{"id":213,"date":"2008-11-24T09:19:32","date_gmt":"2008-11-24T12:19:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=213"},"modified":"2017-08-25T00:38:19","modified_gmt":"2017-08-25T03:38:19","slug":"a-esquerda-e-a-solidariedade-as-lutas-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/213","title":{"rendered":"A ESQUERDA E A SOLIDARIEDADE \u00c0S LUTAS NA AM\u00c9RICA LATINA"},"content":{"rendered":"\n<p>A maioria desses setores n\u00e3o pode dar solidariedade conseq\u00fcente a Cuba, \u00e0 Venezuela e \u00e0 Bol\u00edvia, al\u00e9m de vagas declara\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas. Est\u00e3o atrelados ao governo brasileiro que, na arena internacional, se move pelo pragmatismo, \u00e0 busca de mercados e investidores, e pela obsess\u00e3o de obter uma cadeira permanente no Conselho de Seguran\u00e7a do ONU.<\/p>\n<p>Mas a vacila\u00e7\u00e3o na solidariedade internacionalista n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio da esquerda governista. Tanto na base de sustenta\u00e7\u00e3o como na oposi\u00e7\u00e3o a Lula h\u00e1 personalidades de esquerda que, embora falem genericamente de &#8220;socialismo&#8221;, n\u00e3o passam de reformistas. Fazem quest\u00e3o de se distinguirem dos comunistas, passando-se por uma &#8220;nova esquerda&#8221; ou &#8220;esquerda democr\u00e1tica&#8221;. Em verdade, o ide\u00e1rio dessas personalidades n\u00e3o ultrapassa as bandeiras (&#8220;republicanas&#8221;, para usar uma express\u00e3o da moda) da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa: igualdade, liberdade e fraternidade, hoje sintetizadas numa palavra m\u00e1gica: cidadania. A principal diverg\u00eancia entre eles \u00e9 a quest\u00e3o da \u00e9tica. Como a disputa eleitoral \u00e9 seu principal campo de luta e o mandato o principal instrumento, n\u00e3o podem contrariar o que imaginam ser o sentimento do eleitor brasileiro e muito menos a grande m\u00eddia, para n\u00e3o perder votos e espa\u00e7o. N\u00e3o remam contra a mar\u00e9! Se a Bol\u00edvia nacionaliza interesses da Petrobr\u00e1s ou se a Venezuela n\u00e3o renova a concess\u00e3o de uma emissora golpista, n\u00e3o podemos contar com a solidariedade deles.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o podemos deixar de criticar tamb\u00e9m os &#8220;esquerdistas&#8221;, t\u00e3o bem definidos por L\u00eanin, em &#8220;O esquerdismo: a doen\u00e7a infantil do comunismo&#8221;.<\/p>\n<p>Como o processo revolucion\u00e1rio, tanto na Venezuela como na Bol\u00edvia, ainda \u00e9 de car\u00e1ter popular-democr\u00e1tico e n\u00e3o socialista, alguns setores &#8220;esquerdistas&#8221; se colocam em oposi\u00e7\u00e3o aos governos desses pa\u00edses, caracterizando-os, irresponsavelmente, de &#8220;burgueses&#8221;. Imaginam o advento do car\u00e1ter socialista de um processo revolucion\u00e1rio como um ato de vontade, um decreto unilateral de governo, sem entender que a luta de classe n\u00e3o \u00e9 um processo linear, at\u00e9 porque a burguesia resiste com as poderosas armas econ\u00f4micas, pol\u00edticas, midi\u00e1ticas e estatais de que disp\u00f5e, para manter o poder, que jamais entrega de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Essas vis\u00f5es esquerdistas, que vicejam na pequena-burguesia radicalizada, n\u00e3o conseguem enxergar as diferen\u00e7as entre o Brasil e esses pa\u00edses, como o grau de desenvolvimento do capitalismo. Enquanto no Brasil ele \u00e9 complexo e desenvolvido (a oitava economia do mundo), na Venezuela e na Bol\u00edvia as grandes empresas s\u00e3o basicamente estatais ligadas \u00e0 ind\u00fastria petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos conciliar com esses setores voluntaristas, esquem\u00e1ticos e sect\u00e1rios, que confundem suas vontades com a realidade, acham-se os \u00fanicos revolucion\u00e1rios, t\u00eam uma f\u00f3rmula m\u00e1gica para a revolu\u00e7\u00e3o mundial e s\u00f3 acreditam em processos em que a corrente a que pertencem seja hegem\u00f4nica, aqui ou em outro pa\u00eds. S\u00e3o os mesmos que nunca deram solidariedade a Cuba e sempre fizeram coro com o