{"id":21546,"date":"2018-12-05T02:45:15","date_gmt":"2018-12-05T04:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21546"},"modified":"2018-12-05T02:45:46","modified_gmt":"2018-12-05T04:45:46","slug":"bancario-assassinado-na-ditadura-e-identificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21546","title":{"rendered":"Banc\u00e1rio assassinado na ditadura \u00e9 identificado"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/jornalistaslivres.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/vala-perus-arqueologos-01.jpg?w=615&amp;h=419&amp;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->O grupo de trabalho ainda busca identificar outros 40 desaparecidos pol\u00edticos<\/p>\n<p>Por Cec\u00edlia Capistrano Bacha e Martha Raquel Rodrigues, dos Jornalistas Livres<br \/>\nPor Leandro Chaves e Michelle Gomes, da Rede TVT<\/p>\n<p>Essas valas simples, no cemit\u00e9rio de Perus, normalmente s\u00e3o usadas para enterrar corpos n\u00e3o identificados, de indigentes, mas durante duas d\u00e9cadas sepultaram uma parte vergonhosa da hist\u00f3ria do Brasil. Em uma delas estavam escondidos corpos de militantes que lutavam contra a ditadura. Somente em 1990 a vala clandestina foi descoberta com mais de mil ossadas de v\u00edtimas do regime militar. Os remanescentes \u00f3sseos foram recolhidos e levados para an\u00e1lise em algumas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Alu\u00edzio Palhano \u00e9 a quinta identifica\u00e7\u00e3o desde o descobrimento dos restos mortais no ossu\u00e1rio, em 1990, mas \u00e9 a segunda ap\u00f3s a retomada dos trabalhos de an\u00e1lise das ossadas, em 2014, quando o material foi enviado para um laborat\u00f3rio especializado, na B\u00f3snia. O grupo de trabalho ainda busca identificar outros 40 desaparecidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Veja a reportagem da quarta identifica\u00e7\u00e3o, de Dimas Ant\u00f4nio Casemiro, no in\u00edcio deste ano:<\/p>\n<p>Foram 15 anos como administrador do Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus, extremo da zona norte de S\u00e3o Paulo. Ant\u00f4nio Eust\u00e1quio, conhecido como Toninho, revela que assim que foi transferido para o cemit\u00e9rio na d\u00e9cada de 1970 percebeu que havia algo estranho no enterro dos corpos de alguns indigentes.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a da oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres de militantes pol\u00edticos se tornou uma certeza em 1976, quando ele descobriu a falta de registros de corpos de mil e quinhentas covas.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu fui perguntar do destino desses ossos, funcion\u00e1rios da \u00e9poca, n\u00e3o ouviam, n]ao enxergam e n\u00e3o falavam. E as vezes at\u00e9 se ausentavam da minha presen\u00e7a porque eles percebiam que eu tava procurando alguma coisa grave. Eles j\u00e1 eram orientados. Na \u00e9poca dos sepultamentos eles diziam que quando vinham esses militantes, na verdade eram terroristas, que se comentasse e n\u00e3o se falasse nada. Como foi dito a minha pessoa v\u00e1rias vezes, sofri v\u00e1rias amea\u00e7as, inclusive na reta final fui amea\u00e7ado de morte\u201d, conta Ant\u00f4nio Eust\u00e1quio, ex-administrador Cemit\u00e9rio Dom Bosco.<\/p>\n<p>Foram mais de 10 anos de investiga\u00e7\u00e3o para a descoberta da vala clandestina no final da d\u00e9cada de 1980, que hoje abriga este monumento. A abertura da vala s\u00f3 aconteceu na gest\u00e3o da prefeita Luiza Erundina, no dia 4 de setembro de 1990, gra\u00e7as a press\u00e3o da Comiss\u00e3o dos Familiares dos Desaparecidos Pol\u00edticos. Havia 1049 sacos com ossadas n\u00e3o identificadas.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Eust\u00e1quio contou \u00e0 reportagem que \u201ccome\u00e7aram a tirar os sacos, sa\u00edam aos poucos e levavam pra cima, na carretinha. Quando foram exumados da quadra, foram exumados em massa. Tudo que dava pra exumar em um dia, era feito, e traziam pra vala de Perus rapidamente pra poder enterrar, n\u00e9?! E o desenterro tamb\u00e9m foi gradual. Tinham 3 salas de vel\u00f3rio que n\u00e3o estavam sendo usadas e foram enchendo as tr\u00eas salas at\u00e9 encher at\u00e9 o teto de ossos\u201d.<\/p>\n<p>Para Rog\u00e9rio Sottili, diretor do Instituto Vladimir Herzog, a vala clandestina de Perus \u00e9 mais um cap\u00edtulo terr\u00edvel da nossa hist\u00f3ria para ser investigado e os respons\u00e1veis, punidos. Mas para isso \u00e9 fundamental a revis\u00e3o da Lei da Anistia.<\/p>\n<p>\u201cCrimes de tortura s\u00e3o crimes pol\u00edticos e internacionais, e o Brasil assinou um tratado internacional que diz que vai seguir todas as determina\u00e7\u00f5es deste pacto internacional de direitos civis e pol\u00edticos. Isso significa que quem cometeu tortura e quem matou n\u00e3o pode ser contemplado pela lei da Anistia. E o Supremo Tribunal Federal, com o parecer do Eros Grau, fez uma interpreta\u00e7\u00e3o diferente, de que isso eram crimes anisti\u00e1veis. N\u00f3s queremos a reinterpreta\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia, n\u00e3o precisa mudar a lei, n\u00f3s n\u00e3o queremos a revis\u00e3o porque a lei que est\u00e1 a\u00ed hoje ela \u00e9 suficiente pra gente abrir os processos e fazer justi\u00e7a\u201d, destacou Rog\u00e9rio Sottili.<\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho do Cemit\u00e9rio de Perus acaba de informar a identifica\u00e7\u00e3o do corpo de mais um militante da oposi\u00e7\u00e3o assassinado pela Ditadura Civil Militar cujo corpo foi depositado no Cemit\u00e9rio Clandestino de Perus (SP). Trata-se de Alu\u00edzio Palhano Pedreira Ferreira banc\u00e1rio, sindicalista e militante da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria, desaparecido desde 1971.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o ocorreu no \u00faltimo dia 27 de novembro. O an\u00fancio aconteceu no I Encontro Nacional de Familiares promovido pela Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos realizado nos dias 3 e 4 de dezembro em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois da abertura da vala, apenas 5 das 1.047 ossadas de desaparecidos pol\u00edticos foram identificadas: Denis Casemiro e Frederico Eduardo Mayr em 1991, Fl\u00e1vio Carvalho Molina em 2005 e Dimas Ant\u00f4nio Casemiro em fevereiro deste ano, ap\u00f3s 47 anos da sua morte, e agora Alu\u00edzio Palhano Pedreira Ferreira.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ejzuhhX1xFk?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eUdXaMhC0cI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>https:\/\/jornalistaslivres.org\/bancario-assassinado-na-ditadura-e-identificado-na-vala-de-perus\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21546\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[223],"class_list":["post-21546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Bw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}