{"id":21011,"date":"2018-10-04T23:16:39","date_gmt":"2018-10-05T02:16:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21011"},"modified":"2018-10-04T23:16:39","modified_gmt":"2018-10-05T02:16:39","slug":"atentados-de-direita-fomentaram-ai-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21011","title":{"rendered":"Atentados de direita fomentaram AI-5"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538497220_noticia_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><i>(Destro\u00e7os de explos\u00e3o em frente \u00e0 sede do Dops, em S\u00e3o Paulo, em 1968.\u00a0SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR\/ INTEGRA-JMU)<\/i><\/p>\n<p>Cinquenta anos depois do ato que sepultou as liberdades democr\u00e1ticas no pa\u00eds, a P\u00fablica obt\u00e9m documentos que provam que foi a direita paramilitar, e n\u00e3o a esquerda, que deu in\u00edcio a explos\u00f5es de bombas e roubos de armas<\/p>\n<p>Vasconcelo Quadros<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/agencia_publica\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AG\u00caNCIA P\u00daBLICA<\/a><\/p>\n<p>Documentos in\u00e9ditos, guardados h\u00e1 meio s\u00e9culo nos arquivos do Superior Tribunal Militar (STM), jogam luzes no cen\u00e1rio que levou ao recrudescimento da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dictadura_brasilena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ditadura militar<\/a>, com a edi\u00e7\u00e3o do AI-5 (Ato Institucional n\u00famero 5) em dezembro de 1968. Depoimentos de personagens, relat\u00f3rios oficiais e uma infinidade de pap\u00e9is anexados a processos que somam cerca de 10 mil p\u00e1ginas, ao qual a P\u00fablica teve acesso, demonstram que o AI-5 fez parte de um plano para alongar a ditadura com atentados a bomba em s\u00e9rie, preparados no final de 1967 e executados at\u00e9 agosto do ano seguinte por uma seita esot\u00e9rica, paramilitar e de extrema direita.<\/p>\n<p>At\u00e9 esse momento, epis\u00f3dios de a\u00e7\u00e3o armada da esquerda, que tamb\u00e9m ocorreram, eram apontados como causa para a decis\u00e3o dos militares de endurecer o regime.<\/p>\n<p>Comandadas por um l\u00edder messi\u00e2nico a servi\u00e7o da linha dura do governo militar, as a\u00e7\u00f5es terroristas da direita, que chegaram a ser atribu\u00eddas, equivocadamente, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/001-direitaXesquerda-1-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">segundo apontam as investiga\u00e7\u00f5es<\/a>, tiveram como estrat\u00e9gia aquecer o ambiente como prepara\u00e7\u00e3o do \u201cgolpe dentro do golpe\u201d, o que daria ao regime uma longevidade de mais 17 anos.<\/p>\n<p>Na cadeia de comando do grupo se destacam um general da reserva Paulo Trajano da Silva, que se dizia amigo pessoal do ent\u00e3o presidente-ditador Artur da Costa e Silva, e, na linha de frente do plano, um complexo personagem, Aladino F\u00e9lix, conhecido como S\u00e1bado Dinotos, l\u00edder da seita, mentor e tamb\u00e9m autor dos atentados.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538488533_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Trecho do depoimento do General Paulo Trajano da Silva sobre sua liga\u00e7\u00e3o com o ent\u00e3o presidente Costa e Silva.)<\/em><\/p>\n<p>Formado por 14 policiais da antiga For\u00e7a P\u00fablica (como era chamada \u00e0 \u00e9poca a Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo), todos seguidores fan\u00e1ticos de Aladino F\u00e9lix, o grupo executou 14 atentados a bomba, furtou dinamites de pedreiras e armas da pr\u00f3pria corpora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de praticar pelo menos um assalto a banco, plenamente esclarecido. Foram os pioneiros do terrorismo, e os respons\u00e1veis pela maioria das a\u00e7\u00f5es terroristas registradas no per\u00edodo \u2013 um total de 17 das 32 contabilizadas pelos \u00f3rg\u00e3os policiais.<\/p>\n<p><b>Primeiros atentados foram da direita<\/b><\/p>\n<p>A evid\u00eancia de que foi a direita quem tomou a frente nas a\u00e7\u00f5es que serviram de pretexto para o fechamento do regime aparece pela primeira vez num relat\u00f3rio do delegado Sidney Benedito de Alc\u00e2ntara, assistente do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), sobre o inqu\u00e9rito em que a pol\u00edcia esclarece os crimes a partir de pris\u00f5es ocorridas em meados de agosto de 1968. Com data de 18 de dezembro, cinco dias depois da edi\u00e7\u00e3o do AI-5, o delegado afirma que\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/006-bemAntes-converted.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os atentados da direita \u201ccome\u00e7aram bem antes do atual terrorismo de esquerda<\/a>\u201d, numa refer\u00eancia ao in\u00edcio da fase mais acirrada dos conflitos armados que marcaram a fase mais dura da repress\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Pela cronologia das investiga\u00e7\u00f5es, os paramilitares come\u00e7am\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/007-1oFurto-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">furtando dinamites<\/a>, no final de dezembro de 1967, armas no Quartel-General (QG) da For\u00e7a P\u00fablica em 16 de janeiro de 1968, e executam explos\u00f5es de bombas entre 10 de abril at\u00e9 19 de agosto, com atentados em s\u00e9rie, o \u00faltimo deles dois dias antes de o grupo ser desbaratado.