{"id":21338,"date":"2018-11-08T01:37:27","date_gmt":"2018-11-08T03:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21338"},"modified":"2018-11-08T01:37:27","modified_gmt":"2018-11-08T03:37:27","slug":"aspectos-ideologicos-do-bolsonarismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21338","title":{"rendered":"Aspectos ideol\u00f3gicos do\u00a0bolsonarismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2018\/10\/o-odio-como-politica.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Felipe Catalani<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>\u00abA amea\u00e7a tornou-se um dos cernes da ideologia: com o poder de amea\u00e7ar sente-se que \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel ter algum poder, nem que seja de amedrontar, mesmo que para al\u00e9m disso n\u00e3o se<br \/>\ntenha poder algum. A \u00fanica felicidade poss\u00edvel do bolsonarista \u2013 que n\u00e3o \u00e9 felicidade alguma \u2013<br \/>\n\u00e9 o prazer proporcionado pela amea\u00e7a ou pela puni\u00e7\u00e3o, em que se misturam ressentimentos e<br \/>\nrequintes de sadismo.\u00bb<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para qualquer pessoa que n\u00e3o tenha a sensibilidade atrofiada, a situa\u00e7\u00e3o brasileira que vivemos \u00e9 assombrosa. Entretanto, quando da ascens\u00e3o do fascismo na Alemanha, Benjamin dizia que \u201co espanto em constatar que os acontecimentos que vivemos \u2018ainda\u2019 sejam poss\u00edveis no s\u00e9culo XX n\u00e3o \u00e9 nenhum espanto filos\u00f3fico\u201d 1 . Tentemos portanto dar sentido \u00e0s coisas e com isso, quem sabe, tal como esperava Benjamin, \u201ctornar mais forte nossa posi\u00e7\u00e3o na luta contra o fascismo\u201d.<\/p>\n<p>Muitas das especula\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter fascista do bolsonarismo rodam em falso. \u00c9 evidente que h\u00e1 certos limites na analogia com o fascismo hist\u00f3rico: se na Alemanha hitlerista havia a ostenta\u00e7\u00e3o de uma\u00a0Volksgemeinschaft &#8211; comunidade do povo -, calcada na ideologia do \u201csangue e solo\u201d e at\u00e9 com ares pretensamente anticapitalistas (na oposi\u00e7\u00e3o entre capitalismo financeiro judaico rapinante\u00a0versus capitalismo produtivo \u201ccom lastro\u201d), o que vemos no Brasil atual \u00e9 um esgar\u00e7amento total do tecido social, um hiper-individualismo de crise. Como contra-argumento, alguns dizem, por exemplo, que o fascismo seria necessariamente estatista e intervencionista, e que o programa de Bolsonaro \u00e9 ultra liberal, ou que Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 fascista e sim \u201cum soldado das guerras culturais\u201d 1 \u00a0etc. A tentativa de interpretar o fascismo a partir de caracter\u00edsticas do Estado e de formas de governo ou de estruturas econ\u00f4micas s\u00f3 pode ter car\u00e1ter de especula\u00e7\u00e3o por tratar-se de um governo que ainda n\u00e3o existe, e mesmo se especularmos, vemos nesse prov\u00e1vel governo sobretudo um aprofundamento de tend\u00eancias j\u00e1 existentes. Nesse caso, bastaria analisar as posi\u00e7\u00f5es e o discurso do General Mour\u00e3o, que n\u00e3o tem nada de alucinado nem de bobo, muito pelo contr\u00e1rio: encontramos ali a racionalidade de um gestor que quer garantir a paz social e a ordem p\u00fablica, por meio de armas e pol\u00edticas p\u00fablicas de assist\u00eancia social, o que Christian Laval chamou de \u201c momento hiperautorit\u00e1rio do neoliberalismo \u201d: ou seja, reafirma uma tend\u00eancia do mundo. 