{"id":2045,"date":"2011-11-08T00:05:20","date_gmt":"2011-11-08T00:05:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2045"},"modified":"2011-11-08T00:05:20","modified_gmt":"2011-11-08T00:05:20","slug":"alfonso-cano-heroi-da-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2045","title":{"rendered":"Alfonso Cano, Her\u00f3i da Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"\n<p>Alfonso Cano, comandante-chefe das For\u00e7as Armadas Revolucionarias da Colombia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.<\/p>\n<p>Alfonso Cano bateu-se pela liberta\u00e7\u00e3o da Colombia durante mais de quatro d\u00e9cadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogot\u00e1 quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de car\u00e1cter. Era um intelectual brilhante que tinha dos cl\u00e1ssicos do marxismo e da Hist\u00f3ria do seu pa\u00eds um conhecimento profundo quando aderiu \u00e0s FARC.<\/p>\n<p>Ter\u00e1 sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ide\u00f3logos da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. N\u00e3o supreendeu, portanto, a sua nomea\u00e7\u00e3o para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.<\/p>\n<p>Como era de esperar chovem agora sobre o presidente Juan Manuel Santos felicita\u00e7\u00f5es dos dirigentes dos pa\u00edses imperialistas. O crime \u00e9 por eles transformado em grande vit\u00f3ria da democracia contra o terrorismo.<\/p>\n<p>Os\u00a0media do sistema j\u00e1 elaboraram e divulgaram uma extensa lista dos \u00abcrimes\u00bb cometidos pelo \u00abterrorista\u00bb e \u00abnarcotarfiante\u00bb morto.<\/p>\n<p>Omitem obviamente que Alfonso Cano foi o respons\u00e1vel do projecto que as FARC enviaram \u00e0 ONU e ao governo colombiano nos anos 90, propondo a erradica\u00e7\u00e3o da cultura da coca num prazo de 10 anos do munic\u00edpio de Cartagena del Chair\u00e1, o maior produtor da planta maldita no pa\u00eds. Essa experi\u00eancia piloto exigiria apenas o modesto financiamento de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares. A iniciativa foi, por\u00e9m imediatamente vetada pelo governo de Bogot\u00e1, considerado por Washington modelo de democracia e o seu melhor aliado na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>A oligarquia colombiana festejou, naturalmente, com entusiasmo a morte do l\u00edder das FARC. A organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira define o regime, desde a presid\u00eancia de Uribe, como fascizante. E n\u00e3o exagera no qualificativo.<\/p>\n<p>O Presidente Juan Manuel Santos, ministros e generais deslocaram-se a Popayan, capital do Departamento do Cauca onde foi assassinado Cano, para ver o seu cad\u00e1ver, em exposi\u00e7\u00e3o, condecorar os matadores e celebrar o crime em ambiente de entusiasmo. Os militares esclareceram que no acampamento onde se travou o ultimo combate foram encontrados os computadores do comandante e que o seu conte\u00fado \u00abser\u00e1 estudado\u00bb. A not\u00edcia logo correu mundo. Tudo indica que o governo, repetindo o uso que fez dos computadores manipulados do comandante Raul Reyes, tornar\u00e1 em breve p\u00fablicas revela\u00e7\u00f5es sensacionais sobre a sua descoberta.<\/p>\n<p>O comandante Alfonso Cano, como outros membros do secretariado do Estado-maior central das FARC tinha a cabe\u00e7a a premio por mais de um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 inc\u00f3modo para Santos e os seus ep\u00edgonos reconhecer que na Opera\u00e7\u00e3o \u00abOdisseia\u00bb &#8211; insulto ao her\u00f3i grego de Homero &#8211; montada para a abater o comandante das FARC participaram 2300 oficiais sargentos e soldados, avi\u00f5es Super Tucano e muitos helic\u00f3pteros.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano o governo de Bogot\u00e1 divulgou not\u00edcias segundo as quais Alfonso Cano se encontraria no Oriente, pr\u00f3ximo da fronteira da Venezuela. Eram falsas.<\/p>\n<p>O secretariado das FARC, no momento em que escrevo, ainda n\u00e3o se pronunciou sobre as circunst\u00e2ncias do crime.<\/p>\n<p>Mas o simples facto de as selvas do oriente do pa\u00eds distarem cerca de 800 quil\u00f3metros do munic\u00edpio de Suarez, no Cauca, onde ele morreu, ap\u00f3s dois bombardeamentos maci\u00e7os e um cerco montado por tropas especiais convida \u00e0 reflex\u00e3o. Duas cadeias de gigantes andinos da Cordilheira Oriental e da Central separam essas frentes de combate.<\/p>\n<p>Ignoro por onde se movimentou Cano nos \u00faltimos meses. As declara\u00e7\u00f5es ao di\u00e1rio El Tiempo dos militares que o mataram n\u00e3o inspiram confian\u00e7a. Num ponto coincidem todas: Alfonso Cano caiu combatendo!<\/p>\n<p>A capacidade estrat\u00e9gica e a mobilidade dos guerrilheiros das FARC, cruzando montanhas, rios e florestas, em travessias que a Hist\u00f3ria registou e inspiraram poetas e novelistas somente encontram precedente na saga de Bol\u00edvar galgando os Andes, durante a campanha de liberta\u00e7\u00e3o de Nova Granada (a actual Colombia).<\/p>\n<p>Alfonso Cano, como Jorge Brice\u00f1o, Jacobo Arenas e Manuel Marulanda souberam pelo seu exemplo, como revolucion\u00e1rios comunistas, conquistar em vida o respeito de milh\u00f5es de compatriotas. Mortos, os seus nomes permanecer\u00e3o na Hist\u00f3ria como her\u00f3is da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Foram dur\u00edssimos os golpes recebidos nos \u00faltimos anos pela organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira mais antiga do Continente, que se bate h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas por uma Colombia democr\u00e1tica, livre, progressista, enfrentando um ex\u00e9rcito de 300 000 homens, armado e financiado pelos EUA.<\/p>\n<p>Mas a hierarquia da Igreja e inclusive a oligarquia crioula est\u00e3o conscientes de que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o militar para o tr\u00e1gico conflito que ensanguenta a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A euforia de Juan Manuel Santos \u2013 protector de paramilitares assassinos &#8211; n\u00e3o consegue ocultar a sua certeza de que o combate das FARC vai prosseguir. Ele pr\u00f3prio reconheceu j\u00e1 essa evid\u00eancia. Os media oficiais avaliam em 10 000 o numero actual de guerrilheiros das FARC.<\/p>\n<p>A luta continua na Colombia!<\/p>\n<p><em>Vila Nova de Gaia, 5 de Novembro de 2011<\/em><\/p>\n<blockquote data-secret=\"Y3pvqzy6qQ\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2267\">A Semana no Olhar Comunista &#8211; 0025<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2267\/embed#?secret=Y3pvqzy6qQ\" data-secret=\"Y3pvqzy6qQ\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;A Semana no Olhar Comunista &#8211; 0025&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2045\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-wZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2045\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}