<\/p>\n<p>Os alvos principais dos atentados, cuja autoria o grupo de Aladino F\u00e9lix assumiria, foram justamente os \u00f3rg\u00e3os que depois centralizariam a repress\u00e3o contra a esquerda em S\u00e3o Paulo: o II Ex\u00e9rcito, cujo QG ainda funcionava na rua Conselheiro Crispiniano, o pr\u00e9dio do Dops, instalado ent\u00e3o no largo General Os\u00f3rio, e o\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/012-QGFP-01.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">QG da For\u00e7a P\u00fablica<\/a>, na pra\u00e7a J\u00falio Prestes, todos na regi\u00e3o central.<\/p>\n<p>O grupo explodiu tamb\u00e9m bombas na\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/013-Bovespa-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bovespa<\/a>\u00a0(Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo), no oleoduto de Utinga, em pr\u00e9dios onde funcionavam os setores de alistamento da PM (era For\u00e7a P\u00fablica) e de varas criminais da capital (Lapa e Santana) e em pontilh\u00f5es e trilhos que davam acesso \u00e0 estrada de ferro que ligava o litoral e os sub\u00farbios da regi\u00e3o metropolitana ao centro da capital.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538488790_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Explos\u00e3o de bomba na entrada do pr\u00e9dio da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo.)<\/em><\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de esquerda, por\u00e9m, que mais tarde se alternariam com as da direita, se iniciaram apenas em 19 de mar\u00e7o de 1968, com a explos\u00e3o de uma bomba que feriu tr\u00eas estudantes na biblioteca do consulado dos Estados Unidos, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista. O atentado mais grave, que matou o soldado M\u00e1rio Kozel, sentinela do QG do II Ex\u00e9rcito, j\u00e1 funcionando no Parque Ibirapuera, s\u00f3 ocorreria em 26 de junho do mesmo ano.<\/p>\n<p>O general Silvio Corr\u00eaa de Andrade, chef\u00e3o da Pol\u00edcia Federal em S\u00e3o Paulo, chegou a sustentar \u00e0 \u00e9poca, em entrevistas, que o governo n\u00e3o tinha d\u00favidas sobre quem estaria por tr\u00e1s de todos os atentados. \u201cSabemos de onde partiu o golpe: foram os homens da esquerda. Mas acabaremos por agarr\u00e1-los\u201d, disse ele.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538488850_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Per\u00edcia realizada em metralhadora, pistola e muni\u00e7\u00f5es apreendidas em poder de Aladino Felix e seu bando indica que as armas pertenciam \u00e0 For\u00e7a P\u00fablica.)<\/em><\/p>\n<p>O mesmo general se mostraria surpreso quando o grupo de Aladino F\u00e9lix acabou se revelando atrav\u00e9s de uma investiga\u00e7\u00e3o criminal de rotina, \u00e0 revelia dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o do governo federal, que mirava apenas descobrir os autores do roubo a uma ag\u00eancia do Banco Mercantil e Industrial (BMI) de Perus, ocorrido no dia 1\u00ba de agosto de 1968.<\/p>\n<p><b>Maconheiros e malandros<\/b><\/p>\n<p>O delegado Ruy Prado de Francischi, lotado na 40\u00aa DP, em Vila Santa Maria, na zona norte, rastreando os passos de \u201cmaconheiros e malandros\u201d, conforme consta no relat\u00f3rio do Dops, recolheu informes sobre a quadrilha que roubou o BMI. O delegado descobriu que os assaltantes, com os rostos cobertos por len\u00e7os (estilo copiado dos filmes de faroeste, ent\u00e3o a coqueluche de Hollywood), haviam rendido o vigia e funcion\u00e1rios da ag\u00eancia com armas furtadas do QG da For\u00e7a P\u00fablica, em 16 de janeiro, de onde haviam sido levados uma metralhadora INA, tr\u00eas pistolas Walther e 13 rev\u00f3lveres Taurus.<\/p>\n<p>Identificados, presos e conduzidos ao xadrez do Deic, os quatro assaltantes, todos j\u00e1 fichados \u00e0 \u00e9poca por crimes comuns, depois de intensas sess\u00f5es de tortura, contaram que o mentor do roubo havia sido o soldado da For\u00e7a P\u00fablica Jess\u00e9 C\u00e2ndido de Moraes, o segundo homem na hierarquia do grupo. Preso no dia 21 de agosto, e tamb\u00e9m submetido a variados tipos de sev\u00edcias, o policial citou, pela primeira vez, o nome de Aladino F\u00e9lix como um dos destinat\u00e1rios do dinheiro roubado.<\/p>\n<p>Autor de livros sobre ufologia e de profecias b\u00edblicas, m\u00edstico venerado por um s\u00e9quito, Aladino F\u00e9lix tinha servido como militar na Segunda Guerra e era reconhecido por relevantes servi\u00e7os prestados ao golpe de 1964, al\u00e9m de manter contatos com autoridades do regime militar. Como um delator de luxo, fornecia informa\u00e7\u00f5es sobre as a\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e supostas conspira\u00e7\u00f5es contra o governo envolvendo oficiais da For\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Detido um dia depois de Jess\u00e9, em 22 de agosto, Aladino F\u00e9lix foi levado para o Deic. L\u00e1, tamb\u00e9m torturado, conforme atestaria um laudo pericial da pr\u00f3pria pol\u00edcia, mas longe da influ\u00eancia das autoridades federais, descreveu em detalhes, num manuscrito de 25 p\u00e1ginas em folhas de caderno espiral, todos os atos praticados por seu grupo nos oito meses que antecederam sua pris\u00e3o. Aladino F\u00e9lix, abandonado pelo governo, que perdeu o controle