{"id":2144,"date":"2011-12-04T15:51:55","date_gmt":"2011-12-04T15:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2144"},"modified":"2011-12-04T15:51:55","modified_gmt":"2011-12-04T15:51:55","slug":"carta-aberta-ao-comandante-chavez-a-celac-a-unasul-e-os-acordos-com-a-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2144","title":{"rendered":"CARTA ABERTA AO COMANDANTE CH\u00c1VEZ, \u00c0 CELAC, \u00c0 UNASUL E OS ACORDOS COM A COL\u00d4MBIA"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c9 uma ideia grandiosa pretender fundar em todo o novo mundo uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o com um s\u00f3 v\u00ednculo que ligue as suas partes entre si e com o todo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Sim\u00f3n Bol\u00edvar<\/p>\n<p>Como organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com o socialismo como via \u00fanica para acabar com o regime sangrento do imperialismo, como coletivos unidos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade de iguais onde a justi\u00e7a reine para todos por igual, como sujeitos de transforma\u00e7\u00e3o dispostos a caminhar sem descanso at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Grande, saudamos a cria\u00e7\u00e3o CELAC, um espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 reunir os pa\u00edses de Nossa Am\u00e9rica em um territ\u00f3rio de paz com justi\u00e7a social. Este passo \u00e9 particularmente importante porque se contrap\u00f5e a um organismo fundamental da m\u00e1quina pol\u00edtico-militar ianque: a OEA [Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos].<\/p>\n<p>Neste contexto, e tamb\u00e9m no marco da pr\u00f3xima reuni\u00e3o de Chefes de Estado da UNASUL [Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas] nos dias 4 e 5 de dezembro, queremos aportar elementos internacionalistas para o impulso de uma nova territorialidade nesta Nossa Am\u00e9rica, vinculada \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos povos que sofrem a viol\u00eancia desp\u00f3tica do capital.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Desde a perspectiva do internacionalismo revolucion\u00e1rio se podem estabelecer acordos entre governos de car\u00e1ter popular e governos sujeitos aos interesses do capital, sempre e quando tais acordos n\u00e3o golpeiem o desenvolvimento da luta popular no interior de tais sociedades.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O internacionalismo Bolivariano tra\u00e7a um caminho que n\u00e3o pode estar atravessado por interesses alheios aos dos homens e mulheres que vivem neste continente. Nesse sentido, os acordos que sejam assinados no contexto da CELAC [Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos] e da UNASUL devem estar em conson\u00e2ncia com a constru\u00e7\u00e3o de um continente soberano.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>No nosso entender, o respeito pela autodetermina\u00e7\u00e3o e pela autonomia dos distintos Estados n\u00e3o pode equivaler a guardar sil\u00eancio frente \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o dos povos do Continente, frente \u00e0 injusti\u00e7a e \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o diante aos interesses norte-americanos. Como n\u00e3o se pronunciar sobre a elimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de opositores em Honduras? Isto em claro desprezo aos acordos estabelecidos depois da repatria\u00e7\u00e3o do presidente Zelaya. Como n\u00e3o se pronunciar sobre a justa sa\u00edda ao mar para a Bol\u00edvia? E as constantes evas\u00f5es e obstaculiza\u00e7\u00f5es, a partir de argumentos ret\u00f3ricos e formalismos por parte do Governo neoliberal de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era [presidente do Chile]? Como n\u00e3o levantar a voz frente \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das Malvinas como parte integral do territ\u00f3rio argentino, hoje em processo de explora\u00e7\u00e3o petroleira por parte do imperialismo ingl\u00eas? Como n\u00e3o se pronunciar diante da negativa do senado paraguaio para a aprova\u00e7\u00e3o da Venezuela como membro pleno no MERCOSUL? Como n\u00e3o exigir a erradica\u00e7\u00e3o das bases militares norte-americanas no continente? Por acaso podemos aspirar o fortalecimento da P\u00e1tria Grande se esquivando das necessidades urgentes de seu povo?<\/p>\n<p>Isso se torna particularmente relevante ao analisar as rela\u00e7\u00f5es da Venezuela com a Col\u00f4mbia. Dessa maneira, queremos manifestar algumas reflex\u00f5es, inquieta\u00e7\u00f5es e propostas do movimento revolucion\u00e1rio venezuelano e continental colhidas atrav\u00e9s de v\u00e1rios coletivos e organiza\u00e7\u00f5es populares; nosso objetivo neste sentido \u00e9 trazer elementos de an\u00e1lise sobre os v\u00ednculos estatais entre Venezuela e Col\u00f4mbia \u2013 rela\u00e7\u00f5es cujas evidentes contradi\u00e7\u00f5es e dilemas no pol\u00edtico e no \u00e9tico n\u00e3o podem nos deixar indiferentes.