{"id":21096,"date":"2018-10-15T17:02:35","date_gmt":"2018-10-15T20:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21096"},"modified":"2018-10-15T17:02:35","modified_gmt":"2018-10-15T20:02:35","slug":"a-indigencia-do-fascismo-tropical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21096","title":{"rendered":"A indig\u00eancia do \u201cfascismo tropical\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/181012-ArturoUi.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Rafael Zacca<\/p>\n<p>Outras Palavras<\/p>\n<p><em>Em vez de Hist\u00f3ria, esquecimento. No lugar de gl\u00f3rias externas, combate aos pretos, nordestinos e gays. Um \u201cnacionalismo\u201d entreguista. Como Jair Bolsonaro produziu um movimento que at\u00e9 Marine Le Pen rejeita<\/em><\/p>\n<p>Por\u00a0<strong>Rafael Zacca\u00a0<\/strong>| Imagem: cena de\u00a0<em>A Resist\u00edvel ascens\u00e3o de Arturo Ui\u00a0<\/em>(de Bertolt Brecht), encenada em Londres, 2013<\/p>\n<p>Em todo o mundo a extrema direita surfa a onda conservadora da \u00faltima d\u00e9cada. Sempre que nos deparamos com um fen\u00f4meno confuso, vasculhamos a mem\u00f3ria atr\u00e1s de algum ponto de apoio para distinguir as coisas. \u00c9 assim que por toda a parte o nazi-fascismo volta a ser sussurrado de ouvido em ouvido, como o marulho dessas \u00e1guas. Chamar as coisas por seu nome \u00e9 uma tarefa importante \u2013 mas distinguir os nomes corretamente \u00e9 a tarefa justa. No caso brasileiro, o retorno do recalcado de nossa \u00e9poca ditatorial militar nos impele, a um s\u00f3 tempo, a lhe dar o nome de fascismo, e a acrescentar-lhe um broche, provavelmente maior que a roupa. Um broche tropical. Pois \u00e9 dif\u00edcil de acreditar que se possa sobrepor diretamente a imagem de Hitler ou de Mussolini \u00e0 de Jair Bolsonaro, e nada nos parecer\u00e1 mais absurdo do que a ideia de um povo ariano brasileiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a morte do capoeirista Moa do Katend\u00ea, na madrugada de 8 de outubro, \u00e9 a mais recente evid\u00eancia da exist\u00eancia de um fascismo \u00e0 brasileira que diferentes discursos negacionistas tentam abafar. O capoeirista foi morto pela peixeira de um bolsonarista muito mais jovem (Moa tinha 63, o assassino tem 36), que cometeu o crime por \u201cdiscord\u00e2ncia pol\u00edtica\u201d. Outra evid\u00eancia se d\u00e1 no contexto dos acontecimentos que se seguiram ao assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco. Sete meses depois da execu\u00e7\u00e3o, motivada pela atua\u00e7\u00e3o de Marielle no combate \u00e0s mil\u00edcias e na defesa da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre das favelas do Rio de Janeiro, os ent\u00e3o candidatos (e agora eleitos) a duas vagas na Assembleia do Rio, Rodrigo Amorim e Daniel Silveira, quebraram uma placa feita em homenagem \u00e0 vereadora na rua em que ocorreu o assassinato, no bairro do Est\u00e1cio. Tratava-se de um evento pol\u00edtico, e ao lado dos dois estava, no mesmo palanque, o atual candidato ao governo do Rio, Wilson Witzel \u2013 todos do partido da oligarquia Bolsonaro.