sobre sua pris\u00e3o, passa a contar por que organizou o grupo. De acordo com ele, a motiva\u00e7\u00e3o b\u00e1sica das a\u00e7\u00f5es era levar o regime a assumir medidas ditatoriais agudas. Num dos trechos do manuscrito,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/022-manuscrito-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aladino F\u00e9lix afirma que recebia ordens da Casa Militar do Pal\u00e1cio do Planalto<\/a>, chefiada \u00e0 \u00e9poca pelo general Jayme Portella, e de fontes do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a atrav\u00e9s da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538489142_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Trecho do depoimento manuscrito de Aladino F\u00e9lix, assumindo a autoria do roubo de armas e apontando sua conex\u00e3o com o alto comando da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica)<\/em><\/p>\n<p>Poderia ser apenas bravata, mas um dos pap\u00e9is apreendidos em seu escrit\u00f3rio, no 21\u00ba andar do edif\u00edcio Martinelli, n\u00e3o deixa d\u00favida sobre as rela\u00e7\u00f5es de Aladino F\u00e9lix\/Dinotos com o escrit\u00f3rio central da Pol\u00edcia Federal (PF), em Bras\u00edlia:<\/p>\n<p>\u201cPrezado senhor Dinotos,<\/p>\n<p>Recebi sua carta e desde j\u00e1 aceite meus agradecimentos pelas informa\u00e7\u00f5es nela contidas.<\/p>\n<p>Encaminhei imediatamente c\u00f3pia das informa\u00e7\u00f5es ao meu Diretor, tendo ele ficado tamb\u00e9m impressionado e levar\u00e1 o assunto \u00e0s autoridades superiores.<\/p>\n<p>Esperando contar com a valiosa coopera\u00e7\u00e3o que o senhor vem prestando, aguardo novas not\u00edcias\u201d.<\/p>\n<p>A carta, datilografada numa folha com o bras\u00e3o da Rep\u00fablica e timbres do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Pol\u00edcia Federal, \u00e9 assinada pelo inspetor Firmiano Pacheco, com data de 8 de maio de 1968, portanto tr\u00eas meses antes de Aladino F\u00e9lix e seu grupo serem presos.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538490427_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Carta mostra a rela\u00e7\u00e3o com altas patentes do governo; foi publicada, \u00e0 \u00e9poca, no Jornal \u00daltima Hora.)<\/em><\/p>\n<p>A onda de atentados era de pleno conhecimento do governo, que tinha consci\u00eancia, segundo Aladino F\u00e9lix, de que o regime entrara numa fase de desgaste e estava em meio a uma forte crise quatro anos depois do golpe. \u201cBras\u00edlia queria que nossas a\u00e7\u00f5es continuassem at\u00e9 dezembro de 1968 ou janeiro de 1969\u201d, escreve no manuscrito, entregue \u00e0 pol\u00edcia em 27 de setembro de 1968. Todos os integrantes de seu grupo, ouvidos em inqu\u00e9ritos civis e militares, reafirmariam que a motiva\u00e7\u00e3o era levar o regime a editar medidas de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aladino F\u00e9lix sustenta que, diante de press\u00f5es que s\u00f3 aumentavam, o governo concordara com a linha dura do regime. \u201cPara evitar a reformula\u00e7\u00e3o dos planos revolucion\u00e1rios, a \u00fanica forma proposta e aceita pelo governo federal, atrav\u00e9s do general Paulo Trajano, foi a a\u00e7\u00e3o terrorista\u201d, escreve no mesmo manuscrito. Segundo F\u00e9lix, \u201co terrorismo foi ent\u00e3o como uma sa\u00edda de emerg\u00eancia para o governo federal, pois n\u00e3o podia agir contra tantos implicados na trama e nem lhes convinha dar-lhes a liberdade para reassumir as r\u00e9deas que lhes foram arrancadas pela revolu\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de 1964\u201d.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538490492_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Trecho do depoimento escrito por Aladino Felix, aponta a sua conex\u00e3o com o alto comando da Presid\u00eancia da Republica e at\u00e9 quando deveria atuar.)<\/em><\/p>\n<p>Todos os integrantes do grupo contaram, depois de presos, que no caso do furto das armas Trajano participou dos detalhes do planejamento e, diante da possibilidade de identifica\u00e7\u00e3o dos autores, garantiu que \u201cacertaria\u201d com a Pol\u00edcia Federal um jeito de evitar que fossem encontradas impress\u00f5es digitais. Disseram que o general ainda forneceu um \u00e1libi caso surgissem suspeitas sobre o sumi\u00e7o dos envolvidos no dia da a\u00e7\u00e3o: todos estariam com ele, Trajano, numa ca\u00e7ada no Mato Grosso.<\/p>\n<h3>O general Paulo Trajano<\/h3>\n<p>Apontado por Aladino F\u00e9lix como o homem que deu a ordem para o furto das armas no QG da For\u00e7a P\u00fablica e do atentado a bomba no antigo QG do II Ex\u00e9rcito,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/025-depoTrajano-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trajano expressa espontaneamente no depoimento que prestou no dia 2 de setembro de 1968<\/a>, no inqu\u00e9rito aberto pelo II Ex\u00e9rcito para investigar o envolvimento do general com o grupo, um desejo de que, cem dias depois, se revelaria prof\u00e9tico: \u201cO governo federal deveria aproveitar o momento para endurecer o regime, acabando de vez com a desordem reinante no pa\u00eds\u201d, disse.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538491278_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Documentos referentes \u00e0 explos\u00e3o de bomba jogada do alto de um pr\u00e9dio para atingir o Quartel General do 2o. Ex\u00e9rcito. Duas funcion\u00e1rias de uma loja ficaram feridas.)