{"id":20719,"date":"2018-09-03T19:43:48","date_gmt":"2018-09-03T22:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20719"},"modified":"2018-09-03T19:43:48","modified_gmt":"2018-09-03T22:43:48","slug":"avancam-a-privatizacao-e-a-desnacionalizacao-do-setor-eletrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20719","title":{"rendered":"Avan\u00e7am a privatiza\u00e7\u00e3o e a desnacionaliza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1843\/44324281232_452cfbea22_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>Rute Pina<\/b><\/p>\n<p>Brasil de Fato<br \/>\nS\u00e3o Paulo (SP)<\/p>\n<p>Em dois anos, a presen\u00e7a internacional no sistema el\u00e9trico aumentou no Brasil. Desde 2016, empresas estrangeiras estiveram envolvidas em 95% das opera\u00e7\u00f5es de fus\u00f5es no setor e foram as principais compradoras de ativos de gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de eletricidade.<\/p>\n<p>No per\u00edodo\u00a0ap\u00f3s o golpe que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff,\u00a0houve mais de 15 opera\u00e7\u00f5es de fus\u00f5es no setor el\u00e9trico, que somaram quase R$ 86,2 bilh\u00f5es em valor de empresa. Desse total, R$ 80,5 bilh\u00f5es representaram aquisi\u00e7\u00f5es em que o comprador eram empresas estrangeiras. O estudo que apresenta estes dados \u00e9 da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>A secretaria de Energia da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Urbanit\u00e1rios (CNU), Fabiola Antezana, afirma que, mais do que privatiza\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds passa por um processo de desnacionaliza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o s\u00f3 essas opera\u00e7\u00f5es de venda e de transfer\u00eancia de ativos, mas o que est\u00e1 sendo discutido no Congresso Nacional e no Minist\u00e9rio [de Minas e Energia] s\u00e3o tentativas de aprofundar um modelo mercantil, que cada vez mais vai entregar nosso patrim\u00f4nio ao mercado estrangeiro \u2014 que \u00e9 quem tem condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras de escolher os ativos. Uma empresa brasileira, hoje, n\u00e3o tem essa competitividade&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>No per\u00edodo, a maior aquisi\u00e7\u00e3o foi a compra da CPFL pela chinesa State Grid Corporation, em julho de 2016, pelo valor de R$ 40,6 bilh\u00f5es. A China Three Gorges tamb\u00e9m adquiriu ativos da Duke Energy no Brasil e a CPFL, sob controle chin\u00eas, adquiriu a AES Sul.<\/p>\n<p>O pa\u00eds asi\u00e1tico lidera com participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias empresas estatais no setor el\u00e9trico brasileiro. &#8220;S\u00e3o empresas que pertencem ao governo de outro pa\u00eds, e, por isso, no geral, t\u00eam condi\u00e7\u00f5es ainda mais favor\u00e1veis de financiamento, entre outros incentivos&#8221;, aponta o estudo da FGV.<\/p>\n<p>A dirigente sindical questiona o processo de desestatiza\u00e7\u00e3o, que vai na contram\u00e3o de outros pa\u00edses. &#8220;Por que aqui estamos vendendo enquanto as empresas estatais da China, It\u00e1lia e Fran\u00e7a est\u00e3o se interessando por nossos ativos?&#8221;.<\/p>\n<p>A italiana Enel, por exemplo, adquiriu 73,4% dos ativos da Eletropaulo em junho deste ano. Com a negocia\u00e7\u00e3o de R$ 5,5 bilh\u00f5es,\u00a0se tornou a maior distribuidora de energia el\u00e9trica no Brasil. A empresa italiana, com parte do controle estatal, ampliou a sua participa\u00e7\u00e3o de 8,4% para 18,3% no segmento.<\/p>\n<p>De acordo o Investimento Direto Estrangeiro (IDE), ranking de atra\u00e7\u00e3o de investimentos, o Brasil passou de s\u00e9timo a quarto pa\u00eds a mais atrair capitais em 2017. O crescimento de 8% de IDE no Brasil contrasta com a queda de 23% no fluxo global.