{"id":20303,"date":"2018-07-23T21:23:13","date_gmt":"2018-07-24T00:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20303"},"modified":"2018-07-23T21:23:13","modified_gmt":"2018-07-24T00:23:13","slug":"o-agro-e-sujo-veneno-mortes-e-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20303","title":{"rendered":"O &#8216;agro&#8217; \u00e9 sujo: veneno, mortes e destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/922\/43425516742_478f16039a_o.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>Por seus planos de neg\u00f3cios, multinacionais comprometem a alimenta\u00e7\u00e3o mundial<\/b><\/p>\n<p>Emilly Dulce<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/07\/18\/o-agro-e-sujo-veneno-mortes-e-destruicao-da-natureza-definem-agronegocio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio, modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola baseado no monocultivo, no grande latif\u00fandio e no uso ostensivo de agrot\u00f3xicos, consome cerca de 70% dos recursos de terra e \u00e1gua do planeta, mas produz apenas 30% do alimento mundial. Al\u00e9m disso, esse modelo de produ\u00e7\u00e3o gera 40% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a agricultura familiar e camponesa \u00e9 respons\u00e1vel por 70% dos alimentos, enquanto utiliza\u00a0apenas 30% dos mesmos\u00a0recursos. Os dados s\u00e3o do\u00a0Grupo de A\u00e7\u00e3o sobre Eros\u00e3o, Tecnologia e Concentra\u00e7\u00e3o (ETC)\u00a0e revelam uma realidade completamente diferente do que prega o discurso das corpora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas sobre o compromisso de alimentar a humanidade.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que eles [grupos empresariais que atuam no ramo de alimentos] fazem n\u00e3o \u00e9 para realmente combater a fome, mas para controlar mais o mercado e controlar o mercado de quem pode pagar por ele&#8221;, analisa Maureen Santos, coordenadora de Programas e Projetos de Justi\u00e7a Socioambiental da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll Brasil.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia de pagamento de royalties por patentes, por exemplo, \u00e9 uma das formas de controle de mercado, j\u00e1 que o agricultor que planta culturas transg\u00eanicas fica vinculado, por for\u00e7a de\u00a0contrato, \u00e0 empresa que det\u00e9m a propriedade intelectual da semente \u2013 a safra transg\u00eanica n\u00e3o produz\u00a0sementes f\u00e9rteis, for\u00e7ando o produtor rural a comprar novas sementes das corpora\u00e7\u00f5es a cada colheita.<\/p>\n<p>Dessa forma, os agricultores s\u00e3o restringidos no direito de decidir sobre seu pr\u00f3prio sistema alimentar e produtivo, j\u00e1 que as multinacionais agroqu\u00edmicas controlam cerca de 68% de todo o fornecimento comercial de sementes, conforme dados do Grupo ETC.<\/p>\n<p>&#8220;Essas grandes tecnologias de sementes est\u00e3o muito ligadas a alimentos que n\u00e3o se come, como a soja, que \u00e9 a base em alguns lugares do mundo, mas ela n\u00e3o \u00e9 a base da popula\u00e7\u00e3o da grande maioria dos pa\u00edses&#8221;,<strong>\u00a0<\/strong>completa Santos.<\/p>\n<p>O agro \u00e9 &#8216;tech&#8217;?<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de insumos agr\u00edcolas e\u00a0sementes transg\u00eanicas nas m\u00e3os de poucas empresas impulsiona tamb\u00e9m a depend\u00eancia de fertilizantes qu\u00edmicos e pesticidas, que\u00a0s\u00e3o produzidos pelas mesmas\u00a0empresas. S\u00e3o produtos capazes de\u00a0contaminar todas as formas de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Em Mato Grosso, foi feita uma pesquisa onde a \u00e1gua, a terra, o ar, os alimentos, tudo, at\u00e9 o leite materno de mulheres amamentando, est\u00e3o envenenados por esses agrot\u00f3xicos&#8221;,\u00a0enfatiza Regina Reinart, encarregada de projetos da Misereor na Am\u00e9rica Latina. A\u00a0organiza\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica da Alemanha de combate \u00e0 mis\u00e9ria atua em diversos pa\u00edses de Am\u00e9rica, \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Dos 504 agrot\u00f3xicos liberados no Brasil, 30% s\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia pelos riscos que oferecem \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. H\u00e1 uma d\u00e9cada, o Brasil lidera o uso de agrot\u00f3xicos no mundo, com 20% do com\u00e9rcio mundial. As consequ\u00eancias sociais, sanit\u00e1rias e ecol\u00f3gicas desse modelo de produ\u00e7\u00e3o atingem, principalmente, os povos e comunidades tradicionais, como afirma Reinart.<\/p>\n<p>Pesquisas t\u00eam relacionado o uso de agrot\u00f3xicos com o aumento no n\u00famero de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas e suic\u00eddios no meio rural.