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es para o primeiro turno, fotos da urna eletr\u00f4nica indicando voto em Jair Bolsonaro e pistolas repousando sobre os n\u00fameros exp\u00f5em, com uma clareza freudiana, a vontade de entregar poderes excessivos ao candidato. A poucas semanas do processo eleitoral, em Copacabana, uma corrida de militares, destinada a homenagear um sargento morto durante opera\u00e7\u00e3o em uma favela carioca, tornou-se prontamente uma carreata de apoio ao presidenci\u00e1vel, em uma esp\u00e9cie terr\u00edvel de an\u00fancio de uma poss\u00edvel \u201cvers\u00e3o tropical dos Freikorps\u201d, como\u00a0afirmou\u00a0Gilberto Maringoni, professor da UFABC. O professor referia-se aos grupos paramilitares que encabe\u00e7aram a escalada de viol\u00eancia nazista no s\u00e9culo passado. Bolsonaro parece aceitar de bom grado o trono que lhe querem entregar: j\u00e1 afirmou, ao longo de sua hist\u00f3ria, que \u00e9 a favor da tortura, que fechar\u00e1 o congresso na primeira oportunidade, e, recentemente, que ir\u00e1 \u201cpor um ponto final em todos os ativismos do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Quando teve fim o seu ex\u00edlio, Leonel Brizola regressou ao Brasil com a ideia de realizar um \u201csocialismo moreno\u201d: mais libert\u00e1rio, mais afeito aos tr\u00f3picos. Em uma esp\u00e9cie de piada hist\u00f3rica de mau gosto, o que parece ter vingado no pa\u00eds \u00e9 um \u201cfascismo moreno\u201d, com as cores de nossa bandeira. Torquato Neto escreveu em 1968: \u201cn\u00e3o fa\u00e7a esfor\u00e7o para ser tropicalista: continue moralista e ser\u00e1. O tr\u00f3pico \u00e9 fatal.\u201d Um nome mais adequado para essa ideologia talvez seja \u201cfascismo tropical\u201d.<\/p>\n<p>Para compreender esse fen\u00f4meno, \u00e9 preciso partir da premissa de que o que encontramos aqui n\u00e3o \u00e9 exatamente igual \u00e0quela ideologia que nasceu das\u00a0<em>fasci di combattimento<\/em>\u00a0italianas. \u00c9 preciso repetir o gesto daqueles que enfrentaram a meia-noite do s\u00e9culo XX: na d\u00e9cada de 1930, os que resistiam ao autoritarismo e \u00e0 morte criaram institutos de estudo e combate ao nazi-fascismo. Tais institutos viriam a calhar hoje no Brasil. A hist\u00f3ria n\u00e3o se repete \u2013 conhecer o que se passa aqui, dessa vez, \u00e9 tarefa priorit\u00e1ria, para que possamos tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de resist\u00eancia e combate mais bem definidas. O que se segue \u00e9 um ensaio de distin\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Lembrar ou esquecer<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 curiosa a franca oposi\u00e7\u00e3o em que se encontram a mentalidade hist\u00f3rica nazi-fascista e a do fascismo tropical. Enquanto para o primeiro a hist\u00f3ria (ainda que inventada e travestida de ci\u00eancia) \u00e9 importante na fundamenta\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos nacionais a serem adorados pela popula\u00e7\u00e3o, para o segundo, o esquecimento \u00e9 o cimento sobre o qual o autoritarismo pode se firmar. N\u00e3o \u00e0 toa a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade tenha sido, desde a sua funda\u00e7\u00e3o, duramente atacada, simb\u00f3lica e materialmente, por partid\u00e1rios, civis e militares, da ditadura. Ligada a um projeto de revis\u00e3o da lei da anistia, que admitiu o retorno dos exilados pol\u00edticos e perdoou os crimes dos agentes do Estado brasileiro, a Comiss\u00e3o trabalhou no sentido de revisar a d\u00edvida hist\u00f3rica com o passado recente nacional, quando o regime militar sequestrou, torturou, matou e desapareceu com in\u00fameros cidad\u00e3os, muitos dos quais sem paradeiro certo at\u00e9 hoje. O projeto de esquecimento envolvido nesse processo conhece agentes armados, e n\u00e3o apenas ideologicamente eloquentes. Em 2014, por exemplo, o coronel Paulo Magalh\u00e3es confessou crimes de tortura e sequestro \u00e0 Comiss\u00e3o; um m\u00eas depois, sua casa foi invadida, o coronel assassinado, e seus computadores roubados.