{"id":2151,"date":"2011-12-06T22:09:47","date_gmt":"2011-12-06T22:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2151"},"modified":"2011-12-06T22:09:47","modified_gmt":"2011-12-06T22:09:47","slug":"oposicao-social-na-era-da-internet-militantes-qde-tecladoq-e-intelectuais-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2151","title":{"rendered":"Oposi\u00e7\u00e3o social na era da Internet: Militantes &#8220;de teclado&#8221; e intelectuais p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, e mais precisamente a internet, com a pol\u00edtica \u00e9 uma quest\u00e3o central para os movimentos sociais contempor\u00e2neos. Tal como outros avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos no passado, as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o (TI) servem um duplo prop\u00f3sito: por um lado contribuem para acelerar os movimentos de capitais (sobretudo de capitais financeiros), facilitando uma globaliza\u00e7\u00e3o imperialista. Por outro, a internet fornece importantes fontes alternativas de an\u00e1lise, assim como uma forma f\u00e1cil de comunica\u00e7\u00e3o, que pode servir para a mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o criou uma nova classe de multimilion\u00e1rios, que se estende de Silicon Valey na Calif\u00f3rnia at\u00e9 Bangalore na \u00cdndia. Estes desempenham um papel central na expans\u00e3o do colonialismo econ\u00f4mico atrav\u00e9s do controlo monopolista que exercem sobre as mais diversas esferas de difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e do entretenimento.<\/p>\n<p>Parafraseando Marx: &#8220;a internet tornou-se o \u00f3pio do povo&#8221;. Novos e velhos, empregados e desempregados, todos eles passam horas passivamente contemplando espet\u00e1culos, pornografia, video-jogos, consumindo online e at\u00e9 acedendo a &#8220;not\u00edcias&#8221;, isolados dos restantes cidad\u00e3os e trabalhadores.<\/p>\n<p>Em muitas ocasi\u00f5es, a superabund\u00e2ncia de &#8220;not\u00edcias&#8221; na internet, absorve tempo e energia, desviando os &#8220;observadores&#8221; da reflex\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o propriamente dita. Assim como a escassa e tendenciosa informa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas distorce a consci\u00eancia popular, o excesso de mensagens na internet pode imobilizar a a\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>A internet, propositadamente ou n\u00e3o, &#8220;privatizouparticularizou&#8221; a vida pol\u00edtica. Muitos ativistas potenciais foram levados a acreditar que o envio de manifestos a outros cidad\u00e3os \u00e9 um ato pol\u00edtico, esquecendo-se que apenas a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, incluindo a confronta\u00e7\u00e3o com os seus advers\u00e1rios no espa\u00e7o p\u00fablico, nos centros das cidades assim como no campo, \u00e9 a base da transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e o capital financeiro<\/p>\n<p>Recordemos que o \u00edmpeto original que presidiu ao crescimento das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o partiu das necessidades das grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras, bancos de investimento e dos especuladores, que pretendiam mover milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, de um pa\u00eds para o outro, de uma empresa para outra, de uma mercadoria para outra, com um simples toque de dedos.<\/p>\n<p>A Internet foi a tecnologia motora do crescimento da globaliza\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do capital. As tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o desempenharam um papel central na precipita\u00e7\u00e3o das duas crises financeiras da \u00faltima d\u00e9cada (2001-2002; 2008-2009). A bolha das a\u00e7\u00f5es de empresas ligadas \u00e0s tecnologias da informa\u00e7\u00e3o em 2001 foi o resultado da promo\u00e7\u00e3o e da sobrevaloriza\u00e7\u00e3o das empresas de software, desligadas da economia real. O crash financeiro global de 2008-2009, que se estende at\u00e9 hoje, foi consequ\u00eancia de pacotes computadorizados de ativos fraudulentos e de empr\u00e9stimos imobili\u00e1rios sub-financiados. As &#8220;virtudes&#8221; da internet, a velocidade com que transmite informa\u00e7\u00e3o, revelaram-se, no contexto da especula\u00e7\u00e3o capitalista, um fator determinante da pior crise do capitalismo desde a Grande Depress\u00e3o dos anos 30.