2<\/p>\n<p>Por um lado, nada muito diferente da receita de pacifica\u00e7\u00e3o de um governo de contra-insurg\u00eancia tal como o que come\u00e7ou a se consolidar quando Dilma Roussef soltou a bomba da Lei Anti-Terrorismo. Por outro lado, nos termos da tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica brasileira, o que a intelig\u00eancia militar por tr\u00e1s da candidatura de Bolsonaro est\u00e1 anunciando (e que o professor da UFF Marco Aur\u00e9lio Pinto chama de \u201cdoutrina da depend\u00eancia militar\u201d 3 ) \u00e9, mais uma vez, uma\u00a0\u201cdesist\u00eancia hist\u00f3rica\u201d, em que se optaria pelo capital privado internacional e uma \u201ccondi\u00e7\u00e3o de\u00a0s\u00f3cio-menor do capitalismo ocidental\u201d, como dizia FHC. O Brasil n\u00e3o \u00e9 mesmo o pa\u00eds do futuro\u00a0e assim declara-se encerrada a forma\u00e7\u00e3o nacional: esse diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 de um cr\u00edtico\u00a0pessimista, mas deles mesmos. O plano de Mour\u00e3o, que abertamente falou da \u201cindol\u00eancia do\u00a0\u00edndio\u201d e da \u201cmalandragem do negro\u201d, poderia ser resumido nessa nova depend\u00eancia do capital\u00a0privado internacional do ponto de vista ideol\u00f3gico como um\u00a0branqueamento do capitalismo\u00a0nacional.<\/p>\n<p>Mas uma coisa \u00e9 o governo Bolsonaro, que ainda n\u00e3o existe, e sobre o qual podemos ter algumas hip\u00f3teses; outra coisa \u00e9 um fen\u00f4meno bem palp\u00e1vel e efetivo que \u00e9 o que podemos chamar de bolsonarismo, ou o que Esther Solano chamou de \u201c bolsonariza\u00e7\u00e3o da esfera p\u00fablica \u201d (que \u00e9 na verdade, creio eu, o tiro de miseric\u00f3rdia da esfera p\u00fablica). O fascismo aqui deve ser entendido n\u00e3o tanto como um elemento do Estado ou uma forma de governo, mas como um fen\u00f4meno social e ideol\u00f3gico. Por vezes, a ades\u00e3o ao discurso fascista aparece como uma patologia psicol\u00f3gica, por\u00e9m, tamb\u00e9m Adorno, que tanto se apoiou na psican\u00e1lise e na cr\u00edtica da ideologia em suas an\u00e1lises do fascismo, afirmou que \u201co fascismo como tal\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9 um problema psicol\u00f3gico\u00a0 \u2026 . Disposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, na verdade, n\u00e3o causam o fascismo.\u201d 4 \u00a0Por mais que a fam\u00edlia Bolsonaro seja um bando de psicopatas, isso n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o suficiente. Ou seja, devemos ter em vista que a ideologia n\u00e3o pode ser tomada como uma dimens\u00e3o ps\u00edquica aut\u00f4noma, uma patologia individual, mas como algo que diz respeito a processos sociais e hist\u00f3ricos objetivos. Por um lado, temos os militares e seu projeto de gest\u00e3o da desintegra\u00e7\u00e3o social capitalista em uma sociedade com 14 milh\u00f5es de desempregados (segundo dados oficiais) e uma taxa de homic\u00eddio com intensidade de guerra civil. Por outro, temos Bolsonaro como o agitador fascista propriamente dito e o bolsonarismo como mecanismo de ades\u00e3o ideol\u00f3gica de massas. Vou tentar me concentrar nesse segundo aspecto.<\/p>\n<p>O Brasil parece ter sido possu\u00eddo, nos \u00faltimos tempos, por for\u00e7as demon\u00edacas. Um sentimento de apocalipse, insuflado pela Besta na figura de Bolsonaro, \u00e9 absorvido tanto por aqueles que desejam o apocalipse quanto por aqueles que o temem. \u201cAcabou para voc\u00eas\u201d, amea\u00e7am de um lado. \u201cO nosso mundo vai acabar\u201d, pensamos n\u00f3s, do lado de c\u00e1, ou ainda, \u201cn\u00f3s vamos morrer\u201d. H\u00e1 uma espera nesse ar que parece portar um fim, uma espera esperan\u00e7osa para alguns 5 , pura agonia para outros. Muito da tens\u00e3o vem da sensa\u00e7\u00e3o confidente de que o l\u00edder tem uma quantidade desmesurada de poder \u00e9 proporcionada pelo\u00a0ato da amea\u00e7a\u00a0e pela sua capacidade de incutir medo nos outros. O pa\u00eds se dividiu entre amea\u00e7adores e amea\u00e7ados: estar do lado dos