{"id":20868,"date":"2018-09-17T22:24:57","date_gmt":"2018-09-18T01:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20868"},"modified":"2018-09-17T22:25:21","modified_gmt":"2018-09-18T01:25:21","slug":"brasil-atende-a-interesses-do-latifundio-e-do-capital-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20868","title":{"rendered":"Brasil atende a interesses do latif\u00fandio e do capital internacional"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2018\/09\/estado-brasileiro-atende-interesses-do-latifundio-e-do-capital-internacional-diz-pesquisadora\/agronegocio\/image_preview\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Para Larissa Mies Bombardi, em vez de seguir o caminho da seguran\u00e7a e soberania alimentar, pa\u00eds &#8220;se vira do avesso&#8221; para transformar o territ\u00f3rio nacional em base para o capitalismo internacional<\/p>\n<p>por\u00a0Reda\u00e7\u00e3o RBA\u00a0publicado\u00a013\/09\/2018 16h26,\u00a0\u00faltima modifica\u00e7\u00e3o\u00a013\/09\/2018 16h54<\/p>\n<p>ROOSEWELT PINHEIRO\/EBC<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2014 Autora do\u00a0<em>Atlas de Geografia do Uso de Agrot\u00f3xicos no Brasil e Conex\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia,<\/em>\u00a0a professora do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia Humana da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)\u00a0Larissa Mies Bombardi\u00a0acredita que, para entender a configura\u00e7\u00e3o da agricultura no Brasil, \u00e9 preciso antes compreender a exist\u00eancia de uma quest\u00e3o agr\u00e1ria mal resolvida. \u201cN\u00f3s n\u00e3o fizemos a li\u00e7\u00e3o de casa, que era promover o acesso \u00e0 terra. Temos uma classe social, o campesinato, que foi e \u00e9 permanentemente exclu\u00edda da terra. E se temos as experi\u00eancias agroecol\u00f3gicas trazidas pelos camponeses, por outro lado, temos a for\u00e7a enorme do latif\u00fandio\u201d, afirmou, em entrevista nesta quinta-feira (13), aos jornalistas Marilu Caba\u00f1as e Glauco Faria, na\u00a0<strong>R\u00e1dio Brasil Atual<\/strong>.<\/p>\n<p>Larissa explica que o uso de agrot\u00f3xicos no Brasil, pa\u00eds que mais consome esses produtos qu\u00edmicos no mundo, est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de terra e ao modo como essa ela \u00e9 utilizada. Para a professora, o Estado brasileiro faz a media\u00e7\u00e3o de dois interesses: o do latif\u00fandio e o do capital internacional, representado pelas ind\u00fastrias produtoras dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&#8220;As ind\u00fastrias de agrot\u00f3xicos se beneficiam desse modelo agr\u00edcola porque se apropriam de parte da renda da terra, por meio da venda de produtos como sementes, fertilizantes qu\u00edmicos e agrot\u00f3xicos. E, por outro lado, os grandes propriet\u00e1rios de terra ganham com essa concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria porque tem se expandido indeterminadamente. Temos cinco \u2018Portugais\u2019 em cana-de-a\u00e7\u00facar, eucalipto e soja no Brasil\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>E vai al\u00e9m: \u201cEm vez de caminharmos no sentido da seguran\u00e7a e da soberania alimentar, com uma vasta reforma agr\u00e1ria por meio de um manejo que possa se configurar como agroecol\u00f3gico ou biodin\u00e2mico, estamos nos virando do avesso e transformando o territ\u00f3rio nacional em base para o capitalismo internacional se reproduzir dessa forma\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista ela relembra o significado de uma frase dita pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano: \u201cA autodetermina\u00e7\u00e3o come\u00e7a pela boca\u201d. Para ela, a frase \u00e9 revolucion\u00e1ria. Larissa Bombardi acredita que decidir o que se quer comer e como se quer alimentar \u00e9, no fundo, discutir as maiores chagas do Brasil e da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cQuando o Galeano diz: \u2018a cota\u00e7\u00e3o internacional oferece p\u00e3o para hoje e fome para amanh\u00e3\u2019, \u00e9 isso. O que tem acontecido no Brasil, nessa produ\u00e7\u00e3o acelerada de gr\u00e3os, embora o discurso seja de que estamos produzindo alimentos, a gente n\u00e3o est\u00e1 produzindo alimentos. \u00c9 importante desmistificar isso. O que \u00e9 que estamos produzindo? Estamos produzindo commodity e agroenergia\u201d, pondera, enfatizando que para o produtor de commodities, pouco importa se o produto \u00e9 min\u00e9rio de ferro ou gr\u00e3o. &#8220;Ent\u00e3o o gr\u00e3o deixa de ter essa pot\u00eancia humana e se transforma em moeda de troca do que eu chamaria de \u2018cassino do capitalismo globalizado\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para a autora do\u00a0<em>Atlas<\/em>, o pensamento de Eduardo Galeano se refere ao potencial do que pode significar a alimenta\u00e7\u00e3o humana e a autodetermina\u00e7\u00e3o da sociedade ou, ao contr\u00e1rio, representar um tipo de escravid\u00e3o. \u201cO Brasil tem tido uma inser\u00e7\u00e3o subordinada na economia mundial porque temos vendido coisas que n\u00e3o t\u00eam valor agregado.\u201d<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise, a agricultura significa a &#8220;humaniza\u00e7\u00e3o da natureza\u201d. E argumenta que a pr\u00f3pria palavra cont\u00e9m o sufixo \u201ccultura\u201d, algo relacionado especificamente ao ser humano, que transforma a natureza por meio do seu trabalho. Assim, segundo a pesquisadora, h\u00e1 duas formas de agricultura: a dos povos tradicionais, com equil\u00edbrio no cultivo do solo; e a capitalista, desequilibrada e exacerbada, causando a exaust\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho humano \u00e9 sagrado. Tem o \u00e2mbito da racionalidade, porque pensamos antes de executar; tem o \u00e2mbito da sociabilidade, porque n\u00e3o \u00e9 \u00fanico, \u00e9 compartilhado; e tem a hereditariedade, que tem a ver com o saber, e por isso \u00e9 sagrado\u201d, define a pesquisadora do Departamento de Geografia da USP.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia moderna \u00e9 branca, masculina e burguesa, e muitas vezes aniquila todo o conhecimento (antigo). E o que temos para comer hoje \u00e9 resultado desse conhecimento e desse manejo. Quando o milho surge na natureza, a espiga tinha poucos gr\u00e3os. Foi o manejo dos \u00edndios, sabendo escolher as espigas com gr\u00e3os maiores e em maior quantidade, que nos trouxe o milho do tamanho que conhecemos hoje. Esse conhecimento \u00e9 um patrim\u00f4nio da humanidade. Se a gente tem hoje a diversidade de alimentos e com qualidade, \u00e9 esse conhecimento que potencializou isso\u201d, afirma Larissa Bombardi.<\/p>\n<p>Em sentido oposto, ela cita a semente\u00a0<em>Terminator<\/em>, da Monsanto \u2014 que n\u00e3o se reproduz. \u201c\u00c9 o avesso do princ\u00edpio de semente. O que \u00e9 semente se n\u00e3o o pr\u00f3prio s\u00edmbolo da vida e da reprodu\u00e7\u00e3o?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a a\u00a0entrevista na \u00edntegra:\u00a0https:\/\/soundcloud.com\/<wbr \/>redebrasilatual\/o-grao-e-o-<wbr \/>cassino-do-capitalismo-<wbr \/>globalizado-diz-pesquisadora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20868\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[226],"class_list":["post-20868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5qA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20868\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}