{"id":2038,"date":"2011-11-06T19:58:23","date_gmt":"2011-11-06T19:58:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2038"},"modified":"2011-11-06T19:58:23","modified_gmt":"2011-11-06T19:58:23","slug":"os-estados-unidos-desejam-simplesmente-dominar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2038","title":{"rendered":"Os Estados Unidos desejam simplesmente dominar o mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>by John Pilger<\/p>\n<p>14 de Outubro, o presidente Barack Obama anunciou o envio de for\u00e7as especiais americanas para a guerra civil do Uganda. Nos pr\u00f3ximos meses, tropas de combate americanas ser\u00e3o enviadas para o Sud\u00e3o do Sul, Congo e Rep\u00fablica Centro-Africana. Obama assegurava tamb\u00e9m, satiricamente, que estas apenas &#8220;atuar\u00e3o&#8221; em &#8220;auto-defesa&#8221;. Com a L\u00edbia securizada, est\u00e1 ent\u00e3o em marcha uma invas\u00e3o americana do continente africano.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Obama \u00e9 descrita pela imprensa como &#8220;bastante invulgar&#8221;, &#8220;surpreendente&#8221; e at\u00e9 como &#8220;esquisita&#8221;. Nada est\u00e1 mais longe da verdade. \u00c9 a l\u00f3gica pr\u00f3pria \u00e0 pol\u00edtica externa americana desde 1945. Recordemos o caso do Vietname. A prioridade era ent\u00e3o fazer frente \u00e0 influ\u00eancia da China, um rival imperial, e &#8220;proteger&#8221; a Indon\u00e9sia, considerada pelo presidente Nixon a &#8220;maior reserva de recursos naturais da regi\u00e3o&#8221; e como &#8220;o maior pr\u00e9mio&#8221;. O Vietname estava simplesmente no caminho dos EUA; a chacina de mais de 3 milh\u00f5es de vietnamitas e a destrui\u00e7\u00e3o e envenenamento daquela terra era o pre\u00e7o a pagar para alcan\u00e7ar este objectivo. Como em todas as invas\u00f5es americanas posteriores, um rastro de sangue desde a Am\u00e9rica Latina at\u00e9 ao Afeganist\u00e3o e ao Iraque, a argumenta\u00e7\u00e3o era sempre a da &#8220;auto-defesa&#8221; e do &#8220;humanitarismo&#8221;, palavras h\u00e1 muito esvaziadas do seu significado original.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, diz-nos Obama, a &#8220;miss\u00e3o humanit\u00e1ria&#8221; \u00e9 ajudar o governo de Uganda a derrotar o Ex\u00e9rcito de Resist\u00eancia do Senhor (LRA), que &#8220;assassinou, violou e raptou dezenas de milhares de homens, mulheres e crian\u00e7as na \u00c1frica Central&#8221;. Esta \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o exata do LRA, que evoca m\u00faltiplas atrocidades administradas pelos pr\u00f3prios Estados Unidos, como \u00e9 disso exemplo o banho de sangue que se seguiu, nos anos 60, ao assassinato perpetrado pela CIA do l\u00edder congol\u00eas Patrice Lumumba, democraticamente eleito, ou ainda a opera\u00e7\u00e3o da CIA que instalou no poder aquele que \u00e9 considerado o mais venal tirano africano, Mobutu Sese Seko.<\/p>\n<p>Outra justifica\u00e7\u00e3o de Obama tamb\u00e9m parece rid\u00edcula. Esta \u00e9 a &#8220;seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos&#8221;. O LRA esteve a fazer o seu trabalho sujo durante 24 anos, com interesse m\u00ednimo dos Estados Unidos. Hoje ele tem pouco mais de 400 combatentes e nunca esteve t\u00e3o fraco. Contudo, &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221; estado-unidense habitualmente significa comprar um regime corrupto e criminoso que tem algo que Washington deseja. O &#8220;presidente vital\u00edcio&#8221; de Uganda, Yoweri Museveni, j\u00e1 recebe a parte maior dos US$45 milh\u00f5es de &#8220;ajuda&#8221; militar dos EUA \u2013 incluindo os drones favoritos de Obama. Este \u00e9 o seu suborno para combater uma guerra por procura\u00e7\u00e3o contra o mais recente e fantasm\u00e1tico inimigo isl\u00e2mico da Am\u00e9rica, o andrajoso grupo al Shabaab na Som\u00e1lia. O RTA desempenhar\u00e1 um papel de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, distraindo jornalistas ocidentais com as suas perenes hist\u00f3rias de horror.<\/p>\n<p>No entanto, a principal raz\u00e3o para a invas\u00e3o americana do continente africano n\u00e3o \u00e9 diferente daquela que levou \u00e0 guerra do Vietname: \u00c9 a China. Num mundo de paran\u00f3ia servil e institucionalizada, que justifica aquilo que o general Petraeus, o antigo comandante norte-americano e hoje director da CIA, chama um estado de guerra perp\u00e9tua, a China est\u00e1 a substituir a Al-Qaeda como a &#8220;amea\u00e7a&#8221; oficial americana. Quando entrevistei Bryan Whitman, secret\u00e1rio de estado adjunto da Defesa, no Pent\u00e1gono no ano passado, pedi-lhe para descrever os perigos atuais para os EUA no mundo. Debatendo-se visivelmente repetia: &#8220;Amea\u00e7as assim\u00e9tricas \u2026 amea\u00e7as assim\u00e9tricas&#8221;. Estas &#8220;amea\u00e7as assim\u00e9tricas&#8221; justificam o patroc\u00ednio estatal \u00e0 lavagem de dinheiro por parte da ind\u00fastria militar, bem como o maior or\u00e7amento militar e de guerra da Hist\u00f3ria. Com Osama Bin Laden fora de jogo, \u00e9 a vez da China.