{"id":2146,"date":"2011-12-04T16:07:06","date_gmt":"2011-12-04T16:07:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2146"},"modified":"2011-12-04T16:07:06","modified_gmt":"2011-12-04T16:07:06","slug":"avancar-na-luta-contra-o-capitalismo-e-construir-a-revolucao-socialista-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2146","title":{"rendered":"Avan\u00e7ar na luta contra o capitalismo e construir a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista no Brasil!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>(Confer\u00eancia Pol\u00edtica Nacional \u2013 Rio de Janeiro, 12 e 13 de novembro 2011)<\/strong><\/p>\n<p>Os comunistas do PCB, reunidos na Confer\u00eancia Pol\u00edtica Nacional, realizada no Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de novembro de 2011, avaliam que a crise sist\u00eamica do capitalismo \u00e9 profunda e devastadora. Esta crise revela n\u00e3o apenas os efeitos nefastos das pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais vigentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas em todo o mundo \u2013 deixando um rastro de desemprego, perda de direitos sociais e desesperan\u00e7a para a imensa maioria dos trabalhadores \u2013 mas a pr\u00f3pria natureza do sistema \u2013 excludente, concentradora de renda e riqueza, destruidora do planeta, geradora de guerras e promotora do incentivo \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do Homem pelo Homem. Mais uma vez, abre-se o horizonte para a \u00fanica alternativa capaz de garantir a sobreviv\u00eancia da humanidade e do planeta: o socialismo, na perspectiva do comunismo.<\/p>\n<p>A crise sist\u00eamica do capitalismo confirma as tend\u00eancias de centraliza\u00e7\u00e3o do capital no plano mundial. Com um n\u00famero cada vez menor de grandes grupos conglomerados dominando a maior parte da economia internacional, a burguesia busca sair da crise com o recrudescimento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. A fim de manter seus lucros, os capitalistas aprofundam a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e reduzem os sal\u00e1rios, ao mesmo tempo em que se verifica um processo crescente de proletariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores assalariados das camadas m\u00e9dias e do campesinato, pois a a\u00e7\u00e3o do capital dirige-se para a forma\u00e7\u00e3o de novos e amplos contingentes de trabalhadores \u201clivres\u201d para vender barato e de forma prec\u00e1ria a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>No plano pol\u00edtico, governos seguem dando suporte ao grande aparato empresarial e suas demandas, com a transfer\u00eancia de gigantescos recursos financeiros do setor p\u00fablico para \u201csalvar\u201d bancos e ind\u00fastrias amea\u00e7adas e a promo\u00e7\u00e3o de cortes or\u00e7ament\u00e1rios nas \u00e1reas sociais, demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e a retirada de direitos dos trabalhadores em geral, demonstrando enorme desprezo \u00e0s crescentes manifesta\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o e de contesta\u00e7\u00e3o que v\u00eam ocorrendo por toda parte.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica e as diversas manifesta\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores levam os governos burgueses de v\u00e1rios pa\u00edses ao limite de sua viabilidade de sustenta\u00e7\u00e3o, como nos casos da Gr\u00e9cia, da It\u00e1lia, Portugal, Espanha e outros, cujas pol\u00edticas de arrocho e cortes or\u00e7ament\u00e1rios encontram cada vez maior resist\u00eancia da parte das popula\u00e7\u00f5es espoliadas, como no caso dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europ\u00e9ia vem perdendo subst\u00e2ncia pol\u00edtica e econ\u00f4mica, com o enfraquecimento da zona do Euro. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia vem enfrentando disputas pol\u00edticas internas e h\u00e1 uma perspectiva real de fragmenta\u00e7\u00e3o da zona do Euro, o que, somado ao processo de pauperiza\u00e7\u00e3o da periferia europ\u00e9ia, enfraquece e amea\u00e7a o projeto original burgu\u00eas da Unifica\u00e7\u00e3o Europ\u00e9ia, cuja legitimidade de representa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em crise.<\/p>\n<p>O imperialismo segue amea\u00e7ando a continuidade da exist\u00eancia da humanidade. Depois de ocuparem o Iraque e o Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos e a OTAN invadiram covardemente a L\u00edbia e agora amea\u00e7am a S\u00edria, o L\u00edbano e o Ir\u00e3, ao passo que Israel segue matando, prendendo e expulsando palestinos de suas terras.