{"id":20654,"date":"2021-06-30T12:50:09","date_gmt":"2021-06-30T15:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20654"},"modified":"2021-07-07T22:30:29","modified_gmt":"2021-07-08T01:30:29","slug":"construir-a-greve-geral-e-preciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20654","title":{"rendered":"Construir a greve geral \u00e9 preciso"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AM-JKLVXGK_iOQ0g26Fkeqld174_uHGJakKWl3tZvia8td77zTjSTuWEhe1EWe_x_U6WjYVhAM0CCUUEP8bbTrOmPURBCfpPRJUFWXgZnrqsP5NRZjcvNOOJuNX2_g3vcte9PHn8a4T5tgOKPhxYb5ZhLLqq=s720-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Greve geral e os caminhos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular<\/p>\n<p>J\u00falia Rocha &#8211; militante do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro &#8211; MG<\/p>\n<p>Jones Manoel &#8211; militante do PCB &#8211; PE<\/p>\n<p>Parece inequ\u00edvoco que uma nova cena pol\u00edtica se desenha a partir dos \u00faltimos fatos ocorridos na CPI da Pandemia, em Bras\u00edlia. N\u00e3o bastasse o marco assombroso das 500 mil mortes e a agudiza\u00e7\u00e3o da fome e de outras trag\u00e9dias sociais, as fortes suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o do executivo federal trouxeram para o centro do debate p\u00fablico a suspeita de prevarica\u00e7\u00e3o por parte do pr\u00f3prio mandat\u00e1rio do Planalto. Sim, o morador da casa de vidro, Jair Messias Bolsonaro, ao que parece, sabia e nada fez para evitar a compra superfaturada de vacinas sem comprova\u00e7\u00e3o de sua efic\u00e1cia. Como se fosse pouco, h\u00e1 tamb\u00e9m suspeitas de envolvimento do l\u00edder do governo na C\u00e2mara, o deputado Ricardo Barros, nas negocia\u00e7\u00f5es com a Precisa Medicamentos, empresa brasileira investigada por sobrepre\u00e7o na venda de testes para Covid. A Precisa intermediou a compra da vacina Covaxin, do laborat\u00f3rio indiano Bharat Biotech.<\/p>\n<p>Em 29 de maio e 19 de junho, os atos de rua pelo &#8216;Fora Bolsonaro e Mour\u00e3o&#8217;, por vacina no bra\u00e7o e por enfrentamento \u00e0 fome foram capazes de mudar o tom dos discursos e das pr\u00e1ticas no tabuleiro antes ap\u00e1tico e excessivamente paciente dos poderes e dos atores pol\u00edticos. Com o novo cen\u00e1rio e a antecipa\u00e7\u00e3o das pr\u00f3ximas manifesta\u00e7\u00f5es para o dia 3 de julho, os movimentos sociais e os partidos de esquerda que constroem as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua avan\u00e7aram algumas casas e querem ir al\u00e9m. Querem e podem.<\/p>\n<p>Diante de uma realidade de desemprego e superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, falar da constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral que mobilize trabalhadores em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds e gere impacto onde a burguesia sente (no bolso) pode parecer um desatino. Contudo, uma an\u00e1lise cuidadosa da conjuntura mostra que, sim, \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Abrir esta discuss\u00e3o n\u00e3o significa menosprezar a desarticula\u00e7\u00e3o do sindicalismo brasileiro e a crise financeira dos sindicatos provocada pelo fim do imposto sindical. Considerar esta realidade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o primeira para enfrentar os desafios que esta organiza\u00e7\u00e3o demandar\u00e1. A partir de 2015, o ajuste fiscal antipopular comandado por Joaquim Levy no segundo mandato da presidenta Dilma e as a\u00e7\u00f5es da Lava Jato dobraram a taxa de desemprego. Desde ent\u00e3o, gra\u00e7as ao aprofundamento do ajuste fiscal, o desemprego segue crescendo. O sindicalismo sofreu duros golpes com a contrarreforma trabalhista e o ataque sistem\u00e1tico aos marcos legais de &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; do trabalho. A contrarreforma administrativa e o ataque ao funcionalismo p\u00fablico pretendem ser