{"id":21447,"date":"2018-11-24T05:00:53","date_gmt":"2018-11-24T07:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21447"},"modified":"2018-11-25T02:11:38","modified_gmt":"2018-11-25T04:11:38","slug":"lugar-de-mulher-e-na-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21447","title":{"rendered":"Lugar de Mulher \u00e9 na Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-WYxOPMifQxY\/W_RNe71bQCI\/AAAAAAAAALw\/zD7Ffx1GC68NyOXORDwde38Gto4V82n9wCLcBGAs\/s400\/LUGAR%2BDE%2BMULHER%2B%25C3%2589%2BNA%2BCI%25C3%258ANCIA%2B%25281%2529.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><b>Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro de S\u00e3o Paulo<\/b><\/p>\n<p><b>As \u201cm\u00e3es\u201d da ci\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Estamos acostumadas a ler biografias de cientistas, pesquisadores e inventores que, por serem pioneiros em seus estudos e feitos cient\u00edficos, foram historicamente denominados como \u201cpais da ci\u00eancia\u201d ou de suas descobertas. Biografias estas, em maioria, esquecidas ao n\u00e3o citar as mulheres que, desde o in\u00edcio da humanidade, geram e\/ou s\u00e3o a for\u00e7a bra\u00e7al e intelectual que nos permitiu tra\u00e7ar esse longo caminho at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>O registro mais antigo de uma mulher na ci\u00eancia \u00e9 de 2700 a.c. e pertence a Merit Ptah, m\u00e9dica chefe no antigo Egito. Apesar de, desde sempre passarem por opress\u00f5es e repress\u00f5es de g\u00eanero que muitas vezes as impediam de estar em determinados lugares e posi\u00e7\u00f5es, na Gr\u00e9cia antiga, estudos como o de filosofia natural tamb\u00e9m eram abertos \u00e0s mulheres\u00a0<i>\u2013 que acabavam por tomar frente em pesquisas e, com isso, tiveram grande contribui\u00e7\u00e3o para as produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da \u00e9poca, em \u00e1reas como a medicina, astronomia, matem\u00e1tica, filosofia e f\u00edsica. Ademais, foram duas mulheres as primeiras a fazerem uso de equipamentos e processos qu\u00edmicos<\/i>. Isto refere-se ao fato de que o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi historicamente negado \u00e0s mulheres. Os registros hist\u00f3ricos de mulheres da antiguidade que dedicaram suas vidas ao estudo e pesquisa s\u00e3o raros e se restringem \u00e0s tais \u00e1reas: de medicina, bot\u00e2nica e alquimia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de pontuar \u2013\u00a0<i>ou, ent\u00e3o, n\u00e3o dar a devida aten\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0\u2013 ao fato de que tais possibilidades s\u00f3 eram cab\u00edveis \u00e0s mulheres que, de algum modo, detinham posses e riquezas e, para a ascens\u00e3o destes homens e mulheres, muitos outros foram escravizados e explorados \u2013\u00a0<i>pr\u00e1tica ainda mais comum com o princ\u00edpio da Idade M\u00e9dia; com o r\u00e1pido avan\u00e7o do cristianismo; passando pela temida Idade das Trevas (per\u00edodo de escasso ou erradicada produ\u00e7\u00e3o de registros hist\u00f3ricos, cultural, econ\u00f4mico e cient\u00edfico); com a queda do Imp\u00e9rio Romano; e, com as abadessas (alto cargo religioso crist\u00e3o) que tinham acesso \u00e0s c\u00f3pias de manuscritos de estudiosos do passado e que passaram a ler e continuar a produ\u00e7\u00e3o cientifica em diversas \u00e1reas de conhecimento<\/i>. Por\u00e9m, o crescimento das freiras, em n\u00famero e poder, n\u00e3o foi nenhum pouco agrad\u00e1vel para o Clero, \u00e0 \u00e9poca extremamente patriarcal e mis\u00f3gino, que reagiu com ordena\u00e7\u00f5es religiosas imperativas, fechando suas portas paras as mulheres e excluindo-as da oportunidade de aprender a ler e a escrever.<\/p>\n<p>Em tempo adiante, cumpre registrar o surgimento das universidades, que foram edificadas, como de praxe, majoritariamente para os homens, onde poucas as institui\u00e7\u00f5es que abriram suas portas para algumas mulheres assistirem determinadas palestras, em sua maioria, na \u00e1rea da medicina, visto desde ent\u00e3o a influ\u00eancia dada \u00e0s mulheres para ocuparem cargos relacionados ao cuidado \u2013\u00a0<i>encargo destinado pela constru\u00e7\u00e3o da ideia de maternidade compuls\u00f3ria<\/i>.<\/p>\n<p>Na modernidade n\u00e3o tem sido diferente. Ainda relegada ao lar e aos afazeres dom\u00e9sticos, a mulher foi impedida de participar da explos\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico e desenvolvimento das tecnologias que marcam a sociedade moderna. E esse quadro s\u00f3 come\u00e7ou a mudar muito recentemente.\u00a0A entrada da mulher no mercado de trabalho marca, pela necessidade de forma\u00e7\u00e3o profissional, sua gradual entrada na universidade. Hoje sete pa\u00edses (Reino Unido, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Fran\u00e7a, Dinamarca e Brasil) j\u00e1 atingiram marca de pelo menos 40% do total de publica\u00e7\u00f5es sendo feitas por mulheres, n\u00famero considerado patamar de igualdade.