{"id":20916,"date":"2018-09-24T22:13:09","date_gmt":"2018-09-25T01:13:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=20916"},"modified":"2018-09-24T22:13:09","modified_gmt":"2018-09-25T01:13:09","slug":"o-retorno-da-guerra-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20916","title":{"rendered":"O retorno da guerra fria?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pt.granma.cu\/file\/img\/2018\/09\/medium\/f0015305.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Ra\u00fal Antonio Capote<\/p>\n<p>\u00abA Guerra Fria voltou\u00bb, alertou recentemente o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres, em um contexto internacional em que rufam os velhos tambores de guerra, adornados com outros rostos e m\u00e9todos<\/p>\n<p>O tratado Molotov-Ribbentrop, assinado entre a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) e a Alemanha nazista, em 23 de agosto de 1939, \u00e9 frequentemente mencionado. Com o tal do tratado, Moscou tentava evitar ou, pelo menos, retardar a agress\u00e3o ao seu territ\u00f3rio, mas pouco se fala que em 29 e 30 de setembro de 1938, na cidade alem\u00e3 de Munique, os primeiros-ministros da Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a se reuniram com o F\u00fchrer e o Duce para aprovar o desmembramento da Tchecoslov\u00e1quia, a rendi\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia e o ataque alem\u00e3o \u00e0 URSS.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que j\u00e1 havia proposto um acordo para o desarmamento geral, na Confer\u00eancia sobre Desarmamento realizada em Genebra, em 1932, prop\u00f4s em 1938 aos principais c\u00edrculos de lideran\u00e7a da Fran\u00e7a e da Gr\u00e3-Bretanha uma alian\u00e7a, que foi rejeitada de imediato. As grandes pot\u00eancias capitalistas sonhavam ent\u00e3o ver desfilar com j\u00fabilo os tanques alem\u00e3es Panzer pelas ruas das cidades sovi\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Todas as tentativas da URSS de criar um front comum para evitar a guerra fracassaram, diante do interesse priorit\u00e1rio das pot\u00eancias ocidentais de p\u00f4r fim ao primeiro Estado socialista do mundo.<\/p>\n<p>O curso da guerra, que se tornou global, levou os Estados Unidos e a Inglaterra a tomar partido do lado da URSS. Assim os antigos inimigos se aliaram em face de um perigo maior.<\/p>\n<p>O fascismo foi derrotado e o prest\u00edgio conquistado pelo primeiro Estado socialista foi imenso, os comunistas por toda a Europa desempenharam um papel proeminente na resist\u00eancia antifascista e tiveram uma crescente simpatia entre o povo, inclusive nos pr\u00f3prios Estados Unidos.<\/p>\n<p>O aliado circunstancial era desconfort\u00e1vel e voltou a ser o inimigo, as pot\u00eancias capitalistas deviam colocar um \u00abmuro de conten\u00e7\u00e3o \u00e0 influ\u00eancia comunista\u00bb. E a \u00abconten\u00e7\u00e3o\u00bb acabou, se tornando o princ\u00edpio orientador da pol\u00edtica ocidental e permaneceu assim pelos pr\u00f3ximos 40 anos.<\/p>\n<p>Embora o termo tenha sido usado pelo escritor George Orwell em seu ensaio\u00a0<em>You and the Atomic Bomb<\/em>\u00a0(Voc\u00ea e a Bomba At\u00f4mica), em outubro de 1945, o primeiro uso pol\u00edtico da express\u00e3o \u00e9 atribu\u00eddo a Bernard Baruch, assessor presidencial dos EUA, em 16 de abril de 1947, e foi popularizado pelo colunista Walter Lippmann em seu livro\u00a0<em>The Cold War<\/em>\u00a0(A Guerra Fria).<\/p>\n<p>A Guerra Fria foi um confronto que cobriu um amplo espectro: pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social, militar, informativo, cient\u00edfico e at\u00e9 mesmo esportivo, e durou \u2014 pelo menos aparentemente \u2014 at\u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS.<\/p>\n<p>O acordo t\u00e1cito das superpot\u00eancias de n\u00e3o usar armas nucleares em face do perigo do exterm\u00ednio m\u00fatuo em massa, o fato de que nenhum dos dois blocos tomasse a\u00e7\u00e3o direta contra o outro, definiu o termo, o que n\u00e3o significa que os confrontos fossem escassos, porque a guerra fria foi marcada por a\u00e7\u00f5es muito quentes em muitas partes do mundo, que geraram milh\u00f5es de mortes: a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietn\u00e3, os golpes militares na Am\u00e9rica Latina, interven\u00e7\u00f5es militares, opera\u00e7\u00f5es de exterm\u00ednio como a F\u00e9nix e a Condor, entre outras.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia da URSS tornou poss\u00edvel o triunfo dos processos democr\u00e1ticos e revolucion\u00e1rios em muitas partes do mundo. O imperialismo n\u00e3o podia agir com total liberdade para dominar e derrotar os processos progressistas, e o equil\u00edbrio de for\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es internacionais permitiu, fundamentalmente, realizar processos de descoloniza\u00e7\u00e3o na \u00c1sia e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Com a queda da URSS e o desaparecimento do bloco socialista, o poder global capitalista mundial teve as m\u00e3os livres, agora, aparentemente, era o propriet\u00e1rio absoluto dos destinos do mundo.<\/p>\n<p>A hegemonia mundial dos EUA chegou ao seu apogeu: a roubalheira \u00ab\u00e0 m\u00e3o armada\u00bb dos recursos de pa\u00edses como o Iraque, a L\u00edbia, o Afeganist\u00e3o, o saque das riquezas dos pa\u00edses dependentes, marcou os anos ap\u00f3s o fim da Guerra Fria. Assim, aumentaram os ataques para se apropriar dos recursos e mercados naturais.