amea\u00e7adores, ou tornar-se um amea\u00e7ador, produz a ilus\u00e3o de que n\u00e3o se \u00e9 amea\u00e7ado com aquilo que se escolhe apoiar. O sentimento de que se \u00e9 capaz de\u00a0fazer temer\u00a0gera uma compensa\u00e7\u00e3o ps\u00edquica para uma situa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia real: os impotentes, os fracassados, as v\u00edtimas de um sistema produtor de mercadorias e frustra\u00e7\u00e3o sentem-se, de repente, \u201cempoderados\u201d. O sentimento de impot\u00eancia \u00e9 crucial \u2013 como dizia Adorno: \u201cAs\u00a0experi\u00eancias de impot\u00eancia real s\u00e3o tudo, exceto irracionais;\u00a0 \u2026 . Somente elas permitem a\u00a0esperan\u00e7a de uma resist\u00eancia contra o sistema social\u00a0 \u2026 .\u201d 6<\/p>\n<p>Com o poder de amea\u00e7ar sente-se que algum poder \u00e9 poss\u00edvel ter, nem que seja o de botar medo, mesmo que para al\u00e9m disso n\u00e3o se tenha poder algum. O nosso medo e o alarmismo de setores da sociedade civil diante da ascens\u00e3o fascista \u00e9 recebido do outro lado, por grande parte dos eleitores do Bolsonaro, com\u00a0deleite\u00a0(e adianto aqui que a \u00fanica felicidade poss\u00edvel do bolsonarista, que n\u00e3o \u00e9 felicidade alguma, \u00e9 o prazer proporcionado pela amea\u00e7a ou pela puni\u00e7\u00e3o, em que se misturam ressentimento e requintes de sadismo). \u201cO desespero de voc\u00eas \u00e9 lindo\u201d, diz uma apoiadora na internet. Um outro, com certo revanchismo de classe, por\u00e9m completamente desinformado de seu pr\u00f3prio destino, comenta: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o morrendo de<br \/>\nmedo porque at\u00e9 agora s\u00f3 os pobres s\u00e3o presos, agora tamb\u00e9m os ricos ir\u00e3o pra cadeia.\u201d Sem esse aspecto do \u201cempoderamento\u201d dos impotentes por meio da amea\u00e7a, e por que n\u00e3o dizer, do\u00a0terror, tamb\u00e9m a convers\u00e3o jihadista de milhares de jovens desesperan\u00e7ados tanto no mundo \u00e1rabe quanto nas cidades europeias n\u00e3o pode ser explicada. Em uma propor\u00e7\u00e3o bem menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele que, sem limites para sua raiva e desejo de revanche, se\u00a0engaja\u00a0em uma organiza\u00e7\u00e3o como o Estado Isl\u00e2mico e \u00e9 capaz de se explodir na esperan\u00e7a desesperada de que algo de bom o bastante ou de muito ruim aconte\u00e7a, tamb\u00e9m o ato do eleitor que adquire seu pequeno prazer ao eleger Bolsonaro possui algo desse gesto. Puls\u00e3o de morte? Sem d\u00favida. De todo modo, toda uma dimens\u00e3o de um poder (imagin\u00e1rio ou real) adquirido por meio<br \/>\nda amea\u00e7a (e o prazer s\u00e1dico que decorre disso) impregnou a vida social e pol\u00edtica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00e3o amea\u00e7as por toda parte. Vive-se uma produ\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de arrepios, que s\u00e3o sentidos\u00a0ora com horror, ora com prazer. Em debate no Rio de Janeiro, Witzel amea\u00e7ava mandar\u00a0prender Eduardo Paes. Bolsonaro fez o mesmo com Haddad: \u201cSua hora vai chegar\u201d, dizia ele.\u00a0No caso de Bolsonaro, \u00e9 uma evidente t\u00e1tica militar de guerra psicol\u00f3gica para amedrontar o\u00a0inimigo (se procurarem, ver\u00e3o o qu\u00e3o recorrente \u00e9 a amea\u00e7a de pris\u00e3o que ele fez a Haddad).\u00a0Os futuros estadistas amea\u00e7am prender, e seus concidad\u00e3os (j\u00e1 s\u00e3o centenas de relatos\u00a0acumulados) amea\u00e7am espancar ou matar, e muitas vezes simplesmente reiteram uma\u00a0amea\u00e7a vaga, sem conte\u00fado espec\u00edfico. Seria necess\u00e1rio perguntar qual o\u00a0lastro\u00a0dessa\u00a0amea\u00e7a de Bolsonaro, o que sustenta ela, ou se ela \u00e9 um\u00a0blefe. Pois, como diz Marildo\u00a0Menegat, \u201cvirou um jogo de p\u00f4quer no qual todas as cartas s\u00e3o ruins, por isso, basta blefar\u00a0antes e mais alto para levar.