<\/p>\n<p>A democratiza\u00e7\u00e3o da Internet<\/p>\n<p>A internet tornou-se acess\u00edvel \u00e0s massas enquanto mercado aberto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o comercial, alargando-se posteriormente a usos sociais e pol\u00edticos, e, mais importante ainda: tornou-se um meio fundamental para informar o grande p\u00fablico da explora\u00e7\u00e3o e pilhagem que os bancos multinacionais impunham aos mais variados pa\u00edses e aos seus habitantes. A internet ajudou tamb\u00e9m a expor as mentiras que subjazem \u00e0s guerras imperialistas dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia no M\u00e9dio-Oriente e no Sul da \u00c1sia.<\/p>\n<p>A internet transformou assim num terreno contestado, numa nova forma de luta de classes, que engloba movimentos pr\u00f3-democracia e de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Os maiores movimentos e os seus l\u00edderes, desde os guerrilheiros no Afeganist\u00e3o aos ativistas pr\u00f3-democracia no Egito, passando pelo movimento estudantil chileno e pelo movimento pela habita\u00e7\u00e3o popular na Turquia, todos eles contam com a internet para informar o mundo das suas lutas, dos seus programas, da repress\u00e3o estatal de que s\u00e3o alvos, bem como das suas vit\u00f3rias. A internet liga as diferentes lutas muito para l\u00e1 das fronteiras nacionais \u2013 \u00e9 uma ferramenta central para a constru\u00e7\u00e3o de um novo internacionalismo que fa\u00e7a face \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o capitalista e \u00e0s suas guerras imperialistas.<\/p>\n<p>Parafraseando Lenine poder\u00edamos dizer que o socialismo do s\u00e9culo XXI pode resumir-se na formula: &#8220;os sovietes mais a internet = socialismo participativo&#8221;<\/p>\n<p>A internet e a pol\u00edtica de classe<\/p>\n<p>\u00c9 bom recordar que as tecnologias computorizadas de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o &#8220;neutrais&#8221; \u2013 o seu impacto pol\u00edtico depende dos utilizadores e ativistas que determinam quem, e que interesses de classe, \u00e9 que servem.<\/p>\n<p>A internet serviu para mobilizar milhares de trabalhadores na China contra os exploradores corporativistas, na \u00cdndia mobilizou milhares de camponeses contra os especuladores latifundi\u00e1rios. Por outro lado, a Otan utilizou sistemas de guerra fortemente computorizados para bombardear e destruir a L\u00edbia independente. Os Estados-Unidos tamb\u00e9m utilizaram &#8220;drones&#8221; para enviar m\u00edsseis para matar civis no Paquist\u00e3o e no Y\u00e9men; ora esta t\u00e9cnica \u00e9 controlada por uma intelig\u00eancia computorizada. A localiza\u00e7\u00e3o da guerrilha colombiana e os bombardeamentos a\u00e9reos utilizam a mesma tecnologia computorizada. Em suma, as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o podem ter um duplo uso: podem ser utilizadas para a liberta\u00e7\u00e3o dos povos, mas tamb\u00e9m podem servir os ataques imperialistas contra-revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O neoliberalismo e o espa\u00e7o p\u00fablico<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o acerca do &#8220;espa\u00e7o p\u00fablico&#8221; assume frequentemente que &#8220;p\u00fablico&#8221; \u00e9 sin\u00f4nimo de uma maior interven\u00e7\u00e3o estatal em prol do bem-estar da maioria: de uma maior regula\u00e7\u00e3o do capitalismo e de uma crescente prote\u00e7\u00e3o do meio-ambiente. Por outras palavras aos atores &#8220;p\u00fablicos&#8221; benignos opor-se-iam \u00e0s for\u00e7as privadas exploradoras dos mercados.<\/p>\n<p>Num contexto de prolifera\u00e7\u00e3o da ideologia e das pol\u00edticas neoliberais, muitos autores progressistas escrevem sobre &#8220;o decl\u00ednio da esfera p\u00fablica&#8221;. Esta perspectiva negligencia o fato de a &#8220;esfera p\u00fablica&#8221; ter vindo a ganhar uma import\u00e2ncia crescente na sociedade, na pol\u00edtica e na economia, beneficiando sempre o grande capital, mais concretamente o capital financeiro e os investidores estrangeiros. A &#8220;esfera p\u00fablica&#8221;, neste caso o estado, \u00e9 muito mais intrusiva na sociedade civil como for\u00e7a repressiva num momento em que as pol\u00edticas neoliberais aumentam as desigualdades. Gra\u00e7as \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o e ao aprofundamento das crises financeiras, a esfera p\u00fablica (o estado) assumiu um papel fundamental no resgate dos bancos falidos.<\/p>\n<p>Devido aos enormes d\u00e9ficits fiscais provocados pela fuga aos impostos do capital, \u00e0s despesas com as guerras coloniais e aos subs\u00eddios p\u00fablicos \u00e0s grandes empresas, a esfera p\u00fablica (o estado) imp\u00f5e uma austeridade de classe, cortando as despesas sociais e prejudicando os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, os reformados e os trabalhadores assalariados do privado.