{"id":20553,"date":"2018-08-17T20:18:53","date_gmt":"2018-08-17T23:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20553"},"modified":"2018-08-17T20:18:53","modified_gmt":"2018-08-17T23:18:53","slug":"concentracao-de-terras-e-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20553","title":{"rendered":"Concentra\u00e7\u00e3o de terras e agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/08\/15_08_18_marcelocamargo_agnciabrasil.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Composto do Agente Laranja come\u00e7a a contaminar o Mato Grosso<\/strong><\/p>\n<p>Produtores de soja e milho transg\u00eanicos na Bacia do Juruena substituem glifosato pelo herbicida 2,4-D, que deve ter seu uso quintuplicado nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Igor Carvalho, publicada por De Olho nos Ruralistas, 14-08-2018.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s reinado absoluto do glifosato na agricultura nacional, as pragas criaram resist\u00eancia e seguem agindo nas lavouras. Por conta disso, fazendeiros do Mato Grosso iniciaram a migra\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xico e est\u00e3o utilizando o herbicida 2,4-D em planta\u00e7\u00f5es de soja e milho, realidade constatada nos munic\u00edpios de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de J\u00falio, na Bacia do Juruena, oeste do estado, por uma pesquisa do N\u00facleo de Estudos Ambientais e de Sa\u00fade do Trabalhador (Neast), vinculado ao Instituto de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).<\/p>\n<p>O herbicida era o principal composto do Agente Laranja \u2013 arma qu\u00edmica de destrui\u00e7\u00e3o em massa utilizada pelos EUA na guerra do Vietn\u00e3. Cancer\u00edgeno, \u00e9 um desregulador end\u00f3crino que afeta a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios. \u00c9 proibido na Dinamarca, Su\u00e9cia, Noruega, em quatro estados canadenses, v\u00e1rias prov\u00edncias da \u00c1frica do Sul e em diversos munic\u00edpios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, como aponta um parecer t\u00e9cnico \u2013 sobre riscos \u00e0 sa\u00fade humana e animal \u2013 enviado para o N\u00facleo de Estudos Agr\u00e1rios e Desenvolvimento Rural (Nead) do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio, em 2014.<\/p>\n<p>Entre os sintomas pelo contato com o agrot\u00f3xico est\u00e3o: perda de apetite, irrita\u00e7\u00e3o da pele exposta, v\u00f4mitos, enjoo, dores tor\u00e1cicas e abdominais, irrita\u00e7\u00e3o do trato gastrointestinal, contra\u00e7\u00e3o e fraqueza muscular, confus\u00e3o mental, convuls\u00f5es e coma. Mesmo assim, variedades de soja e milho transg\u00eanicos resistentes ao 2,4-D foram liberados pelo governo em 2015.<\/p>\n<p>Com o financiamento e colabora\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho do Mato Grosso, o estudo \u201cProcesso s\u00f3cio-sanit\u00e1rio-ambiental da polui\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos na bacia dos Rios Juruena, Tapaj\u00f3s e Amazonas em Mato Grosso, Brasil\u201d foi publicado em mar\u00e7o de 2018. Ele projeta um aumento de no m\u00ednimo cinco vezes na pulveriza\u00e7\u00e3o por 2,4-D ao se verificar o uso atual de glisofato.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do 2,4-D, est\u00e1 sendo usado na regi\u00e3o o inseticida benzoato de emamectina, que combate a lagarta Helicoverpa armigera. O produto tinha sido proibido pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) em 2003, por causa de sua forte a\u00e7\u00e3o neurot\u00f3xica, mas uma manobra da bancada ruralista criou uma lei para conceder autoriza\u00e7\u00e3o emergencial a determinados produtos em 2013. Quatro dias depois o inseticida estava livre para ser comprado.