\u201d 7<\/p>\n<p>De todo modo, \u00e9 evidente que a pr\u00f3pria amea\u00e7a se tornou um dos cernes da ideologia, ou a ideologia se manifesta enquanto amea\u00e7a. \u00c9 algo semelhante \u00e0quilo que Silvia Viana chamou de \u201ccinismo viril\u201d quando analisava o show de horrores dos mandos e desmandos nos\u00a0reality shows, 8 \u00a0e de fato n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o constitutivo da sociedade brasileira quanto a violenta<br \/>\nvirilidade patriarcal e nosso cinismo de nascen\u00e7a. 9 \u00a0Lembremos que a ideologia, em sentido tradicional, depende de um descompasso entre norma e fato, e a cr\u00edtica da ideologia parte justamente dessa contradi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o cinismo enquanto ideologia prescinde da norma e se\u00a0coloca enquanto fato bruto, ele \u00e9 viol\u00eancia sem media\u00e7\u00f5es, sem promessa de algo outro para\u00a0al\u00e9m dele. Neste aspecto, a ideologia torna-se imune a qualquer\u00a0desvelamento, pois n\u00e3o h\u00e1\u00a0nada a ser desvelado. Tentar \u201cmostrar\u201d o que \u00e9 Bolsonaro \u00e9 por isso, para grande parte de\u00a0seus eleitores, uma tentativa em v\u00e3o, e n\u00e3o surte nenhum efeito justamente porque aquelas\u00a0normas \u00e0s quais tentamos contrapor o horror dos fatos, e que caracterizam o horror como\u00a0horr\u00edvel, ca\u00edram por terra.<\/p>\n<p>O discurso de Bolsonaro tem algo daquela \u201cdesfa\u00e7atez de classe\u201d que Roberto Schwarz viu estilizada no narrador de Br\u00e1s Cubas, que \u00e9 \u201cum show de impud\u00eancia, em que as provoca\u00e7\u00f5es se sucedem, numa gama que vai da gracinha \u00e0 profana\u00e7\u00e3o.\u201d 10 \u00a0No caso de Bolsonaro, \u00e9 uma profana\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pol\u00edtica (enquanto n\u00f3s a defendemos, perdemos o lugar de profanadores). Seu aspecto que mistura viol\u00eancia e gracejo, brutalidade sanguin\u00e1ria e piadismo, n\u00e3o \u00e9 tanto a rigidez do militar ultra disciplinado, mas traz representada em si a conduta pr\u00f3pria \u00e0 classe dominante brasileira desde os tempos de Machado. Bolsonaro diz as maiores barbaridades como um tioz\u00e3o da padaria, burro e violento, mas simp\u00e1tico, com um ar debochado e leve \u2013 que \u00e9 precisamente o que permite a identifica\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o m\u00e9dio. Como dizia Adorno, \u201co agitador fascista \u00e9 usualmente um ex\u00edmio vendedor de seus pr\u00f3prios defeitos psicol\u00f3gicos. Isso somente \u00e9 poss\u00edvel devido a uma similaridade estrutural geral entre seguidores e l\u00edder, e o objetivo da propaganda \u00e9 estabelecer um acordo entre eles.\u201d 11 \u00a0O fato de Bolsonaro ser um idiota n\u00e3o joga contra ele, mas a favor: \u201cOs agitadores fascistas s\u00e3o tomados a s\u00e9rio porque arriscam a se passar por tolos.\u201d 12 \u00a0O discurso do fascista n\u00e3o \u00e9 tr\u00e1gico, mas farsesco (Marcuse j\u00e1 dizia que quando a hist\u00f3ria se repete como farsa, a farsa \u00e9 pior que a trag\u00e9dia 13 ).