{"id":20421,"date":"2018-08-06T20:34:57","date_gmt":"2018-08-06T23:34:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20421"},"modified":"2018-08-06T20:35:27","modified_gmt":"2018-08-06T23:35:27","slug":"marcha-pela-legalizacao-do-aborto-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20421","title":{"rendered":"Marcha pela Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/zssFiJc7ymldGNlY755OEIO4d_bOmmKvtvhA_P0KgZMi6i-BGw1lclZ_VQspGIswBHYwZRnsRR1IeS76arGOw5sOcYXulowuR1nXT2qC_vPY_IvQHDBkroTlhg4kPq0b5s1eVG2tPpv0yGrMt98e3R6OZtX31i5kDcZEAcQ18k-IubEGF5NSFsfdQpdGGsWGCea_u6nzSc3QS3kcyCc17aG5ZCgcN8JkHWUpTcxmbbGNbM4HOsutXqJyxrLWtW0HgA8CukC7RyfKJ5tQhBF49whfkIvGCgTEhFSyvEctXNLY1aFxKyPxQ4U8sNQuqw4uVTYK5RonbKxg9lAMgNw2HZSzGfV2oG3KecrUecIpBLhoM0R3nr6Ea3_PDfsE0eKrHLMN73YXOKjchMN37BRhDx7u-k7DO-GVc7vKgzaAhqSnv31cO4-WGIy05Fjv64SD4O__dK7sQyIcWMx1JOehxecxzEWRZOxeAxClPhIgWnCGL2xNDoSqbkU103zmozLzUxs9Sp5aFmqDrQvem1cIRq-eCfY7iLTfoVi6bt0euLXj_o6Pc3ZROFM3Y6EIN5FkcTFEphDTVj1YAHSIExIELruPA0vInf81peIK7KzT5f8Zx61mD6AU8t3SUX0QMheIkFzpJk7punEK_izRvGMhYXAQuF5SynGoPg=s720-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 mais uma forma de controle sobre a vida das mulheres trabalhadoras, principalmente sobre as mulheres negras e pobres das periferias urbanas. A justificativa do direito \u00e0 vida expressa por setores religiosos mostra-se totalmente contradit\u00f3ria quando analisados os n\u00fameros de mortes de mulheres devido a abortos clandestinos. Estat\u00edsticas apontam que s\u00e3o realizados cerca de 46 milh\u00f5es de abortos anualmente em todo o mundo, aproximadamente 160 mil por dia. Entre esses, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 19 milh\u00f5es s\u00e3o feitos de maneira clandestina e insegura, resultando na morte de 70 mil mulheres por ano e mais 5 milh\u00f5es que enfrentam sequelas do procedimento mal realizado. As leis restritivas s\u00e3o a causa fundamental dessas mortes. Em pa\u00edses onde se descriminalizou o aborto e se investiu em educa\u00e7\u00e3o sexual e reprodutiva os n\u00fameros de abortos diminu\u00edram, como \u00e9 o caso do Uruguai.<\/p>\n<p>Aquelas que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas realizam seus abortos em cl\u00ednicas com boas condi\u00e7\u00f5es de higiene e tecnologia apropriada, enquanto as mulheres trabalhadoras precisam enfrentar cl\u00ednicas em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es ou realizar abortos de forma inapropriada, por conta pr\u00f3pria. S\u00e3o essas mulheres que, al\u00e9m de serem abandonadas pelo Estado, ainda sofrem viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o quando buscam ajuda em espa\u00e7os de sa\u00fade ou morrem por n\u00e3o conseguirem atendimento diante das complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa para o patriarcado se milhares de mulheres morrem todos os dias devido aos abortos clandestinos, j\u00e1 o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 a vida, mas sim a reprodu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e social do formato da fam\u00edlia individualista burguesa, do patriarcado e a manuten\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas jornadas de trabalho da mulher, que tem que cuidar dos filhos, cuidar e satisfazer sexualmente os maridos, manter a higiene da casa, preparar os alimentos, cuidar dos idosos e ainda trabalhar fora. Ou seja, todas as obriga\u00e7\u00f5es que deveriam ser do Estado s\u00e3o supridas no interior das fam\u00edlias pelas mulheres ou por empregadas dom\u00e9sticas, que majoritariamente s\u00e3o mulheres negras (muitas na informalidade e, mesmo quando contratadas, precisam enfrentar intensas jornadas e p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho). Por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar nesse debate a quest\u00e3o da autonomia das mulheres, o direito \u00e0 maternidade e o fim da maternidade compuls\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe alternativa de escolha de uma gravidez em uma sociedade extremamente machista, com alto n\u00edvel de viol\u00eancia sexual e psicol\u00f3gica contra as mulheres e onde existe um alto n\u00edvel de sexualiza\u00e7\u00e3o da juventude, principalmente as meninas e jovens negras. Para al\u00e9m disso, temos poucas condi\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e trabalho para as mulheres em todas as idades, o que as leva a aceitar relacionamentos muitas vezes abusivos e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas nos mesmos. N\u00e3o adianta campanha para uso de anticoncepcionais se, para muitas mulheres, as \u00fanicas condi\u00e7\u00f5es de sobreviver \u00e9 o casamento e a perman\u00eancia no ambiente dom\u00e9stico em relacionamentos abusivos. Isso aumenta o n\u00famero de gesta\u00e7\u00f5es indesejadas e, consequentemente, o n\u00famero de abortos clandestinos.<\/p>\n<p>A descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 uma \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica: trata-se de garantir o direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade das mulheres. Ela deve estar aliada \u00e0 luta cont\u00ednua contra essa sociedade capitalista, patriarcal e machista, contra o desemprego, por condi\u00e7\u00f5es dignas de vida, de trabalho e pelo acesso universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossas lutas precisam convergir contra todo ataque aos direitos da classe trabalhadora no Brasil e no mundo. A reforma da previd\u00eancia, a reforma trabalhista e as privatiza\u00e7\u00f5es dos setores p\u00fablicos atingem nossas vidas e nos deixam ainda mais expostas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia cotidianas. As mobiliza\u00e7\u00f5es das mulheres precisam estar juntas e fazer coro nas vozes de toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Pela vida das mulheres!<\/p>\n<p>Contra os ataques aos nossos direitos e \u00e0 nossas vidas, no Brasil e em todo o mundo!<\/p>\n<p>N\u00e3o a Reforma da Previd\u00eancia! Pela a revoga\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista! Contra as privatiza\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Aborto legal ya ! Ni una a menos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20421\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,180],"tags":[225],"class_list":["post-20421","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-feminista","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5jn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20421\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}