{"id":20531,"date":"2018-08-15T17:36:21","date_gmt":"2018-08-15T20:36:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20531"},"modified":"2018-08-15T17:36:21","modified_gmt":"2018-08-15T20:36:21","slug":"a-venezuela-que-nao-sera-vista-nas-televisoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20531","title":{"rendered":"A Venezuela que n\u00e3o ser\u00e1 vista nas televis\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.investigaction.net\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/grafitti-in-Merida-Venezuela-copy-2-640x428.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Simon de Beer<\/p>\n<p>ODiario.info<\/p>\n<p>Um belga faz uma viagem tur\u00edstica \u00e0 Venezuela. Mas o estado de esp\u00edrito de f\u00e9rias n\u00e3o o torna indiferente a uma realidade bem diferente da que os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o querem fazer passar. Abre os olhos e ouvidos para conhecer as pessoas num pa\u00eds que est\u00e1 a mudar, atravessando grandes dificuldades econ\u00f4micas e a constante inger\u00eancia e amea\u00e7a do imperialismo e dos seus c\u00famplices. Uma Venezuela t\u00e3o livre que, num setor inteiramente privado como o do turismo, os guias tur\u00edsticos t\u00eam carta-branca para mentir sobre o seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Primeira observa\u00e7\u00e3o: as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana s\u00e3o impressionantes.<\/strong><\/p>\n<p>Falamos muito pouco e \u00e9 uma pena. Na menor aldeia remota h\u00e1 uma escola p\u00fablica totalmente gratuita (equipamentos e refei\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas para crian\u00e7as). O analfabetismo foi erradicado e a Venezuela \u00e9 atualmente o quinto pa\u00eds do mundo com a maior taxa de acad\u00eamicos. Em todos os lugares as pessoas usam orgulhosamente o fich\u00e1rio colorido da Venezuela, recebido na escola ou na universidade.<\/p>\n<p>Um sistema de sa\u00fade &#8211; totalmente gratuito &#8211; cobre todo o pa\u00eds. Em uma pequena ilha de 2000 habitantes onde passamos alguns dias, h\u00e1 um mini-hospital, com dentista, ginecologista e at\u00e9 um pequeno laborat\u00f3rio. \u201cTodo cuidado \u00e9 gratuito \u201c, l\u00ea-se em seis idiomas na entrada. Tendo ambos contra\u00eddo um v\u00edrus perigoso, fomos recebidos a um domingo, sem marca\u00e7\u00e3o e sem esperar, e sem pagar um centavo apesar de sermos estrangeiros. \u201cNa Venezuela a sa\u00fade \u00e9 um direito garantido constitucionalmente&#8221;, explicou orgulhosamente a enfermeira que cuidou de n\u00f3s.<br \/>\nCaracas, a capital, tem um metro moderno e\u2026 gratuito (uma boa li\u00e7\u00e3o para aqueles que afirmam que tornar mais barato o transporte p\u00fablico em Bruxelas \u00e9 imposs\u00edvel). Centenas de milhares de unidades de habita\u00e7\u00e3o social foram l\u00e1 constru\u00eddas. Favelas inteiras foram literalmente transformadas em moradias. Pudemos visitar um bairro totalmente novo, inaugurado no ano passado. Em todo o pa\u00eds, estamos a falar de 2 milh\u00f5es de novos lares desde 2012.<\/p>\n<p>No n\u00edvel democr\u00e1tico, tamb\u00e9m foram feitos grandes progressos. As pessoas reapropriam-se literalmente da pol\u00edtica. Comit\u00e9s de vizinhan\u00e7a foram criados em todos os lugares para lidar com quest\u00f5es locais. As pessoas est\u00e3o sempre satisfeitas em discutir pol\u00edtica. \u201cAntes de Ch\u00e1vez, viv\u00edamos numa democracia de fachada \u201c, explicou um taxista. Antes de acrescentar: \u201cMas tamb\u00e9m tem que conversar com outras pessoas, para formar a sua pr\u00f3pria opini\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Os nativos deixaram de ser considerados cidad\u00e3os de segunda classe.\u201d Ch\u00e1vez trouxe-nos o direito ao trabalho e o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u201c, disse um membro de uma comunidade ind\u00edgena na regi\u00e3o de Canaima. \u201d Antes, simplesmente n\u00e3o t\u00ednhamos qualquer direito.\u201d<\/p>\n<p><strong>As pessoas est\u00e3o passando por uma crise muito dif\u00edcil.<\/strong><\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica social do governo, \u00e0s lojas sociais, \u00e0s cantinas, \u00e0 medicina gratuita, etc., as pessoas n\u00e3o vivem na mis\u00e9ria e n\u00e3o morrem de fome, como regularmente lemos nos nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o (esse \u00e9 o caso em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina). No entanto, n\u00e3o podemos negar que os tempos s\u00e3o dif\u00edceis. O poder de compra \u00e9 consideravelmente limitado. Os pre\u00e7os est\u00e3o subindo constantemente e a moeda est\u00e1 perdendo valor apesar dos aumentos salariais regulares. Que \u00e9 uma dor de cabe\u00e7a real de base cotidiana.