<\/p>\n<p>Apesar desses n\u00fameros aparentemente animadores, considerar apenas a quantidade de publica\u00e7\u00f5es \u00e9 insuficiente para compreender a realidade. Um estudo publicado no peri\u00f3dico Harvard Business Review mostrou que 52% das pesquisadoras estadunidenses desistem da carreira, a maioria por volta de seus 30 anos. O alto n\u00edvel de desist\u00eancia est\u00e1 relacionado com o fato de, al\u00e9m do trabalho cient\u00edfico demandar longas jornadas de pesquisas e viagens fora do expediente como confer\u00eancias e trabalho de campo, a mulher ainda precisa conciliar tudo isso com o trabalho dom\u00e9stico e maternal.<\/p>\n<p>Outro problema ainda muito presente \u00e9 a baixa inser\u00e7\u00e3o das mulheres nos cursos de ci\u00eancias naturais, como matem\u00e1tica, f\u00edsica e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, o que pode ser explicado pela falta de est\u00edmulos que recebemos desde muito cedo em nossos lares. Enquanto meninos s\u00e3o estimulados a construir, pilotar e concertar, os brinquedos de meninas se ainda restringem ao ambiente dom\u00e9stico.\u00a0Se hoje uma parcela das mulheres tem acesso \u00e0 universidade, seu acesso \u00e9 ainda pouco estimulado e sua perman\u00eancia e possibilidade de seguir carreira cient\u00edfica s\u00e3o ainda muito fr\u00e1geis dada a dupla jornada que ainda recai exclusivamente sobre a mulher e falta de direitos como acesso a creches e direito a amamenta\u00e7\u00e3o em ambientes de trabalho.<\/p>\n<p>Nota-se, assim, que desde o princ\u00edpio, passando pela revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no s\u00e9culo XVI, temos uma imensid\u00e3o de hist\u00f3rias de mulheres que foram negligenciadas, exclu\u00eddas e apagadas de incr\u00edveis feitos e locais voltados ao conhecimento. Em contrapartida, o ideal aceito passou a ser de que ser\u00edamos mentalmente inferiores aos homens e que nosso papel deveria ser exclusivo aos cuidados da fam\u00edlia, exercendo manuten\u00e7\u00e3o da rotina e do sistema j\u00e1 capitalista e patriarcal. Apesar deste cen\u00e1rio, mulheres como n\u00f3s continuaram lutando por seus direitos e pela possibilidade de provarem sua capacidade intelectual, apagadas atr\u00e1s de seus maridos \u2013\u00a0<i>que muitas vezes se apropriavam de seus estudos<\/i>\u00a0\u2013, interrompidas em suas produ\u00e7\u00f5es e invisibilizadas, como, por exemplo, no caso de Hedy Lamarr: inventora e atriz, pioneira na inven\u00e7\u00e3o de sistemas de comunica\u00e7\u00e3o e sinais \u2013\u00a0<i>que mais a frente originou o hoje ent\u00e3o conhecido \u201csinal Wifi<\/i>\u201d \u2013 que, apesar de todo o feito, \u00e9 apenas lembrada por ter sido a primeira mulher a aparecer nua no cinema.<\/p>\n<p>Dentre in\u00fameros exemplos e cita\u00e7\u00f5es mais: Maria Gaetana Agnesi, matem\u00e1tica espanhola, autora do primeiro livro de \u00e1lgebra escrito por uma mulher. Marie Curie, m\u00e3e da f\u00edsica moderna, pioneira em estudos com radioatividade. Rosa de Luxemburgo, com sua incr\u00edvel contribui\u00e7\u00e3o marxista e dial\u00e9tica. Nise da Silveira, psiquiatra pioneira na luta antimanicomial no Brasil.\u00a0Enfim, mulheres incr\u00edveis que, apesar de todas as dificuldades aqui postas, as posi\u00e7\u00f5es de classe foram prop\u00edcias para que ascendessem. Este adendo nos serve para que enxerguemos que a luta vai al\u00e9m. Devemos, portanto, lutar para que reste assegurada uma educa\u00e7\u00e3o laica, p\u00fablica, gratuita e inclusiva, para que tamb\u00e9m nossas meninas do seio prolet\u00e1rio e as mulheres trabalhadoras consigam alcan\u00e7ar verdadeiros papeis dentro da ci\u00eancia, dos locais acad\u00eamicos e dos livros hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Camaradas e companheiras: coragem e a\u00e7\u00e3o! Para compreender nosso papel enquanto acad\u00eamicas e produtoras do conhecimento, devemos nos apropriar das leituras que nos contemplam enquanto g\u00eanero e classe, como Angela Davis: negra, feminista e marxista, que com sua obra &#8220;Mulheres, ra\u00e7a e classe&#8221; nos permite entender os acontecimentos e o dif\u00edcil caminho trilhado por n\u00f3s e as causas de nossa posi\u00e7\u00e3o totalmente desigual na sociedade, inclusive no mundo da ci\u00eancia e do conhecimento, mas que, acima de tudo, tamb\u00e9m nos enche de coragem para a transforma\u00e7\u00e3o. Sejamos juntas, com nossa voz ativa e embasada, a nossa pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>https:\/\/cfcamsp.blogspot.com\/2018\/11\/as-maes-da-ciencia-estamos-acostumadas.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21447\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[222],"class_list":["post-21447","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5zV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21447\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}