{"id":21156,"date":"2018-10-21T18:07:22","date_gmt":"2018-10-21T20:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21156"},"modified":"2018-10-21T18:07:22","modified_gmt":"2018-10-21T20:07:22","slug":"o-servico-sujo-do-torturador-ustra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21156","title":{"rendered":"O servi\u00e7o sujo do torturador Ustra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistaforum.com.br\/digital\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Amelinha-Padre-Renzo-Rossi-Crimeia-Edson-e-Jana\u00edna-Rio-de-Janeiro-1975.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Grupo Tortura Nunca Mais\/RJ<\/p>\n<p>Esse molequinho de regata branca, meio que se escondendo atr\u00e1s da irm\u00e3, \u00e9 Edson Teles. Em 1972, poucos dias depois do Natal, seus pais foram presos e levados para o DOPS. No dia seguinte, a pol\u00edcia voltou em sua casa, e tirou ele e a irm\u00e3 das m\u00e3os de sua tia, que estava cuidando das crian\u00e7as, e levou at\u00e9 a sede do \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o pol\u00edtica Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes, no bairro do Para\u00edso, em S\u00e3o Paulo. Edson Teles tinha quatro anos de idade. Sua irm\u00e3 ia fazer seis.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as passaram dias na sede da OBAN, sendo levados para dormir \u00e0 noite na casa de uma agente da repress\u00e3o com quem nunca antes tinham tido contato. N\u00e3o lhes foi permitido se comunicar com a tia, nem com os pais. Exceto uma vez, quando Edson e a irm\u00e3 foram levados at\u00e9 uma sala onde seus pais estavam sendo torturados. Seu pai, rec\u00e9m-sa\u00eddo de um coma causado pelos espancamentos, mal estava consciente. Sua m\u00e3e estava amarrada em uma cadeira, nua, recoberta pelo pr\u00f3prio sangue e fezes ap\u00f3s sofrer horas de tortura. As crian\u00e7as n\u00e3o a reconheceram a princ\u00edpio: seu rosto estava desfigurado por hematomas. Ap\u00f3s entender que aquela era sua m\u00e3e, Edson perguntou &#8220;por que voc\u00ea t\u00e1 azul e o papai t\u00e1 verde?&#8221;<\/p>\n<p>Edson e sua irm\u00e3 foram despachados ent\u00e3o para a casa de parentes simp\u00e1ticos \u00e0 ditadura, em Minas Gerais. L\u00e1 sofreram maus tratos e abuso psicol\u00f3gico. O trauma dos dias na OBAN e de ter visto os pais torturados perdurou por muito mais tempo. Anos depois, as crian\u00e7as ainda se escondiam quando ouviam a campainha de casa tocar.<\/p>\n<p>O caso deles n\u00e3o foi o \u00fanico. Nem foi o pior. Carlos Alexandre de Azevedo tinha um ano e oito meses quando foi levado ao DOPS. Ele foi torturado na frente da m\u00e3e para for\u00e7\u00e1-la a entregar informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinha. Teve sequelas pelo resto da vida. Em 2013, cometeu suic\u00eddio.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela tortura dos pais de Edson, de Carlos, e de muitos outros, al\u00e9m da tortura psicol\u00f3gica feita em Edson e na irm\u00e3o, foi o Coronel Carlos Brilhante Ustra, falecido em 2015. Em seu pr\u00f3prio livro, &#8220;Rompendo o Sil\u00eancio&#8221;, o Coronel reconheceu os fatos que narrei, embora tenha suprimido os nomes de suas v\u00edtimas. Em mais de uma oportunidade, ap\u00f3s a morte do coronel, o ent\u00e3o deputado Jair Bolsonaro homenageou o torturador confesso. Em uma ocasi\u00e3o, o chamou de &#8220;her\u00f3i&#8221;. Dedicou a ele seu voto durante o impeachment da Dilma, televisionado em cadeia nacional. Ainda esse ano, seu filho caminhou pelo Congresso e postou foto no Instagram exibindo uma camiseta onde estava escrito: &#8220;Ustra Vive&#8221;.<\/p>\n<p>Dia 28 de outubro, voc\u00ea ter\u00e1 muitas escolhas a fazer. Algumas, dif\u00edceis e desagrad\u00e1veis. Uma delas \u00e9 n\u00e3o ajudar a eleger um homem que celebra e admira um confesso torturador de crian\u00e7as, mandante de assassinatos e estupros. \u00c9 entre voc\u00ea e sua consci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21156\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[228],"class_list":["post-21156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ve","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}