<\/p>\n<p>Enquanto no fascismo tradicional o passado \u00e9 glorioso e os ancestrais exaltados, no fascismo tropical o passado \u00e9 motivo de vergonha e deve ser esquecido. O fascismo tropical \u00e9 um projeto de futuro que quer purgar, com fogo mesmo, o territ\u00f3rio nacional de seus males. Apenas o patriarca \u00e9 respeit\u00e1vel, o que explica, por sua vez, que a centraliza\u00e7\u00e3o de poder em nossa hist\u00f3ria seja t\u00e3o mais facilmente alcan\u00e7\u00e1vel. Essa ideologia funda em n\u00f3s uma atra\u00e7\u00e3o desproporcional, mesmo se comparada a outros contextos patriarcais, pelas figuras do super-her\u00f3i incorrupt\u00edvel, do av\u00f4 amoroso provedor ou do coronel que apazigua os conflitos locais. E n\u00e3o importa que sejam essas as figuras nacionais que mais rapidamente se mostrem corruptas, avarentas e violentas, quando n\u00e3o as tr\u00eas coisas: o fascismo tropical tem mais amor pela viol\u00eancia do chefe que pela instaura\u00e7\u00e3o de uma ordem, pois identifica ordem com o cano de um rev\u00f3lver.<\/p>\n<p>Sob gritos de \u201cmito\u201d, Jair Bolsonaro \u00e9 eleito deputado, ano ap\u00f3s ano, como o grande patriarca do fascismo tropical. Quanto mais os seus advers\u00e1rios relembram de seu flerte com os crimes de guerra do regime militar, mais o candidato se apoia na amn\u00e9sia social promovida pela lei da anistia como escudo ideol\u00f3gico. Esse grande patriarca sofre hoje, n\u00e3o por mera coincid\u00eancia, a maior rejei\u00e7\u00e3o por parte das mulheres, sob a bandeira do movimento do #elen\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O inimigo externo ou interno<\/strong><\/p>\n<p>A tipifica\u00e7\u00e3o do alvo nacional, do inimigo n\u00famero um, tamb\u00e9m difere nos dois casos. Na It\u00e1lia de Mussolini e na Alemanha de Hitler, esse elemento sempre foi exterior. Fora do territ\u00f3rio, esse inimigo movia a guerra de conquista. Marinetti chegou a afirmar em manifesto futurista, em apoio \u00e0 It\u00e1lia na guerra colonial na Eti\u00f3pia, que \u201ca guerra \u00e9 bela\u201d. O nazismo, por seu turno, cresceu na sombra do argumento da humilha\u00e7\u00e3o por seus vizinhos: o discurso revanchista, pelas consequ\u00eancias da derrota na Primeira Guerra Mundial, pavimentou a marcha da SS. E mesmo o grande alvo interno dos arianos, os judeus, eram tidos como inimigos externos, que teriam saqueado e destru\u00eddo a na\u00e7\u00e3o. De um modo ou de outro, o nacionalismo se constr\u00f3i por oposi\u00e7\u00e3o ao internacional.<\/p>\n<p>No fascismo tropical, o alvo \u00e9 nacional. Esse efeito \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de esquecimento \u2013 assim, o alvo pode ser aquilo que \u00e9 nacional, mesmo sob justificativa nacionalista. O \u00f3dio aos afrodescendentes e aos \u00edndios, e a todas as pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de inclus\u00e3o social desses grupos na sociedade, \u00e9 a mais estranha contradi\u00e7\u00e3o de um fascismo tropical. E \u00e9 vestindo a camisa da sele\u00e7\u00e3o nacional de futebol, que teve historicamente a maior parte de seus melhores jogadores pessoas negras, que os novos verde-amarelos exigem pol\u00edticas de exterm\u00ednio nas favelas, fim de cotas nas Universidades e em concursos p\u00fablicos, etc. Tamb\u00e9m o nordestino pode ser odiado desse ponto de vista, como inimigo interno que desorganiza o pa\u00eds, bem como o pobre. Todos esses alvos acusados de imoralidade \u2013 pois o fascismo, l\u00e1 como aqui, \u00e9 antes de tudo um ato de conserva\u00e7\u00e3o dos costumes do patriarcado.