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de mais bases militares na Col\u00f4mbia e o apoio aberto ao governo terrorista de Santos, a presen\u00e7a ostensiva da CIA no Paraguai e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, a reativa\u00e7\u00e3o da IV Frota, o golpe em Honduras e outras a\u00e7\u00f5es evidenciam a investida dos EUA na Am\u00e9rica Latina, visando garantir a perpetua\u00e7\u00e3o de seus interesses, no contraponto \u00e0s experi\u00eancias de car\u00e1ter democr\u00e1tico-popular e anti-imperialista dos movimentos e governos na Venezuela, Bol\u00edvia, Equador, assim como \u00e0 continuidade da revolu\u00e7\u00e3o socialista em Cuba.<\/p>\n<p>Entre as muitas formas de contraposi\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o popular contra os efeitos nefastos da crise econ\u00f4mica e do pr\u00f3prio sistema capitalista, espalham-se pelo mundo os protestos dos chamados movimentos dos indignados, que se apresentam com diferentes conforma\u00e7\u00f5es e bases sociais nos diversos pa\u00edses onde v\u00eam surgindo. Este \u00e9, sem d\u00favida, um bom sinal do potencial de resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preocupante a aus\u00eancia, na maioria dos casos, de uma dire\u00e7\u00e3o consequente e de representa\u00e7\u00f5es sindicais e partid\u00e1rias no sentido da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da luta radical pela ruptura com o capitalismo e o poder burgu\u00eas.<\/p>\n<p>O capitalismo brasileiro, vivendo a fase monopolista e plenamente associado aos capitais mundiais e ao imperialismo, mesmo que de forma subordinada, consolida seu processo de integra\u00e7\u00e3o internacional, com a expans\u00e3o de grandes empresas multinacionais de matriz brasileira, principalmente na Am\u00e9rica Latina. Por isso mesmo e em virtude das pol\u00edticas governamentais de prote\u00e7\u00e3o ao capital e ao mercado nacionais, os efeitos da crise mundial at\u00e9 agora n\u00e3o foram sentidos de forma impactante. Mas \u00e9 fato que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 imune a ela, nem mesmo no curto prazo, conforme indica o aumento da carestia e do arrocho salarial para os trabalhadores de muitos setores da economia, o crescimento recente do desemprego nos setores metal\u00fargico e t\u00eaxtil, havendo ainda previs\u00e3o de freio na produ\u00e7\u00e3o industrial e de novas demiss\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Ainda que tenha ocorrido, na \u00faltima d\u00e9cada, certo crescimento da economia \u2013 inferior aos padr\u00f5es das d\u00e9cadas de 1950 e 70 \u2013, apresenta-se no Brasil um quadro de alarmante desigualdade social, grande concentra\u00e7\u00e3o de renda e de propriedade, de exclus\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o dos direitos sociais. Na \u00e1rea econ\u00f4mica, a presidente Dilma mant\u00e9m o favorecimento aos bancos e \u00e0s grandes empresas, n\u00e3o tendo sido operada, desde o in\u00edcio do governo Lula, qualquer revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es e das pr\u00e1ticas de flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas e sociais realizadas nos governos FHC.<\/p>\n<p>Muito pelo contr\u00e1rio, verifica-se o aprofundamento da mercantiliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, com a terceiriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, em v\u00e1rios estados, em favor das Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OS) e outras formas de privatiza\u00e7\u00e3o, transformando o direito \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, historicamente conquistado, em mera mercadoria. De igual forma, ocorre progressivamente o desmonte da previd\u00eancia p\u00fablica e de in\u00fameros direitos sociais, como o acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, cada vez mais restrito em fun\u00e7\u00e3o do sucateamento da escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>Todo este quadro demonstra a op\u00e7\u00e3o feita pelo governo Dilma, de prosseguir na tentativa de transformar o Brasil numa pot\u00eancia capitalista e mesmo imperialista, para o que as a\u00e7\u00f5es governistas voltam-se a facilitar a expans\u00e3o do capital financeiro e industrial monopolista interna e externamente, ao passo que, para os trabalhadores e camadas populares, al\u00e9m das pol\u00edticas compensat\u00f3rias para