<\/p>\n<p>Entretanto, somente burrice e cinismo n\u00e3o d\u00e3o conta de todo o quadro ideol\u00f3gico. A amea\u00e7a s\u00e1dica e c\u00ednica, por mais central que seja, \u00e9, a longo prazo, psicologicamente insuport\u00e1vel. Ela n\u00e3o \u00e9 c\u00ednica em tempo integral. H\u00e1 mesmo no bolsonarismo uma pretens\u00e3o de intelig\u00eancia (uma apreens\u00e3o pseudo-cognitiva do mundo) e uma pretens\u00e3o de moralidade. Isso contradiz a<br \/>\ntese da desnormatiza\u00e7\u00e3o social generalizada inerente \u00e0 ideia de cinismo como regra. Tanto n\u00e3o \u00e9 o caso de um cinismo de massas, em que a pr\u00f3pria transpar\u00eancia dos processos sociais tenha se tornado a ideologia, que uma campanha, quer dizer, um cyber-ataque terrorista com amparo internacional e financiado por empres\u00e1rios para a divulga\u00e7\u00e3o massiva de mentiras foi<br \/>\nnecess\u00e1rio. As famosas e t\u00e3o debatidas \u201cfake news\u201d t\u00eam um papel central no funcionamento ideol\u00f3gico, na forma\u00e7\u00e3o de sujeitos paranoicos, acuados, e ao mesmo tempo indignados e ap\u00e1ticos (a ideia de indigna\u00e7\u00e3o ap\u00e1tica talvez seja aqui complementar \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de fascismo como \u201crevolta na ordem\u201d, segundo Jo\u00e3o Bernardo). O ap\u00e1tico indignado \u00e9 um\u00a0info-<br \/>\njunkie\u00a0viciado em fatos. Nas \u00faltimas semanas, essas\u00a0fake news\u00a0assumiram um evidente car\u00e1ter de manipula\u00e7\u00e3o de massas com comando centralizado, exemplo claro de guerra psicol\u00f3gica, t\u00e1tica militar empregada desde a Primeira Guerra Mundial que se define pela produ\u00e7\u00e3o de um certo sentimento ou emo\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o (como indigna\u00e7\u00e3o ou medo), a partir de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras\u00a0ou\u00a0falsas, tendo em vista um certo sistema de valores, cren\u00e7as e comportamentos,\u00a0de modo a converter tais sentimentos em vantagem pol\u00edtica ou militar. No caso de Bolsonaro,\u00a0mesmo que a not\u00edcia venha a ser posteriormente desmentida, cria-se um desnorteamento das\u00a0pessoas e um clima de incerteza que beneficiou o candidato, que aparece como figura\u00a0reestabilizadora (o efeito de indigna\u00e7\u00e3o ou medo perdura mesmo depois que a not\u00edcia \u00e9\u00a0desmentida). Isso porque ningu\u00e9m sabe quem \u00e9 o forjador ou remetente daquela not\u00edcia, ela\u00a0simplesmente aparece. E, diferentemente do boato, que pode ter como origem uma not\u00edcia\u00a0verdadeira que \u00e9 deturpada no processo comunicativo, as\u00a0fake news\u00a0exigem um forjador\u00a0consciente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, desde antes dessa campanha-ataque, j\u00e1 vinha se consolidando o ch\u00e3o ideol\u00f3gico proto-fascista que tanto fomenta as not\u00edcias falsas quanto \u00e9 retroalimentado por elas. Esse ch\u00e3o ideol\u00f3gico proto-fascista \u00e9 uma paranoia com dois aspectos. Por um lado, trata-se de uma paranoia sexual em que a homofobia da sociedade brasileira se converteu em for\u00e7a pol\u00edtica movida a nojo, elegendo deputados e presidente. As fantasias que circundam o \u201ckit gay\u201d v\u00e3o desde a pedofilia at\u00e9 o incesto (devemos portanto ver a trag\u00e9dia n\u00e3o somente na dissemina\u00e7\u00e3o das falsas not\u00edcias acerca do \u201ckit gay\u201d, mas sobretudo no fato de que<br \/>\nelas\u00a0funcionaram). Por outro lado, o antipetismo (que tem seu momento de verdade) tem tamb\u00e9m elementos paranoicos e, penso eu, pode ser analisado a partir de estruturas do antissemitismo. Para o primeiro aspecto (que n\u00e3o \u00e9 completamente isolado do segundo), podemos pensar a partir de uma frase amplamente repetida, que \u00e9: \u201cA putaria vai acabar.\u201d\u00a0A liberaliza\u00e7\u00e3o dos costumes, a visibiliza\u00e7\u00e3o de LGBTs, as cotas, as drogas, sindicatos, as universidades p\u00fablicas, pe\u00e7as de teatro com nudez, ONGs, tudo isso aparece como uma esp\u00e9cie de festa, uma suruba da qual eu fui exclu\u00eddo e que eu quero que acabe.<\/p>\n<p>Eu quero que todos sofram como eu: essa a l\u00f3gica fundamental do ressentimento. A din\u00e2mica deles \u00e9: \u201cMatam para que se iguale a eles o que lhes parece vivo.