{"id":21071,"date":"2018-10-11T14:11:49","date_gmt":"2018-10-11T17:11:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21071"},"modified":"2018-10-11T14:11:49","modified_gmt":"2018-10-11T17:11:49","slug":"capital-e-classe-crise-aprofunda-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21071","title":{"rendered":"Capital e classe: crise aprofunda desigualdades"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/xW6gHtmuOWSHhggOf1-O0cJJtEHRau_Kh4zTiCfU9K8kCZWKoQRDcRKWx2qtcO7S1iuQy0EeXEMSeIfzzUvsl-eftWWbXkE-amFKKS8YFcQs32HnR9uBb4sVQPA5z_yb9zYl6RYwPBWVd4LXh419FvI2RVU_qdN4ObA2apb_aQt1OzCe21XliY2kChz-kMqQJBnmVjHEKz42rBI0UQb4oxWgAXLp8mc-b8-9Q0gmXjbHSgentreCa4yHxGafjWpziwXIfV_-RMgNZ53Vr7xqD8fIiuY8kXindESAzHyYaqsinbNK1Mg2U4i7Pbt9eRb-NNlCmVXON99AO8jqLhAh2CUtEcgDcG3y3C60tieUK7YVi-AUSIblG8qkpUPovfSNHFNnUfGgNzFcdAf4-cWmoYn9gXDm3h_2_avVavaJJJMWap1ORFuYmRSFx6_SfmkHhj9mw-9OCtlsoW-2ozOQj3LHlIw3DvXYlLd9FN2poibmyTRXet-GM8pTm8InpIIQ7ZBfdaYY2I7gUvKTUVrYBs_m6E46Jj8BTE7AWoLNCZCs8Ha5M8WFIHnIS2gK5e66pBLz5zCvGOVCnyYcQWQd-WtOfGwbPEJIj2QRrGVcmy-AtvvxTmiCxqwDrVk3leHF=w522-h346-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por David Ruccio e Jamie Morgan*<\/p>\n<p>A premissa e a promessa do capitalismo, desde Adam Smith, foram que a riqueza global aumentaria e serviria como um benef\u00edcio a toda a humanidade.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[1]<\/a>\u00a0No entanto, a experi\u00eancia das \u00faltimas d\u00e9cadas tem desafiado essas afirma\u00e7\u00f5es: enquanto a riqueza global de fato cresceu, a maior parte desse aumento foi capturado por um pequeno grupo no topo. Isto tem continuado durante a &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; nos Estados Unidos e globalmente. O resultado \u00e9 que uma distribui\u00e7\u00e3o obscenamente desigual da riqueza do mundo tornou-se ainda mais desigual. Aqueles que est\u00e3o no pequeno grupo do topo t\u00eam sido capazes de se distanciar de todos os outros precisamente porque foram capazes de capturar o excedente e depois converter a sua parcela do excedente em propriedade de riqueza. E os retornos da sua riqueza permitem-lhes capturar ainda mais do excedente produzido dentro do capitalismo global. Isto a par da crescente desigualdade de rendimentos.<\/p>\n<p>No entanto, embora as pessoas estejam cientes da desigualdade, normalmente n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia da sua extens\u00e3o real, e a economia dominante juntamente com a imprensa popular contribuem para essa situa\u00e7\u00e3o, que por sua vez leva \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do sistema que produz n\u00edveis de desigualdade cada vez mais grotescos.<\/p>\n<p>Tanto classe quanto ideologia sustentam esta situa\u00e7\u00e3o agravante. O min\u00fasculo grupo no topo, tanto nacional como globalmente, tem tanto o interesse quanto os meios para manter as regras e institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais que lhes permitem capturar o excedente e, assim, criar mais dist\u00e2ncia entre eles e todos os outros. Enquanto isso, os principais discursos econ\u00f4micos e pol\u00edticos, dentro e fora da academia, tendem a ignorar as condi\u00e7\u00f5es de classe e as consequ\u00eancias da desigualdade \u2013 e a minar a possibilidade de haver um debate real sobre os tipos de mudan\u00e7as que s\u00e3o necess\u00e1rias para dar \u00e0 maioria das pessoas a possibilidade de dizer algo acerca de como o excedente \u00e9 utilizado.<\/p>\n<p><b>Desigualdade global de riqueza\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Desde que Thomas Piketty publicou\u00a0<i>O Capital no s\u00e9culo XXI\u00a0<\/i>, o World Inequality Lab tornou-se uma das fontes mais conhecidas e confi\u00e1veis de dados sobre riqueza e desigualdade de rendimentos. At\u00e9 agora, o laborat\u00f3rio recolheu dados razoavelmente bons para os Estados Unidos, a China e a Europa (que \u00e9 representada no que se segue pela Fran\u00e7a, Espanha e Reino Unido) at\u00e9 2015 e fornece proje\u00e7\u00f5es a partir da\u00ed. Globalmente, a riqueza \u00e9 substancialmente mais concentrada do que o rendimento: os 10% mais ricos det\u00eam mais de 70% da riqueza total. S\u00f3 1% dos