{"id":21188,"date":"2018-10-25T05:56:10","date_gmt":"2018-10-25T07:56:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21188"},"modified":"2018-10-25T05:56:10","modified_gmt":"2018-10-25T07:56:10","slug":"transexuais-sao-assassinadas-sob-gritos-de-bolsonaro-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21188","title":{"rendered":"Transexuais s\u00e3o assassinadas sob gritos de \u201cBolsonaro presidente&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1923\/31655651978_8cce17ce6b_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>Para ativistas, discurso de \u00f3dio do presidenci\u00e1vel chancela os crimes. Foram 3 casos nas \u00faltimas semanas<\/b><\/p>\n<p>Lu Sudr\u00e9<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Nestas elei\u00e7\u00f5es, tr\u00eas transexuais j\u00e1 foram assassinadas a facadas por eleitores e apoiadores de\u00a0Jair Bolsonaro. A primeira delas foi Priscila, morta no Largo do Arouche, centro de S\u00e3o Paulo, na madrugada de 16 de outubro. Em entrevista cedida \u00e0\u00a0Ponte Jornalismo, uma testemunha, que preferiu n\u00e3o se identificar, declarou que ouviu gritos em apoio ao\u00a0candidato do PSLna hora do crime.<\/p>\n<p>\u201cEu abri a janela e consegui ver que tinha umas quatro ou cinco pessoas discutindo na frente do bar. Estavam gritando, chamando de prostituta, vagabunda, agress\u00f5es verbais que n\u00e3o lembro. E ouvi, sim, o nome de Bolsonaro nessa hora, de \u2018Bolsonaro presidente\u2019, essas coisas\u201d, relatou a fonte. \u201cNo meio da briga, ouvi \u2018com Bolsonaro presidente, a ca\u00e7a aos &#8216;veados&#8217; vai ser legalizada&#8217;\u201d, disse outra testemunha. A travesti foi levada at\u00e9 a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, no centro da cidade, mas n\u00e3o resistiu.<\/p>\n<p>Dois dias depois, Laysa Fortuna,\u00a0mulher transexual de 25 anos, foi esfaqueada na regi\u00e3o do t\u00f3rax, na noite de 18 de outubro, em Aracaju (SE). Os que estavam pr\u00f3ximos no momento afirmam que o agressor dizia que, se Bolsonaro fosse eleito presidente, todas as pessoas trans e travestis seriam mortas.<\/p>\n<p>O ferimento de Laysa provocou hemorragia, o que a levou a ter uma parada card\u00edaca no dia seguinte. Apesar dos esfor\u00e7os da equipe m\u00e9dica do Hospital de Urg\u00eancia Sergipe (Huse), n\u00e3o foi poss\u00edvel reanim\u00e1-la.\u00a0 O agressor, identificado como Alex da Silva Cardoso, chegou a ser detido, mas posteriormente foi liberado.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia foi tipificada como les\u00e3o corporal leve, por\u00e9m, ap\u00f3s a den\u00fancia de ativistas LGBTs que procuraram o Departamento de Atendimento a Grupos Vulner\u00e1veis (DAGV), a pris\u00e3o de Alex foi decretada e qualificada como homic\u00eddio. Ele est\u00e1 foragido.<\/p>\n<p>Com requintes ainda maiores de crueldade, no dia 21 de outubro, a travesti Kharoline foi assassinada em Santo Andr\u00e9, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Ela foi ferida com facadas na regi\u00e3o da virilha por um grupo de homens. De acordo com o coletivo LGBT Arouchianos, que organizava um ato em mem\u00f3ria de Laysa e Priscila no momento em que Kharoline foi assassinada, tamb\u00e9m h\u00e1 relatos de que os criminosos exaltaram a figura de Bolsonaro.<\/p>\n<p>Segundo Helcio Beuclair, coordenador pol\u00edtico do\u00a0Coletivo Arouchianos, h\u00e1 uma grande articula\u00e7\u00e3o dos\u00a0ativistas LGBTs\u00a0para cobrar uma investiga\u00e7\u00e3o severa dos casos.<\/p>\n<p>&#8220;Depois que o candidato Jair Bolsonaro ganhou uma proje\u00e7\u00e3o nacional no segundo turno, os discursos dele chancelam mais express\u00f5es de \u00f3dio e ataques baseados no \u00f3dio contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT. Assim como o racismo, como foi o caso de Moa de Katend\u00ea, assinado em Salvador. Quando ele fala que vai combater a ideologia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 o g\u00eanero dele, o masculino, e nem o da mulher dele, o feminino, vai combater aquilo que ele v\u00ea como aberra\u00e7\u00e3o, nas palavras dele inclusive, que s\u00e3o as pessoas trans\u201d, diz Beuclair.