{"id":20549,"date":"2018-08-17T20:14:40","date_gmt":"2018-08-17T23:14:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20549"},"modified":"2018-08-17T20:14:40","modified_gmt":"2018-08-17T23:14:40","slug":"indigenas-contestam-dados-oficiais-sobre-impactos-de-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20549","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas contestam dados &#8220;oficiais&#8221; sobre impactos de Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1837\/43049218225_a8a145be21_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>O relat\u00f3rio apresenta dados sobre os recursos pesqueiros e aponta que a barragem do Xingu amea\u00e7a a seguran\u00e7a alimentar<\/b><\/p>\n<p>Lilian Campelo<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>\u201cAgora n\u00f3s temos uma arma para combater com a deles\u201d. A arma que Leiliane Juruna, a Bel Juruna, se refere \u00e9 primeiro monitoramento independente para impactos da Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) de Belo Monte sobre o territ\u00f3rio e o modo de vida do povo Juruna na Volta Grande do Xingu, lan\u00e7ado nesta quarta-feira (8) durante o semin\u00e1rio no XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Depois de serem invisibilizados pelo empreendimento sobre os impactos que a barragem causaria na vida do povo Juruna, eles decidiram produzir seu pr\u00f3prio monitoramento embasado em pesquisa colaborativa e metodologia cient\u00edfica, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), pesquisadores da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e fam\u00edlias juruna da aldeia M\u00efratu.<\/p>\n<p>O levantamento e an\u00e1lises dos dados sobre os recursos pesqueiros e a seguran\u00e7a alimentar possibilitou mapear a cadeia de impactos causados na vida dos ind\u00edgenas depois que o rio Xingu foi barrado pela usina de Belo Monte. A pesquisa durou cinco anos, iniciou em 2013 e foi conclu\u00edda em 2017.<\/p>\n<p>Bel Juruna relata, por exemplo, que o rio Xingu na Volta Grande \u00e9 controlado por comportas. A empresa Norte Energia \u00e9 a respons\u00e1vel pela hidrel\u00e9trica, e a barragem interferiu na cadeia do ecossistema de diversas esp\u00e9cies de peixes, impedindo-os de se alimentarem, se reproduzirem e fazerem a desova.<\/p>\n<p>Acesse o livro: clique aqui<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a Alimentar<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de enfermagem conta que essa interfer\u00eancia do fluxo de \u00e1gua sem uma vaz\u00e3o m\u00ednima para alagar os locais onde os peixes se alimentavam fez com que o rio virasse um cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cO rio Xingu est\u00e1 virando um cemit\u00e9rio de peixes mortos e a gente n\u00e3o est\u00e1 se alimentando mais. Quando tem um pouco de peixe que a gente consegue pegar eles est\u00e3o insalubres, \u00e0s vezes est\u00e3o se decompondo. N\u00e3o conseguimos nos alimentar deles porque \u00e9 invi\u00e1vel \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo o documento, a \u201cregi\u00e3o da Volta Grande do Xingu \u00e9 um dos lugares com maior biodiversidade do mundo. Das 63 esp\u00e9cies end\u00eamicas de peixes conhecidas na bacia do rio Xingu, 26 s\u00f3 existem nas corredeiras da Volta Grande\u201d.<\/p>\n<p>O rio Xingu foi barrado em 2015. Ainda segundo o monitoramento, os dados apresentados apontam que em \u201c2014 e 2015 o peixe era a principal fonte de prote\u00edna animal consumida, mas o quadro se alterou em 2016 e 2017\u201d. \u201cEsse resultado est\u00e1 diretamente relacionando ao fechamento do rio\u201d.<\/p>\n<p>Para Bel Juruna, seu povo \u00e9 dono do rio Xingu: \u201cN\u00f3s somos pescadores, vivemos do rio, tiramos nossa renda, nossa alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos uma grande liga\u00e7\u00e3o com o rio\u201d. Um povo que viveu com os peixes agora precisa de adaptar a viver no seco.