<\/p>\n<p>Euf\u00f3ricos, os defensores do capitalismo proclamaram o fim da hist\u00f3ria, o triunfo total do ego\u00edsmo, da preda\u00e7\u00e3o, mas o agressor ficou estagnado nas novas guerras coloniais.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe se recusaram a aceitar a imposi\u00e7\u00e3o. Cuba se tornou um paradoxo pol\u00edtico, segundo os especialistas da CIA, enquanto Venezuela, Bol\u00edvia, Argentina, Equador, Brasil e Nicar\u00e1gua come\u00e7aram a tra\u00e7ar um curso continental independente e soberano, com a Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos da Am\u00e9rica (ALBA-TCP), a Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul) e outros mecanismos de integra\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A R\u00fassia capitalista n\u00e3o deveria ser o inimigo mas, sob o pretexto da luta contra o terrorismo, foi cercada de bases militares, apoiaram processos secessionistas em seu territ\u00f3rio, geraram e promoveram conflitos nas antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas e no territ\u00f3rio russo.<\/p>\n<p>Apesar dos saque gerado naquela grande na\u00e7\u00e3o pelo capitalismo selvagem, nos anos que se seguiram \u00e0 queda do socialismo, e da conspira\u00e7\u00e3o ocidental-norte-americana para destruir sua economia e transform\u00e1-la em um pa\u00eds dependente, eliminando um poss\u00edvel concorrente poderoso para os mercados, a R\u00fassia continuou seu caminho sem hesita\u00e7\u00e3o com uma pol\u00edtica externa soberana, enquanto as enormes riquezas materiais e humanas do imenso pa\u00eds mais uma vez o colocaram em uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a mundial.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Rep\u00fablica Popular da China emergiu como um forte opositor dos interesses geopol\u00edticos e econ\u00f4micos dos Estados Unidos. A influ\u00eancia chinesa-russa \u2014 aliados estrat\u00e9gicos \u2014 come\u00e7ou a ser vista como um perigo real pelos supostos senhores do mundo, especialmente na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, para p\u00f4r fim aos processos e governos progressistas, tentam-se variantes de golpes de Estado, guerras n\u00e3o convencionais, onde a alian\u00e7a da grande m\u00eddia privada com os pol\u00edticos da direita, o poder judicial, a oligarquia entreguista, a CIA e o governo dos Estados Unidos articulam um front comum que foi bem sucedido nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Em nome da luta contra o terrorismo e o tr\u00e1fico de drogas, novas bases militares est\u00e3o sendo estabelecidas no continente, as existentes s\u00e3o modernizadas e a presen\u00e7a dos militares dos EUA \u00e9 significativamente aumentada.<\/p>\n<p>O RISCO NUCLEAR<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o de Donald Trump anunciou, em 2 de fevereiro deste ano, a \u00abRevis\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o nuclear\u00bb, um documento desenvolvido pelo Pent\u00e1gono, que estabelece o papel das armas nucleares nas necessidades geoestrat\u00e9gicas e de seguran\u00e7a dos EUA.<\/p>\n<p>A porta-voz oficial da diplomacia russa, Maria Zakh\u00e1rova, durante uma entrevista coletiva, em 15 de agosto estimou que o aumento \u00absem precedentes\u00bb dos gastos militares dos EUA \u00abexerce um efeito destrutivo sobre o sistema de seguran\u00e7a internacional existente e constitui um renascimento da corrida armamentista, de consequ\u00eancias desastrosas\u00bb.<\/p>\n<p>Donald Trump assinou a Lei de Autoriza\u00e7\u00e3o de Defesa Nacional, em 13 de agosto, para o ano fiscal de 2019, que aloca mais de US$ 716 bilh\u00f5es para o setor militar.<\/p>\n<p>Muitos analistas acham que \u00e9 o retorno da Guerra Fria, levando em conta o ressurgimento de um cen\u00e1rio de confronto entre as duas maiores pot\u00eancias nucleares: a R\u00fassia e os Estados Unidos, cen\u00e1rio em que a China deve ser levada em conta.<\/p>\n<p>\u00abA Guerra Fria voltou\u00bb, advertiu o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres, ao inaugurar uma sess\u00e3o extraordin\u00e1ria do Conselho de Seguran\u00e7a, convocada pela R\u00fassia em abril.<\/p>\n<p>Em seu discurso, Guterres advertiu que a disputa entre os pa\u00edses envolvidos no conflito (Estados Unidos e seus aliados: Reino Unido e Fran\u00e7a) e o governo s\u00edrio de Bashar al-Assad, apoiado pela R\u00fassia \u00ab\u00e9 o maior perigo atual para a seguran\u00e7a e a paz internacional\u00bb.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9: a China e a R\u00fassia assumir\u00e3o o papel de nivelar as for\u00e7as, de tal forma que os tambores, que hoje batem pela guerra, parem de rufar?<\/p>\n<p>O multilateralismo, a luta determinada e unida dos povos do mundo pela paz, a paz que n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada com mais armas, pode construir o equil\u00edbrio necess\u00e1rio. Vamos apelar, pelo menos, ao instinto de sobreviv\u00eancia, ao senso comum, para que os canh\u00f5es se acalmem, de modo que a excessiva ambi\u00e7\u00e3o, t\u00edpica do sistema que hoje domina o mundo, n\u00e3o possa triunfar.<\/p>\n<p>http:\/\/pt.granma.cu\/mundo\/2018-09-14\/o-retorno-da-guerra-fria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/20916\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[226],"class_list":["post-20916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5rm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20916\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}