{"id":21154,"date":"2018-10-19T21:07:34","date_gmt":"2018-10-20T00:07:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21154"},"modified":"2018-10-19T21:07:34","modified_gmt":"2018-10-20T00:07:34","slug":"o-bolsonarismo-como-terror-e-ideologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21154","title":{"rendered":"O bolsonarismo como terror e ideologia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2018\/10\/bolsonaro.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Por Gabriel Landi Fazzio<\/strong><\/p>\n<p><em>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o termo \u201cfascista\u201d foi utilizado de modo bastante impreciso, arremessado indiscriminadamente contra qualquer ideia conservadora ou autorit\u00e1ria. Agora, em um momento em que o termo poderia ser usado com muito mais seguran\u00e7a, muitas d\u00favidas e confus\u00f5es se tornam evidentes. O que \u00e9, afinal, o fascismo? Existe fascismo no Brasil?<\/em><\/p>\n<p><strong>Existe fascismo no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Para que possamos explicar amplamente o que significa o perigo fascista, precisamos antes de mais nada ter uma compreens\u00e3o n\u00edtida do que seja esse perigo. A esse respeito, infelizmente, muita aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dada \u00e0s caracter\u00edsticas\u00a0<em>ideol\u00f3gicas<\/em>\u00a0do fascismo (diga-se de passagem, muito bem sintetizadas pelo camarada Leandro Konder em sua \u201c<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao fascismo<\/em>\u201d).<\/p>\n<p>Muitas vezes, uma pessoa qualquer que emite uma opini\u00e3o conservadora \u00e9 prontamente etiquetada como fascista. De modo exatamente oposto, existe quem afirme que Bolsonaro e seu PSL n\u00e3o s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es fascistas porque, por exemplo, seus discursos n\u00e3o cont\u00e9m tra\u00e7os essenciais do nacionalismo radical fascista.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, uma import\u00e2ncia excessiva \u00e9 dada aos componentes ideol\u00f3gicos do fascismo, em detrimento de sua exist\u00eancia social concreta, org\u00e2nica, enquanto for\u00e7a pol\u00edtica. \u00c9 nesse sentido mais preciso que uma perspectiva materialista da hist\u00f3ria deve compreender o fascismo.<\/p>\n<p>O fascismo n\u00e3o \u00e9 todo conjunto de ideias conservadoras em termos de costumes e identidades. O fascismo n\u00e3o \u00e9, nem mesmo, todo tipo de defesa pol\u00edtica do autoritarismo. O fascismo \u00e9 uma\u00a0<em>express\u00e3o organizada da viol\u00eancia pol\u00edtica de todos elementos mais reacion\u00e1rios da sociedade<\/em>\u00a0\u2013 financiados, \u00e9 claro, pelos empres\u00e1rios mais reacion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Existem diversos regimes pol\u00edticos reacion\u00e1rios que, em tempos de crise, se utilizam da mais feroz repress\u00e3o para esmagar a resist\u00eancia das massas exploradas e oprimidas (o exemplo mais \u00f3bvio s\u00e3o as ditaduras militares). Mas o fascismo se diferencia justamente porque n\u00e3o se trata de uma repress\u00e3o baseada puramente de uma viol\u00eancia estatal: o fascismo se utiliza de m\u00e9todos de guerra civil e terrorismo para aplicar sua domina\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, mesmo antes de conseguir se levantar ao poder.<\/p>\n<p>H\u00e1 grandes diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas entre o perigo fascista em nossa \u00e9poca e o fascismo cl\u00e1ssico. O fascismo cl\u00e1ssico teve, talvez em muitos casos, um discurso mais marcadamente corporativista, nacionalista, secular, etc. Essas distin\u00e7\u00f5es podem at\u00e9 mesmo justificar a utiliza\u00e7\u00e3o de termos como \u201cneo-fascismo\u201d, ou \u201cfascistiza\u00e7\u00e3o\u201d para lidar com o fen\u00f4meno atual. O grau ainda embrion\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o dessas for\u00e7as reacion\u00e1rias pode tamb\u00e9m explicar a utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201cproto-fascismo\u201d &#8211; mas, infelizmente, a cada dia menos, conforme esses grupos reacion\u00e1rios dispersos ganham coer\u00eancia e unidade.