{"id":20379,"date":"2018-08-01T20:13:51","date_gmt":"2018-08-01T23:13:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20379"},"modified":"2018-08-01T20:13:51","modified_gmt":"2018-08-01T23:13:51","slug":"a-nova-ordem-mundial-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20379","title":{"rendered":"A nova ordem mundial do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.vistaalmar.es\/images\/stories\/fotos-8\/barril-petroleo-arena-ficcion.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por\u00a0 Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/1985-a-nova-ordem-mundial-do-petroleo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AEPET<\/a><\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, a Guerra Ir\u00e3-Iraque, entre 1980 e 1988,\u00a0a Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991, e o fim da URSS, em 1991, atingiram em cheio alguns dos maiores produtores e exportadores mundiais de petr\u00f3leo, dividindo e enfraquecendo a OPEP, e destruindo a capacidade de produ\u00e7\u00e3o russa. Foi um per\u00edodo de anarquia no mercado mundial de petr\u00f3leo, e ocorreu no mesmo momento em que as grandes corpora\u00e7\u00f5es petroleiras privadas promoveram uma grande desconcentra\u00e7\u00e3o e &#8220;desverticaliza\u00e7\u00e3o&#8221; do seu capital e de suas estrat\u00e9gias, enquanto o petr\u00f3leo era transformado num &#8220;ativo financeiro&#8221; cujo pre\u00e7o era renegociado diariamente nas Bolsas de Nova York e Londres. Entretanto, no final dos anos 90 e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, esta tend\u00eancia foi revertida de forma abrupta e radical. E tudo come\u00e7ou, surpreendentemente, pelas pr\u00f3prias petroleiras privadas anglo-americanas, que comandaram &#8211; a partir de 1998 &#8211; uma nova revolu\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria privada do petr\u00f3leo, envolvendo-se num processo gigantesco de fus\u00f5es de empresas que j\u00e1 eram as maiores do mundo, e que deram origem \u00e0s atuais Exxon-Mobil, ConocoPhillips, Chevron, BP, Total, ou mesmo, \u00e0 norueguesa StatoilHydro.Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, a Guerra Ir\u00e3-Iraque, entre 1980 e 1988,<\/p>\n<p>Esse terremoto inicial assumiu logo em seguida novas formas com a reestatiza\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o das grandes empresas energ\u00e9ticas russas, chinesas e indianas, junto com a expans\u00e3o das empresas estatais da Ar\u00e1bia Saudita e de v\u00e1rios outros pa\u00edses incluindo o Brasil, sobretudo depois da descoberta do petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas, em 2006. E de um passo decisivo com as novas formas de explora\u00e7\u00e3o intensiva do petr\u00f3leo de xisto que recolocou os EUA entre os tr\u00eas maiores produtores mundiais de \u00f3leo. Uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida e profunda que levou o grande especialista norte-americano, Michael Klare em petr\u00f3leo, a afirmar que o mundo havia entrado numa &#8220;nova ordem energ\u00e9tica internacional&#8221;, caracterizada pela hiperconcentra\u00e7\u00e3o do capital petroleiro privado, pela multiplica\u00e7\u00e3o das grandes petroleiras estatais, e pela crescente hegemonia do nacionalismo econ\u00f4mico e do &#8220;nacionalismo energ\u00e9tico&#8221;, entre as grandes pot\u00eancias do sistema mundial, mesmo entre as chamadas &#8220;pot\u00eancias liberais&#8221;, incluindo os Estados Unidos de Donald Trump, o \u00faltimo dos &#8220;conversos&#8221;. E de fato, 20 anos depois do in\u00edcio desta transforma\u00e7\u00e3o, cerca de dois ter\u00e7os das reservas de petr\u00f3leo do mundo se concentram no territ\u00f3rio de 15 pa\u00edses, e em 13 deles s\u00e3o de propriedade estatal; das 20 maiores empresas petroleiras do mundo, 15 s\u00e3o estatais e controlam 80% das reservas mundiais. As outras cinco empresas