<\/p>\n<p>A esfera p\u00fablica reduziu o seu papel no sector produtivo da economia. No entanto, o sector militar cresceu com a expans\u00e3o das guerras coloniais e imperialistas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental que subjaz a qualquer discuss\u00e3o acerca da esfera p\u00fablica e da oposi\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 a do seu crescimento ou decl\u00ednio, mas antes a dos interesses de classe que definem o papel dessa esfera p\u00fablica. No contexto do neoliberalismo, a esfera p\u00fablica est\u00e1 orientada para a utiliza\u00e7\u00e3o do tesouro p\u00fablico no resgate dos bancos, para o militarismo e para uma larga interven\u00e7\u00e3o policial estatal. Uma esfera p\u00fablica dirigida pela &#8220;oposi\u00e7\u00e3o social&#8221; (trabalhadores, agricultores, profissionais, empregados) alargaria o campo de a\u00e7\u00e3o da esfera publica no que toca \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0s pens\u00f5es, ao ambiente e ao emprego.<\/p>\n<p>O conceito de &#8220;esfera p\u00fablica&#8221; tem duas faces (como Jano): uma olha para o capital e para o sector militar; a outra para a oposi\u00e7\u00e3o laboral\/social. A internet est\u00e1 tamb\u00e9m subordinada a esta dualidade: por um lado, facilita grandes movimentos do capital e r\u00e1pidas interven\u00e7\u00f5es militares imperialistas; por outro, fornece \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o social um fluxo de informa\u00e7\u00e3o r\u00e1pido que permite a sua mobiliza\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o fundamental \u00e9 a de saber que tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida, a que atores pol\u00edticos ela \u00e9 transmitida e que interesse social serve?<\/p>\n<p>A Internet e a oposi\u00e7\u00e3o social: a amea\u00e7a da repress\u00e3o estatal<\/p>\n<p>Para a oposi\u00e7\u00e3o social, a internet \u00e9 antes de mais uma fonte vital de informa\u00e7\u00e3o alternativa cr\u00edtica, capaz de educar e mobilizar os dirigentes progressistas, os profissionais, os sindicalistas e os l\u00edderes camponeses, os militantes e os ativistas. A internet \u00e9 uma alternativa aos meios de comunica\u00e7\u00e3o capitalistas e \u00e0 sua propaganda, uma fonte de not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es que transmite manifestos e informa os ativistas acerca dos locais das interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Gra\u00e7as a este papel progressista como instrumento da oposi\u00e7\u00e3o social, a internet est\u00e1 sujeita a uma forte vigil\u00e2ncia por parte do aparelho repressivo policial e estatal. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 800 mil funcion\u00e1rios s\u00e3o utilizados pela policia de &#8220;Seguran\u00e7a Interna&#8221; para espiar milhares de milh\u00f5es de emails, faxes e chamadas telef\u00f4nicas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os americanos. Saber qu\u00e3o efetivo \u00e9 o policiamento di\u00e1rio de toneladas de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra quest\u00e3o. Mas o fato \u00e9 que a internet n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;fonte livre e segura de informa\u00e7\u00e3o, debate e discuss\u00e3o&#8221;. Com efeito, quanto mais eficaz se torna a internet na mobiliza\u00e7\u00e3o de movimentos sociais que se op\u00f5em ao estado imperialista e colonial, mais prov\u00e1vel se torna uma interven\u00e7\u00e3o por parte da pol\u00edcia e do estado com o pretexto de &#8220;combater o terrorismo&#8221;.<\/p>\n<p>A internet e a luta contempor\u00e2nea: uma rela\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria?<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o importante reconhecer a import\u00e2ncia da internet enquanto detonador de determinados movimentos sociais como relativizar a sua import\u00e2ncia global.<\/p>\n<p>A internet teve um papel fundamental na divulga\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o de &#8220;movimentos espont\u00e2neos&#8221;, como o dos &#8220;indignados&#8221; espanh\u00f3is, na sua maioria jovens desempregados e sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, ou na americana &#8220;Ocupa\u00e7\u00e3o de Wall Street&#8221;. Noutros casos, como o das massivas greves gerais em It\u00e1lia, Portugal, na Gr\u00e9cia e em tantos outros s\u00edtios, as confedera\u00e7\u00e3o sindicais organizadas tiveram um papel central e a internet um impacto apenas secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses altamente repressivos, como o Egito, a Tun\u00edsia e a China, a internet tem um papel fundamental na divulga\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e na organiza\u00e7\u00e3o de protestos de massas. No entanto, a internet