<\/p>\n<p>De todo modo, essa caracteriza\u00e7\u00e3o permite compreender a insufici\u00eancia de termos como \u201cpopulismo de direita\u201d. N\u00e3o seria tamb\u00e9m o fascismo cl\u00e1ssico um tipo de populismo de direita? E este tipo n\u00e3o seria bastante diferente de um outro populismo de direita\u00a0puramente ret\u00f3rico, que n\u00e3o se combine a uma viol\u00eancia de grupos organizados? Por isso, tal terminologia apenas lan\u00e7a mais confus\u00e3o sobre toda a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe uma gigantesca massa de pessoas politicamente inativas que se agarram a ideias conservadoras que lhe confiram algum tipo de privil\u00e9gio ou \u201cseguran\u00e7a\u201d aparentes \u2013 isso em especial entre as camadas de pequenos propriet\u00e1rios, mas tamb\u00e9m entre a classe trabalhadora. Esta massa de pessoas \u00e9 uma\u00a0<em>reserva moral\u00a0<\/em>em potencial de apoio pol\u00edtico ao fascismo. Mas se esse contingente de pessoas com valores conservadores n\u00e3o se organiza para a luta pol\u00edtica e f\u00edsica (porque o fascista nunca separa esses dois momentos da luta social), o fascismo n\u00e3o pode existir em sentido pr\u00f3prio. Apenas durante as mais prolongadas crises sociais esse fen\u00f4meno pode alcan\u00e7ar uma envergadura de massas, que crescentemente amplia as fileiras desses corpos de combate e seus la\u00e7os com essa sua base de massas conservadora.<\/p>\n<p>Mas, no geral, \u00e9 bastante comum que boa parte dessas pessoas, conservadoras em costumes, sejam razoavelmente liberais em pol\u00edtica. Podem at\u00e9 mesmo ser profundamente autorit\u00e1rias e opressivas em seus ambientes familiares e advogar a mais firme obedi\u00eancia aos costumes tradicionais; mas dificilmente dar\u00e3o seu apoio \u00e0 viol\u00eancia aberta e p\u00fablica. Por isso, \u00e9 um erro imperdo\u00e1vel n\u00e3o atrair para a luta antifascista mesmo as camadas mais atrasadas do povo, que ainda partilham de ideais conservadoras sem, contudo, darem apoio \u00e0 viol\u00eancia reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso combater ideologicamente o conservadorismo a todo tempo. Mas para\u00a0combater o fascismo\u00a0n\u00e3o basta esse combate ideol\u00f3gico. Expor amplamente a viol\u00eancia fascista \u00e9 nossa primeira tarefa. A partir de amplas campanhas de den\u00fancia \u00e9 preciso, por um lado, preparar a\u00a0<em>resist\u00eancia efetiva<\/em>\u00a0contra a viol\u00eancia reacion\u00e1ria; e, por outro lado, atrair para a\u00a0<em>luta pol\u00edtica de massas<\/em>\u00a0contra o fascismo mesmo os setores mais vacilantes do povo.<\/p>\n<p>Devemos explicar pacientemente a rela\u00e7\u00e3o que existe entre o fascismo e a prolongada\u00a0crise sist\u00eamica do capitalismo, que a cada dia conduz a novos e mais intensos choques entres as classes sociais e pot\u00eancias nacionais. \u00c9 preciso explicar de que modo esta crise empurra os grandes capitalistas em dire\u00e7\u00e3o a renovados ataques contra a maioria assalariada e trabalhadora do povo. Em pa\u00edses perif\u00e9ricos, como o Brasil, a burguesia, associada ao imperialismo, mobiliza todas as suas for\u00e7as para atacar os direitos trabalhistas, sociais e previdenci\u00e1rios, diminuir os sal\u00e1rios, cortar investimentos p\u00fablicos e programas sociais, aumentar a explora\u00e7\u00e3o, privatizar e desnacionalizar empresas estatais estrat\u00e9gicas e entregar recursos naturais. O golpe burgu\u00eas de 2016, midi\u00e1tico e institucional, buscou acelerar esses ataques de todas as