<\/p>\n<p>Agro \u00e9 &#8216;pop&#8217;?<\/p>\n<p>De 2013 a 2017, o n\u00famero de assassinatos no campo subiu 105%, muitos deles em chacinas relacionadas justamente \u00e0 disputa pelos modos de produ\u00e7\u00e3o no campo, de acordo com a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT). Al\u00e9m do aumento no n\u00famero de mortes, as tentativas de assassinatos subiram 63%, e as amea\u00e7as de morte, 13%.<\/p>\n<p>Entre as v\u00edtimas dos\u00a0conflitos, figuram principalmente camponeses, ind\u00edgenas e quilombolas. J\u00e1 os agentes da viol\u00eancia s\u00e3o, em grande medida,\u00a0fazendeiros, empres\u00e1rios e grileiros, seguidos de mineradoras, madeireiras, hidrel\u00e9tricas e do pr\u00f3prio Estado, que deveria coibir a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O trabalho escravo e o \u00eaxodo rural tamb\u00e9m s\u00e3o pontos cruciais das estrat\u00e9gias\u00a0do capital internacional para o campo, como destaca Pat Mooney, fundador e diretor-executivo do Grupo ETC.<\/p>\n<p>&#8220;A falta de alimentos nutritivos, al\u00e9m dos altos pre\u00e7os, sempre gera viol\u00eancia. A luta pelo controle da terra e pelo controle da \u00e1gua para a irriga\u00e7\u00e3o neste mundo certamente gera viol\u00eancia. E isso leva a mais migra\u00e7\u00f5es e todas as trag\u00e9dias que acontecem durante a migra\u00e7\u00e3o de uma parte do mundo para outra. Essas coisas est\u00e3o intrinsecamente ligadas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso \u00e9 um ciclo vicioso desse com\u00e9rcio do agroneg\u00f3cio e do plano econ\u00f4mico do Brasil, que est\u00e1 vendendo o pa\u00eds sem respeitar a lei da natureza e os povos&#8221;,\u00a0completa Regina Reinart.<\/p>\n<p>O agro \u00e9 lobby<\/p>\n<p>No \u00e2mbito pol\u00edtico, a bancada ruralista, conjunto de deputados e senadores que representa o agroneg\u00f3cio corporativo no Legislativo brasileiro, articula para restringir direitos dos trabalhadores do campo enquanto patrocina propostas como o Projeto de Lei 6.299\/2002, conhecido como Pacote do Veneno, aprovado em comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados no \u00faltimo dia 25 de junho. A proposta pretende facilitar a produ\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o, registro e com\u00e9rcio de agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n<p>O lobby do agroneg\u00f3cio se intensificou ainda mais por meio de uma s\u00e9rie de megafus\u00f5es entre as multinacionais que atuam no setor de alimentos. No ano passado, foram as estadunisendes Dow e Du Pont, al\u00e9m da su\u00ed\u00e7a Syngenta com a estatal ChemChina.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, a conclus\u00e3o da compra bilion\u00e1ria da estadunidense Monsanto pela alem\u00e3 Bayer concentrou ainda mais o mercado de insumos agr\u00edcolas. &#8220;Bay-Santo&#8221;, como a fus\u00e3o da empresa foi apelidada pelas entidades que analisam o setor, agora \u00e9 a maior fornecedora de sementes e pesticidas do mundo.\u00a0Juntas, elas v\u00e3o deter\u00a034 das 75 variedades transg\u00eanicas registradas hoje no Brasil, conforme dados da\u00a0Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio).<\/p>\n<p>Em contrapartida, Mooney ressalta que a rede de produ\u00e7\u00e3o familiar e camponesa \u00e9 imensamente mais inovadora, bem-sucedida e eficiente econ\u00f4mica e financeiramente do que a cadeia industrial de alimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso significa, se olharmos a quest\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar, que temos que nos perguntar: quem tem mais condi\u00e7\u00f5es de ajudar o mundo a lidar com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e todas as crises que esperamos enfrentar no futuro? Uma rede campesina de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, com uma imensa diversidade e altamente descentralizada, ou uma cadeia industrial de alimentos altamente centralizada e concentrada que trabalha com pouqu\u00edssimas esp\u00e9cies e variedades de plantas?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Diego Sartorato<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0Pulveriza\u00e7\u00e3o de veneno sobre lavoura no interior brasileiro. Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/07\/18\/o-agro-e-sujo-veneno-mortes-e-destruicao-da-natureza-definem-agronegocio\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20303\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239,81],"tags":[225],"class_list":["post-20303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","category-c94-ruralistas","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ht","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}