{"id":21305,"date":"2018-11-05T23:02:13","date_gmt":"2018-11-06T01:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21305"},"modified":"2018-11-05T23:02:13","modified_gmt":"2018-11-06T01:02:13","slug":"brasil-fascismo-e-a-ala-esquerda-do-neoliberalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21305","title":{"rendered":"Brasil, Fascismo e a Ala Esquerda do Neoliberalismo\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/uziiw38pmyg1ai60732c4011-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/dropzone\/2018\/10\/35782367164_5faa8a4741_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/strong>Rob Urie &#8211;\u00a0ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Com a vit\u00f3ria de Jair Bolsonaro nas elei\u00e7\u00f5es para a presid\u00eancia do Brasil, tornou-se indiscut\u00edvel a exist\u00eancia de um ressurgimento global da direita radical. O sr. Bolsonaro &#8211; ao mesmo tempo politicamente repressivo e culturalmente intolerante &#8211; \u00e9 um representante particularmente hediondo desse movimento. A interroga\u00e7\u00e3o que a imprensa burguesa vem colocando \u00e9: que doen\u00e7a psicol\u00f3gica se vem manifestando, que poderia persuadir os votantes a eleger semelhante indiv\u00edduo?<\/p>\n<p>Um tal enquadramento coloca este ressurgimento como inexplic\u00e1vel, como o resultado de uma falha fundamental da democracia: os eleitores. Da\u00ed para baixo \u00e9 distribu\u00edda uma ladainha de falhas. Uma vez que o sr. Bolsonaro \u00e9 politicamente repressivo e culturalmente intolerante, o eleitorado deve desejar repress\u00e3o pol\u00edtica e intoler\u00e2ncia cultural. Uma vez que o sr. Bolsonaro \u00e9 mis\u00f3gino e homof\u00f3bico, os eleitores devem ser mis\u00f3ginos e homof\u00f3bicos.<\/p>\n<p>Ausente das explica\u00e7\u00f5es para a ascens\u00e3o do sr. Bolsonaro est\u00e1 que, na \u00faltima d\u00e9cada, o Brasil atravessou a pior recess\u00e3o econ\u00f4mica da sua hist\u00f3ria (gr\u00e1fico abaixo). Catorze milh\u00f5es de brasileiros em idade ativa, anteriormente empregados, est\u00e3o agora no desemprego. Tal como sucedeu nos EUA e na Europa perif\u00e9rica desde 2008, a resposta liberal foi a austeridade, enquanto a classe dominante brasileira ficava mais rica e politicamente mais poderosa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/uziiw38pmyg1ai60732c4011-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/dropzone\/2018\/10\/globaluriebrazil.jpg\" alt=\"imagem\" \/>&lt;Gr\u00e1fico: O Brasil entrou em recess\u00e3o juntamente com boa parte do resto do mundo em 2008, no quadro da crise financeira global. Reentrou em recess\u00e3o em 2012 naquilo que veio a ser o maior retrocesso econ\u00f4mico na hist\u00f3ria do pa\u00eds. A resposta liberal, patrocinada por Wall Street e o FMI, foi uma d\u00e9cada de austeridade. Fonte: St. Louis Federal Reserve.<\/p>\n<p>Desde 2014, a d\u00edvida p\u00fablica brasileira subiu de 20% para 75%, proclama um preocupado FMI. Que uma parte significativa dessa subida seja resultado de uma queda do PIB em consequ\u00eancia da austeridade econ\u00f4mica comandada pela Wall Street e pelo FMI n\u00e3o \u00e9 mencionado. Uma d\u00e9cada de austeridade fez com que a Presidente liberal Dilma Rousseff fosse removida do cargo num processo que n\u00e3o pode ser designado sen\u00e3o como um putsch de Wall Street. Talvez Bolsonaro venha a dizer a Wall Street em que lugar (n\u00e3o) meter os seus empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>De volta aos EUA, toda a gente sabe que a liberaliza\u00e7\u00e3o da finan\u00e7a e do com\u00e9rcio nos anos 90 resultou de