formas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 simples disseminar amplamente a compreens\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos e sociais das classes dominantes; os grupos monopolistas, os banqueiros, os latifundi\u00e1rios, etc. Mas \u00e9 evidente que, sem isso, \u00e9 imposs\u00edvel fazer ver \u00e0 ampla maioria do povo que o fascismo, a despeito de sua ret\u00f3rica \u201cantissistema\u201d de corte popular, significa, em \u00faltima an\u00e1lise, apenas uma forma de imposi\u00e7\u00e3o violenta do programa econ\u00f4mico comum dos grandes capitalistas em face da crise.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do seu\u00a0<em>conte\u00fado<\/em>, o fascismo \u00e9 um movimento reacion\u00e1rio que pode muito bem ser definido como \u201ca ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacion\u00e1rios do capital financeiro\u201d, nos termos da f\u00f3rmula cl\u00e1ssica do b\u00falgaro Dimitrov. Mas esse significado \u00faltimo do fascismo n\u00e3o capta sua especificidade, que est\u00e1 em sua\u00a0<em>forma<\/em>\u00a0enquanto movimento reacion\u00e1rio. Nesse aspecto, o fascismo foi bem representado j\u00e1 nas resolu\u00e7\u00f5es do\u00a04\u00ba Congresso da Internacional Comunista:<\/p>\n<p>\u201cA diferen\u00e7a caracter\u00edstica do fascismo italiano, do fascismo \u201ccl\u00e1ssico\u201d, que conquistou momentaneamente todo o pa\u00eds, est\u00e1 no fato de que os fascistas\u00a0<em>n\u00e3o somente constituem organiza\u00e7\u00f5es de combate<\/em>\u00a0estritamente contrarrevolucion\u00e1rio e armados at\u00e9 os dentes, mas tamb\u00e9m tratam,\u00a0<em>mediante uma demagogia social, de criar uma base entre as massas<\/em>, na classe camponesa e na pequena burguesia e at\u00e9 em certos setores do proletariado, utilizando habilmente para seus objetivos contrarrevolucion\u00e1rios decep\u00e7\u00f5es provocadas pela chamada democracia\u201d.<\/p>\n<p>Nestes termos, est\u00e1 em curso no Brasil um claro processo de \u201cfascistiza\u00e7\u00e3o\u201d da pol\u00edtica burguesa, de fortalecimento dos grupos e da alternativa fascista. \u00c9 preciso evitar a todo custo que os reacion\u00e1rios fortale\u00e7am suas posi\u00e7\u00f5es na luta contra a classe trabalhadora e as camadas oprimidas do povo \u2013 e isso significa, em alguns casos (como j\u00e1 tratei em\u00a0outro lugar), o apoio eleitoral aos liberais. Mas \u00e9 preciso muito mais do que isso.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter em mente que a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro n\u00e3o implicaria apenas a intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia estatal contra as massas, mas a intensifica\u00e7\u00e3o de todo o tipo de viol\u00eancia reacion\u00e1ria. Todo o tipo de miliciano reacion\u00e1rio, clubes de tiro de direita, bandos armados dos latifundi\u00e1rios e gangues urbanas (os\u00a0neonazi\u00a0em sentido estrito) seriam estimulados e encorajados, erguendo-se moralizados contra a classe trabalhadora organizada, o povo negro, as mulheres, as LGBT, toda a massa precarizada de trabalhadores imigrantes, assentados rurais, ind\u00edgenas, etc.<\/p>\n<p>Hoje, o \u201crisco do fascismo\u201d ainda precisa amadurecer para poder se imp\u00f4r plenamente. Ainda carece de mais organicidade pol\u00edtica e de tropas centralizadas (ainda que estas tropas sejam, j\u00e1 no atual momento, muitos mais preparadas que as for\u00e7as dos revolucion\u00e1rios e mesmo da autodefesa popular em geral). A elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro oferece as condi\u00e7\u00f5es mais prop\u00edcias para acelerar esse amadurecimento.<\/p>\n<p><strong>O fascismo nasceu por causa da classe m\u00e9dia em junho de 2013?