{"id":20791,"date":"2018-09-09T12:02:15","date_gmt":"2018-09-09T15:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20791"},"modified":"2018-09-09T12:02:15","modified_gmt":"2018-09-09T15:02:15","slug":"em-defesa-da-ciencia-e-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20791","title":{"rendered":"Em defesa da Ci\u00eancia e Tecnologia!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ujc.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/39216156_1756044641179380_8630173586545442816_o.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><em>Por Gabriel Zaffari*<\/em><\/p>\n<p>A CAPES, recentemente, anunciou que todas as bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o poderiam ser extintas a partir de agosto de 2019 junto \u00e0 suspens\u00e3o do pagamentos de 105 mil bolsistas que participam do PIBID (Programa de Bolsas \u00e0 Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Doc\u00eancia). Assim, como resultado das pol\u00edticas de austeridade, que se intensivaram ap\u00f3s o golpe de 2016, anunciava-se o poss\u00edvel fim da ci\u00eancia no Brasil. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, entretanto, em outro comunicado oficial, assegurou que as bolsas se manter\u00e3o ap\u00f3s 2019. A despeito das bolsas, temporariamente, estarem asseguradas, ainda devemos pensar, afinal, por que dever\u00edamos nos importar com as bolsas de pesquisa e ensino?<\/p>\n<p>Detenhamos-nos ao caso das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es. Para que um pa\u00eds aumente sua renda\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio que ele cres\u00e7a, ou seja, se produzam mais bens e servi\u00e7os. No entanto, h\u00e1 um limite para isso, que \u00e9 quando a economia est\u00e1 operando em plena capacidade, isto \u00e9, quando todos os recursos est\u00e3o sendo utilizados para a produ\u00e7\u00e3o. Para que essa mesma economia continua a crescer de forma sustent\u00e1vel, deve-se, portanto, utilizar esses recursos de forma mais eficiente \u2013 fazendo mais com menos. Ou seja, precisa-se aumentar a produtividade das for\u00e7as produtivas. Essa produtividade aumenta na medida em que melhoramos nossa tecnologia, isto \u00e9, quando temos mais acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e quando formamos mais pesquisadores e professores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o investimento nas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, assim como no PIBID, que perpassa o pagamento de bolsas, auxilia no aumento da produtividade, da cria\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia. No Brasil, segundo dados da Clarivate Analytics [1], grande parte da pesquisa se d\u00e1 nas universidades p\u00fablicas, de \u00e2mbito estadual e federal, e quase nada nas privadas. O setor privado brasileiro n\u00e3o desenvolve o grosso da pesquisa e, dificilmente o far\u00e1. Nossa economia, ap\u00f3s os anos 90, tem regredido em sua complexidade. Segundo dados do Atlas da Complexidade [2], o Brasil, ano ap\u00f3s ano, tem aumentando sua base de exporta\u00e7\u00f5es em bens de baixa complexidade. Isso significa que tratam-se de setores que n\u00e3o demandam for\u00e7a de trabalho qualificada, n\u00e3o incentivam o processo de inova\u00e7\u00f5es e, tampouco, s\u00e3o capitais intensivas. Esses bens de baixa complexidade, em sua maioria, s\u00e3o as\u00a0<em>commodities<\/em>, como carv\u00e3o e soja.<\/p>\n<p>H\u00e1 evid\u00eancias [3] [4] que apontem para a correla\u00e7\u00e3o entre a distribui\u00e7\u00e3o de renda, n\u00edvel de renda per capita e uma base de exporta\u00e7\u00e3o de bens complexos, os quais dependem de fortes investimentos em pesquisa, ci\u00eancia e tecnologia. Ou seja, pa\u00edses que possuem setores complexos, em geral, possuem um elevado n\u00edvel de produto por pessoa e uma sal\u00e1rio m\u00e9dio elevado. N\u00e3o s\u00f3 isso, mas em termos mais gerais, \u00e9 na ci\u00eancia e na tecnologia que se encontra uma das fontes de liberdade e emancipa\u00e7\u00e3o humana. Como bem diz Engels, \u201ca liberdade n\u00e3o reside na sonhada independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s leis da natureza, mas no conhecimento dessas leis e na possibilidade proporcionado por ele de fazer com que elas atuam, conforme um plano, em fun\u00e7\u00e3o de determinados fins\u201d [5]. Quando domamos o poder da eletricidade, criamos sistemas cibern\u00e9ticos complexos e avan\u00e7amos na cura de diversas doen\u00e7as. Essas a\u00e7\u00f5es humanas representam um passo no avan\u00e7o da emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, devemos estar atentos que o simples investimento nessas \u00e1reas n\u00e3o nos assegura automaticamente um crescimento econ\u00f4mico com o aumento da distribui\u00e7\u00e3o de renda, tampouco inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que sirvam aos trabalhadores. Durante o per\u00edodo da Ditadura Militar, em que o Brasil possu\u00eda uma ind\u00fastria mais ativa e produ\u00e7\u00e3o de bens mais complexos, a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumentou abruptamente, de tal forma que de 1964 at\u00e9 1974, houve a queda de 42% do poder de compra do sal\u00e1rio m\u00ednimo [6].<\/p>\n<p>Ou seja, a defesa das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, da ci\u00eancia e tecnologia, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente. Para que o desenvolvimento de nosso pa\u00eds seja com um aumento salarial e melhora da condi\u00e7\u00e3o de vida dos trabalhadores, se faz necess\u00e1rio tamb\u00e9m um arranjo social diferente, em que as velhas oligarquias, os latif\u00fandios e os grandes banqueiros n\u00e3o estejam no centro da tomada de decis\u00e3o e planejamento econ\u00f4mico. \u00c9 preciso que os trabalhadores sejam a ponta-de-lan\u00e7a nesse processo, para que, a universidade e seus centros de pesquisa funcionem em prol dos mesmos e n\u00e3o serviam a um pequeno grupo de privilegiados.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>[1]\u00a0Pesquisa da Clarivate Analytics &lt;http:\/\/portal.andes.org.br\/imprensa\/noticias\/imp-ult-992337666.pdf&gt;<br \/>\n[2]\u00a0Atlas da Complexidade &lt;http:\/\/atlas.cid.harvard.edu\/&gt;<br \/>\n[3]\u00a0http:\/\/www.paulogala.com.<wbr \/>br\/explicacao-da-riqueza-e-<wbr \/>pobreza-dos-paises-no-mundo-<wbr \/>em-um-unico-grafico-<wbr \/>produtividade-nas-exportacoes\/<wbr \/>3-rpeci\/<br \/>\n[4]\u00a0https:\/\/www.eco.unicamp.<wbr \/>br\/images\/arquivos\/Hartmann_<wbr \/>WD_May2017.pdf<br \/>\n[5]\u00a0ENGELS, F. Anti-D\u00fchring. Boitempo, 1\u00aa ed, 2015.<br \/>\n[6]\u00a0LACERDA, A. C.; BOCCHI, J. I.; REGO, J. M.; MARQUES, R. M. Economia Brasileira. Saraiva, 4\u00aa ed, 2010.<\/p>\n<p><em>*Militante da UJC-Brasil<\/em><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/ujc.org.br\/em-defesa-<wbr \/>da-ciencia-e-tecnologia\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20791\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60,27],"tags":[224],"class_list":["post-20791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-c27-ujc","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5pl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20791\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}