s\u00e3o privadas e controlam menos de 15% da oferta mundial do petr\u00f3leo. Por isso, tem toda raz\u00e3o Daniel Yergin \u2013 outro grande especialista americano \u2013 quando diz que nos dias de hoje as principais decis\u00f5es relativas ao petr\u00f3leo \u2013 da defini\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os ao tra\u00e7ado das grandes estrat\u00e9gias \u2013 s\u00e3o tomadas pelos Estados nacionais e suas grandes empresas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil identificar uma causa \u00fanica que explique esta revolu\u00e7\u00e3o na ordem mundial do petr\u00f3leo. Mas \u00e9 poss\u00edvel pelo menos destacar algumas turbul\u00eancias fundamentais, que ocorreram simultaneamente. No plano econ\u00f4mico, o enorme crescimento dos pa\u00edses asi\u00e1ticos e, em particular, da China e da \u00cdndia, que produziu um verdadeiro &#8220;choque de demanda&#8221; sobre o mercado mundial de petr\u00f3leo. Por outro lado, no plano geopol\u00edtico, a guerra quase cont\u00ednua no Oriente M\u00e9dio, que j\u00e1 se prolonga desde 2001, provocando um verdadeiro &#8220;choque de expectativas&#8221; negativas no mercado mundial, com a perspectiva de uma guerra permanente envolvendo as grandes pot\u00eancias, e quase todos os pa\u00edses de dentro e fora daquela regi\u00e3o com grandes reservas de petr\u00f3leo. Por fim, como consequ\u00eancia destes acontecimentos intensificou a concorr\u00eancia das grandes pot\u00eancias, e sua luta para conquistar e monopolizar os novos recursos descobertos neste per\u00edodo, sobretudo no Canad\u00e1, Venezuela e Brasil. Assim mesmo, olhando de maneira mais ampla, se pode dizer tamb\u00e9m que esta nova &#8220;ordem do petr\u00f3leo&#8221; \u00e9 de fato um produto de longo prazo da expans\u00e3o do sistema interestatal capitalista, ocorrida na segunda metade do s\u00e9culo XX. N\u00e3o se trata apenas da entrada da China e da \u00cdndia; trata-se de um sistema com 200 Estados nacionais que disputam hoje um recurso absolutamente escasso, concentrado e essencial para sua sobreviv\u00eancia como sociedades e economias nacionais, mas tamb\u00e9m como unidades territoriais soberanas que participam de uma luta sem quartel pelo poder e pela riqueza mundial.<\/p>\n<p>Nesse contexto geopol\u00edtico, e nessa nova ordem mundial do petr\u00f3leo, s\u00f3 uma elite inteiramente corrompida e rebaixada, do ponto de vista moral, e completamente imbecilizada, do ponto de vista intelectual, pode abrir m\u00e3o do controle estatal de seus recursos energ\u00e9ticos nacionais j\u00e1 conquistados. Julho de 2018<\/p>\n<p>Obs: Este artigo foi, inicialmente, publicado em GEEP e faz parte de uma s\u00e9rie sobre as mudan\u00e7as internacionais dos \u00faltimos anos, analisadas a partir da estrat\u00e9gia dos seus principais atores, e de sua posi\u00e7\u00e3o dentro dos principais tabuleiros geopol\u00edticos e geoecon\u00f4micos mundiais.<\/p>\n<p>Obs: Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori \u00e9 Professor permanente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional, e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bio\u00e9tica e \u00c9tica Aplicada da UFRJ; Coordenador do Grupo de Pesquisa do CNPq\/UFRJ, &#8220;Poder Global e Geopol\u00edtica do Capitalismo&#8221;,\u00a0www.poderglobal.net, e do Laborat\u00f3rio de &#8220;\u00c9tica e Poder Global&#8221;, do PPGBIOS; e consultor do GEEP-FUP.<\/p>\n<p>http:\/\/www.aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/1985-a-nova-ordem-mundial-do-petroleo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20379\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9,21],"tags":[225],"class_list":["post-20379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","category-c35-o-petroleo-tem-que-ser-nosso","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5iH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}