<\/strong><\/p>\n<p>Neste tema do fascismo no Brasil, existe um argumento recorrente nos discursos petistas que \u00e9 profundamente equivocado e problem\u00e1tico. \u00c9 a tal teoria do \u201covo da serpente\u201d de Marilena Chau\u00ed, Jess\u00e9 de Souza, entre outros: de que as manifesta\u00e7\u00f5es de massas de junho de 2013 seriam as \u201cculpadas\u201d pela onda reacion\u00e1ria no Brasil; e que estas teriam sido apenas manifesta\u00e7\u00f5es impulsionadas pela \u201cclasse m\u00e9dia fascista\u201d.<\/p>\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 ela pr\u00f3pria, na verdade, extremamente reacion\u00e1ria no sentido mais\u00a0cient\u00edfico\u00a0da palavra, uma vez que ela avalia o presente com a r\u00e9gua de um passado idealizado. Os reformistas raciocinam assim: como a explos\u00e3o espont\u00e2nea das massas precipitou a crise da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes petista sem que a classe trabalhadora tivesse condi\u00e7\u00e3o de superar essa crise em um sentido progressivo; ent\u00e3o seria melhor mesmo que a massa tivesse ficado em casa, sem se mobilizar, sem p\u00f4r em risco o &#8220;Brasil feliz&#8221; regido pelo PT.<\/p>\n<p>\u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria porque n\u00e3o enxerga a necessidade hist\u00f3rica da crise do reformismo, e deseja retornar a essa &#8220;\u00e9poca id\u00edlica&#8221;, em que as massas pacientemente aguardavam a lenta e gradual reforma social, e em que as classes dominantes n\u00e3o buscavam obstruir o reformismo petista por todo tipo de golpe. Em vez de avan\u00e7ar \u00e0 esquerda com as li\u00e7\u00f5es de junho (e do posterior impeachment de Dilma), li\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a instabilidade do reformismo; o petismo se abra\u00e7a a essa reacion\u00e1ria &#8220;li\u00e7\u00e3o&#8221; sobre o mal que a luta espont\u00e2nea das massas significa, pois \u201cprovoca\u201d a rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Argumentos como esses s\u00f3 escancaram como a intelectualidade e as dire\u00e7\u00f5es petistas s\u00e3o incapazes de compreender o novo est\u00e1gio das lutas de classes no Brasil. Com isso, contribuem cada dia menos para orientar suas bases de maneira consequente, e cada vez mais confundindo-as com discursos de \u00f3dio \u00e0 \u201cclasse m\u00e9dia\u201d ou de idealiza\u00e7\u00e3o do per\u00edodo petista. N\u00e3o conseguem compreender a crise social que se abriu sob os p\u00e9s do reformismo de esquerda, qual a rela\u00e7\u00e3o desta crise com o fascismo e quais as possibilidades hist\u00f3ricas abertas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o deveria ser novidade para essa intelectualidade de esquerda o fato de que toda explos\u00e3o espont\u00e2nea de insatisfa\u00e7\u00e3o popular traz \u00e0 tona elementos contradit\u00f3rios, tanto reacion\u00e1rios quanto progressivos. Comentando a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905,\u00a0Lenin\u00a0j\u00e1 dizia que esta:<\/p>\n<p>\u201cConsistiu em uma s\u00e9rie de lutas, onde todas as classes descontentes, grupos e elementos da popula\u00e7\u00e3o participaram. Entre esses, estavam as massas que possu\u00edam os preconceitos mais grosseiros, com os objetivos mais vagos e fantasiosos de luta, havia pequenos grupos que aceitaram dinheiro japon\u00eas, havia especuladores e aventureiros; etc. [\u2026] A revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa n\u00e3o pode ser outra coisa sen\u00e3o uma explos\u00e3o de uma luta de massas por parte de todos os diversos elementos descontentes e oprimidos. Inevitavelmente, segmentos da pequena-burguesia e dos trabalhadores atrasados ir\u00e3o participar nela \u2014 sem tal participa\u00e7\u00e3o, a luta de massas \u00e9 imposs\u00edvel, e sem ela, a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel \u2014 e quase que inevitavelmente eles trar\u00e3o para o movimento seus\u00a0<em>preconceitos, suas fantasias reacion\u00e1rias<\/em>, suas fraquezas