<\/em><\/p>\n<p>Ao Dops, que assumiu o caso assim que o grupo se responsabilizou pelos atentados terroristas, o general Trajano conta que havia relatado o furto das armas ao ent\u00e3o chefe da PF no Rio (Guanabara \u00e0 \u00e9poca), general Luiz Carlos Reis de Freitas. Afirma que, assim que soube do furto das armas na casa de Aladino F\u00e9lix, chegou a comentar com Freitas que o epis\u00f3dio serviria para \u201cdesnortear\u201d oficiais da For\u00e7a P\u00fablica que, segundo vers\u00e3o nunca comprovada, conspiravam contra o governo.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538491322_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Explos\u00e3o de bomba no Quartel General da For\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo danifica portas dos cinco andares do pr\u00e9dio e janelas.)<\/em><\/p>\n<p>A mesma hist\u00f3ria foi contada por Aladino F\u00e9lix em seu relato-confiss\u00e3o. Segundo ele, os oficiais da For\u00e7a P\u00fablica preparavam uma rebeli\u00e3o para derrubar Costa e Silva. O movimento teria sido gestado na Fran\u00e7a, atrav\u00e9s de contatos do ex-presidente Juscelino Kubitschek com Charles de Gaulle, numa articula\u00e7\u00e3o que envolvia, no Brasil, os dirigentes da Frente Ampla liderada por Carlos Lacerda e apoiada por outros l\u00edderes cassados pela ditadura. O levante ocorreria no dia 25 de janeiro, com o assassinato do presidente e do ex-governador Abreu Sodr\u00e9. Nesse dia, diz, Costa e Silva estaria na capital, participando das comemora\u00e7\u00f5es em homenagem ao anivers\u00e1rio da cidade. Lacerda tamb\u00e9m estaria em S\u00e3o Paulo, num evento no Teatro Municipal, de onde daria a senha para desencadear a rebeli\u00e3o, que seria seguida por levantes na Brigada Militar ga\u00facha e nas PMs de Santa Catarina, Paran\u00e1, Minas Gerais, Goi\u00e1s e Bahia.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538491378_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><\/a><em>(Explos\u00e3o ocorrida dentro de um carro Aero Willys estacionado no Largo General Os\u00f3rio, em frente a sede do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS-SP).)<\/em><\/p>\n<p>No in\u00edcio de janeiro, segundo as investiga\u00e7\u00f5es,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/024-encontros-1b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aladino F\u00e9lix e Trajano se encontrariam v\u00e1rias vezes<\/a>. O general diria que ouvira e acreditara na conspira\u00e7\u00e3o e, como era amigo de Costa e Silva, que anos antes havia sido seu comandante no Segundo Batalh\u00e3o de Infantaria do Ex\u00e9rcito em S\u00e3o Paulo, decidiu informar o governo. No depoimento, diz que Aladino F\u00e9lix teria se passado como aliado dos conspiradores e chega a afirmar, numa vers\u00e3o que a pr\u00f3pria pol\u00edcia acha delirante, que viu um primo e homem de confian\u00e7a de Lacerda, Paulo Bucker Lacerda, \u201cconfabulando\u201d com o m\u00edstico no escrit\u00f3rio deste.<\/p>\n<p>O general sustenta que, convencido dos riscos que o regime e o presidente corriam, procurou a chefia da Pol\u00edcia Federal do Rio de Janeiro (\u00e0 \u00e9poca Guanabara). De fato, dias depois, ele e Aladino F\u00e9lix foram ao Rio e detalharam o que sabiam \u2013 este colocou tudo num relat\u00f3rio datilografado. A PF passou a tratar como informa\u00e7\u00e3o real e a repassou ao chefe da Casa Militar do Pal\u00e1cio do Planalto, general Jayme Portella. Costa e Silva, ent\u00e3o, cancelou a viagem a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>No dia 27 de janeiro, com Marinha e Aeron\u00e1utica de prontid\u00e3o, o Ex\u00e9rcito cercou e fez uma s\u00e9rie de incurs\u00f5es pela capital paulista, mas nada de anormal foi registrado. S\u00f3 em mar\u00e7o os jornais noticiariam que um golpe havia sido abortado e apontavam o principal respons\u00e1vel pelo desmonte dessa rebeli\u00e3o: Aladino F\u00e9lix. Era aplaudido pela direita e, em entrevistas, chegou a afirmar que enviou, sim, um bilhete que chegara \u00e0s m\u00e3os de Costa e Silva.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes, as a\u00e7\u00f5es da direita e da esquerda se alternariam. A VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria) colocaria a bomba na sede do Estad\u00e3o, que \u00e0 \u00e9poca estava instalado na rua Major Quedinho, no centro da capital, e roubaria um paiol de armas no Hospital Militar do Ex\u00e9rcito. Por outro lado, os paramilitares dariam curso aos atentados em s\u00e9rie. Num s\u00f3 dia, 19 de agosto, v\u00e9spera das primeiras pris\u00f5es por causa do roubo ao BMI, explodiriam as bombas no Dops e nas varas distritais criminais da Lapa e de Santana.<\/p>\n<p><b>Os terroristas e o militar<\/b><\/p>\n<p>Com o esclarecimento do roubo ao BMI, vieram \u00e0 tona o furto das armas e os demais atentados. Trajano admitiu,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/023-depoTrajano-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em depoimento ao Dops<\/a>, que foi informado e viu as armas furtadas na casa de seu amigo Aladino F\u00e9lix, mas negou que soubesse das demais a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/026-acareacao-3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Depoimentos e acarea\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0feitas pela pol\u00edcia colocam o general, no entanto, na cena em que se planejou o furto: todos disseram que, consultado sobre a a\u00e7\u00e3o, o general pediu um tempo para responder, e que s\u00f3 teria dado a ordem de execu\u00e7\u00e3o depois de conversar com o comando da PF no Rio.