<\/p>\n<p>A origem desse problema vem dos grandes grupos privados, que ainda controlam a maior parte da economia, e que durante quatro anos travaram uma guerra econ\u00f4mica muito dura contra a Venezuela. Um pouco como foi o caso em 1973 contra o Chile de Allende.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se deve ao fato de a economia da Venezuela continuar muito dependente do petr\u00f3leo e estar lutando para desenvolver um setor produtivo nacional e independente. Este \u00e9 obviamente um dos grandes desafios do governo.<\/p>\n<p>Como resultado, mesmo que o atual presidente Maduro continue a ser muito popular &#8211; como as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostram &#8211; uma parte do povo \u00e9 seduzida pelo discurso da oposi\u00e7\u00e3o de direita, que est\u00e1 surfando num certo n\u00edvel de descontentamento e espera voltar ao poder.<\/p>\n<p><strong>E a ent\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes ouvimos nos nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o que a Venezuela \u00e9 uma ditadura, onde a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 amorda\u00e7ada. Algumas horas no local provam diretamente o contr\u00e1rio. 90% dos canais de TV est\u00e3o nas m\u00e3os da oposi\u00e7\u00e3o. Todos os dias h\u00e1 cr\u00edticas ao governo. As pessoas expressam-se livremente (gostam de discutir, quaisquer que sejam as suas opini\u00f5es). Os circuitos tur\u00edsticos s\u00e3o amplamente dominados pela oposi\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o hesitam em dizer-vos todo o mal que pensam de Ch\u00e1vez e Maduro, com uma m\u00e1-f\u00e9 por vezes desconcertante.<br \/>\nAlguns pequenos trechos seleccionados das nossas conversas:<\/p>\n<p>\u201d Antes viv\u00edamos num bairro apenas com pessoas decentes, bem-educadas. Mas o governo construiu habita\u00e7\u00f5es sociais e agora h\u00e1 pessoas pobres no bairro. N\u00f3s deixamos de estar seguros. Se o governo pedir, eles atacar-nos-\u00e3o \u00e0 pedrada. Veja como penduram as suas roupas nas janelas! N\u00e3o s\u00e3o civilizados. \u201d<br \/>\n\u201cAntes viv\u00edamos num pa\u00eds com valores. Houve meritocracia. Hoje todos podem ir para a universidade e ter um emprego. O resultado \u00e9 o nivelamento por baixo. \u201d<br \/>\n\u201d Antes de Ch\u00e1vez, viv\u00edamos bem. Encontr\u00e1vamos tudo o que quer\u00edamos nas lojas. Podia-se escolher entre 10 marcas para cada produto. O pa\u00eds n\u00e3o conhecia a crise.\u201d<\/p>\n<p>NB: antes de Ch\u00e1vez, havia uma taxa de pobreza de 80% \u2026 Essa taxa caiu para 26% em 2014 (antes da crise actual).<\/p>\n<p>Em suma, o que est\u00e1 acontecendo na Venezuela n\u00e3o \u00e9 sobre \u201cdemocracia\u201d, como lemos nas nossas m\u00eddias. A grande maioria das pessoas nunca desfrutou de tanta liberdade como hoje (pol\u00edtica, educacional, social e econ\u00f4mica, cultural e outras).<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo na Venezuela \u00e9 um conflito entre duas categorias sociais opostas: as pessoas de um lado, os privilegiados ricos do outro lado.<\/p>\n<p>As pessoas que tentam levantar a cabe\u00e7a depois de d\u00e9cadas de mis\u00e9ria, procurando o seu pr\u00f3prio caminho para o progresso social. Os ricos, apoiados por multinacionais estrangeiras e pelos Estados Unidos, que se recusam a ver fugir os seus velhos privil\u00e9gios. Eles n\u00e3o suportam ver a riqueza colossal da Venezuela entrar em programas sociais em vez de no seu bolso. E est\u00e3o prontos para fazer seja o que for para derrubar o governo.<\/p>\n<p>Pela minha parte, sem idealiza\u00e7\u00e3o, a Venezuela continua sendo uma inspira\u00e7\u00e3o para aqueles que repetem incansavelmente que n\u00e3o podemos investir em habita\u00e7\u00e3o social, desenvolver o transporte p\u00fablico ou baixar os custos de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o e da medicina. Embora nem tudo seja perfeito, a Venezuela mostra-nos \u00e0 sua maneira que outras escolhas s\u00e3o poss\u00edveis. E por isso mesmo, merece a pena fazer um desvio e passar por esse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.investigaction.net\/fr\/venezuela-ce-quon-ne-verra-pas-a-la-television\/<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/a-venezuela-que-nao-sera-vista\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20531\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[228],"class_list":["post-20531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5l9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}