e seus erros. Mas objetivamente, eles ir\u00e3o atacar o capital, e a vanguarda consciente da revolu\u00e7\u00e3o, o destacamento avan\u00e7ado do proletariado, expressando essa verdade objetiva de uma\u00a0<em>luta de massas variada e discordante, heterog\u00eanea e exteriormente fragmentada<\/em>, ser\u00e1 capaz de\u00a0<em>unir e dirigi-la<\/em>, tomar o poder, expropriar os bancos, e os trustes que todos odeiam (ainda que por diferentes motivos!), e introduzir outras medidas ditatoriais que em sua totalidade equivaler\u00e3o \u00e0 derrubada da burguesia e a vit\u00f3ria do socialismo, que, no entanto,\u00a0<em>de nenhuma maneira, imediatamente se \u2018expurgar\u00e1\u2019 da esc\u00f3ria pequeno-burguesa<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Ao raciocinar de modo semelhante, o camarada\u00a0Antonio Gramsci\u00a0destaca a responsabilidade das for\u00e7as politicamente organizadas da classe trabalhadora em apontar dire\u00e7\u00f5es para os movimentos que emergem espontaneamente. Alerta para a grave consequ\u00eancia da neglig\u00eancia a essa responsabilidade hist\u00f3rica:<\/p>\n<p>\u201cDescuidar \u2013 e mais ainda, depreciar \u2013 os movimentos chamados espont\u00e2neos, ou seja, renunciar a dar-lhe uma dire\u00e7\u00e3o consciente, a elev\u00e1-los a um plano superior inserindo-os na pol\u00edtica, pode ami\u00fade ter consequ\u00eancias s\u00e9rias e graves.\u00a0<em>Ocorre quase sempre que um movimento espont\u00e2neo das classes subalternas coincide com um movimento reacion\u00e1rio da direita da classe dominante<\/em>, e ambos por motivos concomitantes: por exemplo, uma crise econ\u00f4mica determina descontentamento nas classes subalternas e movimentos espont\u00e2neos de massas, por uma parte, e, por outra, determina compl\u00f4s dos grupos reacion\u00e1rios, que se aproveitam da debilita\u00e7\u00e3o objetiva do governo, para intentar golpes de estado. Entre as causas eficientes destes golpes de estado h\u00e1 que se incluir\u00a0<em>a ren\u00fancia dos grupos respons\u00e1veis em dar uma dire\u00e7\u00e3o consciente aos movimentos espont\u00e2neos para convert\u00ea-los assim num fator pol\u00edtico positivo<\/em>. [&#8230;] Os movimentos espont\u00e2neos dos estratos populares mais vastos possibilitam a chegada ao poder da classe subalterna mais adiantada pela debilita\u00e7\u00e3o objetiva do Estado. Este \u00e9 um exemplo progressivo, por\u00e9m no mundo moderno s\u00e3o mais frequentes os exemplos regressivos.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria ser dif\u00edcil, portanto, chegar \u00e0 conclus\u00e3o de\u00a0Walter Benjamin: de que \u201ccada ressurgimento do fascismo d\u00e1 testemunho de uma revolu\u00e7\u00e3o fracassada\u201d. Ou seja, cada crescimento do fascismo seria o resultado do fracasso da esquerda e, simultaneamente, prova de que subsiste um potencial revolucion\u00e1rio; uma insatisfa\u00e7\u00e3o radical sob a crise; um conflito violento entre as classes sociais que a esquerda \u00e9 incapaz de mobilizar em um sentido revolucion\u00e1rio, permitindo assim que parcelas significativas da massa sejam manobradas pelo movimento reacion\u00e1rio das classes dominantes.<\/p>\n<p>Junho de 2013 trouxe \u00e0 tona in\u00fameros elementos at\u00e9 ent\u00e3o inertes na luta social \u2013 por isso o inevit\u00e1vel mote do \u201cgigante que acordou\u201d. Fez emergir os elementos que hoje se alinham sob Bolsonaro, que j\u00e1 ali atuaram (ainda em pequena escala) com trucul\u00eancia e puderam se desenvolver sob o signo do posterior movimento \u201cVem Pra Rua\u201d e Cia. Ltda.<br \/>\nPor outro lado, p\u00f4s em movimento toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de combatentes das fileiras prolet\u00e1rias e populares, cuja organiza\u00e7\u00e3o ainda carece de amadurecimento, mas que se expressa em todas as lutas de massas desde ent\u00e3o: nas greves que aumentam ano ap\u00f3s ano, no ascenso do movimento de luta por moradia, nas ocupa\u00e7\u00f5es escolares e universit\u00e1rias, nos movimentos de massa de mulheres, nas lutas ind\u00edgenas, etc.