{"id":2075,"date":"2011-11-16T20:11:07","date_gmt":"2011-11-16T20:11:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2075"},"modified":"2011-11-16T20:11:07","modified_gmt":"2011-11-16T20:11:07","slug":"obrigado-por-sua-vida-camarada-alfonso-cano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2075","title":{"rendered":"Obrigado por sua vida, camarada Alfonso Cano"},"content":{"rendered":"\n<p>Primeiro Secret\u00e1rio do Partido Comunista do M\u00e9xico<\/p>\n<p>Nosso querido camarada Alfonso Cano, Comandante em Chefe das FARC-EP, morreu em combate.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois meses, operativos militares no Ca\u00f1\u00f3n de las Hermosas e na regi\u00e3o do Cauca, com bombardeios permanentes de grande escala e com a mobiliza\u00e7\u00e3o de milhares de efetivos da oligarquia, buscavam tal objetivo. V\u00e1rias vezes anunciaram sua morte.<\/p>\n<p>Todas as vozes do poder exigiam sua rendi\u00e7\u00e3o. Desertores grotescos da esquerda se somaram, dan\u00e7ando conforme a m\u00fasica indicada por Santos. O papel do renegado aponta sempre para a imobiliza\u00e7\u00e3o, para a quebra da insubmiss\u00e3o, para o esquecimento da rebeldia. Uns quantos segundos de gl\u00f3ria midi\u00e1tica nas p\u00e1ginas do El Tiempo bastaram para jogar fora as ideias pr\u00e9vias que os enalteciam, n\u00e3o de culto \u00e0 viol\u00eancia, mas da defesa do direito do povo de lutar pela liberdade e pela emancipa\u00e7\u00e3o. A eles, respondeu o Comandante Alfonso Cano, na entrevista concedida ao di\u00e1rio espanhol P\u00fablico: \u201cDesmobilizar-se \u00e9 sin\u00f4nimo de in\u00e9rcia, \u00e9 entrega covarde, \u00e9 rendi\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o \u00e0 causa popular e ao ide\u00e1rio revolucion\u00e1rio que cultivamos e lutamos pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 uma indignidade que leva impl\u00edcita uma mensagem de desesperan\u00e7a ao povo que confia em nosso compromisso e proposta bolivariana\u201d.#.<\/p>\n<p>Diferentemente deles, o camarada Alfonso Cano escolheu o caminho da consci\u00eancia, o dif\u00edcil e \u00e1rido solo pelo qual se deve transitar com bastante alegria, com uma boa dose de \u00e2nimo, com a confian\u00e7a infinita no povo trabalhador \u2013 sujeito da Hist\u00f3ria \u2013 e com convic\u00e7\u00e3o objetiva e inabal\u00e1vel na Revolu\u00e7\u00e3o. Caminho t\u00e3o iluminado pelos vagalumes da esperan\u00e7a e no qual cada passo alivia, pois \u00e9 \u201ca satisfa\u00e7\u00e3o do dever cumprido\u201d, onde as bandeiras levantadas tremulam de dia e de noite.<\/p>\n<p>Alfonso Cano, militante comunista \u00edntegro, s\u00f3lido intelectual marxista-leninista, profundo conhecedor da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica e de Bol\u00edvar, estrategista pol\u00edtico e militar, organizador. Sem d\u00favidas nos despedimos, com dor, de um dos quadros comunistas de maior valia do Continente, como Mella, Mari\u00e1tegui, Che, Arismendi.<\/p>\n<p>Oriundo da melhor escola de qualquer parte do mundo, a Juventude Comunista, chegou a completar sua forma\u00e7\u00e3o ao lado de Manuel Marulanda e Jacobo Arenas. E, como comunista, dos de verdade, foi um homem de ideias e de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O camarada Alfonso Cano \u00e9 indissoci\u00e1vel da FARC-EP. Todo revolucion\u00e1rio, se o \u00e9, se dissolve na obra coletiva, na organiza\u00e7\u00e3o, no Partido, e por ele seu nome brilha mais alto. Quando, h\u00e1 20 anos, meio mundo abjurou, renegou, se curvou, em conson\u00e2ncia com o covil contrarrevolucion\u00e1rio que se seguiu ao fim da constru\u00e7\u00e3o socialista, as luzes da resist\u00eancia intensificaram seu resplendor; em nosso continente, o maior das Antilhas e das montanhas da Col\u00f4mbia. N\u00e3o vamos julgar os processos de negocia\u00e7\u00e3o de El Salvador e da Guatemala, por\u00e9m estamos no dever de reconhecer que as FARC-EP fizeram o correto: mantiveram a espada do Libertador em riste, al\u00e7aram o fuzil, a bandeira vermelha e a consigna vigente, de uma nova e socialista Col\u00f4mbia. Consequente com a hist\u00f3ria de sua organiza\u00e7\u00e3o, o Comandante Alfonso Cano, n\u00e3o se rendeu, n\u00e3o se vendeu, n\u00e3o se entregou e morreu em combate.