{"id":21320,"date":"2018-11-07T11:28:33","date_gmt":"2018-11-07T13:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21320"},"modified":"2018-11-07T11:28:33","modified_gmt":"2018-11-07T13:28:33","slug":"marighella-exemplo-de-resistencia-e-amor-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21320","title":{"rendered":"Marighella: exemplo de resist\u00eancia e amor ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm2.staticflickr.com\/1942\/43883588290_7dc3c52177_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>No \u00faltimo domingo (4), completaram-se 49 anos do assassinato do militante comunista pelo regime militar<\/b><\/p>\n<p>Leonardo Fernandes<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Era\u00a0pouco mais de oito da noite do dia 4 de novembro de 1969 quando Carlos Marighella foi capturado e morto por agentes da ditadura militar, a um m\u00eas de completar 58 anos. Nascido na Bahia, foi militante do Partido Comunista, deputado federal, poeta e guerrilheiro.<\/p>\n<p>Marighella j\u00e1 havia passado pela pris\u00e3o e pela tortura durante o governo de Get\u00falio Vargas. No\u00a0ano anterior, em 1968, com a instaura\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba5 (AI-5), poderia ter escolhido o caminho de muitos dos seus companheiros, o ex\u00edlio, mas decidiu resistir. \u00c9 o que conta o autor da biografia mais conhecida de Marighella, \u201cO guerrilheiro que incendiou o mundo\u201d, M\u00e1rio Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>\u201cA decis\u00e3o do Marighella de resistir \u00e0 ditadura, quando ele poderia ter ido para o ex\u00edlio, como muita gente boa fez legitimamente, foi decisiva para esse sentimento em torno do Marighella e da mem\u00f3ria dele, que faz com que ele seja amado e odiado como n\u00e3o foi nem no tempo da ditadura. E \u00e9 evidente que assim como o Marighella \u00e9 para quem o rejeita, combinando ideias e a\u00e7\u00e3o dos valores que essas pessoas rejeitam, para quem gosta do Marighella, ele \u00e9 hoje uma inspira\u00e7\u00e3o permanente\u201d.<\/p>\n<p>Magalh\u00e3es explica que, embora um dos livros mais conhecidos do escritor e pol\u00edtico baiano tenha sido o Minimanual do Guerrilheiro Urbano, naquela \u00e9poca, Marighella planejava o in\u00edcio da luta armada no campo, prevendo que o movimento seria sufocado se permanecesse nas cidades.<\/p>\n<p>Outra estudiosa da vida de Marighella, sua sobrinha, Isa Ferraz, foi buscar conhecer mais a fundo a hist\u00f3ria do tio para a produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio que leva o nome do guerrilheiro.\u201cA minha rela\u00e7\u00e3o com ele \u00e9 de sobrinha, mas tamb\u00e9m de algu\u00e9m que quis entender porque uma pessoa t\u00e3o carinhosa, afetiva, que eu tinha tanta adora\u00e7\u00e3o como tio, era considerado como o inimigo n\u00famero um da ditadura militar e perseguido at\u00e9 a morte\u201d.<\/p>\n<p>Ferraz conta que no processo de pesquisa, se surpreendeu ao descobrir o amplo apoio internacional recebido pelo tio.\u00a0\u201cEu aprendi um monte de coisas que eu nem imaginava. Por exemplo, o apoio dos artistas europeus \u00e0 luta armada do Marighella, como Jean-Paul Sartre, [Roberto] Rosselini mandou dinheiro, o [Jean-Luc] Godard fez um filme\u2026 v\u00e1rios intelectuais important\u00edssimos que eu tenho o maior respeito apoiaram e mandaram dinheiro, recursos. Esse interesse internacional eu n\u00e3o sabia que era t\u00e3o grande\u201d.<\/p>\n<p>Para a documentarista, a op\u00e7\u00e3o de Marighella pela luta armada como forma de resist\u00eancia ao regime militar se explica pelo contexto internacional ao qual estava inserido.\u00a0\u201cS\u00f3 d\u00e1 para entender o Marighella e as op\u00e7\u00f5es dele se olharmos para o contexto mundial e nacional. Quer dizer, o Marighella vai para a luta armada no momento em que estava ocorrendo o conflito na Arg\u00e9lia, os movimentos negros nos Estados Unidos, a guerra do Vietn\u00e3, a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, quer dizer, era um contexto. Todas as lutas identit\u00e1rias come\u00e7ando a surgir, os movimentos estudantis, ent\u00e3o era um contexto mundial\u201d.