n\u00e3o levou a qualquer revolu\u00e7\u00e3o bem sucedida \u2013 ela pode informar, ser um local de debate, e mesmo mobilizar, mas n\u00e3o pode oferecer a lideran\u00e7a e a organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias a uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica consistente e muito menos fornecer uma estrat\u00e9gia de tomada do poder estatal. Comprova-se assim que a ilus\u00e3o, alimentada por alguns gurus da internet, de que a a\u00e7\u00e3o &#8220;computadorizada&#8221; pode substituir um partido pol\u00edtico disciplinado, \u00e9 falsa: a internet pode facilitar o movimento, mas apenas uma oposi\u00e7\u00e3o social organizada lhe pode dar uma dire\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e estrat\u00e9gica capaz de o manter vivo face \u00e0 repress\u00e3o do estado e de o levar a lutas bem sucedidas.<\/p>\n<p>Ou seja, a internet n\u00e3o \u00e9 um &#8220;fim em si mesmo&#8221; \u2013 a postura autocongratulat\u00f3ria dos ide\u00f3logos da internet, anunciando uma nova \u00e9poca de informa\u00e7\u00e3o &#8220;revolucion\u00e1ria&#8221;, ignora o fato de que OTAN, Israel e os seus aliados e clientes utilizam a internet para lan\u00e7ar v\u00edrus e destruir economias, para programas de defesa anti-sabotagem e para promover levantamentos etnico-religiosos. Israel enviou v\u00edrus danosos para travar o programa nuclear pac\u00edfico do Ir\u00e3o; os Estados Unidos, a Fran\u00e7a e a Turquia instigam, na L\u00edbia e na S\u00edria, uma oposi\u00e7\u00e3o social capaz de servir os seus interesses. Em resumo, a internet tornou-se um novo terreno de luta de classes e de luta anti-imperialista. A internet \u00e9 um meio e n\u00e3o um fim. A internet \u00e9 parte dessa esfera p\u00fablica, cujos objetivos e resultados s\u00e3o determinados pela estrutura de classe em que se integra.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rios finais: &#8220;militantes de teclado&#8221; e intelectuais p\u00fablicos<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o social \u00e9 definida pela interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica: pela presen\u00e7a das coletividades nos com\u00edcios pol\u00edticos, pelos indiv\u00edduos que discursam em encontros p\u00fablicos, por ativistas que se manifestam em pra\u00e7as p\u00fablicas, sindicalistas militantes que defrontam os patr\u00f5es, pessoas pobres que exigem aos governantes locais para morar e servi\u00e7os p\u00fablicos&#8230;<\/p>\n<p>Discursar ativamente num com\u00edcio p\u00fablico, formular ideias e programas, propor estrat\u00e9gias atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, constitui o papel de um intelectual p\u00fablico. Sentar-se a uma secret\u00e1ria num escrit\u00f3rio para, num espl\u00eandido isolamento, enviar cinco manifestos por minuto define um &#8220;militante de teclado&#8221;. Esta \u00e9 uma forma de pseudo-milit\u00e2ncia que separa as palavras dos atos. A &#8220;milit\u00e2ncia&#8221; de teclado \u00e9 um ato de ina\u00e7\u00e3o verbal, de &#8220;ativismo&#8221; inconsequente, uma revolu\u00e7\u00e3o mental de faz-de-conta. A comunica\u00e7\u00e3o via internet torna-se um ato pol\u00edtico quando se enquadra em movimentos sociais que desafiam o poder. Necessariamente, isto envolve riscos para um intelectual p\u00fablico: desde ataques policiais no espa\u00e7o p\u00fablico at\u00e9 repres\u00e1lias econ\u00f4micas na esfera privada. Os &#8220;ativistas de teclado&#8221; n\u00e3o arriscam nada e pouco realizam. O intelectual p\u00fablico faz a liga\u00e7\u00e3o entre o descontentamento dos indiv\u00edduos e o ativismo social da coletividade. O professor universit\u00e1rio vem ao local de a\u00e7\u00e3o, fala e regressa ao seu gabinete. O intelectual p\u00fablico fala e faz um compromisso pedag\u00f3gico de longo termo com a oposi\u00e7\u00e3o social na esfera p\u00fablica, tanto atrav\u00e9s da internet como de frequentes encontros di\u00e1rios cara a cara.<\/p>\n<p>20\/Novembro\/2011<\/p>\n<p>[*] Interven\u00e7\u00e3o como convidado no &#8220;Symposium on Re-Publicness&#8221;, Patrocinado pela Chamber of Electrical Engineers. Ancara, Turquia, 9-10\/Dezembro\/2011<\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=27761\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=27761<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de MQ.<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: world-citizenship\n\n\n\n\n\n\n\n\npor James Petras*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2151\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-2151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-yH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}