<\/p>\n<p>O Comandante Alfonso Cano, cumprindo as tarefas de sua organiza\u00e7\u00e3o, impulsionou a Coordenadoria Guerrilheira Sim\u00f3n Bol\u00edvar e os di\u00e1logos pela paz. A experi\u00eancia da UP (Uni\u00e3o Patri\u00f3tica) mostrou aos camaradas das FARC-EP que a luta n\u00e3o pode deter-se at\u00e9 que o povo tome o poder, e esse viria a ser o marco das maiores colabora\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas do Comandante Alfonso Cano: a organiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Colombiano (Clandestino) e do Movimento Bolivariano por uma Nova Col\u00f4mbia. Sementes sobre as quais germinar\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o Colombiana. Consciente que a liberta\u00e7\u00e3o de toda Nossa Am\u00e9rica \u00e9 uma necessidade, o camarada Alfonso Cano fazia parte da presid\u00eancia do Movimento Continental Bolivariano.<\/p>\n<p>Numa organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, perder a vida na luta \u00e9 uma possibilidade. A luta baseada no m\u00e9todo caudilhista n\u00e3o resistiu \u00e0 prova. Por\u00e9m, a nascida em Marquetalia \u00e9 uma genu\u00edna obra coletiva. O mito dizia que, com a morte do Comandante Manuel Marulanda, as FARC-EP n\u00e3o sobreviveriam, menos com os golpes que iniciaram em 1\u00ba de Mar\u00e7o de 2008, contra os Comandantes Ra\u00fal Reyes e Iv\u00e1n R\u00edos. Por\u00e9m, Alfonso Cano, em seu papel de Comandante em Chefe, superou o obst\u00e1culo e, com criatividade estrat\u00e9gica, reposicionou a luta no combate desigual com a oligarquia e com a interven\u00e7\u00e3o militar norte-americana. Sua morte nos machuca, mas sabemos que nossa organiza\u00e7\u00e3o irm\u00e3, com seu exemplo, permanecer\u00e1 lutando at\u00e9 a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>O melhor balan\u00e7o de sua vida e obra ser\u00e1 feito pelos pr\u00f3prios camaradas das FARC-EP. Para n\u00f3s que estamos irmanados em ideais, s\u00f3 podemos reconhecer a grandeza de todos os combatentes e a exemplar consci\u00eancia do Comandante Alfonso Cano, marxista-leninista, bolivariano, guerrilheiro, comandante, estadista, libertador, homem que possu\u00eda uma confian\u00e7a infinita na luta de massas.<\/p>\n<p>Na hora de sua morte, aparecem as cenas pr\u00e9vias da hist\u00f3ria de nossos povos. H\u00e1 meses se via claramente que o imperialismo e a oligarquia centraram seu objetivo militar em dar-lhe a morte. Isso nos lembra a persegui\u00e7\u00e3o a Francisco Villa e o execr\u00e1vel cartaz onde se oferecia recompensa por sua captura, vivo ou morto. O Comandante Alfonso Cano se manteve na linha. Dizer que foi assassinado, \u00e9 diminuir os m\u00e9ritos acerca de sua disposi\u00e7\u00e3o combativa, me dizia Marco Riquelme, coordenador do Movimento Patri\u00f3tico Manuel Rodr\u00edguez, do Chile, e tem raz\u00e3o. Caiu combatendo. Das v\u00e1rias ag\u00eancias citadas pelo di\u00e1rio mexicano La Jornada, de 5 de Novembro, extra\u00edmos o seguinte: Segundo um soldado entrevistado por r\u00e1dio, \u201co homem (Alfonso\u00a0Cano) n\u00e3o se entregou e praticamente enfrentou a tropa at\u00e9 morrer\u201d. Assim s\u00e3o os combatentes de Manuel Marulanda, desse tipo, assim s\u00e3o os homens do Partido, assim vivem e morrem os comunistas.<\/p>\n<p>Ao morrer combatendo, o Comandante Alfonso Cano defendeu, at\u00e9 o \u00faltimo alento, o direito dos povos \u00e0 rebeli\u00e3o, deixando-o intacto, salvaguardando-o. Fica o exemplo. Sua organiza\u00e7\u00e3o, no breve comunicado, rende imediatamente a melhor homenagem: a luta segue, n\u00e3o abandonar\u00e3o as armas, juram cumprir.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cumpriremos nossos deveres internacionalistas de solidariedade com t\u00e3o digna organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Adeus querido camarada Alfonso Cano. At\u00e9 logo, Comandante Alfonso Cano.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCM\n\n\n\n\n\n\n\n\nP\u00e1vel Blanco Cabrera.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2075\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-xt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}