indiv\u00edduos mais ricos possu\u00edam 33% da riqueza total em 2015. Esse n\u00famero era de 28% em 1980. Os 50% no fundo da escala, por outro lado, n\u00e3o possuem quase nenhuma riqueza durante todo o per\u00edodo (menos de 2 por cento). A proje\u00e7\u00e3o para o futuro \u00e9 igualmente dram\u00e1tica: de acordo com o World Inequality Lab, se as tend\u00eancias atuais continuarem, a participa\u00e7\u00e3o de cada um dos principais grupos \u2013 1%, 0,1% superior e 0,01% \u2013 cresceria um ponto percentual a cada cinco anos. O que isso significa \u00e9 que, at\u00e9 2050, a participa\u00e7\u00e3o de cada grupo aumentar\u00e1 dramaticamente. Em particular, a participa\u00e7\u00e3o detida pelos 0,1% do topo acabaria por coincidir com a do grupo m\u00e9dio em decl\u00ednio \u2013 com um quarto da riqueza global:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_1.gif?w=747&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Usando uma abordagem diferente, um relat\u00f3rio encomendado pelo deputado brit\u00e2nico Liam Byrne (presidente do All-Party Group on Inclusive Growth) oferece uma proje\u00e7\u00e3o ainda mais extrema. Com base nos dados compilados pelo Credit Suisse para 2008-2017, e assumindo que a riqueza total cresce ao mesmo ritmo que a taxa deste per\u00edodo, o relat\u00f3rio estima que em 2030 os 1% mais ricos do mundo poderiam possuir 64 por cento da riqueza:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[3]<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_2.gif?w=747&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro, s\u00e3o sempre contest\u00e1veis, mas os mecanismos subjacentes que surgiram n\u00e3o o s\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[4]<\/a>\u00a0O que temos visto nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 que uma distribui\u00e7\u00e3o desigual da riqueza leva a ainda mais desigualdade, uma vez que a desigualdade de riqueza \u00e9 ampliada \u00e0 medida que a riqueza \u00e9 concentrada nas m\u00e3os de um pequeno grupo no topo. A riqueza anterior \u00e9 capitalizada a um ritmo mais r\u00e1pido, j\u00e1 que a taxa de retorno sobre a riqueza \u00e9 mais r\u00e1pida do que a taxa de crescimento da economia. Al\u00e9m disso, este efeito \u00e9 refor\u00e7ado pelo facto de que as taxas de retorno tendem a aumentar com o n\u00edvel de riqueza: as taxas de retorno dispon\u00edveis para grandes carteiras financeiras s\u00e3o geralmente muito maiores do que aquelas abertas a pequenos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios e outros ve\u00edculos de poupan\u00e7a dispon\u00edveis para todos outros. N\u00e3o h\u00e1 sinais de que\u00a0<i>isto\u00a0<\/i>v\u00e1 mudar a menos que mais pessoas sejam consciencializadas e estejam dispostas e sejam capazes de se organizar. A tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas quantidades; \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica da classe capitalista.<\/p>\n<p><b>Reestimando a desigualdade de riqueza nos Estados Unidos\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Se retornarmos ao World Inequality Lab, a fatia dos 1% mais ricos nos Estados Unidos \u00e9 maior que a fatia global: espantosos 41,8% em 2012 e 35% em 2014 (comparado a 45,3% para os 90% dos domic\u00edlios). No entanto, dependendo de\u00a0<i>como\u00a0<\/i>\u00e9 medida, a desigualdade real de riqueza pode ser ainda maior. Tanto o World Inequality Lab quanto o Federal Reserve (no Survey of Consumer Finances) incluem habita\u00e7\u00e3o e pens\u00f5es de reforma na riqueza das fam\u00edlias \u2013 e essas duas categorias compreendem a maior parte da dita riqueza da maioria dos americanos. O ponto importante \u00e9 que estas pessoas n\u00e3o t\u00eam muita riqueza financeira ou comercial. Vivem nas suas casas e reformam-nas com base nas contribui\u00e7\u00f5es dos seus sal\u00e1rios e vencimentos ao longo das suas vidas profissionais. Possuem pouco em termos de a\u00e7\u00f5es, cr\u00e9ditos de rendimento fixo e ativos de neg\u00f3cios, aos quais podemos referir-nos como riqueza\u00a0<i>real\u00a0<\/i>(na medida em que essa riqueza \u00e9 algo de que eles podem depender adicionalmente al\u00e9m de produtos de