<\/p>\n<p><a><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538491436_sumario_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><em>(<\/em><\/a><em>Documentos referentes \u00e0 explos\u00e3o de bomba jogada do alto de um pr\u00e9dio para atingir o Quartel General do 2o. Ex\u00e9rcito. Duas funcion\u00e1rias de uma loja ficaram feridas.)<\/em><\/p>\n<p>Um dos militares do grupo, o sargento Rubens Jairo dos Santos, diretamente envolvido em v\u00e1rias explos\u00f5es de bomba, aponta o dedo direto para o amigo do presidente: \u201cO general Trajano deu a ordem para colocar a bomba no QG do II Ex\u00e9rcito\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/027-SgtRubens.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">afirmou o militar em depoimento<\/a>. O objetivo, segundo ele, era assustar e alertar o ent\u00e3o comandante da for\u00e7a, general Syseno Sarmento, sobre a continuidade da conspira\u00e7\u00e3o entre oficiais da For\u00e7a P\u00fablica, mesmo depois de \u201cabortado\u201d o \u201cplano\u201d de assassinar o presidente.<\/p>\n<p>O delegado do Dops tachou de \u201cevasivas\u201d as respostas do general nas acarea\u00e7\u00f5es e afirmou que os que o acusaram de envolvimento no furto se comportaram de maneira firme e convincente. Mas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suposta conspira\u00e7\u00e3o contra Costa e Silva ter motivado o comportamento do general, o delegado Sidney Benedito de Alc\u00e2ntara se mostra mais cr\u00e9dulo. Em seu relat\u00f3rio, ele diz que o general Trajano \u201cqueria ser solid\u00e1rio a Costa e Silva, com quem servira na vida militar e de quem recebeu valiosos apoios\u201d. Reconhece, no entanto, ser implaus\u00edvel que um militar experiente se deixasse iludir por teorias conspirat\u00f3rias que o teriam feito assumir \u201cconduta terrorista\u201d. No final do relat\u00f3rio, repete o que imagina ter passado pela cabe\u00e7a do l\u00edder da direita ao ordenar os ataques aos seus seguidores: \u201cO governo ver-se-\u00e1 na conting\u00eancia de adotar repres\u00e1lias, impondo um regime de for\u00e7a, desviando, dessa forma, o Brasil do abismo a que est\u00e1 caminhando\u201d.<\/p>\n<p>Poupado pela Justi\u00e7a Militar de S\u00e3o Paulo, que nem sequer o considerou investigado, Trajano se tornaria alvo de um inqu\u00e9rito s\u00f3 mais tarde, aberto inicialmente no Rio e, depois, transferido para o II Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo. Foi preso em setembro no QG da Segunda Divis\u00e3o do II Ex\u00e9rcito at\u00e9 que conclu\u00edsse seu interrogat\u00f3rio, algo como uma pris\u00e3o provis\u00f3ria nos dias de hoje. Mesmo acusado de terrorismo, foi solto alguns dias depois por decis\u00e3o un\u00e2nime dos ministros do STM, entre os quais votou contra a decreta\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o preventiva o general Ernesto Geisel, que em 1974 sucederia o general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, chefe do extinto Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) no per\u00edodo dos atentados da direita.<\/p>\n<p><b>O SNI e a farsa<\/b><\/p>\n<p>As suspeitas de que a c\u00fapula do regime militar sabia dos atentados da direita em S\u00e3o Paulo s\u00e3o refor\u00e7adas por um\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/030-relatorioSNI-1-converted.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio do SNI<\/a>\u00a0de agosto de 1969. Numa retrospectiva sobre o papel da For\u00e7a P\u00fablica, ent\u00e3o com 36 mil homens livres do \u201cmicr\u00f3bio vermelho\u201d e, portanto, \u201cfor\u00e7a antirrevolucion\u00e1ria\u201d a favor do regime, o agente diz que o grupo de Aladino F\u00e9lix tinha a inten\u00e7\u00e3o de levar todo o arsenal dos 350 homens que integravam o antigo Departamento da Pol\u00edcia Militar e que a autoria do atentado ao QG da For\u00e7a P\u00fablica foi encoberta por oficiais graduados da corpora\u00e7\u00e3o, supostamente mancomunados com as a\u00e7\u00f5es paramilitares.<\/p>\n<p>O agente informa que o soldado Jess\u00e9, que classifica como \u201clugar-tenente\u201d de Aladino F\u00e9lix, e os sargentos Rubens Jairo dos Santos e Juarez Nogueira Firmiano, que participaram da maioria dos atentados, chegaram a ser presos no mesmo dia em que o petardo explodiu no QG da For\u00e7a P\u00fablica, em 10 de abril de 1968, destruindo um dos elevadores. Os tr\u00eas foram soltos, frisa o agente do SNI, sem nem sequer serem investigados.<\/p>\n<p>\u201cNo dia seguinte ao da explos\u00e3o, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do expediente, o major Edson [Edson Isaac Corr\u00eaa] desceu \u00e0 pris\u00e3o e os colocou em liberdade por ordem do cel. Vilela [Jos\u00e9 Vilela dos Santos, ent\u00e3o comandante do Estado Maior da For\u00e7a P\u00fablica]. \u00c9 evidente que tais elementos, se pressionados, iriam revelar o plano e para que isso n\u00e3o acontecesse, os oficiais tomaram aquela atitude\u201d, escreve o agente do SNI.