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Com\u00e9rcio e o Desenvolvimento (Unctad) destacou a entrada significativa de capitais chineses no setor de energia do pa\u00eds em 2017. A entidade apontou &#8220;um boom de IDE no setor de energia&#8221; no Brasil, onde o capital estrangeiro mais que triplicou, para US$ 12,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O engenheiro eletricista Roberto D&#8217;Ara\u00fajo, diretor da ONG Ilumina, pontua que as fus\u00f5es concentram o mercado do setor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um problema de estrat\u00e9gia brasileira ter o setor el\u00e9trico dominado por um pequeno grupo de grandes capitais. Se a gente continuasse com a Eletrobr\u00e1s forte, isso n\u00e3o teria problema, porque ela est\u00e1 ali para dar o equil\u00edbrio entre o que o Estado quer fazer e esses grupos querem&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>D&#8217;Ara\u00fajo pondera\u00a0que h\u00e1 pouca regula\u00e7\u00e3o no setor, o que aprofunda ainda mais os efeitos negativos desta concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A Aneel [ag\u00eancia reguladora brasileira], para fiscalizar todo esse sistema continental, tem 300 funcion\u00e1rios. Se eu comparar, por exemplo, com o sistema americano, s\u00f3 a Federal Energy Regulatory Commission [ag\u00eancia reguladora do setor el\u00e9trico os EUA] tem 1,5 mil funcion\u00e1rio e cada estado tem uma ag\u00eancia do setor el\u00e9trico. Nosso estado regulador \u2014 que as pessoas pensam que \u00e9 m\u00ednimo \u2014 \u00e9, na verdade, insuficiente.&#8221;<\/p>\n<p>Leil\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A empresa p\u00fablica, no entanto, tem passado por um processo de enfraquecimento. D&#8217;Ara\u00fajo cr\u00edtica a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras ap\u00f3s uma s\u00e9rie de investimentos p\u00fablicos no setor.<\/p>\n<p>&#8220;Provavelmente, muitos dos investimentos que foram feitos em esta\u00e7\u00f5es e linhas v\u00e3o aparecer p\u00f3s-privatiza\u00e7\u00e3o como se fosse uma grande obra do setor privado. Mas, na realidade, o Brasil tem uma pol\u00edtica de vender ativos que ningu\u00e9m tem: voc\u00ea n\u00e3o vende seu apartamento e, antes de vender, voc\u00ea coloca uma geladeira importada, quatro ar-condicionados e vende pelo mesmo valor. \u00c9 mais ou menos isso que a Eletrobr\u00e1s est\u00e1 fazendo&#8221;, critica o engenheiro.<\/p>\n<p>A 2\u00aa etapa de leil\u00f5es das distribuidoras de energia da Eletrobras, por exemplo, ocorreu nesta quinta-feira (30). As distribuidoras Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Centrais El\u00e9tricas de Rond\u00f4nia (Ceron) e Boa Vista Energia, distribuidora de energia em Roraima foram vendidas \u00e0 iniciativa privada no preg\u00e3o.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Fabiola Antezana, as negocia\u00e7\u00f5es podem acirrar ainda mais as desigualdades regionais. A dirigente afirma ainda que as concess\u00f5es s\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 voca\u00e7\u00e3o inicial da Eletrobras e outras companhias estaduais, criadas para atender demandas que as empresas privadas n\u00e3o cobriam.<\/p>\n<p>&#8220;Esses estados ainda necessitam de um bra\u00e7o forte do Estado atuando para que ocorra o desenvolvimento regional. Eles ainda n\u00e3o t\u00eam a mesma condi\u00e7\u00e3o de outros estados \u2014 por quest\u00f5es geogr\u00e1ficas e at\u00e9 mesmo pela coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. E a gente vai entregar isso na m\u00e3o da iniciativa privada que vai apenas visar o lucro pelo lucro&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>Os eletricit\u00e1rios dos tr\u00eas estados realizaram protestos contra o leil\u00e3o e paralisaram suas atividades por 72 horas.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Katarine Flor<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0Concentra\u00e7\u00e3o de mercado e falta de regula\u00e7\u00e3o marcam o setor el\u00e9trico \/ Marcello Casal Jr \/ Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20719\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[105],"tags":[224],"class_list":["post-20719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c118-privatizacao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ob","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}