c\u00e1lculo pol\u00edtico. Que esta liberaliza\u00e7\u00e3o tenha sido e seja patrocinada por ambos os partidos dominantes sugere que talvez tal liberaliza\u00e7\u00e3o tenha servido certos interesses econ\u00f4micos. N\u00e3o importa que esses interesses tenham obtido o que queriam e no processo tenham rebentado com a economia. Se os problemas econ\u00f4micos resultam de c\u00e1lculos pol\u00edticos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica \u2013 eleger dirigentes melhores. Se eles s\u00e3o guiados por interesses econ\u00f4micos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 mudar a forma como as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas se organizam.<\/p>\n<p>Entre 1928 e 1932 a produ\u00e7\u00e3o industrial alem\u00e3 caiu 58%. Em 1933, seis milh\u00f5es de alem\u00e3es anteriormente empregados mendigavam nas ruas e vasculhavam o lixo \u00e0 procura de coisas para vender. A resposta liberal (Partido Socialista) foram meias medidas e austeridade. Dentro do quadro liberal, a Depress\u00e3o era um problema pol\u00edtico que seria encarado no plano da pol\u00edtica. A acomoda\u00e7\u00e3o centrista definia o quadro existente. Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha em 1933, no fundo do po\u00e7o da Grande Depress\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil do in\u00edcio-meados da d\u00e9cada de 2000, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, implementou um programa de esquerda que retirou da pobreza vinte milh\u00f5es de brasileiros. A economia brasileira teve uma breve recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o crash de Wall Street em 2008, antes que a d\u00edvida p\u00fablica fosse usada para for\u00e7ar a implementa\u00e7\u00e3o da austeridade. Dilma Rousseff capitulou, e o Brasil reentrou na recess\u00e3o. Cercado pela austeridade comandada pelo FMI e por Wall Street, qualquer governo liberal eleito viria a ter o mesmo destino que Rousseff.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia dos anos 20, o pagamento das d\u00edvidas de guerra da 1\u00aa Guerra Mundial conduziu a austeridade e recess\u00e3o que precedeu a ascens\u00e3o do chefe fascista Benito Mussolini. Na Alemanha, o pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es de guerra e o pagamento de empr\u00e9stimos industriais limitou a capacidade do governo de Weimar de dar resposta \u00e0 Grande Depress\u00e3o. Governos liberais que facilitaram a financeiriza\u00e7\u00e3o de economias industriais nos anos 20 acabaram como cobradores de d\u00edvidas na crise capitalista que se seguiu.<\/p>\n<p>Desde 2008, a estrutura fiscal da UE (Uni\u00e3o Europeia) combinada com rela\u00e7\u00f5es comerciais profundamente desequilibradas conduziu a uma d\u00e9cada de austeridade, recess\u00e3o e depress\u00e3o na periferia europeia. Nos EUA, por alturas de 2009, Wall Street pressionava por austeridade e cortes na Seguran\u00e7a Social e nos servi\u00e7os de sa\u00fade (Medicare) como necess\u00e1rios \u00e0 estabilidade fiscal. As consequ\u00eancias de quatro d\u00e9cadas de pol\u00edticas comerciais financeirizadas neoliberais n\u00e3o eram de nenhum modo distribu\u00eddas de forma igual. As rela\u00e7\u00f5es de classe internas e externas ficavam evidentes atrav\u00e9s de per\u00edodos de alta estreitamente distribu\u00eddos seguidos por per\u00edodos de quebra largamente distribu\u00eddos.