{"id":21530,"date":"2018-12-04T12:51:31","date_gmt":"2018-12-04T14:51:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21530"},"modified":"2018-12-04T12:51:31","modified_gmt":"2018-12-04T14:51:31","slug":"palestina-reconstruir-a-resistencia-por-meio-do-movimento-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21530","title":{"rendered":"Palestina: \u201cReconstruir a resist\u00eancia por meio do movimento popular\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.wattan.tv\/data\/image\/750x550\/12180338724315231254238127357218.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Stefano Mauro, Viento Sur<br \/>\nResumen Latinoamericano<\/p>\n<p><strong>[<em>Entrevista de Stefano Mauro com o secret\u00e1rio geral da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP), preso em Israel, em colabora\u00e7\u00e3o com o di\u00e1rio italiano Il Manifesto e a rede de presos e presas da organiza\u00e7\u00e3o palestina citada<\/em>]<\/strong><\/p>\n<p>Encarcerado em Jeric\u00f3 pela Autoridade Palestina ap\u00f3s o assassinato de um ministro israelense como repres\u00e1lia \u00e0 morte de Abou Ali Mustafa, ent\u00e3o secret\u00e1rio geral da FPLP, Ahmed Saadat foi sequestrado por tropas israelenses em 2006 e condenado a trinta anos de pris\u00e3o. Uma campanha internacional exige sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a situa\u00e7\u00e3o atual nos territ\u00f3rios ocupados e a atitude da administra\u00e7\u00e3o Trump?<\/strong><\/p>\n<p>Vemos os Estados Unidos e a administra\u00e7\u00e3o Trump como uma pot\u00eancia perigosa, n\u00e3o apenas para o povo palestino, sen\u00e3o para todos os povos do mundo. A \u00fanica diferen\u00e7a entre Trump e as administra\u00e7\u00f5es precedentes \u00e9 que Trump mostra claramente o verdadeiro rosto do capitalismo e do imperialismo. A decis\u00e3o de Trump de reconhecer Jerusal\u00e9m como capital do Estado de Israel e de transferir a embaixada de Tel-Aviv \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o natural dos cem anos de coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina, ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o Balfour (1917), com o objetivo de suprimir os direitos dos palestinos e de acelerar a limpeza \u00e9tnica de nosso povo, em particular no que se refere a Jerusal\u00e9m. Toda a gente palestina recha\u00e7a e luta contra as tentativas de Trump de eliminar a quest\u00e3o palestina. Nosso povo resiste a esta tentativa n\u00e3o somente com palavras, mas com a\u00e7\u00f5es como a \u201cGrande Marcha do Retorno\u201d de Gaza, uma verdadeira revolta popular, da qual participa a FPLP, similar ao esp\u00edrito da primeira Intifada.<\/p>\n<p><strong>Que estrat\u00e9gia permitiria hoje a reconstru\u00e7\u00e3o de um poderoso movimento de liberta\u00e7\u00e3o palestino?<\/strong><\/p>\n<p>O dever principal \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o e a reunifica\u00e7\u00e3o do movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional da Palestina. O objetivo \u00e9 colocar a Palestina, pela en\u00e9sima vez, na via da liberta\u00e7\u00e3o, reafirmando a ess\u00eancia mesma da luta palestina. Isto concerne principalmente ao retorno das pessoas refugiadas e a constru\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado livre, democr\u00e1tico e laico na Palestina &#8211; n\u00e3o o das fronteiras de 1967- em que todo cidad\u00e3o e cidad\u00e3 possa viver em paz sem distin\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o ou de ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma ruptura profunda no movimento palestino, em n\u00edvel hist\u00f3rico, foi certamente a dos acordos de Oslo em 1993: deformou o verdadeiro sentido de nossa luta e a verdadeira ess\u00eancia do conflito. Uma gera\u00e7\u00e3o inteira de pessoas palestinas nasceu e cresceu na ilus\u00e3o, ap\u00f3s a assinatura desse documento catastr\u00f3fico, que nada mais fez que levar \u00e0 divis\u00e3o e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do movimento de liberta\u00e7\u00e3o palestino.<\/p>\n<p>Neste esp\u00edrito, nosso compromisso est\u00e1 em reconstruir a frente de liberta\u00e7\u00e3o nacional, ou seja, a OLP (Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina): estamos atuando entre Fatah e Ham\u00e1s para criar um equil\u00edbrio e preservar a unidade nacional, aportando nossa ideia progressista das esquerdas e a favor de uma representa\u00e7\u00e3o popular. Todas as classes palestinas devem formar parte deste processo de unidade. As classes populares n\u00e3o deveriam ser exclu\u00eddas da dire\u00e7\u00e3o do movimento, como est\u00e3o desde h\u00e1 quarenta anos.<\/p>\n<p><strong>Que alternativa pol\u00edtica sugere a FPLP?