{"id":21585,"date":"2018-12-08T02:31:36","date_gmt":"2018-12-08T04:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21585"},"modified":"2018-12-08T02:31:36","modified_gmt":"2018-12-08T04:31:36","slug":"dez-meses-de-intervencao-militar-no-rio-a-violencia-aumentou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21585","title":{"rendered":"Dez meses de interven\u00e7\u00e3o militar no Rio: a viol\u00eancia aumentou"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4916\/44389530520_c1e5d8118d_z.jpg \" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Estat\u00edsticas apontam aumento de 59% no n\u00famero de tiroteios e crescimento de 40,5% de pessoas mortas pela pol\u00edcia<\/p>\n<p>Jaqueline Deister<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p><b>A interven\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro segue at\u00e9 o dia 31 de dezembro sem perspectiva de renova\u00e7\u00e3o por parte do novo governo federal \/ Mauro Pimentel\/ AFP<\/b><\/p>\n<p>Neste m\u00eas de dezembro, a interven\u00e7\u00e3o militar no estado do Rio de Janeiro completa dez meses. A a\u00e7\u00e3o, que inicialmente foi vista como promissora por boa parte da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o trouxe resultados satisfat\u00f3rios para aqueles que esperavam a implanta\u00e7\u00e3o de uma nova pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica no estado.<\/p>\n<p>Dados do \u00faltimo relat\u00f3rio apresentado pelo Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, uma iniciativa do Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC\/Ucam), mostram que o n\u00famero de tiroteios entre os meses de fevereiro e\u00a0novembro na regi\u00e3o metropolitana do Rio aumentou 59% se comparado com o mesmo per\u00edodo de 2017. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de pessoas mortas pela pol\u00edcia tamb\u00e9m cresceu 40,5% segundo a entidade.<\/p>\n<p>Para Silvia Ramos, que \u00e9 coordenadora do Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, a medida de for\u00e7a do governo federal, prevista na Constitui\u00e7\u00e3o, intensificou problemas estruturais na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica que j\u00e1 existiam no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas da seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro que j\u00e1 existiam nos \u00faltimos anos e suscitou na interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram alterados, pelo contr\u00e1rio, alguns desses problemas se acentuaram, como a pol\u00edtica de seguran\u00e7a baseada em tiroteios, opera\u00e7\u00f5es, mortes decorrentes de a\u00e7\u00e3o policial, presen\u00e7a e expans\u00e3o de controle de territ\u00f3rios por grupos armados ilegais, como a mil\u00edcia, problemas de corrup\u00e7\u00e3o policial. Esses problemas, que s\u00e3o estruturais da seguran\u00e7a do Rio, n\u00e3o foram alterados\u201d, destacou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o nas favelas<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de Silvia \u00e9 compartilhada tamb\u00e9m pela Comiss\u00e3o Popular da Verdade, organiza\u00e7\u00e3o composta por entidades da sociedade civil e movimentos populares que se dedica a monitorar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos dentro da interven\u00e7\u00e3o militar no Rio. H\u00e1 oito meses a Comiss\u00e3o vem promovendo atividades p\u00fablicas para denunciar o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e Anderson Gomes, as megaopera\u00e7\u00f5es em favelas cariocas que afetam o dia a dia dos moradores das comunidades e tamb\u00e9m um relat\u00f3rio com dados sobre os impactos sociais da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ana*, que integra a Comiss\u00e3o Popular da Verdade, afirma que a popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica tem sido a mais atingida ap\u00f3s o Ex\u00e9rcito assumir a seguran\u00e7a p\u00fablica no estado do Rio. Segundo ela, as megaopera\u00e7\u00f5es das for\u00e7as de seguran\u00e7a nas favelas geraram mortes de inocentes, como foi o caso do adolescente Marcus Vin\u00edcius da Silva que foi morto a caminho da escola durante uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil no Conjunto de Favelas da Mar\u00e9, na zona norte da cidade do Rio.