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelo inqu\u00e9rito policial-militar (IPM), capit\u00e3o Cid Benedito Marques, orientado por superiores para \u201cnada investigar\u201d, passou ent\u00e3o a ouvir pessoas que o agente denomina de \u201ctrouxas\u201d. O depoimento de Aladino F\u00e9lix nesse IPM foi s\u00f3 para cumprir tabela: o m\u00edstico negou que soubesse de qualquer detalhe e foi dispensado com as honras de sempre. \u201cReferido IPM encontrou s\u00e9rios obst\u00e1culos para nada apurar, somente vindo \u00e0 tona mais tarde [os atentados], com a descoberta pela Pol\u00edcia Civil do terrorista S\u00e1bado Dinotos\u201d, afirma o agente do SNI.<\/p>\n<h3>\u201cSer\u00e1 que \u00e9 cego?\u201d<\/h3>\n<p>No IPM da For\u00e7a P\u00fablica h\u00e1 outras evid\u00eancias de que entre os arapongas que integravam os \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o do governo as a\u00e7\u00f5es do grupo eram um segredo de Polichinelo. A mulher de um dos soldados envolvidos, Alice Moreira, revela,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/032-Alice-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em depoimento prestado no in\u00edcio de maio<\/a>, que algumas reuni\u00f5es de planejamento das a\u00e7\u00f5es ocorreram em sua casa.<\/p>\n<p>Alice afirma que Aladino F\u00e9lix sempre estava presente, se apresentava como judeu anticrist\u00e3o e anticomunista, falava de discos voadores, religi\u00e3o \u2013 parte de um proselitismo esot\u00e9rico que a pol\u00edcia chamou de \u201cisca dourada\u201d \u2013 e, no que de fato interessava, encerrava suas palestras com um discurso pol\u00edtico radical, pregando a destrui\u00e7\u00e3o de estabelecimentos p\u00fablicos. Alice diz ter tomado conhecimento, nessas reuni\u00f5es, de que as armas furtadas estavam com o l\u00edder do grupo.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, nos autos do mesmo IPM outros ind\u00edcios que jamais poderiam ter sido menosprezados numa investiga\u00e7\u00e3o rigorosa: um\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/033-bilhete-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bilhete<\/a>\u00a0que, embora an\u00f4nimo, j\u00e1 esclarecia, em abril, de onde partiam os atentados. O autor se dirige ao capit\u00e3o Cid Benedito Marques e vai ao ponto: \u201cSer\u00e1 que \u00e9 cego? Onde est\u00e1 a sua experi\u00eancia de soldado? N\u00e3o v\u00ea que o plano terrorista que se desenvolve em S\u00e3o Paulo est\u00e1 estreitamente ligado ao cidad\u00e3o Aladino F\u00e9lix e que os maiores terroristas, seus seguidores, na maior parte, s\u00e3o da For\u00e7a P\u00fablica?\u201d, diz o signat\u00e1rio, que se apresenta como amigo secreto do capit\u00e3o e assina com o curioso pseud\u00f4nimo de \u201cAltos Significados\u201d. Os quatro meses seguintes seriam marcados por intensos atentados a bomba praticados pelo grupo.<\/p>\n<p>Apontado por Aladino F\u00e9lix como um dos conspiradores que pretendiam derrubar Costa e Silva, o capit\u00e3o acabou afastado do IPM. As investiga\u00e7\u00f5es s\u00f3 seriam retomadas mais tarde por outro oficial, quando o delegado Francischi j\u00e1 havia destrinchado as a\u00e7\u00f5es do grupo a partir do roubo ao BMI, em agosto.<\/p>\n<p>Ao concluir seu relat\u00f3rio, no dia 30 de maio de 1968, o capit\u00e3o Cid apontava \u201cS\u00e1bado Dinotos e seus sect\u00e1rios\u201d como suspeitos das a\u00e7\u00f5es terroristas, \u201catividades essas\u201d, ele faz quest\u00e3o de destacar, \u201cque j\u00e1 s\u00e3o do conhecimento do II Ex\u00e9rcito, DOPS e Pol\u00edcia Federal\u201d. N\u00e3o h\u00e1 registro de qualquer procedimento aberto pelos \u00f3rg\u00e3os federais at\u00e9 a pris\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p>\u201cCom um pouco mais de chance, teria o cap. Cid desbaratado ainda no in\u00edcio todo o grupo terrorista e, o que \u00e9 melhor, teria evitado uma s\u00e9rie de atentados terroristas\u201d, escreve, em 12 de outubro de 1968, o tenente-coronel Raul Humait\u00e1 Villa Nova, no relat\u00f3rio que encerraria o IPM da For\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Conforme demonstra a cronologia dos epis\u00f3dios relatados nos autos, o grupo surgiu como for\u00e7a paramilitar no final de 1967, executou as primeiras a\u00e7\u00f5es em janeiro, intensificou os atentados de abril a agosto e s\u00f3 seria descoberto, por acaso, pelo v\u00ednculo com um roubo comum. O caso, como se viu, foi esclarecido com o uso da tortura por um setor da Pol\u00edcia Civil, o Deic, que reprimia os crimes contra o patrim\u00f4nio, mas n\u00e3o se vinculava \u00e0 pol\u00edcia pol\u00edtica. As investiga\u00e7\u00f5es deixam claro que, apesar das fortes evid\u00eancias sobre a autoria dos atentados, a extrema direita agiu com intensidade e desenvoltura at\u00e9 a pris\u00e3o de Aladino F\u00e9lix, em 22 de agosto.<\/p>\n<p>O grupo foi investigado durante cinco anos, de 1968 a 1973, em tr\u00eas inqu\u00e9ritos civis (um deles tocado pela Pol\u00edcia Federal, t\u00e3o p\u00edfio que n\u00e3o chegou a nenhuma conclus\u00e3o), dois IPMs, um processo da Segunda Auditoria da Justi\u00e7a Militar paulista e, ainda, duas apela\u00e7\u00f5es, que tramitaram no STM e, finalmente, no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p><b>\u201cG\u00eanio e louco\u201d<\/b><\/p>\n<p>Quando a hist\u00f3ria do terrorismo veio \u00e0 tona, o conceito do homem que \u201csalvara\u201d a vida do presidente e evitou a \u201ccontrarrevolu\u00e7\u00e3o\u201d virou de pernas para o ar. De l\u00facido e paparicado colaborador do regime militar, Aladino F\u00e9lix passou a ser tratado como um doido. A pol\u00edcia o descreve depois como um m\u00edstico que falava ter sido contatado por alien\u00edgenas e que se apresentava como o ungido que reunificaria as 12 tribos de Israel, enfim, um Messias.