{"id":21267,"date":"2018-10-31T22:21:26","date_gmt":"2018-11-01T00:21:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21267"},"modified":"2018-10-31T22:21:26","modified_gmt":"2018-11-01T00:21:26","slug":"o-laco-de-paulo-guedes-com-os-chicago-boys-do-chile-de-pinochet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21267","title":{"rendered":"O la\u00e7o de Paulo Guedes com os \u2018Chicago boys\u2019 do Chile de Pinochet"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep00.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/10\/30\/america\/1540925012_110097_1540925607_rrss_normal.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>EL PA\u00cdS &#8211; BRASIL<\/b><\/p>\n<p>ROC\u00cdO MONTES<\/p>\n<p><b>C\u00e9rebro econ\u00f4mico de Bolsonaro viveu no Chile na d\u00e9cada de oitenta, quando conheceu de perto as reformas implementadas pela ditadura.<\/b><\/p>\n<p>O presidente eleito do Brasil,\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0\u2013 admirador declarado de\u00a0Augusto Pinochet\u00a0\u2013 ter\u00e1\u00a0<strong>Paulo Guedes<\/strong>\u00a0como um superministro da Economia. Guedes anunciou nesta ter\u00e7a-feira, 30, que sua pasta ser\u00e1 uma fus\u00e3o dos minist\u00e9rios da Fazenda, do Planejamento e da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior. Trata-se de um velho conhecido dos economistas chilenos que impulsionaram o programa econ\u00f4mico ultraliberal na ditadura (1973-1990). Em seus estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Chicago, onde o homem-forte era\u00a0Milton Friedman, pai intelectual dos\u00a0<em>Chicago Boys<\/em>, Guedes estreitou la\u00e7os com v\u00e1rios estudantes chilenos que depois viriam a ter pap\u00e9is relevantes no regime militar.<\/p>\n<p>Um deles foi Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Or\u00e7amento do regime de Pinochet, que no come\u00e7o da d\u00e9cada de oitenta comandou a Faculdade de Economia e Neg\u00f3cios da Universidade do Chile, a institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica p\u00fablica mais antiga e importante do pa\u00eds. Foi a convite dele que Guedes aterrissou nesse centro de estudos para trabalhar como pesquisador e acad\u00eamico, assim como fizeram na mesma \u00e9poca Robert Mundell e Edmund Phelps \u2013 conforme informou a revista chilena\u00a0<em>Capital<\/em>\u00a0\u2013, que receberam o\u00a0Nobel de Economia\u00a0em 1999 e 2006, respectivamente.<\/p>\n<p>\u201cEntendo que esteve por aqui, na Universidade do Chile. N\u00e3o sei se foi durante anos ou um trimestre\u201d, disse, ao jornal chileno\u00a0<em>La Tercera<\/em>, Rolf Luders, da primeira gera\u00e7\u00e3o dos\u00a0<em>Chicago boys<\/em>, um de seus principais expoentes, ministro da Fazenda e da Economia, Fomento e Reconstru\u00e7\u00e3o entre 1982 e 1983. Em setembro passado, o economista Ricardo Paredes escreveu no Twitter: \u201cEconomista-chefe de Bolsonaro, Paulo Guedes, \u00e9 PhD de Chicago e trabalhou no Departamento de Economia da Universidade do Chile por volta do come\u00e7o dos anos oitenta. Recordo-o como\u00a0<em>un capo<\/em>\u00a0[um craque], embora assim como Bolsonaro seja aterrorizante\u201d.<\/p>\n<p>O jornalista chileno Cristi\u00e1n Bofill, especialista em pol\u00edtica brasileira, conta que, \u201cquando Guedes voltou de Chicago para o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0com seu doutorado, se sentiu marginalizado no Brasil. Os economistas que tinham a hegemonia naquele momento n\u00e3o lhe deram nem as posi\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas nem os cargos no Governo que ele sentia que merecia. Ent\u00e3o, nos anos oitenta vem para o Chile, onde \u00e9 recrutado por Selume. Queria conhecer em primeira m\u00e3o as reformas que os\u00a0<em>Chicago boys<\/em>\u00a0estavam promovendo no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Bofill, tudo indica que o projeto de Guedes sempre foi fazer no Brasil o que foi feito no Chile pelo economista Sergio de Castro, assessor da Junta Militar a partir de 1973, depois ministro da\u00a0Economia\u00a0e da Fazenda e o principal art\u00edfice da implanta\u00e7\u00e3o do modelo junto com os outros economistas de Chicago: \u201cPegar um pa\u00eds med\u00edocre economicamente, meter-lhe reformas de vi\u00e9s neoliberal, fazer que o pa\u00eds tenha um impulso e, no final, o que \u00e9 o mais vitorioso, que seus pr\u00f3prios advers\u00e1rios assumam o modelo, como fez, com a chegada da\u00a0democracia, a Concerta\u00e7\u00e3o de centro-esquerda\u201d.