{"id":20585,"date":"2018-08-21T17:56:58","date_gmt":"2018-08-21T20:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20585"},"modified":"2018-08-21T18:09:21","modified_gmt":"2018-08-21T21:09:21","slug":"os-estados-unidos-tem-cerca-de-800-bases-militares-em-todo-o-mundo-incluindo-mais-de-76-na-america-latina-entre-as-mais-conhecidas-destacam-12-no-panama-12-em-porto-rico-9-na-colombia-e-8-no-per","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20585","title":{"rendered":"Bases militares dos EUA na Am\u00e9rica Latina e no Caribe"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pt.granma.cu\/file\/img\/2018\/08\/medium\/f0015115.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Os Estados Unidos t\u00eam cerca de 800 bases militares em todo o mundo, incluindo mais de 76 na Am\u00e9rica Latina. Entre as mais conhecidas, destacam: 12 no Panam\u00e1, 12 em Porto Rico, 9 na Col\u00f4mbia e 8 no Peru, com o maior n\u00famero concentrado na Am\u00e9rica Central e no Caribe<\/p>\n<p>Ra\u00fal Capote Fern\u00e1ndez<br \/>\nP\u00e1tria Latina<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam cerca de 800 bases militares em todo o mundo, incluindo mais de 76 na Am\u00e9rica Latina. Entre as mais conhecidas, destacam: 12 no Panam\u00e1, 12 em Porto Rico, 9 na Col\u00f4mbia e 8 no Peru, com o maior n\u00famero concentrado na Am\u00e9rica Central e no Caribe.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2018, o Comando Sul dos EUA tornou p\u00fablica uma informa\u00e7\u00e3o sobre sua estrat\u00e9gia para a nossa regi\u00e3o, nos pr\u00f3ximos dez anos, os principais \u00abperigos\u00bb ou \u00abamea\u00e7as\u00bb identificadas e a maneira de enfrent\u00e1-las. Nelas mencionou Cuba, Venezuela, Bol\u00edvia, \u00aba luta contra o narcotr\u00e1fico\u00bb, redes regionais e transnacionais ilegais, maior presen\u00e7a da China, R\u00fassia e Ir\u00e3 na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, assist\u00eancia perante desastres \u2014 lembre-se a \u00abajuda\u00bb dada ao Haiti, quando do terremoto \u2014 bem como o papel atribu\u00eddo \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a de cada pa\u00eds em diferentes \u00e1reas relacionadas com a seguran\u00e7a interna, regional e internacional1.<\/p>\n<p>O atual Comandante do Comando Sul, almirante Kurt Tidd, apresentou em fevereiro de 2018 ao Congresso os cen\u00e1rios planejados para o continente, objetivos, meios e estrat\u00e9gias de acordo com a Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa (2018) e a Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a (2017- 2018)2.<\/p>\n<p>\u00abEm termos de proximidade geogr\u00e1fica, com\u00e9rcio, imigra\u00e7\u00e3o e cultura, n\u00e3o h\u00e1 outra parte do mundo que afete mais o cotidiano dos Estados Unidos do que a Am\u00e9rica Central, a Am\u00e9rica do Sul e o Caribe\u00bb3, afirma-se.<\/p>\n<p>Os desafios para a hegemonia, afirma o almirante dos EUA, ser\u00e3o defrontados por meio de uma \u00abRede de Redes\u00bb, operada pelo Comando Sul em parceria com as ag\u00eancias dos EUA e os aliados. Tr\u00eas For\u00e7as-Tarefas Conjuntas atuar\u00e3o nesse plano: For\u00e7a-Tarefa Conjunta-Bravo (na base a\u00e9rea de Soto Cano, em Honduras); a For\u00e7a-Tarefa Conjunta em Guant\u00e1namo e a For\u00e7a Tarefa Interinstitucional e Conjunta-Sul (Key West, Fl\u00f3rida).<\/p>\n<p>A resposta em casos de conting\u00eancias inclui: Defesa do Canal do Panam\u00e1 e da \u00e1rea do Canal do Panam\u00e1; Opera\u00e7\u00f5es de controle de migra\u00e7\u00e3o; Assist\u00eancia humanit\u00e1ria e resposta a desastres; Opera\u00e7\u00f5es militares unilaterais, bilaterais ou multilaterais realizadas pelas for\u00e7as em resposta a qualquer crise4.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do almirante Kurt Tidd, Cuba continua amea\u00e7ando os interesses dos Estados Unidos na regi\u00e3o, por meio de atividades de vigil\u00e2ncia e contraintelig\u00eancia em v\u00e1rios pa\u00edses. O exemplo mais claro \u00e9 sua influ\u00eancia na Venezuela (servi\u00e7o de intelig\u00eancia e for\u00e7as armadas).