<\/p>\n<p>Com o presum\u00edvel objetivo partilhado de p\u00f4r fim \u00e0 amea\u00e7a do fascismo<\/p>\n<p>As premissas ideol\u00f3gicas por detr\u00e1s da l\u00f3gica que assumem os fascistas com explica\u00e7\u00e3o do fascismo emergem do liberalismo. O termo \u00e9 aqui tomado no sentido descritivo. O liberalismo procede de posi\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas espec\u00edficas. No interior deste enquadramento temporal, um pouco de l\u00f3gica social: se os fascistas existiam j\u00e1, por que n\u00e3o existia j\u00e1 fascismo? A quest\u00e3o da op\u00e7\u00e3o entre combater fascistas e combater o fascismo depende da resposta a essa pergunta. O ponto de vista essencial \u00e9 que s\u00e3o as caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas dos fascistas que fazem deles fascistas. \u00c9 esta a base do racismo cient\u00edfico. E est\u00e1 impl\u00edcita na teoria fascista da ra\u00e7a.<\/p>\n<p>A teoria de um homem forte que explora pessoas que t\u00eam uma predisposi\u00e7\u00e3o no sentido do fascismo \u00e9 essencial no sentido de que a receptividade \u00e9 intr\u00ednseca, i.e., resulta da psicologia, da gen\u00e9tica, etc. O coment\u00e1rio liberal-de-esquerda dos \u00faltimos anos tem tendido no sentido do ponto de vista essencialista \u2013 que os fascistas nascem ou s\u00e3o de outro modo predispostos no sentido do fascismo. N\u00e3o \u00e9 tomado em considera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o-fascistas s\u00e3o igualmente determinados neste quadro. Se \u201cdeplor\u00e1veis\u201d fossem gerados desta forma, quatro d\u00e9cadas de neoliberalismo s\u00e3o absolvidas.<\/p>\n<p>O problema da analogia, a quest\u00e3o do que \u00e9 o fascismo e de como se relaciona o fascismo do s\u00e9c. XX com o do presente n\u00e3o pode ter resposta no quadro liberal. A ascens\u00e3o e queda da direita radical global tem sido epis\u00f3dica. Tem estado historicamente ligada ao desenvolvimento do capitalismo global num modelo centro-periferia de poder econ\u00f4mico assim\u00e9trico. A finan\u00e7a a partir do centro facilita a expans\u00e3o econ\u00f4mica at\u00e9 a crise financeira interromper o processo. Fica para os governos perif\u00e9ricos a tarefa de gerir o pagamento da d\u00edvida com economias em colapso.<\/p>\n<p>Globalmente, a d\u00edvida for\u00e7ou a converg\u00eancia de pol\u00edticas entre partidos pol\u00edticos de diferentes ideologias. Partidos europeus de centro-esquerda t\u00eam avan\u00e7ado com a austeridade mesmo quando a ideologia sugeriria o oposto. Em 2015, os autonomeados marxistas do Syriza grego capitularam perante as reclama\u00e7\u00f5es de austeridade e privatiza\u00e7\u00e3o dos seus credores, encabe\u00e7ados pela Alemanha. Mesmo Lenin negociou (em nome da R\u00fassia) com credores de Wall Street nos meses seguintes \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Num quadro pol\u00edtico, a solu\u00e7\u00e3o a partir de baixo \u00e9 eleger dirigentes e partidos cuja a\u00e7\u00e3o corresponda \u00e0 sua ret\u00f3rica.<\/p>\n<p>O problema pr\u00e1tico em fazer isto \u00e9 o poder dos credores. Aos devedores que rejeitam as d\u00edvidas s\u00e3o fechados os mercados de capitais. O poder de criar moeda que seja aceita em pagamento \u00e9 um privil\u00e9gio dos pa\u00edses centrais, que sucede serem tamb\u00e9m credores. A expans\u00e3o capitalista cria interdepend\u00eancias que produzem car\u00eancias imediatas e profundas se o servi\u00e7o da d\u00edvida \u00e9 interrompido. A d\u00edvida \u00e9 uma arma cujos efeitos podem atingir um grupo enquanto a obriga\u00e7\u00e3o do pagamento recai sobre outro. A posi\u00e7\u00e3o dos EUA ficou expressa quando o FMI, com conhecimento de causa, fez empr\u00e9stimos\u00a0n\u00e3o pag\u00e1veis \u00e0 Ucr\u00e2nia para apoiar o golpe ali patrocinado pelos EUA em 2015.