<\/p>\n<p>Com uma trajet\u00f3ria recheada de fatos t\u00e3o relevantes para a hist\u00f3ria do Brasil e do mundo, Magalh\u00e3es lamenta que a luta de Carlos Marighella tenha ficado por tanto tempo \u00e0 margem dos livros.<\/p>\n<p>\u201cCada um tem o direito de achar o que quiser do Marighella. Esse \u00e9 um preceito democr\u00e1tico e de liberdade intelectual essencial. O problema foi\u00a0que certa historiografia brasileira tentou criminosamente eliminar o Marighella da hist\u00f3ria nacional. E por muito tempo, esse projeto foi bem-sucedido, apesar do brav\u00edssimo esfor\u00e7o das pessoas que nunca deixaram de lembrar a trajet\u00f3ria do Marighella\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e1rio\u00a0sa\u00fada o fato de 49 anos depois,\u00a0nome do l\u00edder estar t\u00e3o presente no imagin\u00e1rio do povo brasileiro.\u00a0\u201cHouve grandes militantes e dirigentes comunistas na hist\u00f3ria do Brasil. Algo que destaca o Marighella \u00e9 o que est\u00e1 nas picha\u00e7\u00f5es das cidades pelo pa\u00eds afora: Marighella vive. O Marighella n\u00e3o parece um personagem que morreu pouco depois das oito da noite, na Alameda Casa Branca, no dia 4 de novembro de 1969. Ele vive hoje. O Marighella hoje vive e perturba. Ele incomoda uns e estimula outros\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Tayguara Ribeiro<\/p>\n<hr \/>\n<p><b>EM OUTUBRO DE 2009, A COMISS\u00c3O POL\u00cdTICA NACIONAL DO PCB PUBLICAVA A SEGUINTE NOTA EM HOMENAGEM A MARIGHELLA:<\/b><\/p>\n<p><b>Camarada Marighella, PRESENTE!<\/b><\/p>\n<p>29 de outubro de 2009<\/p>\n<p>O PCB, que sepultou as ilus\u00f5es reformistas em seu processo de reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, respeita e compreende as raz\u00f5es de Marighella para romper com o Partido, mesmo divergindo do m\u00e9todo e considerando que a forma de luta adotada pela ALN, apesar de leg\u00edtima, n\u00e3o era adequada \u00e0quela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e ao n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia popular \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar de considerarmos correta, at\u00e9 1979, a linha pol\u00edtica do PCB na quest\u00e3o do enfrentamento \u00e0 ditadura pela via do movimento de massas e da frente democr\u00e1tica, n\u00e3o estamos entre aqueles que negam ou subestimam o papel da insurg\u00eancia armada adotada por algumas organiza\u00e7\u00f5es no per\u00edodo que, ao pre\u00e7o de muitas vidas que nos fazem falta, tamb\u00e9m contribu\u00edram para a derrubada da ditadura.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ficar claro que a ditadura n\u00e3o escolhia suas v\u00edtimas apenas em fun\u00e7\u00e3o dos meios com que lutavam. Entre 1973 e 1975, foram assassinados dezenas de camaradas do PCB, cujos corpos jamais apareceram, dentre eles quase todos os membros do Comit\u00ea Central que aqui atuavam na clandestinidade.<\/p>\n<p>Marighella n\u00e3o pertence apenas ao PCB nem \u00e0 ALN. Pertence a todos os revolucion\u00e1rios e se inscreve na galeria de her\u00f3is que, em todo o mundo, lutaram e lutam contra a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, por uma sociedade em que todos nos possamos chamar de companheiros.<\/p>\n<p><strong><em>Camarada Marighella, presente!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>PCB \u2013 Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional<\/p>\n<p>Comit\u00ea Central<\/p>\n<p>Rio, 25 de outubro de 2009<\/p>\n<p>PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO \u2013 PCB<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carlos Marighella foi capturado e assassinado por agentes da ditadura militar no dia 4 de novembro de 1969 \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21320\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[224],"class_list":["post-21320","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5xS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21320\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}