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para o fortalecimento muito maior do fascismo em detrimento do movimento das organiza\u00e7\u00f5es de massas n\u00e3o se explica apenas pela\u00a0<em>exist\u00eancia<\/em>\u00a0de uma explos\u00e3o de massas como junho de 2013: pelo contr\u00e1rio, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente a dificuldade dos pequenos partidos revolucion\u00e1rios em chegarem a essas massas; e a ren\u00fancia consciente dos grandes partidos reformistas, que se recusam a avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o em que essas massas radicalizadas exigem, rompendo seus velhos compromissos com a pol\u00edtica burguesa.<\/p>\n<p>N\u00e3o espanta, portanto, que toda a agita\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica contra a \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d (essa\u00a0<em>norma<\/em>\u00a0do capitalismo) tenha se enraizado nas massas dia ap\u00f3s dia e as atire nos bra\u00e7os do fascismo. Isso ao mesmo tempo em que o petismo patina vacila, sem romper seus velhos acordos com toda a esc\u00f3ria golpista e corrupta da pol\u00edtica burguesa. De modo semelhante ocorria, segundo a comunista alem\u00e3\u00a0Clara Zetkin, em 1923: \u201co fascismo se tornou uma esp\u00e9cie de ref\u00fagio para os politicamente sem abrigo\u201d, para todas as camadas sociais que \u201cficaram desapontados em suas esperan\u00e7as\u201d na \u201creforma social por vias democr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Eles podem agora ver que os l\u00edderes reformistas est\u00e3o em acordo benevolente com a burguesia, e o pior de tudo \u00e9 que essas massas perderam a f\u00e9 n\u00e3o apenas nos l\u00edderes reformistas, mas no socialismo como um todo. Essas massas de simpatizantes socialistas decepcionados s\u00e3o acompanhadas por grandes c\u00edrculos do proletariado, de trabalhadores que desistiram de sua f\u00e9 n\u00e3o apenas no socialismo, mas tamb\u00e9m em sua pr\u00f3pria classe.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Aspectos ideol\u00f3gicos do fascismo que amadurece em torno de Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>Das entranhas da crise econ\u00f4mica e social, fruto combinado da repulsa popular ao sistema pol\u00edtico desacreditado e das necessidades do grande capital; fortaleceu-se uma alternativa radicalizada de extrema direita: o bolsonarismo. Se aproveitando dos preconceitos mais difundidos entre o povo, essa for\u00e7a pol\u00edtica busca organizar sob as bandeiras do grande capital as massas de pequenos propriet\u00e1rios e trabalhadores.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os principais tra\u00e7os desse proto-fascismo brasileiro?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, o n\u00facleo duro do movimento em torno do capit\u00e3o dos empres\u00e1rios consiste precisamente nos bandos mais reacion\u00e1rios e violentos, al\u00e9m do apoio de parcela significativa do generalato. Bolsonaro unifica os grupelhos neonazistas aos bandos armados empregados pelos ruralistas, clubes de tiro reacion\u00e1rios e toda tipo de mil\u00edcia e grupo de exterm\u00ednio; todos sob a bandeira de um partido pol\u00edtico, o PSL (que, num reviravolta, se tornou o segundo maior da C\u00e2mara. Contra o risco de um impeachment, Bolsonaro escolheu sua arma sabiamente: um vice-presidente general.