o golpe final no sindicalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Ocorre que, em abril de 2017, mesmo sob ataques e j\u00e1 experimentando taxa de desemprego semelhante \u00e0 que vemos hoje, a classe trabalhadora brasileira conseguiu realizar uma exitosa paralisa\u00e7\u00e3o nacional que envolveu 35 milh\u00f5es de trabalhadores. Mesmo em um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, a mobiliza\u00e7\u00e3o conseguiu atrasar em alguns anos a aprova\u00e7\u00e3o da contrarreforma da previd\u00eancia. Fato \u00e9 que uma greve geral exitosa foi organizada e constru\u00edda em um cen\u00e1rio em que desemprego j\u00e1 batia na casa dos 12% e o movimento sindical seguia na defensiva. Lamentavelmente, por\u00e9m, a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi continuada. Na ocasi\u00e3o, as centrais sindicais optaram por realizar press\u00e3o parlamentar em Bras\u00edlia e esfriar a temperatura das ruas.<\/p>\n<p>Ensinamentos da greve geral de 2017<\/p>\n<p>Aquela greve geral de 2017 foi poss\u00edvel por uma combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fatores.<\/p>\n<p>Primeiro, que houve um trabalho pol\u00edtico direcionado para as categorias estrat\u00e9gicas do transporte (rodovi\u00e1rios, metrovi\u00e1rios, etc.). Parado o setor de transportes, os outros setores param em sequ\u00eancia. E foi isso que ocorreu. Sem \u00f4nibus e metr\u00f4, os trabalhadores n\u00e3o chegam ao trabalho.<\/p>\n<p>Segundo, que houve mobiliza\u00e7\u00f5es de rua com os partidos e movimentos populares liderando tranca\u00e7os (travando grandes rodovias e estradas) e impedindo o fluxo de pessoas e mercadorias.<\/p>\n<p>Terceiro, que houve intensa prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a paralisa\u00e7\u00e3o nacional, a partir de debates, assembleias de categorias, a\u00e7\u00f5es de rua, panfletagem e divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio atual e os desafios para organizar a resist\u00eancia hoje<\/p>\n<p>O funcionalismo p\u00fablico e os trabalhadores assalariados das empresas estatais t\u00eam motivos de sobra para aderir a uma paralisa\u00e7\u00e3o. Muitos j\u00e1 est\u00e3o em greve ou em estado de greve, resistindo aos ataques privatistas do governo federal. Os trabalhadores do transporte p\u00fablico nos centros urbanos est\u00e3o expostos a um alt\u00edssimo \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o, adoecimento e mortes por Covid. N\u00e3o bastasse estarem sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados, dentro de ve\u00edculos superlotados, em muitas cidades motoristas ainda assumiram fun\u00e7\u00f5es de cobradores para reduzir custos das empresas. Uma situa\u00e7\u00e3o que coloca todos em risco e representa uma piora significativa das condi\u00e7\u00f5es de trabalho desta categoria.<\/p>\n<p>Esses podem ser os dois n\u00facleos centrais de uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional acrescida com a ades\u00e3o conseguida no setor privado e outras categorias, como constru\u00e7\u00e3o civil, com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Mobilizar e politizar essas categorias, combinando a\u00e7\u00f5es de tranca\u00e7o, piquetes e barreiras em estradas, rodovias e pontos centrais dos grandes centros de circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias. A paralisa\u00e7\u00e3o nacional estaria armada.<\/p>\n<p>Vale lembrar que os caminhoneiros est\u00e3o em profundo antagonismo com o Governo Federal. Sentem-se tra\u00eddos, est\u00e3o insatisfeitos com os aumentos constantes do diesel e n\u00e3o viram qualquer melhora de sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desde a paralisa\u00e7\u00e3o feita no governo Temer. Mesmo considerando as dificuldades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 configura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da categoria, n\u00e3o seria imposs\u00edvel conseguir a ades\u00e3o desse segmento da classe trabalhadora a um movimento de greve geral.