<\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o do general Trajano, que o conhecia havia cinco anos e intermediou os contatos de Aladino F\u00e9lix com as altas fontes do governo, todas as outras autoridades militares ouvidas no IPM do II Ex\u00e9rcito passaram a descrev\u00ea-lo como exc\u00eantrico. \u201cImagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil e fantasiosa\u201d, disse, em 23 de outubro de 1968, o coronel Edgard Barreto Bernardes, da PF, designado para averiguar as den\u00fancias sobre o plano de assassinato de Costa e Silva.<\/p>\n<p>\u201cPessoa com ideia fixa sobre subvers\u00e3o, atentados e conspira\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou o ent\u00e3o chefe da PF no Rio, coronel Florimar Campello. O diretor-geral da PF, general Luiz Carlos Reis de Freitas, afirmou que era um \u201clun\u00e1tico esperto e oportunista em busca de notoriedade\u201d. O delegado Alc\u00e2ntara o perfilaria como misto \u201cde g\u00eanio e de louco\u201d.<\/p>\n<p>Concatenadas, as declara\u00e7\u00f5es das autoridades, todas prestadas no mesmo dia, em\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1sT1hTwNTW1KiNRlND0FThSfL9VFe81YX\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">depoimento que consumiu menos de uma lauda datilografada<\/a>, levavam \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o de Aladino F\u00e9lix. O governo s\u00f3 n\u00e3o conseguiria explicar por que teria acreditado nos del\u00edrios de um m\u00edstico a ponto de determinar a manobra militar em janeiro de 1968 para inibir uma suspeita hist\u00f3ria de golpe.<\/p>\n<p>Como a imprensa j\u00e1 estava sob censura, as mesmas autoridades que acreditam no seu relato em janeiro e eram informadas diariamente pelo SNI nem se deram ao trabalho de esclarecer por que passaram a trat\u00e1-lo como lun\u00e1tico s\u00f3 sete meses depois da primeira investiga\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no primeiro relat\u00f3rio sobre o caso, o delegado Alc\u00e2ntara afirmava que Aladino F\u00e9lix \u201crealmente\u201d tinha contatos com autoridades do governo federal at\u00e9 ser preso.<\/p>\n<h3>Crime e perd\u00e3o<\/h3>\n<p>Em 30 de setembro de 1970, a Segunda Auditoria da Justi\u00e7a Militar de S\u00e3o Paulo afastou Trajano do processo por achar que \u201cn\u00e3o era o caso\u201d de investig\u00e1-lo. Os quatro conselheiros, acatando o relat\u00f3rio do juiz Nelson Machado Guimar\u00e3es (o \u00fanico civil da turma e cuja atua\u00e7\u00e3o ficou marcada por senten\u00e7as implac\u00e1veis e duras com militantes da esquerda), consideraram que n\u00e3o havia provas sobre os atentados e condenaram Aladino F\u00e9lix e o soldado Jess\u00e9 C\u00e2ndido de Moraes, pela Lei de Seguran\u00e7a Nacional, a cinco anos de reclus\u00e3o por \u201cterrorismo\u201d, apenas com base no furto das armas. Os demais envolvidos foram condenados a penas mais baixas, entre um e tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Com a abertura de IPM contra o general Trajano, detentor de foro privilegiado, o processo subiria para o STM. L\u00e1, inconformado com a senten\u00e7a, o advogado do grupo, Juarez de Alencar,\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1wDGkhMJaYU8s71eXcu_I_4Y4pxqBZ8tv\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sustentou toda a linha de defesa<\/a>\u00a0no perfil dos r\u00e9us e nos objetivos pol\u00edticos dos atentados que, segundo ele, haviam sido desvirtuados no inqu\u00e9rito policial. Disse que Aladino F\u00e9lix e os militares \u201cestavam convictos, na sua posi\u00e7\u00e3o de homens de direita, e de defensores da Revolu\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o, da absoluta legalidade revolucion\u00e1ria de suas a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Alencar lembra que Trajano, \u201ccompanheiro e amigo\u201d de Costa e Silva, deu ao regime \u201cnot\u00edcia indiscut\u00edvel da intentona\u201d, argumentou que \u201cquem est\u00e1 com o governo n\u00e3o pode ser condenado pelo pr\u00f3prio governo\u201d e pediu n\u00e3o apenas a absolvi\u00e7\u00e3o de todos, mas tamb\u00e9m que os militares liderados por Aladino F\u00e9lix fossem perdoados, reincorporados \u00e0 For\u00e7a P\u00fablica e promovidos.<\/p>\n<p>Foi atendido quase plenamente. Em outubro de 1970, seguindo parecer da procuradora Mary do Valle Monteiro no recurso de apela\u00e7\u00e3o, os ministros do STM absolveram todos os demais acusados e reduziram a pena de Aladino F\u00e9lix para oito meses. O STM descartou os atentados a bomba e os demais crimes, fixando a pena s\u00f3 pelo furto das armas, procedimento bem diferente do aplicado pela mesma justi\u00e7a aos militantes da esquerda armada.