<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 o ator-chave na regi\u00e3o, depois de seu novo relacionamento com a OTAN. A Col\u00f4mbia investiu 3,1% do seu PIB em gastos militares, em 2017, equivalente a US$ 9,7 bilh\u00f5es (9.713.000.000). O investimento desse pa\u00eds \u00e9 o segundo mais alto da regi\u00e3o sul-americana, de acordo com o total de gastos militares, apenas abaixo do Brasil. O terceiro pa\u00eds com mais recursos destinados aos seus ex\u00e9rcitos \u00e9 a Argentina, com US$ 5,6 bilh\u00f5es (5.680.000.000), o equivalente a apenas 0,9% de seu PIB.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, os gastos militares aumentaram consideravelmente nos \u00faltimos dez anos, atingindo 47,5% (seis bilh\u00f5es de d\u00f3lares), o que representa pouco mais de 2,5% do PIB. Esse aumento ocorre paralelamente a cortes substanciais em ci\u00eancia e tecnologia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de uma base militar dos EUA em Neuqu\u00e9n, na Argentina, nos oferece um fato interessante: a empresa YPF encontrou um enorme campo de petr\u00f3leo em Neuqu\u00e9n em 2011, e em 2018 os EUA anunciam que v\u00e3o construir uma base de ajuda humanit\u00e1ria naquele local.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos dividem o mundo em nove comandos para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. O Comando Sul, com sua rede de bases militares, incluindo a Quarta Frota, que \u00e9 em si um conjunto de bases altamente operacionais, com grande capacidade de deslocamento, constitui uma s\u00e9ria amea\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pt.granma.cu\/file\/img\/2018\/08\/medium\/f0015119.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Fonte: Territ\u00f3rios monitorados. Telma Luzzani Design: Alejandro Acosta Hechavarr\u00eda<\/p>\n<p>Essas bases n\u00e3o s\u00e3o apenas militares, embora todas sejam em sua ess\u00eancia. Existem bases que funcionam como centros de guerra midi\u00e1tica e ciberguerra, o Comando Sul trabalha em conjunto com a NASA, a Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia Geoespacial e as For\u00e7as Armadas brasileiras \u2014 e outros pa\u00edses \u2014 em um projeto para a cria\u00e7\u00e3o de um sat\u00e9lite para a Iniciativa Cyber-Container Sul: an\u00e1lise de redes para detectar atividades maliciosas na rede. Desenvolvido em conjunto com o Departamento de Seguran\u00e7a Nacional (DHS), o Departamento de Defesa e o Bureau Federal de Investiga\u00e7\u00f5es (FBI)5.<\/p>\n<p>\u00c0 recente visita do almirante Kurt W. Tidd, \u00e0 Col\u00f4mbia, se acrescenta a reuni\u00e3o multinacional de seguran\u00e7a mar\u00edtima efetuada em Miami. Nesta segunda reuni\u00e3o \u2014 a primeira foi em dezembro de 2017 \u2014 foi assinada uma carta de inten\u00e7\u00f5es entre os Estados Unidos, a Col\u00f4mbia e o M\u00e9xico, para \u00abproteger a soberania das \u00e1guas territoriais e das zonas econ\u00f4micas exclusivas de cada na\u00e7\u00e3o\u00bb. Esta \u00abseguran\u00e7a mar\u00edtima\u00bb cobriria o Golfo do M\u00e9xico, parte da Am\u00e9rica Central e do Caribe colombiano.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Peru tamb\u00e9m se tornou um ator importante na implanta\u00e7\u00e3o militar dos EUA na regi\u00e3o, com a instala\u00e7\u00e3o de bases na floresta peruana e os Centros Regionais de Opera\u00e7\u00f5es de Emerg\u00eancia (COER).<\/p>\n<p>Enquanto o almirante Kurt W. Tidd visitava a Col\u00f4mbia, o ministro da Defesa, Oscar Aguad, e a ministra da Defesa, Patricia Bullrich, do governo argentino, reuniram-se nos EUA com funcion\u00e1rios do Departamento do Estado, o FBI, a DEA e com a lideran\u00e7a do Comando Sul. A Argentina autorizou os Estados Unidos a instalarem uma base militar na Tr\u00edplice Fronteira, entre seu territ\u00f3rio, Paraguai e o Brasil, enquanto Bullrich assinou um acordo para criar um Centro Regional de Intelig\u00eancia em Usuhaia (Patag\u00f4nia Argentina).<\/p>\n<p>No in\u00edcio de janeiro de 2018, ocorreu a chegada de militares dos EUA ao territ\u00f3rio panamenho, uma for\u00e7a militar que permaneceria at\u00e9 depois das elei\u00e7\u00f5es realizadas em abril na Venezuela. A desculpa: \u00aba defesa do Canal do Panam\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p>O cerco se estreita, a guerra que os Estados Unidos est\u00e3o travando contra a Venezuela precisa de uma for\u00e7a regional que intervenha n\u00e3o apenas econ\u00f4mica e politicamente, mas tamb\u00e9m militarmente.