{"id":21567,"date":"2018-12-07T02:18:08","date_gmt":"2018-12-07T04:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21567"},"modified":"2018-12-07T02:18:08","modified_gmt":"2018-12-07T04:18:08","slug":"o-verdadeiro-bush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21567","title":{"rendered":"O verdadeiro Bush"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marx21.it\/images\/personaggi\/bush_senior_stadio.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Pino Cabras<\/p>\n<p>Com a morte do ex-presidente dos Estados Unidos, George Herbert Walker Bush (1924-2018), coment\u00e1rios jornal\u00edsticos e institucionais j\u00e1 est\u00e3o sendo desperdi\u00e7ados com a exalta\u00e7\u00e3o da figura. Prepare-se para uma festa de boas palavras e santifica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma. Muitos comentaristas que, quando falam sobre Putin sempre acrescentam automaticamente, quase como um segundo sobrenome, a f\u00f3rmula &#8220;ex-espi\u00e3o-da-KGB&#8221;, negligenciar\u00e3o, automaticamente, um detalhe biogr\u00e1fico sobre Bush, que foi diretor da CIA.<\/p>\n<p>Eles v\u00e3o desconsiderar uma qualifica\u00e7\u00e3o mais precisa de um dos principais quadros da Guerra Fria, uma figura emblem\u00e1tica de um sistema que moldou a infraestrutura imperial americana. Em outras palavras, a participa\u00e7\u00e3o de Bush nos setores mais opacos das classes dominantes americanas n\u00e3o \u00e9 uma nota secund\u00e1ria da Hist\u00f3ria, um incidente ao longo do caminho, uma pequenez, mas a chave para entender seu papel com elementos hist\u00f3ricos suficientes. Eu li o ensaio bem documentado de Russ Baker, &#8220;Family of Secrets&#8221; (Bloomsbury, 2008), anos atr\u00e1s, que tra\u00e7a a incr\u00edvel galeria de a\u00e7\u00f5es sujas que podem ser ligadas em epis\u00f3dios decisivos da hist\u00f3ria dos EUA \u00e0quele grupo patr\u00edcio do qual Bush \u00e9 um componente central.<\/p>\n<p>Em verdade, a fam\u00edlia de Bush \u00e9 uma dinastia e, como em todas as dinastias, devemos partir dos patriarcas. Come\u00e7aremos a partir do av\u00f4 do falecido, a saber, Samuel Prescott Bush, entre 1914 e 1918, um leal seguidor de Percy A. Rockfeller (dono do City Bank e da Remington Arms Co.), administrador do War Industries Board (uma ind\u00fastria de produ\u00e7\u00e3o militar que se expandiu muito gra\u00e7as \u00e0 Primeira Guerra Mundial), parceiro do magnata financeiro Bernard Baruch e do &#8220;banqueiro negro&#8221; Clarence Dillon, frequentadores dos clubes exclusivo de alta finan\u00e7a que originou o CFR (Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores).<\/p>\n<p>Vamos, ent\u00e3o, para seu filho (e pai do falecido), Prescott Sheldon Bush, diretor e membro da Union Banking Corporation (UBC) [ vide Ben Aris, Duncan Campbell, &#8220;Como o av\u00f4 de Bush ajudou a ascens\u00e3o de Hitler ao poder&#8221;, &#8220;The Guardian&#8221; , 25 de setembro de 2004.\u00a0http:\/\/www.guardian.co.uk\/usa\/story\/0,12271,1312540,00.html.]<\/p>\n<p>Seu parceiro mais importante na Alemanha foi o industrial nazista Fritz Thyssen: o banco foi fundado para financiar a reorganiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria alem\u00e3. Ele investiu, por exemplo, na Overby Development Company e na Silesian-American Corporation (dirigida pelo pr\u00f3prio Bush), da qual a ind\u00fastria de guerra de Hitler fornecia carv\u00e3o mesmo depois que os EUA entraram na guerra. Ele tamb\u00e9m investiu na empresa de transporte da Hamburg-Amerika Line (mais tarde chamada Hapag-Lloyd depois de se fundir com outra empresa), cujos navios, na d\u00e9cada de 1930, forneceram armas dos Estados Unidos \u00e0s mil\u00edcias nazistas. O ativismo do senador Prescott Sh. Bush foi recompensado: ele foi premiado pelo regime nazista com a Ordem de M\u00e9rito da \u00c1guia Alem\u00e3. O certificado de atribui\u00e7\u00e3o desta homenagem em 7 de mar\u00e7o de 1938 foi assinado por Adolf Hitler e pelo secret\u00e1rio de Estado Otto Meissner, conforme evidenciado pelos arquivos do Departamento de Justi\u00e7a dos EUA.<\/p>\n<p>Durante 2001, documentos impressionantes sobre os neg\u00f3cios de Prescott Sh. Bush vieram \u00e0 tona. Essas pesquisas recentes mostram que aquele Bush instalou uma f\u00e1brica perto de Auschwitz, onde trabalhavam, reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o, prisioneiros de campos de concentra\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximos. [Os arquivos foram compulsados por John Loftus, presidente do Museu do Holocausto da Fl\u00f3rida. Veja Toby Rodgers, &#8220;Herdeiro do Holocausto&#8221;, na revista Clamor, maio-junho de 2002.]