<\/p>\n<p>Estas delibera\u00e7\u00f5es se fazem mais urgentes diante da reuni\u00e3o Ch\u00e1vez-Santos de 28 de novembro, frente a qual temos que expressar nossa preocupa\u00e7\u00e3o sobre os acordos que est\u00e3o sendo assinados entre Col\u00f4mbia e Venezuela, e sobre os que se podem ainda vir a assinar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio nos aprofundarmos car\u00e1ter eminentemente entreguista (ao imperialismo) e repressivo (contra os setores populares) do Estado colombiano. As evid\u00eancias saltam \u00e0 vista: sete bases norte-americanas e acordos militares com Gr\u00e3-Bretanha e Israel, inumer\u00e1veis casos de viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, que v\u00e3o desde as expuls\u00f5es das terras e a tortura at\u00e9 os assassinatos de sindicalistas e outros dirigentes populares, os falsos positivos e os desaparecimentos massivos. Somente desde que Santos chegou ao poder, foram registrados, segundo cifras oficiais, mais de cem ativistas de direitos humanos v\u00edtimas do terrorismo de Estado. Recordamos amargamente que os delitos de lesa-humanidade n\u00e3o formam parte do passado na Col\u00f4mbia, mas s\u00e3o parte do cotidiano macabro do presente.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que nos alerta e surpreende a pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o que o governo venezuelano tem desenvolvido com o pa\u00eds vizinho atrav\u00e9s da assinatura do funesto Acordo de Cartagena, entre cujos pontos se encontra, segundo o pr\u00f3prio ex-ministro de defesa colombiano Rodrigo Rivera, um marco jur\u00eddico que permitir\u00e1 \u00e0s autoridades de ambos pa\u00edses \u201ccompartilhar informa\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia, fortalecer a coopera\u00e7\u00e3o judicial e as opera\u00e7\u00f5es em todos n\u00edveis, unindo elos\u201d. Como revolucion\u00e1rios, compreendemos que estes passos abrem uma profunda fenda em nosso processo bolivariano. Neste sentido, perguntamos: onde est\u00e1 nossa solidariedade internacionalista com os homens e as mulheres que lutam pela autodetermina\u00e7\u00e3o popular da Col\u00f4mbia? O que ocorreu com o discurso do governo bolivariano que h\u00e1 tr\u00eas anos reconheceu a beliger\u00e2ncia da insurg\u00eancia colombiana? Ou ser\u00e1 que devemos suportar em sil\u00eancio todo o peso do pragmatismo sem \u00e9tica da realpolitik?<\/p>\n<p>Preocupam-nos as recentes palavras da Chanceler colombiana, Mar\u00eda \u00c1ngela Holgu\u00edn, amplamente divulgadas pelo Sistema Nacional de M\u00eddias Venezuelanas, nas quais declarava que o governo de Santos tem confian\u00e7a de que logo se assinar\u00e1 um acordo de coopera\u00e7\u00e3o militar (\u201ccolabora\u00e7\u00e3o direta entre ex\u00e9rcitos\u201d, segundo disse Holgu\u00edn) com o executivo venezuelano. Assinar um acordo com este car\u00e1ter poderia representar a entrega de nossa soberania.<\/p>\n<p>Em nosso entender, colaborar com a Col\u00f4mbia no aspecto militar \u00e9 um golpe duplo \u00e0 moral revolucion\u00e1ria: por um lado implica a colabora\u00e7\u00e3o de fato com os Estados Unidos e, por outro, o colaboracionismo com o terrorismo da oligarquia colombiana at\u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia popular no pa\u00eds vizinho, que n\u00e3o somente passa pela guerra contra-insurgente, mas que intenta acabar tamb\u00e9m com toda oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Col\u00f4mbia, a saber, movimentos oper\u00e1rios, camponeses, ind\u00edgenas, estudantis, etc.<\/p>\n<p>Neste sentido, recordemos que as revolu\u00e7\u00f5es latino-americanas conheceram as consequ\u00eancias nefastas das alian\u00e7as militares dos governos que respondiam aos interesses do capital e do imperialismo, com a aplica\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 70 do Plano Condor; portanto, vemos com profunda preocupa\u00e7\u00e3o a assinatura de acordos militares na atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no continente.<\/p>\n<p>Como organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com o avan\u00e7o do processo bolivariano, com o socialismo e a P\u00e1tria Grande, insistimos ao nosso governo a se desvincular do projeto sanguin\u00e1rio da oligarquia colombiana. Repudiamos as alian\u00e7as com um ex\u00e9rcito que volta suas armas contra seu pr\u00f3prio povo, que tem sido o respons\u00e1vel por massacres, expuls\u00f5es dos pequenos agricultores de suas terras, valas comuns, falsos positivos e demais crimes de lesa-humanidade.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, colhemos duas breves frases, uma de Bol\u00edvar e outra de Mart\u00ed, que guiam nosso pensamento e nosso compromisso: \u201cA P\u00e1tria \u00e9 a Am\u00e9rica\u201d aponta a uma territorialidade integradora e revolucion\u00e1ria do projeto Bolivariano, e \u201cA P\u00e1tria \u00e9 a humanidade\u201d determina o car\u00e1ter essencialmente internacionalista e classista de uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabalhemos pois pela constru\u00e7\u00e3o de uma Am\u00e9rica Latina guiada pelos sentimentos humanistas e revolucion\u00e1rios que expressaram Bol\u00edvar e Mart\u00ed: O radiante pensamento deles h\u00e1 de guiar nossas a\u00e7\u00f5es internacionalistas e nosso destino soberano!<\/p>\n<p>Novembro de 2011<\/p>\n<p>Movimento Continental Bolivariano, Cap\u00edtulo Venezuela<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: MCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2144\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-yA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2144\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}