<\/p>\n<p>A racializa\u00e7\u00e3o fascista tem analogia com as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de classe existentes. O estatuto da imigra\u00e7\u00e3o, da ra\u00e7a e do g\u00eanero definem uma taxonomia social de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A ra\u00e7a foi introduzida h\u00e1 d\u00e9cadas na express\u00e3o anglo-americana da escravatura a fim de naturalizar a explora\u00e7\u00e3o dos negros. A desigualdade de g\u00eanero exprime a evolu\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o-pago para trabalho-pago para as mulheres no Ocidente capitalista. Afirmar que estas discrimina\u00e7\u00f5es s\u00e3o causa de explora\u00e7\u00e3o trata a sequ\u00eancia temporal ao contr\u00e1rio. Estas eram\/s\u00e3o grupos sociais explor\u00e1veis antes de o seu estatuto especial ser criado.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pretende com isto dizer que as rela\u00e7\u00f5es de classe capitalistas configuram uma explica\u00e7\u00e3o completa para a racializa\u00e7\u00e3o fascista. Mas a premissa ontol\u00f3gica que \u201ccongela,\u201d e desse modo reifica a racializa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental ao capitalismo. Isto relaciona-se com o ponto argumentado adiante de que os educados burgueses alem\u00e3es, sob a forma de cientistas e\u00a0\u00a0engenheiros nazis que foram trazidos para os EUA ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, achavam a racializa\u00e7\u00e3o nazi plaus\u00edvel atrav\u00e9s do que foi durante muito tempo adiantado como uma forma de entendimento antit\u00e9tico. Dito de outro modo, n\u00e3o foi apenas a ral\u00e9 que considerou plaus\u00edveis caricaturas raciais grotescas. A pergunta que se coloca \u00e9 por qu\u00ea? A propaganda foi desenvolvida e refinada por Edward Bernays na d\u00e9cada de 1910 para ajudar a administra\u00e7\u00e3o Wilson a vender a 1\u00aa Guerra Mundial a um p\u00fablico c\u00e9tico. Tem sido utilizada pelo governo dos EUA e pela publicidade capitalista desde ent\u00e3o. A ideia era integrar a psicologia com palavras e imagens de modo a levar as pessoas a agir de acordo com as vontades e desejos daqueles ao servi\u00e7o de quem era elaborada. O quadro operacional da propaganda \u00e9 instrumental para a utiliza\u00e7\u00e3o das pessoas para atingir objetivos em cuja concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o intervieram de forma nenhuma. A perspectiva pol\u00edtica \u00e9 ditatorial, benevolente ou outra. O governo norte-americano tem desdeent\u00e3o sempre utilizado a propaganda. M\u00e9todos semelhantes foram utilizados pelos fascistas italianos e alem\u00e3es para subir ao poder.<\/p>\n<p>A propaganda comercial tornou-se ub\u00edqua nos EUA. Empresas de publicidade contratam psic\u00f3logos para elaborar campanhas, sem qualquer considera\u00e7\u00e3o pelo fato de a coa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica eliminar do capitalismo a liberdade de escolha. A distin\u00e7\u00e3o entre propaganda pol\u00edtica e comercial reside apenas no objetivo, n\u00e3o no m\u00e9todo. A sua utiliza\u00e7\u00e3o por Woodrow Wilson \u00e9 instrutiva: existia um amplo, e com forte afirma\u00e7\u00e3o p\u00fablica, movimento antiguerra que tinha raz\u00f5es leg\u00edtimas para se opor \u00e0 entrada dos EUA na 1\u00aa Guerra Mundial. O objetivo de Bernays e de Wilson era de sufocar a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, os EUA trouxeram 1.600 cientistas e engenheiros nazistas (e as suas fam\u00edlias) para os Estados Unidos para trabalharem no Departamento de Defesa e na ind\u00fastria norte-americana, atrav\u00e9s de um programa designado Operation Paperclip. Muitos eram nazistas dedicados e entusiastas. Foi referido que alguns eram genu\u00ednos criminosos de guerra. Em contraste com a asser\u00e7\u00e3o liberal\/neoliberal de que o nazismo era uma irracionalidade pol\u00edtica, os cientistas nazistas encaixaram como luvas na produ\u00e7\u00e3o militar norte-americana. N\u00e3o existia qualquer contradi\u00e7\u00e3o aparente entre ser nazista e ser cientista.