<\/p>\n<p>Nossa aten\u00e7\u00e3o, nesta altura, pode, finalmente, focar-se em George Herbert Walker Bush, Vice-Presidente na administra\u00e7\u00e3o Reagan (1981-1989) e, em seguida, o 41\u00ba presidente dos Estados Unidos (1989-1993). Seus vastos interesses em \u00e1reas obscuras da moralidade pol\u00edtica variaram desde dar cobertura ao tr\u00e1fico de drogas, armas e petr\u00f3leo, para ficar, somente, no caso Ir\u00e3-Contra.<\/p>\n<p>Citemos algumas passagens dessa brilhante e inescrupulosa carreira. Seguindo os passos de sua fam\u00edlia, George faz sua estreia bem cedo nos c\u00edrculos anticomunistas das altas finan\u00e7as norte-americanas. Al\u00e9m de ter ocupado os mais altos cargos na Casa Branca, seu\u00a0<em>cursus honorum<\/em>\u00a0se deu mal quando o vimos, em 1961, entre os coordenadores da tentativa de invas\u00e3o de Cuba, na Baia dos Porcos. Ele tamb\u00e9m foi uma refer\u00eancia para o ditador narco-panamenho Noriega. Tamb\u00e9m foi o principal consultor do Carlyle Group, ou seja, um dos principais acionistas de muitos fornecedores das for\u00e7as armadas americanas. Mas ele tamb\u00e9m foi diretor da CIA entre 1976 e 1977. Entre 1981 e 1986 &#8211; escolheu, para a administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, dezenas de figuras-chave envolvidas no tr\u00e1fego colossal do mercado internacional de drogas.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, e isso tamb\u00e9m \u00e9 bem conhecido, as rela\u00e7\u00f5es entre a fam\u00edlia Bush e Bin Laden eram muito pr\u00f3ximas e constantes (ambas detendo posi\u00e7\u00f5es importantes no Grupo Carlyle). Khalifa, Bin Mafouz, Salem Bin Laden (meio-irm\u00e3o de Osama) estavam no conselho do BCCI\u00a0<em>(nota do tradutor<\/em>:\u00a0<em>Bank of Credit and Commerce International, famoso, entre outros por lavagem de dinheiro, investigado pelos pr\u00f3prios EUA, teria terminado suas opera\u00e7\u00f5es, por ocasi\u00e3o de sua liquida\u00e7\u00e3o, mas, em 2002, o jornalista investigativo Denis Robert, afirmou que o banco continuava operando)<\/em>\u00a0\u00a0quando enormes fluxos de caixa flu\u00edram atrav\u00e9s do caso Ir\u00e3-Contra. No final da d\u00e9cada de 1980, quando alguns emiss\u00e1rios republicanos se encontraram secretamente em Paris com os khomeinistas moderados para adiar a liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns americanos em Teer\u00e3 e, assim, derrotar Jimmy Carter nas elei\u00e7\u00f5es, o pai de George correu para a c\u00fapula a bordo do avi\u00e3o de Salem bin Laden. Bin Laden investiu cerca de US $ 1,3 bilh\u00e3o no Carlyle Group e James Baker, chefe da equipe de Bush Senior, admitiu oficialmente que Bush tamb\u00e9m se encontrou com Bin Laden em novembro de 1998 e janeiro de 2000.<\/p>\n<p>Assim, j\u00e1 podemos compreender com estes poucos acenos que o peda\u00e7o do &#8220;patriarcado americano&#8221; representado pela dinastia Bush se valeu de uma grande crueldade nas rela\u00e7\u00f5es de poder com os alegados inimigos. Dentro das guerras, dentro do grande neg\u00f3cio da ind\u00fastria de produ\u00e7\u00e3o militar, dentro do cartel do petr\u00f3leo que brindam \u00e0 matan\u00e7a dos Kennedy e ao triunfo das monarquias do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>S\u00e3o estruturas de poder que perduram al\u00e9m do indiv\u00edduo, ao ponto de que mesmo uma pessoa de capacidade extremamente reduzida como George W. Bush, filho de George Herbert Walker Bush, conseguiu se tornar presidente tamb\u00e9m e orgulhosamente se declarou como &#8220;um presidente de guerra &#8220;e, assim, co-respons\u00e1vel pelos grandes desastres de guerra de que agora herdamos as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos, portanto, juntar-nos \u00e0s canoniza\u00e7\u00f5es de Bush. N\u00f3s precisamos medir a seriedade dos jornais pela sua incapacidade de apresentar o verdadeiro retrato de Bush pai.<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Humberto Carvalho, militante do PCB &#8211; RS<\/strong><\/p>\n<p>Original em italiano no\u00a0http:\/\/www.marx21.it\/index.php\/storia-teoria-e-scienza\/storia\/29417-i-veri-bush<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21567\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,38],"tags":[227],"class_list":["post-21567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-c43-imperialismo","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5BR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}