os mais pobres, reserva-se apenas a perspectiva de maior acesso ao mercado de bens de consumo com o prometido crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, sem que seja minimamente alterada a estrutura desigual e concentradora da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Vivemos sob a hegemonia acachapante dos valores burgueses, uma hegemonia que se sustenta \u2013 para al\u00e9m da enorme press\u00e3o da grande m\u00eddia capitalista \u2013 pela base material criada com a relativa expans\u00e3o na oferta de empregos extremamente precarizados e pelo incentivo ao consumo via facilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, mesmo para as camadas de baixa renda, uma hegemonia que induz \u00e0 acomoda\u00e7\u00e3o, desestimulando a luta e dificultando a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Entre muitos outros mecanismos, como a a\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia, esta hegemonia conservadora \u00e9 respaldada por for\u00e7as pol\u00edticas reformistas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao governo, inclusive atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e sociais cooptadas e degeneradas. Muitas Ongs e movimentos que se apresentam como \u201capartid\u00e1rios\u201d, dedicados a lutas parciais e espec\u00edficas, s\u00e3o tamb\u00e9m reprodutores desta hegemonia, contribuindo para a eleva\u00e7\u00e3o do grau de aliena\u00e7\u00e3o das massas e dificultando a eclos\u00e3o de movimentos populares claramente anticapitalistas e com disposi\u00e7\u00e3o para caminhar no rumo da alternativa socialista.<\/p>\n<p>Em que pese o quadro pol\u00edtico desfavor\u00e1vel, os trabalhadores brasileiros resistem \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de diversas formas. Neste ano eclodiram em todo o pa\u00eds greves e manifesta\u00e7\u00f5es populares, com destaque para a paralisa\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios nos canteiros das obras do PAC, a luta dos bombeiros no Rio, dos professores em oito estados, metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, trabalhadores dos correios, profissionais da sa\u00fade e outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ressurgem com for\u00e7a v\u00e1rios movimentos de car\u00e1ter comunit\u00e1rio e de lutas gerais em defesa da terra, moradia, do meio ambiente e outras. Tais a\u00e7\u00f5es evidenciam certa retomada do sindicalismo e dos movimentos populares, que reassumem gradativamente papel de destaque no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional.<\/p>\n<p>Reunido em sua Confer\u00eancia Pol\u00edtica Nacional, o Partido Comunista Brasileiro, em seu processo de reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e \u00e0 luz do entendimento do car\u00e1ter socialista da Revolu\u00e7\u00e3o brasileira, defende que somente a unidade das for\u00e7as revolucion\u00e1rias, a organiza\u00e7\u00e3o e o aprofundamento da consci\u00eancia de classe dos trabalhadores far\u00e3o avan\u00e7ar a luta anticapitalista e a constru\u00e7\u00e3o da alternativa socialista no Brasil. Uma frente de esquerda n\u00e3o pode ser apenas uma coliga\u00e7\u00e3o eleitoral. Tem que ser uma frente pol\u00edtica permanente, forjada na unidade de a\u00e7\u00e3o, no movimento sindical, nas lutas populares e na solidariedade internacional, voltada ao combate ativo \u00e0s a\u00e7\u00f5es da burguesia e do imperialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o da luta sindical \u2013 com a recomposi\u00e7\u00e3o do campo original da Intersindical e sua amplia\u00e7\u00e3o \u2013, dos trabalhadores da cidade e do campo, das lutas da juventude, das mulheres, das camadas populares, da solidariedade internacionalista. Reafirmamos a proposta de forma\u00e7\u00e3o de uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista e a constitui\u00e7\u00e3o, nas experi\u00eancias cotidianas das lutas dos trabalhadores e das for\u00e7as populares, do Poder Popular, buscando forjar, desde agora, o caminho da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista no Brasil.<\/p>\n<p>Confer\u00eancia Pol\u00edtica Nacional do PCB<\/p>\n<p>Novembro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nDeclara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do PCB\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2146\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-2146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-yC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}