reforma espec\u00edficos ou das suas casas). Se excluirmos habita\u00e7\u00e3o e pens\u00f5es e calcularmos apenas as parcelas de riqueza financeira ou comercial \u2013 e, portanto, a\u00e7\u00f5es, direitos a rendimentos fixo e ativos de neg\u00f3cios \u2013 o grau de desigualdade \u00e9 muito, muito pior. De acordo com meus c\u00e1lculos, em 2014, os 1% mais ricos possu\u00edam quase dois ter\u00e7os da riqueza financeira ou comercial, enquanto os 90% no fundo da escala tinham apenas 6%. Isto representa uma enorme mudan\u00e7a relativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 desigual em 1978, quando as fatias estavam muito mais pr\u00f3ximas (28,6% para os 1% e 23,2% para os 90% inferiores):\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[5]<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_3.gif?w=747&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>O que \u00e9 que isto significa? A maioria n\u00e3o tem a capacidade de acumular qualquer riqueza real; noutras palavras, produzem a maior parte da riqueza, mas n\u00e3o levam para casa nenhum excedente. Para o pequeno grupo no topo, as coisas s\u00e3o bem diferentes. Obt\u00eam uma fatia do excedente, que eles usam, n\u00e3o apenas para adquirir habita\u00e7\u00e3o e p\u00f4r de parte nas suas reformas, mas para acumular riqueza real, para si e para suas fam\u00edlias. Al\u00e9m disso, como a participa\u00e7\u00e3o do trabalho diminui e a participa\u00e7\u00e3o nos lucros aumenta, isto \u00e9 exacerbado. Este \u00e9 o pano de fundo contra o qual os sal\u00e1rios e os rendimentos estagnam ou caem para a maioria, uma tend\u00eancia que continuou durante a &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; desde a crise financeira global.<\/p>\n<p><b>Desigualdade cont\u00ednua de renda\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A Dire\u00e7\u00e3o de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE apresenta o seguinte resumo da sua Perspectiva de Emprego 2018:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[6]<\/a><\/p>\n<blockquote><p>Pela primeira vez desde o in\u00edcio da crise financeira global em 2008, h\u00e1 mais pessoas com um emprego na \u00e1rea da OCDE do que antes da crise. As taxas de desemprego est\u00e3o abaixo ou perto dos n\u00edveis pr\u00e9-crise em quase todos os pa\u00edses. &#8230; No entanto, o crescimento salarial continua desaparecido em combate. &#8230; Ainda mais preocupante, esta estagna\u00e7\u00e3o salarial sem precedentes n\u00e3o \u00e9 distribu\u00edda uniformemente entre os trabalhadores. O rendimento real da m\u00e3o-de-obra dos 1% do topo aumentou muito mais rapidamente do que a m\u00e9dia dos trabalhadores em tempo inteiro nos \u00faltimos anos, refor\u00e7ando uma tend\u00eancia de longa data. Isto, por sua vez, est\u00e1 contribuindo para uma crescente insatisfa\u00e7\u00e3o de muitos sobre a natureza da recupera\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o a sua for\u00e7a: apesar de os empregos estarem finalmente de volta, apenas alguns poucos afortunados no topo tamb\u00e9m est\u00e3o desfrutando de melhorias nos ganhos e na qualidade do trabalho.<\/p><\/blockquote>\n<p>O n\u00famero de empregos aumentou e as taxas de desemprego ca\u00edram. No entanto, os trabalhadores ainda est\u00e3o sendo deixados para tr\u00e1s porque o crescimento salarial &#8220;continua desaparecido em combate&#8221;. Os sal\u00e1rios dos trabalhadores ficaram estagnados na \u00faltima d\u00e9cada nos 36 pa\u00edses que comp\u00f5em a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico. O problema tem sido particularmente agudo nos Estados Unidos, onde a taxa de &#8220;baixos rendimentos&#8221; \u00e9 alta (apenas superada por dois pa\u00edses, Gr\u00e9cia e Espanha) e a &#8220;desigualdade de rendimentos&#8221; ainda pior (seguindo-se apenas a Israel):\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[7]<\/a><\/p>\n<p>As causas s\u00e3o claras: os trabalhadores sofrem quando muitos dos novos empregos que s\u00e3o for\u00e7ados a ter a liberdade de assumir est\u00e3o no n\u00edvel mais baixo da escala salarial, os trabalhadores desempregados e em risco recebem muito pouco apoio do governo e