{"id":21472,"date":"2018-11-26T23:39:35","date_gmt":"2018-11-27T01:39:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21472"},"modified":"2018-11-27T00:04:26","modified_gmt":"2018-11-27T02:04:26","slug":"argentina-que-se-pode-esperar-do-g-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21472","title":{"rendered":"Argentina: que se pode esperar do G-20?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/25-de-nov-g20_2017-620x400.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Julio C Gambina<br \/>\nResumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Recordemos que o G-20 emergiu como \u201cEncontro de Presidentes\u201d em meio \u00e0 crise mundial capitalista de 2007\/08, montado sobre uma estrutura global gestada desde 1999 entre respons\u00e1veis pela pol\u00edtica econ\u00f4mica e financeira, voltado ent\u00e3o a tratar dos problemas do endividamento end\u00eamico de alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o primeira da inclus\u00e3o desde a origem dos pa\u00edses latino-americanos: Argentina, Brasil e M\u00e9xico. N\u00e3o integram o G-20 por ser parte dos pa\u00edses maiores, por sua produ\u00e7\u00e3o ou atividade econ\u00f4mica, mas sim por serem grandes devedores, ontem e hoje.<\/p>\n<p>De todos modos, o G-20 como Encontro Presidencial inclui a amplia\u00e7\u00e3o do consenso \u00e0 hegemonia disputada pelos EUA no G-7 (EUA, Inglaterra, Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e Canad\u00e1) a que se somam os emergentes, especialmente China, que a rigor \u00e9 a pot\u00eancia que hoje promove a disputa pela hegemonia do sistema mundial. N\u00e3o apenas por conta da sua capacidade produtiva, das rela\u00e7\u00f5es comerciais e financeiras de China com o mundo, sen\u00e3o por causa das alian\u00e7as que desenvolve.<\/p>\n<p>Esta semana, a China junto com a Uni\u00e3o Europeia demandaram ante a OMC contra os EUA por causa das restri\u00e7\u00f5es alfandeg\u00e1rias \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o do a\u00e7o. H\u00e1 ainda que destacar a alian\u00e7a da China com a R\u00fassia e, mais al\u00e9m, com o Ir\u00e3 e outras pot\u00eancias com capacidade de interven\u00e7\u00e3o no sistema mundial em virtude de certas e relativas vantagens na produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera ou por suas capacidades defensivas\/ofensivas do ponto de vista militar.<\/p>\n<p>Como podemos observar, os problemas s\u00e3o diversos no sistema mundial contempor\u00e2neo, expressos na disputa pela hegemonia, no \u00e2mbito econ\u00f4mico, pol\u00edtico, militar e inclusive cultural. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 saber quem dirige os destinos del mundo. Este \u00e9 um tema que afeta a toda a humanidade.<\/p>\n<p>Os EUA decretaram a guerra comercial contra a China e o gigante asi\u00e1tico respondeu no mesmo n\u00edvel da agress\u00e3o com a iniciativa mundial de lan\u00e7ar sua moeda na disputa global. A mundializa\u00e7\u00e3o do yuan atua contra a hegemonia do d\u00f3lar no sistema monet\u00e1rio. O desenvolvimento militar da China e seus aliados cont\u00eam as agress\u00f5es imperialistas em diversos territ\u00f3rios amea\u00e7ados por Washington, sejam a S\u00edria, a Venezuela ou qualquer ponto de interesse estrat\u00e9gico para os EUA.<\/p>\n<p>A poucos dias do encontro do G-20 na Argentina, dificilmente pode se prever que se avan\u00e7ar\u00e1 em \u201cresolver\u201d estas contradi\u00e7\u00f5es do sistema mundial. H\u00e1 d\u00favidas at\u00e9 se ser\u00e1 poss\u00edvel haver qualquer acordo global que suponha alguma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica capaz de ir al\u00e9m dos par\u00e2metros da linguagem profissional e an\u00f3dina da diplomacia internacional.<\/p>\n<p>Igualmente, para o governo da Argentina resulta atrativo aliar-se ao poder governamental do mundo para imaginar atrair investimentos que sustentem o funcionamento do capitalismo local. \u00c9 o que vem logrando com a assist\u00eancia financeira do FMI por 57 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e a amplia\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito chin\u00eas (swap) em cerca de 19 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Sem assist\u00eancia financeira n\u00e3o pode se sustentar a estrat\u00e9gia macrista para o funcionamento do capitalismo local, que favorece a fuga de capitais da classe dominante.<\/p>\n<p>Sem preju\u00edzo das tens\u00f5es no poder mundial e da estrat\u00e9gia do governo Macri, ter\u00e1 destaque a presen\u00e7a divergente e cr\u00edtica durante a semana de a\u00e7\u00e3o contra o G-20 e o FMI entre 25\/11 e 1\/12, em que se sobressair\u00e3o as atividades das diferentes redes de movimentos sociais: o Encontro dos Povos com seu formato de \u201cfestival\u201d nas portas do Congresso da Argentina e a mobiliza\u00e7\u00e3o popular do 30\/11.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do secretismo oficioso do G-20, o movimento popular coincide nas consignas cr\u00edticas ao G-20 e ao FMI pelo que representam suas estrat\u00e9gias para o conjunto da sociedade popular, ou seja, todo aquele que est\u00e1 fora do 1%, ou, sendo generoso, dos 20% de maiores ingressos, os que concentram o principal da apropria\u00e7\u00e3o do produto social do trabalho.