\u201d 14 Adorno j\u00e1 dizia que faz parte do discurso do agitador fascista \u201ca revela\u00e7\u00e3o vingativa de toda sorte de prazeres proibidos usufru\u00eddos por outros.\u201d O significante \u201cputaria\u201d aqui engloba desde corrup\u00e7\u00e3o at\u00e9 amor<br \/>\nhomossexual visibilizado. Outra vers\u00e3o da frase, \u201ca mamata vai acabar\u201d, denota ainda um \u00f3dio \u00e0 pregui\u00e7a e aos supostos pregui\u00e7osos (de forma semelhante ao \u00f3dio aos \u201cjudeus parasitas\u201d que n\u00e3o trabalham) \u2013 bolsonaristas dizem que a esquerda vai ser torturada porque agora todos ter\u00e3o que trabalhar (mostrando aqui o v\u00ednculo entre ideologia do trabalho e puni\u00e7\u00e3o \u2013 nada mais adequado para a crise da sociedade do trabalho, na qual resta somente seu car\u00e1ter tautol\u00f3gico e de produ\u00e7\u00e3o de sofrimento, tamb\u00e9m bastante adequada \u00e0 anti\u00e9tica neoliberal da austeridade). Ao mesmo tempo, nessa mesma amea\u00e7a de \u201ca putaria vai acabar\u201d, \u00e9 poss\u00edvel ver \u2013 por exemplo no grotesco ritual promovido pelo dono de puteiro Oscar Maroni no dia da pris\u00e3o de Lula (todos devem ainda ter essa imagem na cabe\u00e7a) \u2013 o verdadeiro an\u00fancio: \u201ca putaria vai come\u00e7ar.\u201d Alexandre Frota, quando indagado sobre seu passado como ator porn\u00f4 ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o como deputado federal, responde ao ing\u00eanuo jornalista: \u201cMas o congresso j\u00e1 \u00e9 uma putaria.\u201d O moralismo se autodesativa.<\/p>\n<p>Todas as \u201cfake news\u201d t\u00eam car\u00e1ter de den\u00fancia, e aquelas que circulam em torno do \u201ckit gay\u201d, que v\u00e3o desde a acusa\u00e7\u00e3o de Olavo de Carvalho de que Haddad teria defendido o incesto at\u00e9 imagens de pedofilia, s\u00e3o mensagens que estimulam tanto repulsa a um outro que realiza um prazer proibido, imoral, quanto desejo vingativo de linchamento (e como demonstrou o<br \/>\nsoci\u00f3logo Jos\u00e9 de Souza Martins, os linchamentos s\u00e3o uma especialidade brasileira praticada em larga escala). A diferen\u00e7a \u00e9 que agora o pr\u00f3prio Estado (e a justi\u00e7a oficial) cumprir\u00e1 o papel de justiceiro popular e de linchador \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o espetacular (e popular!) de um juiz como Sergio Moro em \u201cher\u00f3i\u201d j\u00e1 dava sinais da guinada linchadora e justiceira da justi\u00e7a e do Estado, que agora se casa com um punitivismo de massas, que j\u00e1 vinha celebrando atos b\u00e1rbaros como prender um ladr\u00e3o no poste pelo pesco\u00e7o com uma trava de bicicleta e tatuar \u00e0 for\u00e7a a testa de outro.<\/p>\n<p>A esse punitivismo corre em paralelo o antipetismo, que, como disse antes, se estrutura ideologicamente de forma an\u00e1loga ao antissemitismo. Segundo Adorno, o antissemitismo tem um \u201ccar\u00e1ter funcional\u201d que possui uma \u201cindepend\u00eancia relativa do objeto\u201d. O antissemitismo \u00e9 \u201cum dispositivo\u00a0device\u00a0para \u2018orienta\u00e7\u00e3o\u2019 sem esfor\u00e7o em um mundo frio, alienado e altamente<br \/>\nincompreens\u00edvel.\u201d 15 \u00a0O antissemitismo \u00e9 uma cr\u00edtica primitiva do mundo, funda-se no sentimento (correto) de que h\u00e1 for\u00e7as sociais intang\u00edveis que operam \u00e0s costas dos sujeitos e que carecem de explica\u00e7\u00e3o. A conspira\u00e7\u00e3o, forma b\u00e1sica da compreens\u00e3o antissemita do mundo, \u00e9 uma intui\u00e7\u00e3o de que existe totalidade social, por\u00e9m transformada na imagem de uma reuni\u00e3o de indiv\u00edduos excessivamente inteligentes e malignos (al\u00e9m das \u201cideologias perversas\u201d, uma das coisas que se pretende abolir, segundo o programa de Bolsonaro, \u00e9 a \u201cesperteza\u201d). A divulga\u00e7\u00e3o massiva de fotos (montadas ou n\u00e3o) mostrando petistas se encontrando, ou encontrando outros pol\u00edticos \u201cmalignos e poderosos\u201d como Kirchner (!!!) d\u00e1 sinal disso. O grande compl\u00f4 para o antipetismo \u00e9 o Foro de S\u00e3o Paulo, a partir do qual \u00e9 poss\u00edvel explicar terr\u00edveis males em frases vagas como esta, que consta no mesmo programa: \u201cMais de UM MILH\u00c3O de brasileiros foram assassinados desde a 1 a \u00a0reuni\u00e3o do Foro de S\u00e3o Paulo.