trabalhadores empregados s\u00e3o impedidos por um sistema fraco de negocia\u00e7\u00e3o coletiva. E \u00e9 importante lembrar que o crescimento dos lucros corporativos \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancia da estagna\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos trabalhadores. Os empregadores puderam usar esses lucros para efetuar recompras das suas a\u00e7\u00f5es, aumentando por sua vez o valor dos ativos financeiros mantidos por poucos (um mecanismo exacerbado pelos cortes de impostos corporativos, j\u00e1 que os investimentos n\u00e3o cresceram proporcionalmente), mas os lucros n\u00e3o t\u00eam sido usados para aumentar o sal\u00e1rio dos trabalhadores (exceto CEOs e outros executivos corporativos cujo pagamento \u00e9, na verdade, uma distribui\u00e7\u00e3o desses lucros). O investimento que ocorre utiliza novas tecnologias para tirar proveito dos padr\u00f5es nacionais e globais de produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio a fim de manter desempregados e empregados numa posi\u00e7\u00e3o\u00a0<i>prec\u00e1ria\u00a0<\/i>. Essa precariedade, mesmo quando o emprego se expandiu, serve para manter os sal\u00e1rios baixos \u2013 e os lucros crescendo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_4.gif?w=747\" alt=\"'.\" \/><\/p>\n<p>O que estamos assistindo ent\u00e3o, especialmente nos Estados Unidos, \u00e9 um ciclo de altos lucros, baixos sal\u00e1rios e lucros ainda maiores, que se autorrefor\u00e7am. \u00c9 por isso que a fatia do trabalho no rendimento das empresas tem vindo a cair ao longo da chamada &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221;:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[8]<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_5.gif?w=747&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Eric Levitz num artigo de Julho de 2018 na\u00a0<i>New York Magazine\u00a0<\/i>afirma que, no fim de contas, isto \u00e9 pol\u00edtico, j\u00e1 que &#8220;os pol\u00edticos americanos escolheram projetar um sistema econ\u00f4mico que deixa os trabalhadores desesperados e sem poder, a fim de direcionar uma parcela maior do crescimento econ\u00f4mico para chefes e acionistas &#8220;.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[9]<\/a>\u00a0A produtividade, automa\u00e7\u00e3o, etc na qual os economistas se concentram s\u00e3o simplesmente quest\u00f5es dentro desse sistema. Os trabalhadores americanos (e os trabalhadores em geral) est\u00e3o sendo &#8220;roubados&#8221;\u00a0<i>(&#8220;ripped off&#8221;).\u00a0<\/i>Em lado nenhum isto \u00e9 visto com mais clareza do que nos \u00edndices de remunera\u00e7\u00e3o entre os CEO e o trabalhador m\u00e9dio.<\/p>\n<p><b>\u00cdndices de remunera\u00e7\u00e3o entre os CEO e o trabalhador m\u00e9dio\u00a0<\/b><\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio do Instituto de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica de 2017, o \u00edndice de pagamentos entre o CEO m\u00e9dio e o trabalhador m\u00e9dio entre as 350 maiores corpora\u00e7\u00f5es nos EUA foi de 271 para 1.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[10]<\/a>\u00a0H\u00e1 diferentes maneiras de calcular este \u00edndice e pode ser dif\u00edcil obter dados apropriados devido \u00e0 maneira pela qual as corpora\u00e7\u00f5es escolhem (e s\u00e3o capazes) de relatar os n\u00fameros relevantes e foi apenas recentemente que uma mudan\u00e7a nos regulamentos passou a exigir que as corpora\u00e7\u00f5es dos EUA forne\u00e7am realmente tais dados. No entanto, o que \u00e9 indiscut\u00edvel \u00e9 que os \u00edndices indicam extrema desigualdade e que tem havido uma tend\u00eancia ascendente ao longo de d\u00e9cadas. Por exemplo, de acordo com o relat\u00f3rio do Economic Policy Institute:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[11]<\/a><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/crise\/imagens\/cap_class_6.gif?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"'.