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o reside apenas em que muitos empenhados nazistas eram cientistas. Foram a Ci\u00eancia e a Tecnologia que criaram a m\u00e1quina de guerra nazista. A Ci\u00eancia e a Tecnologia estiveram inteiramente integradas na cria\u00e7\u00e3o e na gest\u00e3o dos campos de\u00a0concentra\u00e7\u00e3o nazistas. A Ci\u00eancia e a Tecnologia constitu\u00edam o n\u00f3 funcional do Nazismo. E os cientistas e engenheiros da Operation Paperclip deram destacada contribui\u00e7\u00e3o para a domina\u00e7\u00e3o militar dos EUA no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Existia uma tens\u00e3o dimensional entre os mitos rom\u00e2nticos de um passado glorioso e antigo e a tarefa burguesa de fazer avan\u00e7ar a industrializa\u00e7\u00e3o e a modernidade. A an\u00e1lise liberal e neoliberal tem-se focado nesta mitologia enquanto forma irracional de raciocinar. O que est\u00e1 ausente \u00e9 que o Nazismo n\u00e3o poderia ter-se movido para al\u00e9m das fronteiras alem\u00e3s se n\u00e3o tivesse disposto da base da ci\u00eancia e tecnologia burguesa necess\u00e1ria ao poder industrial. Isto integra o projeto mais amplo nas premissas ontol\u00f3gicas e administrativas do liberalismo.<\/p>\n<p>Este fato est\u00e1 indubitavelmente desconcertando os te\u00f3ricos da \u201cdiferen\u00e7a.\u201d Se Bolsonaro pode impor a austeridade mantendo uma paz injusta, Wall Street e o FMI sorrir\u00e3o e solicitar\u00e3o um acr\u00e9scimo da presen\u00e7a dos neg\u00f3cios dos EUA, que j\u00e1 est\u00e3o cercando o Brasil, sabendo que consumidores cativos em combina\u00e7\u00e3o com direitos de propriedade garantidos pela for\u00e7a e uma for\u00e7a de trabalho manej\u00e1vel significam lucros. Onde estavam os liberais quando a Wall Street que Barack Obama salvou estava pressionando os povos do Brasil, Espanha, Gr\u00e9cia e Portugal a pagarem d\u00edvidas assumidas pelos oligarcas? O liberalismo \u00e9 o elo entre o capitalismo e o fascismo, n\u00e3o a sua ant\u00edtese.<\/p>\n<p>Tendo h\u00e1 muito abandonado Marx, a Esquerda Norte-Americana anda perdida na l\u00f3gica temporal do liberalismo. A forma de combater os fascistas \u00e9 acabar com a amea\u00e7a do fascismo. Isso significa combater Wall Street e as grandes institui\u00e7\u00f5es do capitalismo ocidental.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4ZMu08J9re\"><p><a href=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2018\/10\/29\/brazil-fascism-and-the-left-wing-of-neoliberalism\/\">Brazil, Fascism and the Left Wing of Neoliberalism<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/www.counterpunch.org\/2018\/10\/29\/brazil-fascism-and-the-left-wing-of-neoliberalism\/embed\/#?secret=4ZMu08J9re\" data-secret=\"4ZMu08J9re\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Brazil, Fascism and the Left Wing of Neoliberalism&#8221; &#8212; www.counterpunch.org\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21305\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[226],"class_list":["post-21305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5xD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}