<\/p>\n<p>Exatamente por isso, tanto em um caso como no outro, um alvo continua o mesmo: o corpo estranho. O desejo de morte aos corpos que fogem da norma reprodutiva heterossexual se traduz, hoje, sob gritos de \u201cfim do kit gay nas escolas\u201d ou na exig\u00eancia de que os n\u00e3o-heterossexuais n\u00e3o se mostrem de tal forma em espa\u00e7os p\u00fablicos. De qualquer maneira, a press\u00e3o para que esses modos de vida permane\u00e7am na esfera privada significa \u2013 mesmo antes dos espancamentos e das viol\u00eancias verbais, que ocorrem todos os dias \u2013 a morte social desses corpos.<\/p>\n<p><strong>Nacionalismo e entreguismo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 curiosa a posi\u00e7\u00e3o dos fascistas tropicais: s\u00e3o nacionalistas e entreguistas ao mesmo tempo. Essa foi a postura social e econ\u00f4mica da Ditadura Militar, e parece continuar a ser o projeto do militar Jair Bolsonaro. A aceita\u00e7\u00e3o de sua candidatura, por parte de grandes contingentes da popula\u00e7\u00e3o, coincidiu, inclusive, com uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do candidato: de passado protecionista, Bolsonaro se move cada vez mais para o campo neoliberal. Nesse sentido, o fascismo tropical \u00e9 bastante diferente de seu irm\u00e3o europeu \u2013 l\u00e1, o protecionismo \u00e9 a palavra de ordem. Aqui, o economista liberal, formado por Chicago, Paulo Guedes, \u00e9 a arma do convencimento de fecundidade do projeto de Bolsonaro. Privatiza\u00e7\u00e3o e entrega das riquezas nacionais podem conviver em seu discurso porque o nacionalismo, no fundo, n\u00e3o \u00e9 sequer a exalta\u00e7\u00e3o de tais ou quais aspectos nacionais. Nacionalismo no fascismo tropical \u00e9 pura e simplesmente a defesa da fam\u00edlia tradicional e a repress\u00e3o da sexualidade.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno ficou conhecido entre os historiadores como \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o conservadora\u201d. Moderniza\u00e7\u00e3o com a livre-circula\u00e7\u00e3o do capital e dos capitalistas internacionais, e conserva\u00e7\u00e3o nos costumes. Se no nazi-fascismo a modernidade \u00e9 imoral e destr\u00f3i o passado glorioso das na\u00e7\u00f5es superiores, no fascismo tropical a moderniza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que pode fazer com que a na\u00e7\u00e3o concorra a um papel de destaque no arranjo internacional de disputa de riquezas. E como sempre cabe mais um ingrediente no prato brasileiro, soma-se a esses aspectos um reacionarismo no campo social, com a retirada progressiva de direitos. Ataques \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista s\u00e3o justific\u00e1veis em prol de uma \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o financeira\u201d e \u201creequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas\u201d, delegando, no fundo, ao trabalhador, a tarefa de fechar as contas do cofre nacional.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno n\u00e3o se desenvolve sem contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro. Um dos principais aliados de Bolsonaro, por exemplo, Alexandre Frota, \u00e9 um dos defensores da moralidade e dos bons costumes, al\u00e9m de guardi\u00e3o discursivo da fam\u00edlia tradicional brasileira, e parece n\u00e3o causar espanto o fato de que Frota tenha sido ator porn\u00f4 e tenha contracenado tendo rela\u00e7\u00f5es sexuais com diferentes mo\u00e7as e rapazes, performando hetero, bi e homossexualidade em seus filmes. Tamb\u00e9m n\u00e3o parece contradizer a fam\u00edlia tradicional o fato de que Frota tenha feito apologia ao estupro em rede de televis\u00e3o aberta. Nada disso impediu que o ator tivesse sido eleito deputado federal com 152 mil votos pelo partido de Bolsonaro, o PSL.