\" \/><\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m examinar empresas individuais e comparar o \u00edndice entre o pagamento m\u00e9dio do trabalhador e a linha da pobreza. A Amazon informou uma compensa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia para os seus variados trabalhadores, sobretudo de armaz\u00e9m (e agora, com a Whole Foods, mercearia), de 28 446 d\u00f3lares por ano. O governo federal define a sua diretriz de pobreza para uma fam\u00edlia de quatro pessoas em 25 100 d\u00f3lares. Assim, o sal\u00e1rio m\u00e9dio da Amazon cai facilmente dentro de 150% da linha da pobreza \u2013 e representa cerca de metade dos rendimentos familiares m\u00e9dios nos Estados Unidos. O \u00fanico empregador privado maior que o gigante do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico \u00e9 o Walmart, seu concorrente de vendas a varejo, cujos trabalhadores t\u00eam uma m\u00e9dia de apenas 19 177 de d\u00f3lares por ano, colocando-os longe das linhas federais da pobreza.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[12]<\/a>\u00a0Al\u00e9m disso, o \u00edndice entre o pagamento do trabalhador m\u00e9dio com o do CEO da Walmart, Doug McMillon, que arrecadou US$22,8 milh\u00f5es no ano passado, foi um impressionante 1.188 para 1. E os n\u00fameros extraordin\u00e1rios continuam por toda a economia. A Royal Caribbean Cruises: 728-1. A Regeneron Pharmaceuticals: 215-1. A Netflix: 133- 1. A Live Nation Entertainment: 2.893-1. A Honeywell International: 333-1. A Fidelity National Information Services: 654-1. O Grupo UnitedHealth: 298-1. E assim por diante. Cada um desses \u00edndices indica o n\u00edvel obsceno de desigualdade nos Estados Unidos, com base no montante de excedente extra\u00eddo dos trabalhadores e distribu\u00eddo \u00e0queles que dirigem corpora\u00e7\u00f5es americanas em nome de seus conselhos de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Roubado&#8221; come\u00e7a a ter um significado real quando confrontado com estas propor\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a Amazon seja propriedade e gerida literalmente pelo homem mais rico do mundo, Jeff Bezos. Enquanto ele tecnicamente &#8220;fez&#8221; apenas 1,7 milh\u00f5es de d\u00f3lares no ano passado, vale 127 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. A imprensa de neg\u00f3cios louva muito a ideia dos inovadores indispens\u00e1veis, dos criadores de riqueza, mas normalmente omite o fato de que a realidade de trabalhar para uma grande corpora\u00e7\u00e3o envolve uma obstinada extra\u00e7\u00e3o de riqueza. Jeff Bezos recebeu recentemente uma recep\u00e7\u00e3o hostil dos trabalhadores quando chegou a Berlim a fim de receber um pr\u00eamio de inova\u00e7\u00e3o. Como Frank Bsirske, dirigente do sindicato Verdi, explicou: &#8220;Temos um chefe que quer impor condi\u00e7\u00f5es de trabalho americanas ao mundo e levar-nos de volta ao s\u00e9culo XIX&#8221;.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[13]<\/a>\u00a0Enquanto isso, nos Estados Unidos, a Amazon informou que os seus lucros mais que duplicaram, para 1,6 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares no primeiro trimestre de 2018, fazendo subir as suas a\u00e7\u00f5es para um recorde hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Apesar de os valores das remunera\u00e7\u00f5es dos CEO em rela\u00e7\u00e3o ao trabalhador m\u00e9dio serem reportados na imprensa de neg\u00f3cios, eles n\u00e3o s\u00e3o e n\u00e3o foram amplamente discutidos nos media de refer\u00eancia ou pelos pol\u00edticos do pa\u00eds. Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o encontr\u00e1vel em muitos pa\u00edses; isto importa porque cria uma situa\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia sistem\u00e1tica da extens\u00e3o real da desigualdade, embora as pessoas comuns estejam cientes de que h\u00e1 desigualdade (crescente) e que ela \u00e9 criada por esquemas econ\u00f4micos que s\u00e3o fundamentalmente injustos. A falta de consciencializa\u00e7\u00e3o serve para minar ou impedir a indigna\u00e7\u00e3o esperada e reduzir o impulso para organizar e pressionar por mudan\u00e7as \u2013 seguindo o coment\u00e1rio de Levitz, para obrigar quem cria tais pol\u00edticas a atuarem de forma diferente ou a serem substitu\u00eddos.