{"id":20512,"date":"2018-08-14T10:07:51","date_gmt":"2018-08-14T13:07:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20512"},"modified":"2018-08-14T15:18:49","modified_gmt":"2018-08-14T18:18:49","slug":"sobre-a-patria-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20512","title":{"rendered":"Sobre a P\u00e1tria Grande"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/CquzOEyQuIiGCaRJnXwj_7pc2hulLP5LMQkvc5R4X4NRrmYdG87iSki3dUXlePRVeLg33QS6CRRberT0Z65FU7KjLW6CX8HvBcNAXhZ7HBXSIIksgTvEDswpCqeE3LF7Lf978rDYDBusMLfNQX7uxDFeASa-HP5cqkRmdjD_9pkruZRWqbj6-aCWAUBXbBAt4t3SoypiceFhYqpl6PdMWfO2rss3xaQtIFSDA5e-2bJaennVS2RrAUg-rMcQxyM791XRE33_zmdUNI4RtWW24evHetQLUqAjx1gcQyS5phPdu-ag2oC2Q2H6SA6oBBup4gMr5F_olqRXDLbAGPKRlmH2ariYAyADTepqaWcFmUg0fVqgBw2gitgol8BXP-uxdtQdCzQ2Hmks39bJt1hm3UYTySlyUyX0BU3qVY8aGnSZMSF5GHdeR_UH3SY3KPHMk067B3zrpP_P7MXatxauiAtfMlvNowjQiYDYivefI7mYjDPNIboZfs-Kbbih2GfK3hWvQLzNV4Vag74K9zyjn9ZrUy9kgVfL-dB35ssLsk4HH46hP44h0GMvXvgHd2IZwCyb0TFg_DVt9ykrCXjJFQ2BcWSDKa30Tuae7grN30lMdy29OmVnCs8zxRNh22iMdRreTUq33oDC6p8qXbiNhau57rFSaB6YWw=w441-h298-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jones Manoel*<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX a maior pot\u00eancia econ\u00f4mica, militar e geopol\u00edtica do mundo era a Inglaterra. Esse pa\u00eds estimulou os processos de independ\u00eancia nacional na Am\u00e9rica Espanhola, pois era necess\u00e1rio remodelar o rudimento de mercado mundial que existia para atender os interesses do capital ingl\u00eas. Fim do monop\u00f3lio colonial, da escravid\u00e3o como base principal da produ\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica e a cria\u00e7\u00e3o de Estados-nacionais formalmente independentes no plano pol\u00edtico, mas totalmente dependentes no plano econ\u00f4mico, eram necessidades imperiosas do capital ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Era fundamental para os interesses do imp\u00e9rio impedir uma comunidade de na\u00e7\u00f5es unificadas como aconteceu com a independ\u00eancia das 13 col\u00f4nias que formaram os Estados Unidos. Nesse sentido, a Inglaterra atuou em duas frentes estrat\u00e9gicas: garantir a independ\u00eancia deslocando Portugal e Espanha de qualquer protagonismo pol\u00edtico e econ\u00f4mico na regi\u00e3o, mas ao mesmo tempo, destruindo qualquer possibilidade de uma na\u00e7\u00e3o latino-americana unificada.<\/p>\n<p>Os libertadores da Am\u00e9rica estavam plenamente conscientes da necessidade de unir o nosso continente para evitar uma escraviza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e militar camuflada no manto da independ\u00eancia pol\u00edtica formal. Sim\u00f3n Bol\u00edvar foi o principal l\u00edder e s\u00edmbolo desse projeto da P\u00e1tria Grande. O Brasil, diferentemente dos pa\u00edses que surgiram com o fim da Am\u00e9rica Espanhola, n\u00e3o passou por um processo radical de independ\u00eancia e tornou-se, no s\u00e9culo XIX, o principal instrumento da pol\u00edtica externa imperial inglesa. O nosso pa\u00eds teve papel fundamental na destrui\u00e7\u00e3o do Paraguai de Solano L\u00f3pez e seu avan\u00e7ad\u00edssimo projeto de soberania nacional, contribuiu com o desmembramento da Argentina com a cria\u00e7\u00e3o do Uruguai e foi o principal c\u00e3o de guarda do capital ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo XX, especialmente ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, o projeto da P\u00e1tria Grande voltou a ganhar forte impulso e ades\u00e3o de massas. Uma P\u00e1tria Grande soberana, forte, democr\u00e1tica, independente e socialista. Contudo, o ciclo de ditaduras militares do grande capital teve a fun\u00e7\u00e3o de enterrar, de novo, esse grande objetivo. O Brasil, mais uma vez, foi ponta de lan\u00e7a na contrarrevolu\u00e7\u00e3o latino-americana e atuou como o principal c\u00e3o de guarda do imperialismo estadunidense. A ditadura militar, dentre outras coisas, teve como fun\u00e7\u00e3o afastar de nossa cultura, pol\u00edtica e produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica qualquer sentido s\u00e9rio de integra\u00e7\u00e3o latino-americana e o debate sobre o bolivarianismo. Enquanto toda Am\u00e9rica do Sul estava debatendo com radicalidade a supera\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia e do subdesenvolvimento, esse debate era proscrito no Brasil e o que se apresentava como &#8220;pensamento cr\u00edtico&#8221;, a oposi\u00e7\u00e3o consentida \u00e0 ditadura, era o &#8220;marxismo&#8221; paulista produzido na USP e no Cebrap sobre o comando de monsieur Fernando Henrique Cardoso &#8211; a canoniza\u00e7\u00e3o do &#8220;Grupo de estudos O Capital&#8221; de S\u00e3o Paulo \u00e9 parte indissoci\u00e1vel dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na abertura do s\u00e9culo XXI, com a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana na Venezuela e, posteriormente, com os processos pol\u00edticos na Bol\u00edvia e no Equador, o tema da P\u00e1tria Grande voltou com furor, mas, outra vez, esse tema foi ignorado no Brasil e nos anos do PT no governo a integra\u00e7\u00e3o latino-americana era abordada quase que exclusivamente como a cria\u00e7\u00e3o de mercado para os capitais atuantes no Brasil. No fant\u00e1stico mundo do petismo, especialmente no segundo Governo Lula, n\u00e3o existia mais imperialismo, mas multilateralismo, os EUA tinham esquecido a Am\u00e9rica e estavam concentrados no Oriente M\u00e9dio (o n\u00edvel de falta de iniciativa de integra\u00e7\u00e3o real dos governos do PT foi tal que o Governo Lula, quando da cria\u00e7\u00e3o da Telesur, resolveu ficar de fora e n\u00e3o trouxe a emissora para o Brasil).<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o ser\u00e1 em 2018, infelizmente, que o tema da P\u00e1tria Grande ter\u00e1 destaque no projeto pol\u00edtico da esquerda socialista brasileira. Fora do projeto da P\u00e1tria Grande Socialista n\u00e3o existe futuro para nosso continente. Seremos sempre pa\u00edses dependentes e subdesenvolvidos subordinados ao capital dominante do momento. Ou nos integramos ou morremos.<\/p>\n<p>*Militante do PCB de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20512\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[219],"class_list":["post-20512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5kQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}