<\/strong><\/p>\n<p>O princ\u00edpio fundamental de mudan\u00e7a \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o popular dos palestinos na luta &#8211; e na tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas &#8211; de forma eficaz e significativa. Isto necessita n\u00e3o apenas de um combate contra a ocupa\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o tamb\u00e9m uma luta por recuperar o direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todas as pessoas palestinas, estejam elas na Jord\u00e2nia, no L\u00edbano, na S\u00edria ou em outras partes. A participa\u00e7\u00e3o e a lideran\u00e7a populares s\u00e3o necess\u00e1rias para a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento de resist\u00eancia contra o sionismo e para colocar em marcha uma estrat\u00e9gia unificada de liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. Isto deve evidentemente desenvolver-se tanto na Palestina como em outras partes do mundo. Se nossas comunidades seguem sendo amea\u00e7adas por todo tipo de crimes, leis repressivas e ataques por parte da direita, nossos objetivos ser\u00e3o mais dif\u00edceis de alcan\u00e7ar. O ponto fundamental de nossa vis\u00e3o \u00e9 o direito das pessoas de participar no desenvolvimento de seu futuro. \u00c9 o processo democr\u00e1tico de representa\u00e7\u00e3o pelo qual lutamos.<\/p>\n<p><strong>A FPLP foi criada em 1967. Como avalia seu papel atual?<\/strong><\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos anos, a FPLP enfrentou a enormes dificuldades por causa da repress\u00e3o pol\u00edtica e financeira. As persegui\u00e7\u00f5es, as deten\u00e7\u00f5es massivas e os assassinatos de nossos quadros s\u00e3o um exemplo claro de tudo isso. Apesar de tudo, temos melhorado nossas capacidades militares em Gaza, pois n\u00e3o estamos nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que na Cisjord\u00e2nia, onde sofremos com a ocupa\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o, nos assuntos de seguran\u00e7a, da Autoridade Palestina com o ocupante; numerosos camaradas, como eu, estamos encarcerados precisamente por causa disto. Entretanto, estamos presentes em todas as formas de luta (militar, pol\u00edtica, cultural, social) e temos progredido em termos da participa\u00e7\u00e3o popular da juventude, por\u00e9m segue sendo dif\u00edcil obter resultados e uma visibilidade (em rela\u00e7\u00e3o a Fatah e Hamas NDLR) devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual. Apesar das dificuldades, seguimos comprometidos com um processo de constru\u00e7\u00e3o e de crescimento do nosso partido.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 que ponto a FPLP tem mudado desde sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora?<\/strong><\/p>\n<p>Temos chegado \u00e0 conclus\u00e3o, desde 1992 aos dias atuais, de por causa das for\u00e7as de direita palestinas e da inexor\u00e1vel agress\u00e3o israelense sobre nossas terras e contra nosso direito a existir, nosso partido, tal qual nosso povo, atravessa uma crise geral: te\u00f3rica, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e pensamos que esta crise n\u00e3o pode ser superada sen\u00e3o que pela resist\u00eancia e pela luta popular em todos os niveles.<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 o papel do movimento das pessoas presas nas pris\u00f5es israelenses na luta de liberta\u00e7\u00e3o palestina?<\/b><\/p>\n<p>O movimento das pessoas presas no interior das pris\u00f5es israelenses tem jogado sempre um papel central na luta contra a opress\u00e3o sionista, por meio de nossa confronta\u00e7\u00e3o cotidiana entre ocupantes e pessoas presas, onde estamos na \u201clinha de frente\u201d, como tamb\u00e9m atrav\u00e9s do nosso papel na ena pol\u00edtica da Palestina. O acordo de unidade nacional palestina, chamado \u201cDocumento das presas e dos presos\u201d, foi elaborado dentro das pris\u00f5es e constitui a base de todas as discuss\u00f5es sobre a resist\u00eancia palestina. O movimento das pessoas presas tem conhecido diversas experi\u00eancias de luta, como a greve de fome. Numerosas pessoas presas morreram debaixo da tortura. As pessoas presas palestinas encarceradas nas pris\u00f5es americanas e francesas formam parte de nosso movimento. Em particular Georges Ibrahim Abdal\u00e1, encarcerado na Fran\u00e7a h\u00e1 mais de trinta e quatro anos.<\/p>\n<p>(Artigo publicado em colabora\u00e7\u00e3o com\u00a0<em>Il Manifesto<\/em>, en\u00a0<em>L\u00b4Humanit\u00e9<\/em>\u00a0&#8211; 28\/11\/2018)<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol:<b>\u00a0Partido Comunista Brasileiro<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21530\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[233],"class_list":["post-21530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Bg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21530\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}