imperialismo, na cantilena de que ali existe um regime &#8220;totalit\u00e1rio e burocr\u00e1tico&#8221;. Enquanto existia a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, pod\u00edamos at\u00e9 entender a cr\u00edtica que vinha dessa esquerda, embora j\u00e1 n\u00e3o concord\u00e1ssemos. Era a acusa\u00e7\u00e3o de que Cuba era um &#8220;sat\u00e9lite&#8221;. Mas e agora? Sat\u00e9lite de quem? \u00c9 \u00f3bvio que o socialismo s\u00f3 sobrevive e avan\u00e7a em Cuba (enfrentando agress\u00e3o e bloqueio e resistindo ao fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica), pelo fato de ser defendido com garra pelo povo cubano e por se tratar de uma democracia popular.<\/p>\n<p>Hoje, na quest\u00e3o internacional, os &#8220;direitistas&#8221; e &#8220;esquerdistas&#8221; acabam cumprindo o mesmo papel, apesar do discurso diferenciado. Por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, fazem o jogo da burguesia, que se ocupa de satanizar os processos revolucion\u00e1rios que ocorrem na Venezuela e na Bol\u00edvia e, em menor escala, no Equador e na Nicar\u00e1gua. Toda a grande m\u00eddia brasileira manipula diariamente os acontecimentos nesses pa\u00edses, sem que muitas representa\u00e7\u00f5es de esquerda fa\u00e7am o contraponto necess\u00e1rio!<\/p>\n<p>O caso da RCTV \u00e9 emblem\u00e1tico. Chavez esperou pacientemente, durante anos, at\u00e9 esgotar-se o prazo de concess\u00e3o da emissora que foi o instrumento principal de um golpe de estado contra ele e que continuava manipulando escandalosamente os fatos. Agindo rigorosamente dentro da lei, o governo venezuelano n\u00e3o renovou a concess\u00e3o, pr\u00e1tica comum em v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive nos EUA.<\/p>\n<p>Diante da campanha orquestrada contra a Venezuela, os setores vacilantes da esquerda se calam e alguns &#8220;esquerdistas&#8221; se unem \u00e0 banda de m\u00fasica da direita, dando solidariedade \u00e0 RCTV! H\u00e1 at\u00e9 uma corrente pol\u00edtica que chega ao ponto de criticar a decis\u00e3o do governo venezuelano, apropriando-se de cita\u00e7\u00f5es de Trotsky a respeito da liberdade de imprensa, do in\u00edcio do s\u00e9culo passado, quando n\u00e3o havia nem jornais de massa nem r\u00e1dios, que dir\u00e1 as grandes redes de televis\u00e3o da burguesia que entram na casa de todos, disputando (e ganhando) as mentes e os cora\u00e7\u00f5es das amplas massas!<\/p>\n<p>Neste quadro, \u00e9 grande a responsabilidade de todos os verdadeiros internacionalistas: est\u00e1 mais do que na hora de organizarmos um amplo movimento de solidariedade aos povos irm\u00e3os da Am\u00e9rica Latina. Com independ\u00eancia pol\u00edtica, para podermos criticar o que nos parecer equivocado, e conjugando a solidariedade internacional com a luta para construir, em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds, uma sociedade justa, fraterna, livre e soberana.<\/p>\n<p>* Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio-Geral do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nIvan Pinheiro*\nMesmo pessoas progressistas e bem informadas acham que quem \u00e9 de esquerda \u00e9 &#8220;esquerdista&#8221;. Faz sentido, pois chamamos de &#8220;direitista&#8221; quem \u00e9 de direita.\nMas no campo da esquerda, em fun\u00e7\u00e3o da grande diversidade de id\u00e9ias e posi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 os &#8220;direitistas&#8221; e os &#8220;esquerdistas&#8221;, conforme o nosso jarg\u00e3o. Vejamos, como exemplo, a posi\u00e7\u00e3o de alguns setores da esquerda brasileira frente ao processo de lutas por que passam alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.\nOs &#8220;direitistas&#8221; s\u00e3o aqueles que nunca enxergam (ou n\u00e3o querem enxergar) qualquer raio de luz do socialismo no escuro t\u00fanel da hegemonia burguesa. Amortecem a luta de classe, iludem as massas. Acham que \u00e9 poss\u00edvel reformar e humanizar o capitalismo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/213\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3r","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}