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica de confronto dentro das comunidades traz mais preju\u00edzo para as pessoas que moram nas favelas e n\u00e3o t\u00eam mais paz e sossego. Claro que o crime deve ser combatido e deve ser feita a pris\u00e3o de grandes traficantes de arma e drogas. (corta) Na nossa opini\u00e3o, o que precisa ter \u00e9 uma pol\u00edtica de intelig\u00eancia, quando essa pol\u00edtica \u00e9 efetuada, os resultados aparecem sem a necessidade de invas\u00e3o e confronto\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Quanto custa a interven\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do governo federal de intervir na autonomia do estado do Rio foi baseada no artigo 34 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e est\u00e1 or\u00e7ada, segundo o Portal da Transpar\u00eancia, em R$ 1,2\u00a0bilh\u00e3o. A 26 dias do fim da a\u00e7\u00e3o, o Gabinete de Interven\u00e7\u00e3o Federal no Rio de Janeiro, utilizou R$ 53,95 milh\u00f5es em despesas de custeio e manuten\u00e7\u00e3o da atividade. Cerca de R$ 430 milh\u00f5es do or\u00e7amento j\u00e1 est\u00e3o comprometidos para o futuro.<\/p>\n<p>No Portal da Transpar\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m identificar as empresas e \u00f3rg\u00e3os que mais receberam recursos com a interven\u00e7\u00e3o. De acordo com as informa\u00e7\u00f5es do site ligado ao Minist\u00e9rio da Transpar\u00eancia e a Controladoria Geral da Uni\u00e3o, o Comando do Ex\u00e9rcito recebeu cerca de R$ 29 milh\u00f5es para executar a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 do ponto de vista empresarial, a Verint Systems Inc, l\u00edder no fornecimento de solu\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a de dados e espionagem, presente em mais de 180 pa\u00edses, foi a maior favorecida. At\u00e9 o momento, a Verint arrecadou mais de R$40 milh\u00f5es com a interven\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A empresa se popularizou ap\u00f3s a tend\u00eancia mundial de controle e vigil\u00e2ncia pelas redes. De acordo com a Associated Press, o governo peruano chegou a gastar US$ 22 milh\u00f5es com a Verint para o desenvolvimento de um programa de espionagem. A companhia opera em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e j\u00e1 realizou transa\u00e7\u00f5es com Col\u00f4mbia, Equador e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Silvia Ramos acredita que falta transpar\u00eancia no crit\u00e9rio do uso dos recursos da interven\u00e7\u00e3o. Ela questiona tamb\u00e9m que as For\u00e7as Armadas recebem um repasse maior do que a \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro. Segundo ela, as For\u00e7as Armadas j\u00e1 se beneficiam com repasses referentes \u00e0 Garantia da Lei e Ordem (GLO).<\/p>\n<p>\u201cQuando vemos caminh\u00f5es na Via Dutra e Pavuna para diminuir o roubo de carga o que estamos vendo s\u00e3o recursos da GLO utilizados. Cada opera\u00e7\u00e3o dessas com mil ou dois mil homens custa mais de R$ 1 milh\u00e3o. N\u00f3s, do Observat\u00f3rio da Interven\u00e7\u00e3o, monitoramos 584 opera\u00e7\u00f5es, usando 195 mil agentes com a apreens\u00e3o apenas 695 armas. \u00c9 quase a apreens\u00e3o de uma arma por opera\u00e7\u00e3o\u201d, relatou.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro segue at\u00e9 o dia 31 de dezembro sem perspectiva de renova\u00e7\u00e3o por parte do novo governo federal de Jair Bolsonaro (PSL) que j\u00e1 disse n\u00e3o ter interesse em prorrogar a a\u00e7\u00e3o no estado. A a\u00e7\u00e3o segue tamb\u00e9m sem dar respostas, ap\u00f3s nove meses, sobre o crime pol\u00edtico que tirou a vida de Marielle Franco e Anderson Gomes.<\/p>\n<p><em>*Ana \u00e9 o nome fict\u00edcio utilizado para preservar a identidade da fonte.<\/em><\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Mariana Pitasse<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/12\/06\/intervencao-militar-10-meses-depois-medida-segue-sem-solucao-para-a-seguranca-no-rio\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21585\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190,244],"tags":[222],"class_list":["post-21585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","category-violencia","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5C9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21585\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}