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, se Bolsonaro n\u00e3o disp\u00f5e, como dispunham os fascistas do s\u00e9culo passado, de grandes sindicatos fascistas que permitam a liga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos seus \u201ccorpos de combate\u201d \u00e0s massas; por outro lado ele disp\u00f5e ao menos do apoio de in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es religiosas, que legitimam ideologicamente seu discurso \u201ctradicionalista\u201d de apoio \u00e0 viol\u00eancia reacion\u00e1ria. Ningu\u00e9m duvida do papel exercido pelos\u00a0pastores charlat\u00e3es\u00a0na arregimenta\u00e7\u00e3o dos votos do PSL. Vale lembrar, al\u00e9m disso, um ensaio muito mais ousado da Igreja Universal nesta dire\u00e7\u00e3o: as suas tropas de \u201cGladiadores do Altar\u201d de natureza amb\u00edgua.<\/p>\n<p>Marchando em meio a este carnaval da barb\u00e1rie, a fam\u00edlia real deposta empresta a Bolsonaro direto das fileiras monarquistas um\u00a0pr\u00edncipe deputado; e o integralismo empresta, muito mais importante, sua palavra de ordem: \u201cDeus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>No lugar da demagogia nacional-social corporativista, Bolsonaro mescla charlatanismo religioso conservador e uma ret\u00f3rica anticorrup\u00e7\u00e3o que, na verdade, serve apenas como ve\u00edculo da populariza\u00e7\u00e3o de uma agenda economicamente liberal ao extremo. Esse elemento \u00e9 um dos argumentos recorrentes para refutar o car\u00e1ter fascista de Bolsonaro: o fascismo seria estatista, enquanto Bolsonaro \u00e9 um ultraliberal.<\/p>\n<p>Esse argumento est\u00e1 duplamente equivocado. Primeiramente, se \u00e9 verdade que o fascismo cl\u00e1ssico atendeu, no essencial, aos interesses espec\u00edficos do capital financeiro monopolista por meio de uma pol\u00edtica estatista; isso n\u00e3o significa que a mesma pol\u00edtica estatista corresponderia aos interesses gerais do imperialismo, ou mesmo dos capitais monopolistas que atuam sobre o Brasil, em nossa \u00e9poca. Muito ao contr\u00e1rio, em nossos dias, diante da crise sist\u00eamica do capitalismo, a palavra de ordem desses grupos \u00e9 precisamente o anti-estatismo, sob o qual se justifica o saque aos fundos p\u00fablicos (por meio das pol\u00edticas de austeridade que salvaguardam as presta\u00e7\u00f5es aos credores d\u00edvidas p\u00fablicas) e a acumula\u00e7\u00e3o mediante a expropria\u00e7\u00e3o de direitos e bens p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Mas, ainda que essa hip\u00f3tese n\u00e3o fosse pertinente, mesmo assim o \u201canti-estatismo\u201d de Bolsonaro n\u00e3o deveria ser levado a s\u00e9rio demais. N\u00e3o s\u00f3 porque se trata desse incr\u00edvel liberalismo econ\u00f4mico conjugado a um clamor por maior policiamento, mais penas, mais repress\u00e3o de Estado. Tamb\u00e9m porque, como lembra\u00a0Mauro Iasi:<\/p>\n<p>\u201cProgramaticamente aponta para o que tem se chamado de &#8216;ultraliberalismo&#8217;, mas que, parodiando L\u00eanin, poder\u00edamos chamar de &#8216;ultrabobagens&#8217; que nem mesmo os mais neoliberais com ainda alguma capacidade de intelec\u00e7\u00e3o acreditam ser vi\u00e1veis.\u00a0\u00a0Isto \u00e9, coisas como realizar a total privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os oferecidos pelo Estado, implementar uma simplifica\u00e7\u00e3o grosseira do imposto de renda com porcentagens iguais diante de uma realidade de profunda desigualdade de rendimentos e rendas da popula\u00e7\u00e3o, levar a cabo o desmonte das universidades federais do ensino p\u00fablico gratuito, dotar o famigerado movimento \u201cescola sem partido\u201d de retaguarda legal para operar uma cruzada de persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e obscurantismo no sistema educacional, eliminar todos aos \u201cativismos\u201d (sabemos o que isso significa) e acabar com o 13 sal\u00e1rio e do adicional de f\u00e9rias, entre outras sandices. [\u2026]<\/p>\n<p>[Mas] a hist\u00f3ria nos ensina que os verdadeiros planos aparecem depois da solu\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. [\u2026] Podemos ver