<\/p>\n<p>Sim, caros leitores, parece mais f\u00e1cil falar do que fazer. Contudo, acreditamos que o clima pol\u00edtico do pa\u00eds, o crescimento das manifesta\u00e7\u00f5es de massa, o aumento do cerco ao bolsonarismo, o derretimento da popularidade do presidente e os fatos pol\u00edticos mais recentes apontam para a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o deste caminho pol\u00edtico.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o, ao mesmo tempo, um momento de mostrar for\u00e7as e de acumular for\u00e7as. A ideia central \u00e9 reunir for\u00e7as para ampliar a base de apoio ao &#8220;Fora Bolsonaro e Mour\u00e3o&#8221;. Foi isto que nos levou \u00e0s ruas em meio a uma pandemia. Desde o princ\u00edpio, frear o genoc\u00eddio, enfrentar a fome e garantir vacina para todos foi o que nos moveu.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso envolver mais trabalhadores e trabalhadoras, disputar as camadas m\u00e9dias da sociedade, ampliar a for\u00e7a dos atos nas cidades m\u00e9dias e pequenas e dar direcionamento pr\u00e1tico para as manifesta\u00e7\u00f5es para que a for\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o popular se converta em garantia de direitos e melhorias imediatas na vida das pessoas, especialmente daquelas mais vulnerabilizadas.<\/p>\n<p>Esse direcionamento pr\u00e1tico deve apontar tr\u00eas caminhos.<\/p>\n<p>Primeiro, como j\u00e1 falamos em um texto anterior, construir um calend\u00e1rio de lutas com a\u00e7\u00f5es direcionadas a temas espec\u00edficos, como a fome, o aumento do custo de vida e o desemprego. Sem calend\u00e1rio de lutas, atuando na l\u00f3gica de pular de ato em ato, a luta popular pouco avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo, come\u00e7ar a construir uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional. Um contra-ataque do mundo do trabalho ao capital. Uma a\u00e7\u00e3o unida do sindicalismo com os movimentos populares, partidos de esquerda e movimentos de massa.<\/p>\n<p>Terceiro, encaminhar a constru\u00e7\u00e3o de uma marcha para Bras\u00edlia. Construir um grande ato nacional, concentrando for\u00e7as na capital e buscando pressionar ao m\u00e1ximo o Congresso pela abertura do processo de impedimento de Bolsonaro.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o combinada dessas tr\u00eas iniciativas, adentrando o m\u00eas de julho e sendo conclu\u00edda em agosto, pode significar a ofensiva popular definitiva para enfraquecer esse governo e criar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para o seu fim. Est\u00e1 em nossas m\u00e3os fazer isso acontecer agora, n\u00e3o em janeiro de 2023.<\/p>\n<p>Faltam dezoito longos meses para o fim do mandato de Jair Bolsonaro. Parar o escandaloso genoc\u00eddio em curso, salvar vidas, dar um basta na destrui\u00e7\u00e3o do Brasil e do nosso futuro \u00e9 a tarefa que se imp\u00f5e. \u00c9 poss\u00edvel. Podemos fazer mais. E agora \u00e9 o momento de ousadia e radicalidade. \u00c9 momento de planejamento, de minucioso cuidado com a manuten\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, de buscar e ampliar o respaldo de massas e de nunca esquecer o compromisso com a classe trabalhadora, o compromisso com a vida e o compromisso com o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 s\u00f3 vai ser outro dia se come\u00e7armos a constru\u00ed-lo no hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20654\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[56,31],"tags":[222],"class_list":["post-20654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c67-greve","category-c31-unidade-classista","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5n8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20654\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}