<\/p>\n<p>A renovada interfer\u00eancia direta e indireta nas For\u00e7as Armadas, a Pol\u00edcia Nacional e a soberania nacional do Equador, facilitada pelo governo de Lenin Moreno, que inclui treinamento, intelig\u00eancia, troca de informa\u00e7\u00f5es e acesso a escolas militares, onde oficiais militares do Equador poder\u00e3o \u00abtreinar\u00bb, a presen\u00e7a de soldados norte-americanos em solo equatoriano, sob o pretexto de combater o terrorismo e o tr\u00e1fico de drogas, constitui um grave perigo. O vice-comandante do Comando Sul, Joseph P. DiSalvo, em uma visita ao Equador, reuniu-se com as mais altas autoridades para \u00abcoordenar a\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abPrecisamos pensar em uma nova estrat\u00e9gia que mais do que um Plano Col\u00f4mbia seja um plano Sul-americano, onde todos possam combinar seus esfor\u00e7os e, assim, lutar contra isso\u00bb, disse DiSalvo em uma entrevista \u00e0 m\u00eddia equatoriana.<\/p>\n<p>O renascimento da Doutrina Monroe, evocada por Tillerson quando advertiu sobre a amea\u00e7a que representa para os \u00abnossos valores democr\u00e1ticos\u00bb a presen\u00e7a comercial da China e da R\u00fassia na regi\u00e3o, mostra um renascer do pior curso de a\u00e7\u00e3o do pensamento imperial.<\/p>\n<p>O objetivo do imp\u00e9rio \u00e9 aumentar a presen\u00e7a militar na regi\u00e3o, a fim de garantir seus interesses hegem\u00f4nicos no hemisf\u00e9rio, consolidar um front contra a Venezuela e perpetuar seu controle sobre os imensos recursos econ\u00f4micos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>A frase de Bol\u00edvar parece adquirir mais valor hoje do que nunca: \u00abOs Estados Unidos parecem destinados pela Provid\u00eancia a encher a Am\u00e9rica da mis\u00e9ria, em nome da liberdade\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Notas de rodap\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>1. <a href=\"http:\/\/1www.southcom.mil\/Portals\/7\/Documents\/USSOUTHCOM_Theater_Strategy_English_(FINAL)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1www.southcom.mil\/Portals\/7\/<wbr \/>Documents\/USSOUTHCOM_Theater_<wbr \/>Strategy_English_(FINAL)<\/a> .pdf? Ver = 2017-10-26-124307-193 &amp; timestamp = 1509036213302<\/p>\n<p>2. <a href=\"http:\/\/www.southcom.mil\/Portals\/7\/Documents\/Posture%20Statements\/SOUTHCO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.southcom.mil\/Portals\/7\/<wbr \/>Documents\/Posture%<wbr \/>20Statements\/SOUTHCO<\/a> &#8230;<\/p>\n<p>3. <a href=\"http:\/\/www.southcom.mil\/Portals\/7\/Documents\/Posture%20Statements\/SOUTHCO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.southcom.mil\/Portals\/7\/<wbr \/>Documents\/Posture%<wbr \/>20Statements\/SOUTHCO<\/a> &#8230;<\/p>\n<p>4. <a href=\"http:\/\/www.defense.gov\/Portals\/1\/Documents\/pubs\/2018-National-Defense-S\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.defense.gov\/Portals\/1\/<wbr \/>Documents\/pubs\/2018-National-<wbr \/>Defense-S<\/a> &#8230;<\/p>\n<p>5. Estrat\u00e9gia do teatro 2017-2027 Comando Sul dos EUA uu<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.resdal.org\/ultimos-documentos\/usa-command-strategy.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.resdal.org\/ultimos-<wbr \/>documentos\/usa-command-<wbr \/>strategy.pdf<\/a><a href=\"http:\/\/www.defense.gov\/Portals\/1\/Documents\/pubs\/2018-National-Defense-Strategy-Summary.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.defense.gov\/<wbr \/>Portals\/1\/Documents\/pubs\/2018-<wbr \/>National-Defense-Strategy-<wbr \/>Summary.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20585\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,165,38],"tags":[225],"class_list":["post-20585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-eua","category-c43-imperialismo","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5m1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20585\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}