esse processo mesmo nos cl\u00e1ssicos casos do nazi-fascismo europeu, quando a ret\u00f3rica nacionalista e a cr\u00edtica ao grande capital se transformou na alian\u00e7a pr\u00e1tica do capital financeiro e monopolista com o nazismo e o fascismo. [&#8230;]<\/p>\n<p>A extrema direita \u00e9 um instrumento do grande capital que lan\u00e7a m\u00e3o da barb\u00e1rie para salvar sua civiliza\u00e7\u00e3o diante do risco da democracia. Seu m\u00e9todo, como j\u00e1 discut\u00edamos em outra oportunidade, \u00e9 a estigmatiza\u00e7\u00e3o do inimigo, a manipula\u00e7\u00e3o dos valores da Na\u00e7\u00e3o, da fam\u00edlia, da moral, do perigo comunista, deslocando a responsabilidade pela crise e seus efeitos para os ombros de seus advers\u00e1rios. Por isso, n\u00e3o nos espanta que a mentira seja a principal arma pol\u00edtica daqueles que defendem os interesses de uma minoria e precisam do apoio das massas para suas aventuras. N\u00e3o foi o Facebook nem o WhatsApp que criou o fen\u00f4meno. Ainda que esses dispositivos sejam ve\u00edculos eficientes da mentira e das falsifica\u00e7\u00f5es, a \u2018propaganda\u2019 \u00e9 reconhecidamente um instrumento do fascismo, pois a verdade os destr\u00f3i como a luz aos vampiros.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como combater o fascismo?<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da luta antifascista apresenta diversos exemplos, antigos e recentes, de como\u00a0enfrentar\u00a0o fascismo. Por isso, para a milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria, a palavra de ordem que melhor resume nossa tarefa permanente, uma tarefa que se faz a cada dia mais urgente, \u00e9 \u201c<em>Organizar, estudar, agitar<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 estreitando cada vez mais os la\u00e7os pr\u00e1ticos e cotidianos entre todas as for\u00e7as populares antifascistas ser\u00e1 poss\u00edvel organizar uma defensiva e um combate coletivo a essa amea\u00e7a crescente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso estudar e difundir a experi\u00eancia hist\u00f3rica de luta das camadas oprimidas. Enquanto desenvolvemos nossa agita\u00e7\u00e3o alertando o povo contra a amea\u00e7a que representa a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, nos preparemos para combater o fascismo para\u00a0<em>al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0\u2013 j\u00e1 que, mesmo se derrotado nas urnas presidenciais, o fascismo seguir\u00e1 atuando e atacando, em maior ou menor grau.<\/p>\n<p>A ofensiva das for\u00e7as reacion\u00e1rias marcar\u00e1 a pr\u00f3xima d\u00e9cada da luta pol\u00edtica no Brasil. \u00c9 preciso firmeza e disposi\u00e7\u00e3o para n\u00e3o apenas ceder diante de sua viol\u00eancia, e mobilizar contra esse terror reacion\u00e1rio a ampla maioria do povo explorado e oprimido.<\/p>\n<p>Quando a crise se torna incontorn\u00e1vel, a esquerda deve ser capaz de ir \u00e0 raiz dos problemas a serem solucionados \u2013 em outras palavras, ser revolucion\u00e1ria. \u00c9 preciso paci\u00eancia e serenidade para lutar n\u00e3o s\u00f3 nos pr\u00f3ximos dias, sob a bandeira do desespero, mas pelos pr\u00f3ximos anos, sob a bandeira da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nenhuma rea\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte que n\u00e3o possa ser vencida pela luta de massas da classe trabalhadora e das parcelas oprimidas do povo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2018\/10\/17\/existe-fascismo-no-brasil-o-bolsonarismo-como-terror-e-ideologia\/\">Existe fascismo no Brasil? O bolsonarismo como terror e&nbsp;ideologia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21154\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[223],"class_list":["post-21154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5vc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}