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o divergente, presente na mobiliza\u00e7\u00e3o argentina ou em outras cidades do mundo expressam o N\u00c3O a uma agenda que somente favorece as grandes empresas transnacionais e que se evidencia nas demandas por reformas previdenci\u00e1rias e trabalhistas. O central da agenda dos monop\u00f3lios e do poder mundial aponta para a retirada de direitos de trabalhadoras e trabalhadores para favorecer e recuperar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de lucros e sua acumula\u00e7\u00e3o, com v istas \u00e0 maior domina\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito global.<\/p>\n<p>O N\u00c3O segue constituindo o centro da articula\u00e7\u00e3o popular, ainda que no caminho apare\u00e7am alguns SIM que necessitam estender-se para se transformar em programa generalizado do imagin\u00e1rio popular rumo a uma sociedade alternativa \u00e0 ordem capitalista.<\/p>\n<p>Destaca-se nesse plano dos SIM a luta pela soberania alimentar, essencial em qualquer projeto emancipador que se proponha de fato alternativo. O primeiro desafio de qualquer projeto de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social deve resolver a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Somente a partir da\u00ed se pode sustentar no longo prazo um processo libertador.<\/p>\n<p>No mesmo caminho atua a soberania energ\u00e9tica, j\u00e1 que os hidrocarbonetos constituem, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o principal insumo da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A domina\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, do g\u00e1s, da energia \u00e9 a base do conflito territorial hegem\u00f4nico que hoje desenvolvem as pot\u00eancias dominantes do sistema mundial. Por isso \u00e9 fundamental recuperar o sentido da produ\u00e7\u00e3o e do consumo energ\u00e9tico rumo a um processo de independ\u00eancia e liberta\u00e7\u00e3o nacional e social.<\/p>\n<p>A soberania financeira constitui um terceiro momento na constru\u00e7\u00e3o do SIM dos povos. Para superar a depend\u00eancia financeira e a l\u00f3gica subordinada que sup\u00f5e a integra\u00e7\u00e3o ao sistema financeiro mundial com os organismos internacionais encabe\u00e7ando-o. O FMI e o Banco Mundial s\u00e3o partes dirigentes de uma l\u00f3gica financeira e especulativa internacional que sustenta a domina\u00e7\u00e3o monopolista e transnacional no nosso tempo.<\/p>\n<p>Tudo o que foi dito sup\u00f5e ao mesmo tempo a luta pelos direitos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade, dentre muitos, j\u00e1 que a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita pode sustentar a base da forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional para a independ\u00eancia tecnocient\u00edfica com vistas a promover novos e alternativos modelos produtivos e de desenvolvimento. Sem falar da sa\u00fade p\u00fablica gratuita que assegure o desfrute \u00e0 maior expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, na contram\u00e3o das tend\u00eancias privatizantes subordinadas \u00e0 l\u00f3gica do lucro.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que se debater\u00e1 no G-20 de Buenos Aires entre 30\/11 y el 1\/12, com uma agenda do poder atravessada pelas tens\u00f5es no interior da disputa do poder mundial, conjugando-se com a din\u00e2mica popular em confronta\u00e7\u00e3o a este poder, por fora de suas depend\u00eancias internas. A articula\u00e7\u00e3o popular, mesmo com projetos pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos e culturais diferenciados, \u00e9 a base para se passar do N\u00c3O compartilhado ao SIM pela constru\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico e social que surja como resultado da experi\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o e luta do movimento popular.<\/p>\n<p>Com a programa\u00e7\u00e3o anunciada nos dias anteriores ao encontro presidencial e seu desenvolvimento se jogam duas estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>Uma resulta do poder mundial, incerta e com variadas tens\u00f5es. A outra se joga no campo das organiza\u00e7\u00f5es populares, confluindo nos atos do N\u00c3O ao G-20 e ao FMI, \u00e0 agenda de liberaliza\u00e7\u00e3o, da depend\u00eancia, etc.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de fundo na agenda das classes subalternas passa pelos SIM assinalados e logicamente ensaiando uma melhor resposta t\u00e1tica e estrat\u00e9gica para o objetivo da transforma\u00e7\u00e3o social para al\u00e9m e contra o capitalismo.<\/p>\n<p>http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2018\/11\/25\/argentina-que-se-puede-esperar-de-la-cumbre-del-g20\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21472\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[228],"class_list":["post-21472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ak","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}