{"id":2042,"date":"2011-11-07T23:35:45","date_gmt":"2011-11-07T23:35:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2042"},"modified":"2011-11-07T23:35:45","modified_gmt":"2011-11-07T23:35:45","slug":"o-fascismo-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2042","title":{"rendered":"O fascismo do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"\n<p>As d\u00e9cadas dos anos 20 e 30 do s\u00e9culo passado, anteriores a grande crise do capitalismo imperialista, foram tamb\u00e9m as do auge do movimento nazifascista. Na It\u00e1lia, conquistaram o poder em 1922, ap\u00f3s a Marcha sobre Roma encabe\u00e7ada por Mussolini, que havia sido um dos dirigentes m\u00e1ximos do Partido Socialista Italiano. Na Alemanha, chegaram ao poder em 1933, implantando o III Reich. No Estado espanhol, depois do golpe militar de 1936, a Falange e suas organiza\u00e7\u00f5es de massas se impuseram durante 40 anos.<\/p>\n<p>Com a agudiza\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica do capitalismo de Estado e o perigo de revolu\u00e7\u00f5es socialistas, os capitalistas da \u00e9poca, patrocinadores de todos estes movimentos, buscavam apartar a classe oper\u00e1ria e a as grandes massas do \u201cbolchevismo\u201d. Os nazifascistas n\u00e3o se apresentavam perante as pessoas como extrema direita, nem sequer como direita, afirmando n\u00e3o ser \u201cnem de direita nem de esquerda\u201d.<\/p>\n<p>Todos eles diziam defender os trabalhadores. O partido nazista se chamava, nem mais nem menos, \u201cPartido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alem\u00e3es\u201d. Na Espanha, a falange pregava a \u201crevolu\u00e7\u00e3o nacional sindicalista\u201d. Seu discurso atacava o capitalismo e os bancos, apresentando-se como uma \u00abterceira via\u00bb ou \u00abterceira posi\u00e7\u00e3o\u00bb, oposta radicalmente tanto \u00e0 democracia burguesa,\u00a0cada vez mais questionada, como \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, partidos e sindicatos de classe, que consideravam n\u00e3o representativos. Frente a estes se levantam as organiza\u00e7\u00f5es do corporativismo italiano alem\u00e3o ou o sindicato vertical espanhol.<\/p>\n<p>Obviamente, os nazifascistas jamais fizeram outra coisa do que \u201cmelhorar\u201d o capitalismo, e jamais questionaram a propriedade privada. E, muito menos, a oligarquia que criticavam da boca para fora, que de fato alimentavam.<\/p>\n<p>Noventa anos mais tarde, uma nova crise econ\u00f4mica volta a fazer tremer os alicerces do capitalismo imperialista. E a oligarquia necessita outra vez desviar os assalariados de ideias e propostas que possam cobrar for\u00e7a pondo em perigo seu dom\u00ednio de classe. Desta vez, sem d\u00favida, n\u00e3o esperemos ver camisas pardas, negras ou azuis. Os pequenos grupelhos neonazis, desprezados pelo povo como grupos de psicopatas, n\u00e3o s\u00e3o de grande utilidade.<\/p>\n<p>Nessa mudan\u00e7a t\u00e1tica, voltamos a ver aqueles, que se aproveitando do descontentamento popular, procuram apartar a maioria de qualquer influ\u00eancia \u201cbolchevique\u201d. Dizendo estar contra o capitalismo, levantam reivindica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o ponham em perigo o sistema. Trata-se de \u201creform\u00e1-lo\u201d, de melhor\u00e1-lo \u201cpacificamente\u201d.<\/p>\n<p>Que melhor v\u00e1lvula de escape do pr\u00f3prio sistema que uns protestos que n\u00e3o v\u00e3o mais al\u00e9m e que acabam em si mesmos. Um mero descarrego que alivie a press\u00e3o sem propor um modelo alternativo de sociedade (o que requer ideologia e organiza\u00e7\u00e3o). Por isso, para os que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u201cpac\u00edficos\u201d, lhes pro\u00edbem as bandeiras e os s\u00edmbolos dos sindicatos e dos partidos revolucion\u00e1rios, chegando \u00e0 agress\u00e3o f\u00edsica a quem se atreva a expressar visualmente sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Trata-se de substituir as mobiliza\u00e7\u00f5es da esquerda anticapitalista, dos sindicatos e dos comunistas, frente aos que lan\u00e7am as consignas de \u201cnem partidos nem sindicatos\u201d, \u201cn\u00e3o nos representam\u201d, etc. Tentaram na Gr\u00e9cia, por\u00e9m chegaram demasiado tarde para desativar as mobiliza\u00e7\u00f5es da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) e dos comunistas. O passo seguinte j\u00e1 conhecemos: atacar os trabalhadores e assassinar comunistas, como tem ocorrido recentemente em Atenas.<\/p>\n<p>Trata-se, definitivamente, de manter as posi\u00e7\u00f5es do capitalismo e respald\u00e1-las com uma dissid\u00eancia controlada, com \u201cassembleias\u201d (apenas para nome\u00e1-las de alguma forma) manipuladas, e com uma potente m\u00e1quina de propaganda, contando com o respaldo mistificador da imprensa burguesa e das multinacionais das redes sociais na Internet.<\/p>\n<p>Basta perguntar quem est\u00e1 por tr\u00e1s, quem financia, quem sustenta. Certamente n\u00e3o s\u00e3o os que vivem de sal\u00e1rio!<\/p>\n<p>A trama \u00e9 burlesca. S\u00f3 a debilidade ideol\u00f3gica e pol\u00edtica da esquerda anticapitalista explica o acoplamento ante esta nova forma de fascismo do s\u00e9culo XXI, de anarco fascismo ou como queiramos denomin\u00e1-lo. O erro bem intencionado de tentar conciliar com o monstro, de recuper\u00e1-lo eleitoralmente ou de pactuar com ele, s\u00f3 leva ao desastre.<\/p>\n<p>*Teodoro Santana \u00e9 membro do Comit\u00ea Central do <a href=\"http:\/\/independenciaysocialismo.wordpress.com\/\">Partido Revolucion\u00e1rio dos Comunistas das Can\u00e1rias (PRCC)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PRCC\n\n\n\n\n\n\n\n\nTeodoro Santana*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2042\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-wW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}