<\/p>\n<p>Aladino F\u00e9lix permaneceu preso, aguardando um exame de sanidade mental solicitado pelo Conselho Permanente de Justi\u00e7a, este convencido pelos argumentos de que se tratava de um doido. O general Paulo Trajano da Silva, j\u00e1 absolvido, tamb\u00e9m estava livre de desconfortos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"ttps:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/02\/politica\/1538488463_222527_1538491536_sumario_normal.jpg&quot;\" alt=\"Conclus\u00e3o do laudo psiquiatr\u00edco realizado em Aladino Felix, tamb\u00e9m conhecido como \u201cSabado Dinotos\u201d, durante o per\u00edodo em que esteve preso.\" width=\"360\" height=\"534\" \/>Conclus\u00e3o do laudo psiquiatr\u00edco realizado em Aladino Felix, tamb\u00e9m conhecido como \u201cSabado Dinotos\u201d, durante o per\u00edodo em que esteve preso.<\/p>\n<p><b>Semi-imput\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>O laudo assinado por dois psiquiatras forenses, Jos\u00e9 Roberto Belelli e Carlos Roberto Hojaij, o define como detentor de personalidade egoc\u00eantrica, com intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia e dom\u00ednio pleno dos temas sobre os quais era instado a falar, mas, no final, corrobora a tese das investiga\u00e7\u00f5es: \u201cN\u00e3o se trata de doente mental. Trata-se de portador de perturba\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental cuja capacidade de entendimento ao tempo dos fatos era apenas parcial\u201d, dizem no documento encaminhado no dia 7 de outubro de 1971.<\/p>\n<p>A procuradora Mary Valle Monteiro, que antes considerara que o processo inteiro era \u201ctudo loucura\u201d, j\u00e1 esperava o resultado. \u201cA conclus\u00e3o de que \u00e9 fronteiri\u00e7o n\u00e3o nos decepciona. \u00c9 um semi-imput\u00e1vel\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/040-procuradora-5-converted.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">afirma<\/a>, pedindo a confirma\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a de oito meses de reclus\u00e3o, plenamente acatada pela turma do STM, conforme\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/041-despacho-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">despacho<\/a>\u00a0do ministro Lima Torres, em 12 de janeiro de 1972. \u201c\u00c9, no m\u00ednimo, um lun\u00e1tico\u201d, acrescentou o ministro. Inconformado com o estigma de d\u00e9bil mental, Aladino F\u00e9lix recorreu ao STF.<\/p>\n<p>Sem que nenhum fato novo tenha ocorrido, o recurso de apela\u00e7\u00e3o dormitou 21 meses no STF at\u00e9 que o relator, ministro Rodrigo Alckmin (tio do presidenci\u00e1vel tucano\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/geraldo_alckmin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Geraldo Alckmin<\/a>) encerrasse o caso no dia 9 de outubro de 1973, com um despacho de cinco linhas, em que negava provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o. Aladino F\u00e9lix e os demais envolvidos j\u00e1 estavam em liberdade e o pa\u00eds, mergulhado na ditadura, vivia sob o AI-5 os horrores dos anos de chumbo.<\/p>\n<p>Aladino F\u00e9lix amargou uma longa temporada atr\u00e1s das grades. Foi preso pela primeira vez em 22 de agosto de 1968, mas teve a pris\u00e3o relaxada em 17 de outubro pelo juiz da 9\u00aa Vara Criminal de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel pelo processo relacionado ao roubo ao BMI de Perus. A soltura, na verdade, foi um cochilo dos militares respons\u00e1veis pelo IMP do II Ex\u00e9rcito, que empreenderiam uma verdadeira ca\u00e7ada para prend\u00ea-lo novamente nove meses depois. No dia 15 de setembro, ele conseguiu escapar pela porta da frente da Casa de Deten\u00e7\u00e3o, no Carandiru, mas acabou preso novamente uma semana depois.<\/p>\n<p>Ironicamente, foi levado para o Pres\u00eddio Tiradentes, onde teve de conviver com presos pol\u00edticos de esquerda. Estava entre os detentos contados num mutir\u00e3o do Judici\u00e1rio destinado a avaliar o cumprimento de penas no final de 1971. S\u00f3 seria solto definitivamente em janeiro de 1972, depois de cumprir, em regime fechado, mais de tr\u00eas anos de cadeia, dois anos e quatro meses a mais do que o tempo previsto na senten\u00e7a definitiva.<\/p>\n<p>Aladino F\u00e9lix morreu aos 68 anos, em circunst\u00e2ncia prosaica (complica\u00e7\u00f5es geradas por medicamentos que havia ingerido para uma simples cirurgia de h\u00e9rnia), no dia 11 de novembro de 1985, ano em que o pa\u00eds, j\u00e1 livre da ditadura, ingressava na redemocratiza\u00e7\u00e3o e ele mergulhava no ostracismo.<\/p>\n<p>*Colaborou\u00a0<strong>Ivan Seixas.<\/strong><\/p>\n<p>*Pesquisa iconogr\u00e1fica e edi\u00e7\u00e3o de imagens\u00a0<strong>Paula Cinquetti.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"zbnzUqDZn0\"><p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/2018\/10\/atentados-de-direita-fomentaram-ai-5\/\">Atentados de direita fomentaram AI-5<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/apublica.org\/2018\/10\/atentados-de-direita-fomentaram-ai-5\/embed\/#?secret=zbnzUqDZn0\" data-secret=\"zbnzUqDZn0\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Atentados de direita fomentaram AI-5&#8221; &#8212; Ag\u00eancia P\u00fablica\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21011\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[226],"class_list":["post-21011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5sT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}