\u201d 16 \u00a0Ali\u00e1s, a imprecis\u00e3o e o exagero de n\u00fameros em dados completamente sem sentido s\u00e3o uma constante no programa: \u201cGra\u00e7as ao Liberalismo, bilh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sendo salvas da mis\u00e9ria em todo o mundo.\u201d As explica\u00e7\u00f5es esdr\u00faxulas, que s\u00e3o ao mesmo tempo \u201ccomplicadas\u201d e muito simples de compreender, geram satisfa\u00e7\u00e3o. Como Adorno analisava, h\u00e1 um \u201cganho\u00a0narc\u00edsico fornecido pela propaganda fascista\u201d, frente ao qual \u201cqualquer tipo de cr\u00edtica ou de autoconsci\u00eancia \u00e9 ressentida como uma perda narc\u00edsica e incita f\u00faria.\u201d 17<\/p>\n<p>O fascismo \u00e9 anti-intelectualista n\u00e3o s\u00f3 no sentido de \u00f3dio aos intelectuais, mas tamb\u00e9m como \u00f3dio ao pensamento, avers\u00e3o \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o. Vale ressaltar que h\u00e1 um elemento desse novo fascismo que se vincula a uma forma espec\u00edfica da luta de classes no Brasil. Florestan Fernandes dizia que a luta de classes no Brasil n\u00e3o se d\u00e1 entre capital e trabalho, e sim entre quem tem propriedade e quem n\u00e3o tem: por isso ela n\u00e3o \u00e9 um mecanismo regulador interno do capital, mas sim simplesmente sanguin\u00e1ria. Alguns substantivos no programa de Bolsonaro s\u00e3o grafados em mai\u00fasculo, dando a eles uma\u00a0conota\u00e7\u00e3o semi-religiosa, mas no caso da propriedade privada, para n\u00e3o deixar d\u00favidas, \u00e9 dito\u00a0de forma clara: ela \u00e9\u00a0sagrada. Portanto aquele que a infringe \u00e9 um\u00a0sacr\u00edlego. Isso \u00e9 muito\u00a0evidente no \u201cprograma\u201d, que visa (1) armar os propriet\u00e1rios (2) \u201ctipificar como terrorismo\u00a0invas\u00e3o de propriedade rural e urbana\u201d, e (3) para ladr\u00f5es e assaltantes: \u201cprender e deixar na\u00a0cadeia\u201d (para n\u00e3o citar as declara\u00e7\u00f5es que envolvem pena de morte e esteriliza\u00e7\u00e3o dos\u00a0pobres). O que se revela aqui \u00e9 uma matriz colonial desse neo-fascismo brasileiro,\u00a0estruturalmente racista: uma parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada efetivamente descart\u00e1vel\u00a0\u201ccomo modess usado ou bombril\u201d (Mano Brown).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dessa utopia apocal\u00edptica que prev\u00ea o exterm\u00ednio de um contingente da popula\u00e7\u00e3o sup\u00e9rflua como parte de uma grande \u201climpeza\u201d, \u00e9 evidente para todos que Bolsonaro n\u00e3o tem um programa de governo. Mas penso que tamb\u00e9m isso n\u00e3o joga contra ele, e pode eventualmente at\u00e9 jogar a favor. Adorno notou que os agitadores fascistas falam muito sobre \u201ceste grande movimento\u201d, mas \u201craramente dizem alguma coisa sobre aquilo a que se sup\u00f5e que tal movimento conduzir\u00e1, para qual fim a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 boa ou o que o misterioso renascimento pretende positivamente alcan\u00e7ar\u201d 18 . Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 um objetivo claro, um projeto, um ponto a ser alcan\u00e7ado \u2013 mas esse ponto \u00e9 preenchido pela fantasia, seja pelos nossos pesadelos, ou pelos del\u00edrios perversos deles. Depois que a esquerda brasileira descobriu sua voca\u00e7\u00e3o definitiva para o governo e para a gest\u00e3o, o espa\u00e7o que se abriu depois que a gota d\u2019\u00e1gua de 2013 fez o balde transbordar foi ocupado por uma direita que redescobriu a anti-pol\u00edtica, e que encaminhou os sonhos do povo (que desaprendemos a interpretar) para esse pesadelo real.<\/p>\n<p>Notas<br \/>\n1\u00a0Como defendeu Pablo Otellado. Ver: \u201c N\u00e3o \u00e9 o que parece \u201d,\u00a0Folha de S.Paulo, 27 set. 2018.<br \/>\n2 \u00a0Christian Laval, \u201c Bolsonaro e o momento hiperautorit\u00e1rio do neoliberalismo \u201d. Blog da Boitempo, out. 2018.<br \/>\n3\u00a0Marco Aur\u00e9lio Cabral Pinto, \u201c A \u2018doutrina da depend\u00eancia\u2019 militar e a elei\u00e7\u00e3o de 2018 \u201d,\u00a0Carta Capital, 27\/09\/2018.<br \/>\n4 \u00a0Theodor Adorno, \u201c A teoria freudiana e o padr\u00e3o da propaganda fascista \u201d, em:\u00a0Margem Esquerda #7, disponibilizado integralmente no\u00a0Blog da Boitempo.\u00a0Citado de: Theodor Adorno,\u00a0Ensaios sobre psicologia social e psican\u00e1lise,\u00a0Unesp, p. 185-6.<br \/>\n5\u00a0Uma esperan\u00e7a que, entretanto, parece ter se revelado em algumas pessoas, ap\u00f3s o resultado das elei\u00e7\u00f5es, como vergonha.<br \/>\n6\u00a0Theodor Adorno, \u201cSobre a rela\u00e7\u00e3o entre sociologia e psicologia\u201d, em:\u00a0Ensaios sobre psicologia social e psican\u00e1lise,\u00a0S\u00e3o Paulo, Unesp, p. 111<br \/>\n7\u00a0Marildo Menegat, \u201c Volver! \u201d.<br \/>\n8\u00a0Silvia Viana,\u00a0 Rituais de sofrimento , S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>9\u00a0No auge da era FHC, em 1998, Paulo Arantes escrevia: \u201cN\u00e3o quero parecer ufanista, mas em\u00a0mat\u00e9ria de cinismo tamb\u00e9m estamos na frente. Ou melhor, continuamos. [\u2026]\u00a0Enquanto na\u00a0metr\u00f3pole um espesso v\u00e9u vitoriano ainda recobria o interesse nu e cru do pagamento em\u00a0dinheiro, numa long\u00ednqua sociedade colonial a explora\u00e7\u00e3o prosperava a c\u00e9u aberto, direta e\u00a0seca. Na metr\u00f3pole, todos faziam, por\u00e9m a rigor n\u00e3o sabiam de nada, ao passo que na\u00a0periferia todos sabiam muito bem o que estavam fazendo.\u201d Paulo Arantes, \u201cEles sabem o que\u00a0fazem\u201d in\u00a0Zero \u00e0 esquerda, p. 109.<\/p>\n<p>10 \u00a0Roberto Schwarz,\u00a0Um mestre na periferia do capitalismo. S\u00e3o Paulo: Duas Cidades, p. 17.<br \/>\n11\u00a0Theodor Adorno, \u201cAntissemitismo e propaganda fascista\u201d, p. 144<br \/>\n12\u00a0Theodor Adorno, \u201cAntissemitismo e propaganda fascista\u201d, p. 145<br \/>\n13\u00a0Herbert Marcuse, \u201cPr\u00f3logo\u201d. Em: Karl Marx,\u00a0 O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte . S\u00e3o\u00a0Paulo, Boitempo, 2011,<br \/>\n14\u00a0Theodor Adorno,\u00a0Minima Moralia, p. 228<br \/>\n15\u00a0Theodor Adorno,\u00a0The Autoritarian Personality<br \/>\n16 \u00a0\u201cEnfrentaremos o vi\u00e9s totalit\u00e1rio do Foro de S\u00e3o Paulo, que desde 1990 tem enfraquecido nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.\u201d (Ou seja, basicamente desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o). \u201c O caminho da prosperidade: Proposta de Plano de Governo (Jair Bolsonaro 2018) \u201d, pp. 11-12.<br \/>\n17 \u00a0Theodor Adorno,\u00a0\u201c A teoria freudiana e o padr\u00e3o da propaganda fascista \u201d, p. 177.<br \/>\n18\u00a0Theodor Adorno,\u00a0The Autoritarian Personality.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21338\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[225],"class_list":["post-21338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5ya","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}