<\/p>\n<p>Para Keila Simpson, presidenta da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a candidatura de Bolsonaro \u00e9 forjada em um discurso de \u00f3dio e de ataque, mas n\u00e3o prop\u00f5e nada. Apesar do receio com a possibilidade de sua elei\u00e7\u00e3o, ela declara que as LGBTs n\u00e3o t\u00eam medo e continuar\u00e3o resistindo.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que ele nunca tivesse falado qualquer coisa que refletisse negativamente na popula\u00e7\u00e3o trans, j\u00e1 seria uma amea\u00e7a porque \u00e9 uma candidatura que n\u00e3o tem plano de governo, \u00e9 uma candidatura que n\u00e3o abre di\u00e1logo. \u00c9 uma candidatura que se forjou com\u00a0<em>fake news\u00a0<\/em>e com o discurso pautado em uma m\u00eddia que nunca faz uma cobertura imparcial\u201d, critica Simpson.<\/p>\n<p>&#8220;Essas pessoas que est\u00e3o violentando, matando, esfaqueando, machucando as pessoas, est\u00e3o alimentados por esse discurso que o candidato tem e teve durante toda sua carreira pol\u00edtica de 27 anos sem fazer absolutamente nenhum projeto interessante. Isso resulta exatamente na naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que vemos no Brasil polarizado\u201d.<\/p>\n<p>A presidenta da Antra destaca que a popula\u00e7\u00e3o trans est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade e n\u00e3o possuem leis que garantam seus direitos. Para ela, os assassinos de pessoas trans cometem o crime pela garantia da inimputabilidade e pela falta de investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tratada como prioridade pelo Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia cotidiana<\/p>\n<p>Levantamento feito pela Antra\u00a0revelou que 179 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2017, o que, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o, coloca o Brasil na lideran\u00e7a no ranking mundial de assassinatos de travestis e transexuais.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas de 2018 s\u00e3o ainda piores. Somente no primeiro semestre, houve 86 assassinatos, \u00a0que envolveram, em sua maioria, v\u00edtimas do g\u00eanero feminino, negras e prostitutas em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Houve ainda 29 tentativas de assassinato, 7 casos de suic\u00eddio noticiados pela m\u00eddia e 33 casos de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Erika Hilton, travesti eleita para a Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, ressalta que a estrutura transf\u00f3bica da sociedade precede a ascens\u00e3o pol\u00edtica de Bolsonaro, j\u00e1 que mulheres trans, principalmente, s\u00e3o agredidas todos os dias no pa\u00eds, independente da figura do candidato do PSL em destaque.<\/p>\n<p>No entanto, para a deputada estadual, \u00e9 ineg\u00e1vel que Bolsonaro impulsiona ainda mais os epis\u00f3dios de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAgora eles encontraram um l\u00edder, um \u2018Deus\u2019 para seguir. Agora eles matam em nome de algu\u00e9m. Tem uma motiva\u00e7\u00e3o porque o pensamento transf\u00f3bico est\u00e1 legitimado pelo Estado e esse \u00e9 o grande problema. Nosso medo tamb\u00e9m \u00e9 pela legitimidade que o Estado dar\u00e1 \u00e0 sociedade de matar, de estuprar, de violentar e de agredir esses corpos\u201d<\/p>\n<p>A reportagem solicitou posicionamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo sobre o assassinato de Priscila e Kharoline, mas ainda n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Diego Sartorato<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: O Coletivo Arouchianos realizou ato em mem\u00f3ria de Priscila e Laysa. Foto: Coletivo Arouchianos<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.<wbr \/>br\/2018\/10\/24\/transexuais-sao-<wbr \/>assassinadas-sob-gritos-de-<wbr \/>bolsonaro-presidente\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21188\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[225],"class_list":["post-21188","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5vK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21188"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21188\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}