<\/p>\n<p><b>A subestima\u00e7\u00e3o da desigualdade e a teoria econ\u00f4mica dominante como ideologia\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Num estudo de 2014, Sorapop Kiatongsan e Michael Norton perguntaram a cerca de 55 mil pessoas em todo o mundo, incluindo 1581 nos Estados Unidos, quanto dinheiro achavam que os CEOs das empresas ganhavam em compara\u00e7\u00e3o com trabalhadores fabris n\u00e3o qualificados.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[14]<\/a>\u00a0Perguntaram em seguida quanto pagamento a mais achavam que os CEOs\u00a0<i>deveriam\u00a0<\/i>ganhar. Os entrevistados americanos estimaram que os executivos superavam os trabalhadores de f\u00e1brica por um fator de aproximadamente 30-para-1. Como tamb\u00e9m indicado pelo relat\u00f3rio do Instituto de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, isto \u00e9 exponencialmente menor do que o valor contempor\u00e2neo, e na verdade \u00e9 sensivelmente o mesmo \u00edndice da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, os americanos acreditavam que a propor\u00e7\u00e3o ideal deveria ser de cerca de 7-para-1.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[15]<\/a>\u00a0Para al\u00e9m disso, os americanos n\u00e3o responderam \u00e0 pesquisa de maneira muito diferente dos participantes de outros pa\u00edses. Os australianos acreditavam que cerca de 8-para-1 seria uma boa propor\u00e7\u00e3o; os franceses estabeleceram em cerca de 7-para-1; e os alem\u00e3es preferiam cerca de 6-para-1. Em todos os pa\u00edses, o \u00edndice de\u00a0<i>pay-gap\u00a0<\/i>do CEO era muito maior do que as pessoas assumiam. E embora n\u00e3o concordassem precisamente sobre o que seria justo, tanto conservadores quanto liberais em todo o mundo tamb\u00e9m concordaram em que a diferen\u00e7a salarial deveria ser menor. As pessoas tamb\u00e9m estavam de acordo entre os v\u00e1rios n\u00edveis de rendimento e educa\u00e7\u00e3o, assim como entre os diferentes grupos et\u00e1rios.<\/p>\n<p>Claramente, as representa\u00e7\u00f5es da economia que minimizam a exist\u00eancia de desigualdade ou os problemas associados \u00e0 desigualdade est\u00e3o fadadas a refor\u00e7ar as percep\u00e7\u00f5es equivocadas sistem\u00e1ticas encontradas por Norton e outros. Como tem sido amplamente notado desde a\u00a0<i>O Capital no s\u00e9culo XXI\u00a0<\/i>de Piketty, anteriormente a teoria econ\u00f4mica dominante tinha relativamente pouco a dizer sobre a desigualdade. A teoria econ\u00f4mica dominante tende em geral a desviar a aten\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de desigualdade (por exemplo, focando o crescimento, a produ\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de pre\u00e7os versus distribui\u00e7\u00e3o) e dos problemas econ\u00f4micos e sociais criados pela desigualdade (atribuindo a lacuna crescente entre os ricos e os pobres a for\u00e7as como a globaliza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica que est\u00e3o al\u00e9m do nosso controle, ou apelando a mais a educa\u00e7\u00e3o como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>A teoria econ\u00f4mica dominante continua a fazer parte do que outros, como Vladimir Gimpelson e Daniel Treisman no documento de trabalho do NBER, &#8220;Misperceiving inequality&#8221;, referem-se a &#8220;ideologia&#8221;, algo que &#8220;pode predispor as pessoas a &#8216;ver&#8217; o n\u00edvel de desigualdade que suas cren\u00e7as e valores os convencem que devem existir. &#8221;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[16]<\/a>\u00a0O dom\u00ednio da Economia dominante nos Estados Unidos &#8211; em faculdades e universidades, bem como na media,\u00a0<i>think tanks\u00a0<\/i>e no governo &#8211; e em todo o mundo \u00e9 uma das principais raz\u00f5es pelas quais os americanos, tal como pessoas de outros pa\u00edses, tendem a\u00a0<i>n\u00e3o\u00a0<\/i>ver o grau de desigualdade existente. \u00c9 claro que nenhuma ideologia pode ser completa, e esse tamb\u00e9m \u00e9 o caso da Economia dominante. Destoa com a nossa experi\u00eancia do mundo e nas nossas aspira\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao mundo em que queremos viver. \u00c9 por isso que os americanos e cidad\u00e3os do mundo inteiro percebem que o grau de desigualdade criado pelos esquemas econ\u00f4micos existentes \u00e9 fundamentalmente injusto.