<\/p>\n<p>Os pesquisadores Lu\u00e3 Kramer de Oliveira, Wanderlei Pignati, Marta Gislene Pignatti, Lucimara Beserra e Lu\u00eds Henrique da Costa Le\u00e3o observam que, nesse processo agroqu\u00edmico dependente, a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos pelas fazendas contamina a lavoura, o ambiente, os trabalhadores rurais e a popula\u00e7\u00e3o do entorno.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas munic\u00edpios mato-grossenses analisados vivem 61 mil pessoas. Na regi\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas Terras Ind\u00edgenas demarcadas: Utiariti, da etnia Pares\u00ed; Tirecatinga, da etnia Nambkiwara; e Enawen\u00ea-Naw\u00ea, da etnia Enaen\u00ea-Naw\u00ea.<\/p>\n<p>Os pesquisadores adotaram uma metodologia inovadora ao fazer uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio de larga escala e o uso de agrot\u00f3xicos \u2013 que costuma ser estudado de forma isolada em rela\u00e7\u00e3o ao modelo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O estudo revela que, no estado do Mato Grosso, 6,4% do territ\u00f3rio est\u00e3o nas m\u00e3os de 76,8 mil propriedades rurais de at\u00e9 100 hectares. O preocupante \u00e9 que 78% do estado s\u00e3o ocupados por apenas 8,7 mil propriedades rurais que possuem extens\u00e3o territorial acima de 1.000 hectares.<\/p>\n<p>Os pesquisadores colocaram uma lupa sobre os munic\u00edpios analisados e constataram que, em Campo Novo do Parecis, 69 propriedades acima de 2.500 hectares s\u00e3o respons\u00e1veis por 74,4% da \u00e1rea do munic\u00edpio. As 48 propriedades de Sapezal que possuem mais de 2.500 hectares respondem por 90% da regi\u00e3o. Na cidade de Campos de J\u00falio, 74% das terras est\u00e3o concentradas em 31 propriedades com mais de 2.500 hectares.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 poss\u00edvel identificar um n\u00edvel de agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o que chega a 350 a 600 litros por habitante, sendo que 45% dessa composi\u00e7\u00e3o \u00e9 do herbicida glifosato, utilizado nas planta\u00e7\u00f5es de soja transg\u00eanica.<\/p>\n<p>Em 2014, em Campo Novo de Parecis, foram utilizados 2,13 milh\u00f5es de litros do herbicida. Na cidade de Sapezal, foram 2,12 milh\u00e3o de litros. Em Campos de J\u00falio, s\u00e3o 1,08 milh\u00e3o de litros pulverizados nas lavouras.<\/p>\n<p>\u201cEssa realidade rural olig\u00e1rquica no Brasil e no Mato Grosso adv\u00e9m do processo intensificado a partir da d\u00e9cada de 1970, com a inser\u00e7\u00e3o de maior peso do capital internacional no campo\u201d, contextualizam os pesquisadores. Eles dizem que esse processo vem reproduzindo um modelo n\u00e3o sustent\u00e1vel de desenvolvimento, por meio de uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mecanizada \u201cqu\u00edmico-dependente\u201d. Essa produ\u00e7\u00e3o \u2013 pecu\u00e1ria, extra\u00e7\u00e3o de madeira e de min\u00e9rio, entre outras formas de explora\u00e7\u00e3o da natureza e do trabalho \u2013 \u00e9 voltada para a exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As culturas de solo que prevalecem no Mato Grosso s\u00e3o soja, milho, algod\u00e3o e cana-de-a\u00e7\u00facar. As duas primeiras s\u00e3o predominantes nas cidades estudadas na pesquisa. Dados do IBGE, apresentados no estudo, mostram que, em 2016, o estado utilizou 13,4 milh\u00f5es de hectares para planta\u00e7\u00f5es. Essa quantidade representa 19,2% do total de \u00e1rea plantada no Pa\u00eds e d\u00e1 a dimens\u00e3o da relev\u00e2ncia do estado para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/581817-composto-do-agente-laranja-comeca-a-contaminar-o-mato-grosso<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20553\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239],"tags":[221],"class_list":["post-20553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5lv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}