<\/p>\n<p>A \u00c1frica faz parte da hist\u00f3ria do \u00eaxito chin\u00eas. Onde os americanos levam drones e destabiliza\u00e7\u00e3o, os chineses levam ruas, pontes e barragens. O principal interesse s\u00e3o os recursos naturais, sobretudo os f\u00f3sseis. A L\u00edbia, a maior reserva de petr\u00f3leo africana, representava durante o governo Kadafi uma das mais importantes fontes petrol\u00edferas da China. Quando a guerra civil come\u00e7ou e a OTAN apoiou os &#8220;rebeldes&#8221; fabricando uma hist\u00f3ria sobre supostos planos da Kadafi para um &#8220;genoc\u00eddio&#8221; em Bengazi, a China evacuou 30 mil trabalhadores da L\u00edbia. A resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU que permitiu a &#8220;interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria&#8221; por parte dos pa\u00edses ocidentais, foi sucintamente explicada numa proposta dos &#8220;rebeldes&#8221; do Conselho Nacional de Transi\u00e7\u00e3o ao governo franc\u00eas, divulgada no m\u00eas passado pelo jornal Lib\u00e9ration, na qual 35% da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo L\u00edbia eram oferecidos ao estado franc\u00eas &#8220;em troca&#8221; (termo utilizado no texto em quest\u00e3o) do seu apoio &#8220;total e permanente&#8221; ao CNT. O embaixador americano na Tripoli &#8220;libertada&#8221; Gene Cretz, confessou: &#8220;Sabemos bem que o petr\u00f3leo \u00e9 a j\u00f3ia da coroa dos recursos naturais l\u00edbios&#8221;<\/p>\n<p>A conquista de fato da L\u00edbia por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados imperiais \u00e9 o s\u00edmbolo da vers\u00e3o moderna da &#8220;corrida \u00e0 \u00c1frica&#8221; do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Tal como na &#8220;vit\u00f3ria&#8221; no Iraque, os jornalistas desempenharam um papel fundamental na divis\u00e3o dos l\u00edbios entre v\u00edtimas v\u00e1lidas e inv\u00e1lidas. Uma primeira p\u00e1gina recente do Guardian mostrava um l\u00edbio &#8220;pr\u00f3-Kadafi&#8221; aterrorizado e os seus captores de olhos brilhantes que, como intitulado, &#8220;festejavam&#8221;. De acordo com o general Petraeus, existe hoje uma guerra da &#8220;percep\u00e7\u00e3o&#8230; conduzida continuamente pelos meios de informa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Durante mais uma d\u00e9cada, os Estados Unidos procuraram estabelecer um comando militar no continente africano, o AFRICOM, mas este foi rejeitado pelos governos da regi\u00e3o, receosos das tens\u00f5es que da\u00ed poderiam advir. A L\u00edbia, e agora o Uganda, o Sud\u00e3o do Sul e o Congo, representam a oportunidade dos Estados Unidos. Como revelou a Wikileaks e o departamento americano de estrat\u00e9gia contra-terrorista (National Strategy for Counterterrorism \u2013 White House), os planos americanos para o continente africano s\u00e3o parte de um projeto global, no quadro do qual 60 mil elementos das for\u00e7as especiais, incluindo esquadr\u00f5es da morte, operam j\u00e1 em mais de 75 pa\u00edses, n\u00famero que aumentar\u00e1 em breve para 120. Como j\u00e1 dizia Dick Cheney no seu plano de &#8220;estrat\u00e9gia de defesa&#8221;:\u00a0<strong><em>Os Estados Unidos desejam simplesmente dominar o mundo<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Que esta seja a d\u00e1diva de Barack Obama, o &#8220;filho de \u00c1frica&#8221;, ao seu continente \u00e9 incrivelmente ir\u00f3nico. N\u00e3o \u00e9? Como explicava Frantz Fanon no seu livro &#8220;Pele negra, m\u00e1scaras brancas&#8221;, o que importa n\u00e3o \u00e9 a cor da tua pele, mas os interesses que serves e os milh\u00f5es de pessoas que acabas por trair.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-9Bah9VzBNC0\/TrPovefYftI\/AAAAAAAAB68\/KnNA3siJglw\/s1600\/africa_oil_gas.jpg\" target=\"_blank\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-9Bah9VzBNC0\/TrPovefYftI\/AAAAAAAAB68\/KnNA3siJglw\/s400\/africa_oil_gas.jpg?resize=395%2C400\" border=\"0\" width=\"395\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p>20\/Outubro\/2011<\/p>\n<p>O original em ingl\u00e9s :<\/p>\n<p>Obama, The Son of Africa, Claims a Continent\u2019s Crown Jewels<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de MQ.<\/p>\n<p>Este artigo em portugu\u00eas encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nO &#8220;Filho de \u00c1frica&#8221; reclama as j\u00f3ias da coroa de todo um continente\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2038\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-wS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}