<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Tend\u00eancias no rendimento global e concentra\u00e7\u00e3o de riqueza sugerem inequivocamente que, a menos que mudan\u00e7as econ\u00f4micas radicais sejam feitas dentro das na\u00e7\u00f5es, as desigualdades existentes criadas pelo capitalismo contempor\u00e2neo representam tanto a premissa quanto a promessa de uma distribui\u00e7\u00e3o ainda mais desigual de rendimento e riqueza nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. E as consequ\u00eancias da crescente desigualdade \u2013 para o min\u00fasculo grupo no topo, bem como para a grande maioria na base, embora de maneiras diferentes \u2013 tornam esse caso ainda mais atraente. Nenhum grupo pode escapar \u00e0 l\u00f3gica existente e seus efeitos, a menos que as regras e pr\u00e1ticas existentes sejam fundamentalmente transformadas. Ao mesmo tempo, o geral sentido de injusti\u00e7a fundamental, que \u00e9 apenas parcialmente mascarado pela Economia e Pol\u00edtica dominante, pode servir como um alerta para uma cr\u00edtica sem piedade e re-imagina\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1. A &#8220;riqueza das na\u00e7\u00f5es&#8221; \u00e0 qual Smith se referia era a produ\u00e7\u00e3o atual ou, como atualmente \u00e9 medido, o Produto Interno Bruto. Isto \u00e9, a &#8220;imensa acumula\u00e7\u00e3o de mercadorias&#8221; produzida e trocada na economia de um pa\u00eds durante um determinado per\u00edodo de tempo. Hoje, a riqueza refere-se \u00e0 propriedade de ativos financeiros (a\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos, etc.) e n\u00e3o financeiros (especialmente \u00e0 habita\u00e7\u00e3o) &#8211; em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento (fluxos de valor associados a fazer ou possuir) ou somas de transa\u00e7\u00f5es (que \u00e9 o que \u00e9 capturado no PIB). Os economistas mainstream muitas vezes afirmam que a desigualdade no capitalismo global est\u00e1 a diminuir, por causa da &#8220;converg\u00eancia&#8221;, isto \u00e9, as taxas de crescimento nos pa\u00edses em desenvolvimento do Sul Global s\u00e3o mais r\u00e1pidas do que no Norte desenvolvido e a lacuna no PIB per capita est\u00e1 a fechar.<br \/>\n2.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/05\/global-wealth.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/05\/global-wealth.jpg<\/a><br \/>\n3.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/06\/byrne.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/06\/byrne.jpg<\/a><br \/>\n4. Note-se, por\u00e9m, que: &#8220;Danny Dorling, professor de geografia na Universidade de Oxford, disse que o cen\u00e1rio em que os super-ricos acumulavam mais riqueza at\u00e9 2030 era realista: &#8216;Mesmo que o rendimento das pessoas mais ricas do mundo pare de aumentar dramaticamente no futuro, a sua riqueza ainda crescer\u00e1 por algum tempo &#8220;, disse ele. &#8220;O \u00faltimo pico de desigualdade de rendimento foi em 1913. Estamos outra vez perto disso, mas mesmo se reduzirmos a desigualdade agora ela continuar\u00e1 a crescer por mais uma ou duas d\u00e9cadas.&#8221; Veja: M. Savage &#8216;1% mais ricos a caminho de possuir dois ter\u00e7os de toda a riqueza at\u00e9 2030 &#8216;The Guardian 7 de abril de 2018<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2018\/apr\/07\/global-inequality-tipping-point-2030\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.theguardian.com\/&#8230;<\/a><br \/>\n5.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/02\/wealth-inequality.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/02\/wealth-inequality.<wbr \/>jpg<\/a><br \/>\n6.\u00a0<a href=\"https:\/\/read.oecd-ilibrary.org\/employment\/oecd-employment-outlook-2018_empl_outlook-2018-en#page2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">read.oecd-ilibrary.org\/&#8230;<\/a><wbr \/><br \/>\n7.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/07\/left-behind.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/07\/left-behind.jpg<\/a><br \/>\n8.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/07\/fredgraph.