<\/p>\n<p><strong>Antipartidarismo como guarda-chuva ideol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>O fascismo n\u00e3o se fundamenta sem um guarda-chuva ideol\u00f3gico. \u00c9 preciso canalizar uma grande variedade de medos e inseguran\u00e7as da popula\u00e7\u00e3o sob um mesmo signo para arregiment\u00e1-la em seu projeto. Largos contingentes de seres humanos, formados at\u00e9 mesmo pelos corpos amea\u00e7ados por essa ideologia, n\u00e3o s\u00e3o fascistas por natureza. S\u00e3o boas pessoas, incapazes de ferir o semelhante. \u00c9 preciso um elemento que filtre as diferentes demandas sob um s\u00f3 signo odiento e que, nesse mesmo movimento, impulsione a viol\u00eancia em ondas cada vez mais fortes. Somente com essa canaliza\u00e7\u00e3o aquilo que Hannah Arendt chamou de banaliza\u00e7\u00e3o do mal \u00e9 poss\u00edvel. Como o fascismo floresce em \u00e9pocas de crise das rela\u00e7\u00f5es sociais, esse filtro se liga a um elemento que possa a qualquer custo conservar essas rela\u00e7\u00f5es. Em 1964, o filtro era o anticomunismo. Hoje, \u00e9 o antipartidarismo, principalmente o antipetismo. Sob o argumento da corrup\u00e7\u00e3o, esconde-se um \u00f3dio \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais exigidas por pobres, negros, mulheres, LGBTQ+ e \u00edndios.<\/p>\n<p>De outro modo, n\u00e3o se explica o apoio dado a Jair Bolsonaro e \u00e0queles que coligam com ele. Sua hist\u00f3ria partid\u00e1ria est\u00e1 ligada aos mesmos esc\u00e2ndalos que sustentam a ret\u00f3rica do PT como o partido mais corrupto de todos. Bolsonaro era deputado pelo PTB na mesma \u00e9poca em que o partido protagonizou o mensal\u00e3o; foi deputado pelo PP na mesma \u00e9poca em que o partido teve o maior n\u00famero de indiciados no petrol\u00e3o; al\u00e9m de ter participado da base ampla do PT por muitos anos. Mas nada disso adiantar\u00e1 nos ouvidos tropicais desse fascismo \u00e0 brasileira. Atacar a sustenta\u00e7\u00e3o do filtro ideol\u00f3gico \u00e9 gastar energia sem produzir efeitos; aqueles que se comprometem com o combate ao fascismo devem estar dispostos a refazer as perguntas fundamentais que movimentam o medo daqueles que coligam com este projeto. Apenas na reformula\u00e7\u00e3o dos problemas sociais que servem de fundamenta\u00e7\u00e3o real ao fascismo, a esquerda conseguir\u00e1 apontar uma dire\u00e7\u00e3o mais adequada. Isto \u00e9: n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o partid\u00e1ria que est\u00e1 em jogo. No limite, a quest\u00e3o partid\u00e1ria \u00e9 apenas o conte\u00fado manifesto de um conte\u00fado latente que precisa ser trazido novamente para os debates p\u00fablicos. J\u00e1 o combate aberto deve ser reservado aos ide\u00f3logos do fascismo tropical, tais como toda a oligarquia Bolsonaro, Kim Katagury, Olavo de Carvalho, Rodrigo Gurgel, Alexandre Frota, e outros pseudo-pensadores semeadores dos campos da morte.<\/p>\n<p>https:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/a-indigencia-do-fascismo-tropical\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21096\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[225],"class_list":["post-21096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ug","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}