmente atende 14 milh\u00f5es de fam\u00edlias com um or\u00e7amento de 27 bilh\u00f5es, que representa apenas 0,5% do PIB. Um valor extremamente baixo, apesar de garantir a sa\u00edda da mis\u00e9ria absoluta a milhares de pessoas. Esse ano o governo cortou 1,7 bilh\u00e3o do programa.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Bolsa Cegonha foi criado em 2012 pela presidenta Dilma, garantindo 50 reais \u00e0s gestantes para uso em deslocamentos para exames de pr\u00e9-natal e parto. Um valor irris\u00f3rio, mas que podia significar a diferen\u00e7a entre a vida e a morte. Cerca de nove bilh\u00f5es eram destinados ao programa, mas esse valor vem diminuindo consideravelmente, deixando muitas m\u00e3es de fora desse benef\u00edcio.<\/p>\n<p>A gerente executiva da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, Denise Cesario, disse, em entrevista a um jornal de S\u00e3o Paulo, que o governo n\u00e3o tem reajustado os valores, que j\u00e1 perdem para a infla\u00e7\u00e3o, e que a crise econ\u00f4mica, aliada ao desemprego estrutural e crescente, \u00e9 causa fundamental para a mortalidade de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastassem os cortes nos programas j\u00e1 consolidados, o governo federal tamb\u00e9m conseguiu aprovar a proposta de congelamento dos investimentos p\u00fablicos por 20 anos. Isso acaba repercutindo na sa\u00fade tamb\u00e9m. Sem investimento nos servi\u00e7os b\u00e1sicos de preven\u00e7\u00e3o como saneamento, \u00e1gua tratada e limpeza, o impacto negativo na sa\u00fade \u00e9 imediato. Setores de preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as das vigil\u00e2ncias epidemiol\u00f3gicas foram destru\u00eddos e mesmo com os surtos de dengue, zika e chikungunya, o trabalho de vigil\u00e2ncia diminuiu.<\/p>\n<p>No ano passado a febre amarela tamb\u00e9m voltou a assombrar o Brasil, doen\u00e7a que j\u00e1 estava praticamente erradicada. Segundo pesquisadores da Fiocruz, esse espantoso ressurgimento, que j\u00e1 vinha apresentando casos desde 2001, na regi\u00e3o Centro-Oeste, se deve ao processo de destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Com o desmatamento sistem\u00e1tico ou desastres ambientais pontuais, a doen\u00e7a reaparece. Mas, desde 2010 n\u00e3o tinham sido registrados casos em humanos. Em 2017 o surto se deu na regi\u00e3o do desastre provocado pela empresa Samarco (rompimento da barragem de res\u00edduos t\u00f3xicos), que simplesmente culminou com a morte de um rio inteiro. E foi justamente em Minas Gerais, na regi\u00e3o da bacia do rio Doce, que aconteceu o maior n\u00famero de mortes por febre amarela: 32 das 99 registradas.<\/p>\n<p>O sarampo, que era uma doen\u00e7a infantil erradicada desde 2016, voltou a apresentar casos no Brasil, inclusive com caracter\u00edsticas de surto. At\u00e9 o m\u00eas de maio j\u00e1 tinham sido comunicados 995 casos, a maioria na regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>E o mais aterrador: a poliomielite, erradicada desde 1994, tamb\u00e9m voltou, sendo que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontou alerta em pelo menos 312 cidades brasileiras. O governo alega que as doen\u00e7as voltaram porque houve queda na vacina\u00e7\u00e3o. Muitas fam\u00edlias deixam de vacinar os filhos, algumas delas inclusive, movidas por quest\u00f5es religiosas que apontam as vacinas como \u201ccoisas do diabo\u201d.<\/p>\n<p>O processo de privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos,\u00a0 a sistem\u00e1tica destrui\u00e7\u00e3o ambiental promovida pelo agroneg\u00f3cio, a diminui\u00e7\u00e3o crescente dos recursos para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas sociais, aliadas ao empobrecimento da maioria da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 quem acaba pagando a conta do modelo de desenvolvimento definido pelo governo,\u00a0 completam o dram\u00e1tico quadro\u00a0 social.<\/p>\n<p>E, ainda que estejamos num ano de elei\u00e7\u00f5es presidenciais, muito pouco tem sido debatida, pelos partidos e pelas lideran\u00e7as pol\u00edticas, a grave situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do povo brasileiro. Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o as not\u00edcias aparecem como casos isolados, desconectadas do todo. E as lutas que s\u00e3o travadas pelos trabalhadores p\u00fablicos da sa\u00fade, muitas vezes heroicas e solit\u00e1rias, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o pelos demais trabalhadores, que acabam acreditando na ideologia vomitada pela televis\u00e3o e pelos jornais, de que s\u00e3o apenas reivindica\u00e7\u00f5es singulares e corporativas. Pelo contr\u00e1rio, as batalhas contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, contra a gest\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es sociais, e o desmantelamento dos setores p\u00fablicos, s\u00e3o lutas que deveriam interessar e envolver a toda gente.\u00a0 Principalmente \u00e0quelas pessoas que dependem dos servi\u00e7os p\u00fablicos para garantir um m\u00ednimo de vida.<\/p>\n<p>\u00c9 mais do que chegada a hora de os sindicatos, centrais de trabalhadores e movimentos sociais encontrarem as pontas soltas dos grandes problemas nacionais e atuarem no sentido de informar, formar e organizar as lutas necess\u00e1rias \u00e0 maioria da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o povo em luta que avan\u00e7a e muda a vida.<\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/240409-saude-aos-pedacos.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20301\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190,197],"tags":[227],"class_list":["post-20301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","category-saude","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5hr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}