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/07\/fredgraph.png<\/a>\u00a0. O gr\u00e1fico mapeia o decl\u00ednio acentuado na divis\u00e3o do trabalho durante a \u00faltima d\u00e9cada (de 103,3 no primeiro trimestre de 2008 para 97,1 no primeiro trimestre de 2018, com 2009 igual a 100), mas a tend\u00eancia \u00e9 maior: de 114 em 1960 ou 112 em 1970 ou mesmo 110,2 em 2001.<br \/>\n9.\u00a0<a href=\"http:\/\/nymag.com\/daily\/intelligencer\/2018\/07\/oecd-study-labor-conditions-confirms-that-u-s-workers-are-getting-ripped-off.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nymag.com\/&#8230;<\/a><br \/>\n10.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.epi.org\/files\/pdf\/130354.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.epi.org\/files\/pdf\/<wbr \/>130354.pdf<\/a><br \/>\n11.\u00a0<a href=\"https:\/\/anticap.files.wordpress.com\/2018\/04\/ceo.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.files.wordpress.<wbr \/>com\/2018\/04\/ceo.jpg<\/a><br \/>\n12.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/graphics\/ceo-pay-ratio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.bloomberg.com\/<wbr \/>graphics\/ceo-pay-ratio\/<\/a><br \/>\n13.\u00a0<a href=\"https:\/\/qz.com\/1261701\/amazon-jeff-bezos-booed-in-berlin-by-workers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">qz.com\/1261701\/amazon-<wbr \/>jeff-bezos-booed-in-berlin-by-<wbr \/>workers\/<\/a><br \/>\n14.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hbs.edu\/faculty\/Publication%20Files\/kiatpongsan%20norton%202014_f02b004a-c2de-4358-9811-ea273d372af7.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.hbs.edu\/&#8230;<\/a><br \/>\n15. Isto segue um artigo de 2010 no mesmo jornal em que Michael Norton e Dan Ariely tamb\u00e9m descobrem que os americanos t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a econ\u00f4mica que \u00e9 notavelmente mais igualit\u00e1ria que a realidade atual, e mais igualit\u00e1ria at\u00e9 do que sua pr\u00f3pria subestimativa do grau de desigualdade.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.people.hbs.edu\/mnorton\/norton%20ariely%20in%20press.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.people.hbs.<wbr \/>edu\/mnorton\/norton%20ariely%<wbr \/>20in%20press.pdf<\/a><\/p>\n<p>16.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nber.org\/papers\/w21174\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.nber.org\/papers\/<wbr \/>w21174<\/a><\/p>\n<p>*Respectivamente da Universidade de Notre Dame, IN, EUA e Universidade Beckett de Leeds, RU. Contactos:\u00a0<a href=\"mailto:druccio@nd.edu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">druccio@nd.edu<\/a>\u00a0\u00a0 e \u00a0\u00a0<a href=\"mailto:jamiea.morgan@hotmail.co.uk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jamiea.morgan@hotmail.co.uk<\/a><br \/>\nEste breve ensaio come\u00e7ou como uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es no blog:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/anticap.wordpress.com\/2018\/03\/05\/if-poor-people-knew-how-rich-rich-people-are-there-would-be-riots-in-the-streets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.wordpress.com\/&#8230;<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/anticap.wordpress.com\/2018\/04\/30\/inequality-and-fairness\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.wordpress.com\/2018\/04\/<wbr \/>30\/inequality-and-fairness\/<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/anticap.wordpress.com\/2018\/06\/04\/unequal-wealth-of-nations\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.wordpress.com\/2018\/06\/<wbr \/>04\/unequal-wealth-of-nations\/<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/anticap.wordpress.com\/2018\/07\/10\/i-ran-out-of-words-to-describe-how-bad-the-recovery-numbers-are-for-workers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anticap.wordpress.com\/&#8230;<\/a><\/p>\n<p>https:\/\/www.resistir.info\/crise\/capital_e_classe.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21071\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[227],"class_list":["post-21071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5tR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}