<\/p>\n<p>Quando Guedes chegou a Santiago, \u201cera o melhor momento dos\u00a0<em>Chicago boys<\/em>\u201d, relata a jornalista Carola Fontes, que junto a Rafael Valdeavellano lan\u00e7ou em 2015 o filme hom\u00f4nimo, no qual os pr\u00f3prios protagonistas das reformas de Pinochet relatam as transforma\u00e7\u00f5es que promoveram no Chile e seu legado vigente at\u00e9 a atualidade. A diretora de\u00a0<em>Chicago Boys<\/em>\u00a0relata que,\u00a0no come\u00e7o da ditadura, eles ocuparam cargos secund\u00e1rios de assessores t\u00e9cnicos. Em mar\u00e7o de 1975, entretanto, Friedman visitou o Chile: \u201cFoi quando convence a Pinochet e lhe diz a famosa frase de que as medidas devem ser tomadas de forma radical, porque \u00e9 melhor cortar o rabo do cachorro de uma s\u00f3 vez do que em pedacinhos\u201d.<\/p>\n<p>Pinochet, como a maioria dos militares chilenos da \u00e9poca, era por principio estatista e olhava com desconfian\u00e7a para esse grupo de tecnocratas. Mas logo depois da conversa com Friedman decidiu dar espa\u00e7o aos\u00a0<em>Chicago boys<\/em>\u00a0para que assumissem o comando da economia chilena. \u201cA partir desse momento, come\u00e7aram a ocupar as primeiras linhas de minist\u00e9rios e de diversas institui\u00e7\u00f5es, como o Banco Central, por isso era f\u00e1cil para eles tomar as decis\u00f5es. N\u00e3o havia nenhum tipo de oposi\u00e7\u00e3o a suas medidas radicais, que numa democracia n\u00e3o poderiam ter implementado\u201d, afirma Fontes.<\/p>\n<p>No filme\u00a0<em>Chicago boys<\/em>, Ricardo Ffrench-David, economista chileno formado em\u00a0Chicago, mas cr\u00edtico da ditadura e da gest\u00e3o de seus colegas de universidade, diz que \u201cas pol\u00edticas econ\u00f4micas de 1973 a 1982 foram um exemplo pioneiro de extremismo\u00a0neoliberal\u00a0no mundo\u201d. Fuentes as detalha: liberdade de pre\u00e7os, abertura econ\u00f4mica e redu\u00e7\u00e3o dos impostos, privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e redu\u00e7\u00e3o do Estado, junto com a doutrina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1982, os\u00a0<em>Chicago boys<\/em>\u00a0foram expulsos da primeira linha logo depois da desvaloriza\u00e7\u00e3o mundial do d\u00f3lar \u2013 em 1979, haviam determinado a fixa\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio \u2013, mas foram sucedidos por outros economistas que n\u00e3o alteraram em nada o modelo. Entre eles Jos\u00e9 Pi\u00f1era, irm\u00e3o do atual mandat\u00e1rio chileno, ministro de Pinochet e criador do sistema previdenci\u00e1rio chileno, baseado na capitaliza\u00e7\u00e3o individual. Implementou-a no come\u00e7o da d\u00e9cada de oitenta, justamente a \u00e9poca em que Guedes vivia e trabalhava no Chile.<\/p>\n<p>Bolsonaro gostaria de substituir o sistema previdenci\u00e1rio distributivo por outro de capitaliza\u00e7\u00e3o, seguindo o rastro do que foi feito no Chile de Pinochet.\u00a0Onyx Lorenzoni, seu poss\u00edvel ministro da Casa Civil, n\u00e3o oculta sua admira\u00e7\u00e3o pelo modelo que os\u00a0<em>Chicago boys<\/em>\u00a0chilenos implementaram: \u201cO Chile para n\u00f3s \u00e9 um exemplo de pa\u00eds que estabeleceu elementos macroecon\u00f4micos muito s\u00f3lidos, que lhe permitiram ser um pa\u00eds completamente diferente de toda a\u00a0Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0Paulo Guedes fala com jornalistas antes de uma reuni\u00e3o com o presidente-eleito Jair Bolsonaro, no RioREUTERS<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/30\/politica\/1540925012_110097.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21267\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[225],"class_list":["post-21267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5x1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}