{"id":2061,"date":"2011-11-11T15:51:37","date_gmt":"2011-11-11T15:51:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2061"},"modified":"2011-11-11T15:51:37","modified_gmt":"2011-11-11T15:51:37","slug":"os-que-morrem-pela-vida-nao-podem-ser-chamados-de-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2061","title":{"rendered":"Os que morrem pela vida n\u00e3o podem ser chamados de mortos"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o recordo quando se fez habitual falar da realidade colombiana como se esta pudesse igualar-se \u00e0 de qualquer pa\u00eds \u201cdemocr\u00e1tico\u201d ou quando se promoveu um pacto para a manuten\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Se aqueles que opinam, como se conhecessem os conflitos colombianos, pudessem se aproximar um pouco da realidade, pelo menos atrav\u00e9s dos dados, veriam que esta na\u00e7\u00e3o irm\u00e3 n\u00e3o pode chegar \u00e0 paz sem as armas, enquanto for mantido um Estado terrorista como o que hoje governa Juan Manuel Santos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia est\u00e1 repleta de viol\u00eancia, na mesma propor\u00e7\u00e3o que est\u00e3o cheias de \u00e1rvores as montanhas que protegem as FARC. Liberais e conservadores mant\u00e9m um regime terrorista, baseado no sangue e no fogo. Nesse marco, surgiram as resist\u00eancias armadas.<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC) nasceram depois da ofensiva do ex\u00e9rcito colombiano, em 1964, que buscava reafirmar a autoridade da Frente nacional. Esta avan\u00e7ou sobre a Rep\u00fablica de Marquetalia, uma das comunidades aut\u00f4nomas criadas em fins da \u00e9poca de viol\u00eancia, que se seguiu ao Bogotazo, um per\u00edodo de protestos, desordens e repress\u00e3o, seguintes ao assassinato de Jorge Eliezer Gait\u00e1n, em 1948. Muitos apontam esse acontecimento como o in\u00edcio do conflito armado atual.<\/p>\n<p>A guerra na Col\u00f4mbia n\u00e3o nasceu do nada. Seus antecedentes s\u00e3o claros e est\u00e3o vinculados diretamente \u00e0 repress\u00e3o, \u00e0 viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica aos direitos humanos e ao esmagamento das reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos populares. Esse \u00e9 o marco da guerra.<\/p>\n<p>Por acaso o mundo esqueceu a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica e seu exterm\u00ednio?<\/p>\n<p>Em 1985, uma boa parte da milit\u00e2ncia social acreditou que se podia tomar um caminho pac\u00edfico na Col\u00f4mbia. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, inclusive as FARC, ingressaram na Uni\u00e3o Patri\u00f3tica (UP). O resultado foi brutal. Foram assassinados 2 candidatos \u00e0 presid\u00eancia, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos e milhares de militantes, quaes 5.000 militantes. O document\u00e1rio \u201cO Baile Vermelho\u201d (El Baile Rojo) oferece uma clara imagem do massacre.<\/p>\n<p>Os pedidos que fazem os movimentos sociais na Col\u00f4mbia, est\u00e3o relacionados ao respeito aos direitos cidad\u00e3os, \u00e0 liberdade de organiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 democracia, \u00e0 justi\u00e7a social. S\u00e3o estas bandeiras que sustentam at\u00e9 hoje a guerrilha mais antiga de Nossa Am\u00e9rica. Alfonso Cano as sintetizava da maneira mais clara: \u201cNossos objetivos s\u00e3o a conviv\u00eancia democr\u00e1tica com justi\u00e7a social e exerc\u00edcio pleno da soberania nacional, como resultado de um processo de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 massiva que encaminhe a Col\u00f4mbia para o socialismo\u201d.<\/p>\n<p>Tal como afirma a Coordenadora Sim\u00f3n Bol\u00edvar: \u201cO assassinato de Alfonso Cano \u00e9 uma bofetada na paz\u201d. Cano era herdeiro intelectual de Jacobo Arenas e sucessor de Manuel Marulanda. Sua morte representa a queda do maior l\u00edder da guerrilha, mas n\u00e3o o fim da luta do povo colombiano por sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2008, o presidente da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez, de maneira brilhante, prop\u00f4s reconhecer as FARC como for\u00e7a beligerante, pois reconheceu que este era o \u00fanico caminho para uma paz negociada. At\u00e9 ent\u00e3o, Ch\u00e1vez n\u00e3o costumava prender nem entregar revolucion\u00e1rios, como fez com Joaqu\u00edn P\u00e9rez Becerra, editor da Ag\u00eancia de Not\u00edcias Nova Col\u00f4mbia (ANNCOL) e Juli\u00e1n Conrado.<\/p>\n<p>Para as chamadas na\u00e7\u00f5es civilizadas, \u00e9 mais f\u00e1cil olhar para o outro lado e acusar as FARC de terrorismo, como se esta guerrilha, que conta com cerca de 20.000 combatentes, fosse simplesmente um grupo de foragidos. \u00c9 mais f\u00e1cil ignorar a Guerra Civil Colombiana.<\/p>\n<p>Incomodando ou n\u00e3o aos louros do imp\u00e9rio, aos defensores do status quo, aos contrarrevolucion\u00e1rios, podemos dizer com total seguran\u00e7a que a morte de Alfonso Cano atenta contra qualquer processo de paz na Col\u00f4mbia, alenta a beliger\u00e2ncia e assegura a continuidade da Guerra Civil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: EA.com.py\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2061\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-xf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}