{"id":21410,"date":"2018-11-19T01:56:31","date_gmt":"2018-11-19T03:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21410"},"modified":"2018-11-19T01:56:31","modified_gmt":"2018-11-19T03:56:31","slug":"a-crise-capitalista-gerou-um-fascismo-de-novo-tipo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21410","title":{"rendered":"A crise capitalista gerou um fascismo de novo tipo no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2017\/11\/jair-bolsonaro.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Portal do ANDES<\/p>\n<p><strong>&#8220;Vivemos um cen\u00e1rio perverso de resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es sociais\u201d, avalia professor da Uneb<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A crise econ\u00f4mica favoreceu uma condensa\u00e7\u00e3o de crises que t\u00eam colocado nas ruas e nas institui\u00e7\u00f5es um cen\u00e1rio perverso de resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es sociais a partir dos interesses da burguesia, em detrimento dos direitos dos trabalhadores\u201d. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor de Teoria Social e Hist\u00f3ria Pol\u00edtica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Milton Pinheiro.<\/p>\n<p>Graduado em Ci\u00eancias Sociais pela UFBA, Pinheiro \u00e9 mestre em Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa pela Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec \u00e0 Chicoutimi, Canad\u00e1, e doutor em Ci\u00eancias Sociais (Pol\u00edtica) pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo. Atualmente integra o conselho editorial das revistas Novos Temas, Cr\u00edtica Marxista, Lutas Sociais, Mouro, Margem Esquerda e o conselho editorial do Instituto Caio Prado Jr.. \u00c9 autor\/organizador de oito livros, entre eles, Ditadura: o que resta da transi\u00e7\u00e3o, publicado pela editora Boitempo. Tamb\u00e9m colabora com o Blog da Boitempo.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, ele avalia a ascens\u00e3o de for\u00e7as fascistas no mundo e as caracter\u00edsticas deste novo fascismo. Al\u00e9m disso, ele pontua que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre a crise econ\u00f4mica de 2008 e o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico, que \u201cgerminou os horrores que estamos vendo nesse momento\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, neste cen\u00e1rio adverso aos trabalhadores, as lutas sociais tendem a se acirrar. \u201cOs trabalhadores e os operadores da nossa pol\u00edtica, partidos revolucion\u00e1rios e movimentos populares com corte de classe, estar\u00e3o na resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>1. Como voc\u00ea avalia a ascens\u00e3o de forcas fascistas pelo mundo?<\/strong><\/p>\n<p>O quadro de crise econ\u00f4mica e social, colocado em cena pela incapacidade do capital em revalorizar sua taxas de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia, criou uma aus\u00eancia de perspectiva para as classes populares e a baixa classe m\u00e9dia na periferia do sistema, mas, tamb\u00e9m, com forte presen\u00e7a nos pa\u00edses mais desenvolvidos. Esse cen\u00e1rio de crise da ordem do capital apresentou uma necessidade urgente da representa\u00e7\u00e3o da burguesia se apoderar do fundo p\u00fablico e atacar direitos sociais e trabalhistas. O conjunto da classe trabalhadora, em um momento de crise ideol\u00f3gica, n\u00e3o tem desvelado a cena pol\u00edtica e tem considerado eleitoralmente vi\u00e1vel as sa\u00eddas apresentadas pela extrema direita. Temos o retorno da xenofobia, do racismo, dos ataques aos que t\u00eam orienta\u00e7\u00e3o sexual diversa, um preconceito de classe enorme contra os pobres. \u00c9 o cen\u00e1rio do ovo da serpente que foi constru\u00eddo pelo fascismo cotidiano.<\/p>\n<p><strong>2. Podemos afirmar que ter\u00edamos um neofascismo?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que encontramos novos elementos na caracteriza\u00e7\u00e3o dessa cena pol\u00edtica e nos contornos da luta de classes, a presen\u00e7a de um novo tipo de fascismo. Quem avaliar esse fen\u00f4meno social com os olhos dogm\u00e1ticos do que era o fascismo no come\u00e7o do s\u00e9culo XX n\u00e3o saber\u00e1 examinar essas novas quest\u00f5es. Vivemos numa sociedade controlada pelo medo, e as rela\u00e7\u00f5es monopolistas\/ imperialistas do capitalismo mundial, em seu amplo processo de financeiriza\u00e7\u00e3o, encontrou seu bra\u00e7o pol\u00edtico em setores da pequena burguesia que invadiu as ruas, o conte\u00fado social-conservador demonstrado pela crise ideol\u00f3gica tomou conta das institui\u00e7\u00f5es e das multid\u00f5es, cresce a presen\u00e7a de hordas chauvinistas e o comportamento antissocialista \u00e9 marca registrada da nossa \u00e9poca hist\u00f3rica. Portanto, vivemos um quadro de um novo fascismo.<\/p>\n<p><strong>3. Existe alguma rela\u00e7\u00e3o dessa ascens\u00e3o com a crise mundial de 2008?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, como afirmei anteriormente, a crise econ\u00f4mica favoreceu uma condensa\u00e7\u00e3o de crises que t\u00eam colocado nas ruas e nas institui\u00e7\u00f5es um cen\u00e1rio perverso de resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es sociais a partir dos interesses da burguesia, em detrimento dos direitos dos trabalhadores. Esse ambiente pol\u00edtico germinou os horrores que estamos vendo nesse momento: ataques aos imigrantes, guerras imperialistas, pol\u00edticas de estado de car\u00e1ter racistas e a falta de perspectiva que alimenta a distopia.<\/p>\n<p><strong>4. Quais ataques podemos j\u00e1 perceber no Brasil dessa ascens\u00e3o do neofascismo? E quais novos ataques podem surgir?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil entrou definitivamente para o cen\u00e1rio pol\u00edtico do fascismo. O comportamento da m\u00eddia, o papel do Poder Judici\u00e1rio, as a\u00e7\u00f5es do MP, o balc\u00e3o de neg\u00f3cios do lumpesinato no parlamento, as pr\u00e1ticas p\u00fablicas do poder executivo, os valores disseminados na vida social sugerem que vivemos um cen\u00e1rio estimulado pela condensa\u00e7\u00e3o de crises, a exemplo do que avaliava o cientista pol\u00edtico Nicos Poulantzas. Todavia, tem algo muito importante nesse processo da luta de classes, os trabalhadores e os operadores da nossa pol\u00edtica (partidos revolucion\u00e1rios e movimentos populares com corte de classe, etc.) estar\u00e3o na resist\u00eancia e essa luta, no Brasil, tende a se acirrar.<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>ANDES-SN<\/p>\n<p>http:\/\/portal.andes.org.br\/andes\/print-ultimas-noticias\/print-ultimas-noticias.jsf;jsessionid=85C140F3C255B4DB34C23613D4FC34BE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21410\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[268],"tags":[224],"class_list":["post-21410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes-2018","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5zk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21410\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}