<\/p>\n<p>Ela fala que os Juruna n\u00e3o t\u00eam pr\u00e1tica com a ro\u00e7a, o que fazem \u00e9 apenas para complementar a alimenta\u00e7\u00e3o. Amea\u00e7ados em sua seguran\u00e7a alimentar, as fam\u00edlias passaram a ter que recorrer a alimenta\u00e7\u00e3o da cidade e perceberam, a partir do monitoramento, que os ind\u00edgenas come\u00e7aram a apresentar doen\u00e7as que antes n\u00e3o existia em sua popula\u00e7\u00e3o, como press\u00e3o alta, diabetes e fur\u00fanculos. Diante do quadro ela desenha uma imagem triste do cen\u00e1rio com base nos dados do monitoramento.<\/p>\n<p>\u201cMeus filhos n\u00e3o v\u00e3o mais saber o que \u00e9 se alimentar de peixe bom. As crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o saber. Nossos filhos j\u00e1 v\u00e3o crescer com doen\u00e7as, v\u00e3o ter a possibilidade de adoecer com mais facilidade dessas doen\u00e7as que n\u00e3o tinha no nosso povo antes\u201d.<\/p>\n<p><em>O v\u00eddeo mostra os impactos socioambientais sobre o povo Juruna e por meio do Hidrograma de Consenso, que entrar\u00e1 em vigor ano que vem, a empresa passar\u00e1 a controlar as comportas da usina. <\/em><em>https:\/\/youtu.be\/<wbr \/>cBuD9EgmP3s<\/em><\/p>\n<p>Buracos<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga Thais Mantovanelli e colaboradora da pesquisa explica que o monitoramento independente \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o teve interrup\u00e7\u00e3o durante o processo, diferente dos relat\u00f3rios de monitoramento feitos pela Norte Energia por contratos de empresas terceirizadas.<\/p>\n<p>\u201cTemos buracos nesses monitoramentos que s\u00e3o significativos, especialmente no ano de 2016, que \u00e9 o ano do fim do mundo, segundo os pr\u00f3prios Juruna nomearam, que foi um ano de uma seca muito extrema, depois do barramento do rio em 2015. Os dados oficiais de 2016, que o empreendo disponibiliza nos seus relat\u00f3rios semestrais, tem seis meses que n\u00e3o houve monitoramento justamente no per\u00edodo mais cr\u00edtico. Mas os Juruna t\u00eam\u201d, enfatiza Mantovanelli.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do povo Juruna ainda revela, como argumenta Mantovanelli, P\u00f3s-doutorando na UFSCar, que \u00e9 necess\u00e1rio revisar o processo de licenciamento ambiental no Brasil sobre a produ\u00e7\u00e3o desses monitoramentos, uma vez que quem gera o impacto \u00e9 o mesmo empreendedor respons\u00e1vel pela obra.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o da Volta Grande do Xingu, al\u00e9m da barragem de Belo Monte, ainda tem a amea\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o de uma mineradora, a Belo Sun, que almeja explorar ouro a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p>A livro do monitoramento foi lan\u00e7ado durante o XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia, evento que re\u00fane cerca de 1.600 participantes de 45 pa\u00edses. O congresso teve in\u00edcio na ter\u00e7a-feira (7) e termina nesta sexta-feira (10). A programa\u00e7\u00e3o contempla falas de povos ind\u00edgenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, camponeses, pesquisadores da academia nacional e internacional, representantes de ONGs, ag\u00eancias de governos e ativistas em mesas redondas, palestras e sess\u00f5es de apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Luiz Felipe Albuquerque<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: O rio Xingu \u00e9 a fonte de vida do povo Juruna, \u00e9 do rio onde retira sua principal fonte de alimenta\u00e7\u00e3o, o peixe \/ Kelly Lima-ISA<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/08\/10\/indigenas-lancam-relatorio-e-contrapoem-dados-oficiais-sobre-impactos-de-belo-monte\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20549\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[226],"class_list":["post-20549","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5lr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20549\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}