{"id":21587,"date":"2018-12-08T02:37:52","date_gmt":"2018-12-08T04:37:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21587"},"modified":"2018-12-10T00:05:55","modified_gmt":"2018-12-10T02:05:55","slug":"lenin-e-a-imprensa-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21587","title":{"rendered":"L\u00eanin e a imprensa revolucion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2018\/11\/lenin-imprensa.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por\u00a0D\u00eanis de Moraes.<\/p>\n<p>Blog da Boitempo<\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria de Luiz Alberto Moniz Bandeira.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria jornal\u00edstica e as concep\u00e7\u00f5es de Vladimir Ilitch L\u00eanin (1870-1924) sobre a imprensa situam-se no contexto de duas tend\u00eancias que se delinearam no \u00e2mbito europeu desde fins do s\u00e9culo XIX at\u00e9 as d\u00e9cadas inaugurais do s\u00e9culo XX, num per\u00edodo de ascens\u00e3o de movimentos de massa, de divulga\u00e7\u00e3o junto aos trabalhadores das ideias socialistas e de eclos\u00f5es revolucion\u00e1rias, em meio a crises econ\u00f4micas, disputas geopol\u00edticas e guerras. A primeira tend\u00eancia refere-se a intelectuais de esquerda que atuaram como jornalistas e ativistas, a partir da percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da dissemina\u00e7\u00e3o em peri\u00f3dicos de propostas e interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Entre in\u00fameros exemplos, podemos citar os de Karl Marx, Friedrich Engels, V. I. L\u00eanin, Antonio Gramsci, Karl Kautsky, Rosa Luxemburgo, Leon Tr\u00f3tski, Nikolai Bukh\u00e1rin, M\u00e1ximo G\u00f3rki, Gue\u00f3rgui Plekh\u00e1nov, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai. A segunda tend\u00eancia diz respeito a intelectuais que n\u00e3o apenas exerceram o jornalismo como tamb\u00e9m teorizaram sobre a imprensa como instrumento voltado \u00e0s tarefas de informa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o, agita\u00e7\u00e3o e propaganda contra-hegem\u00f4nica, em meio a embates contra as formas de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pelo capital.<\/p>\n<p>Nas peculiaridades de cada tempo hist\u00f3rico, L\u00eanin retomou reflex\u00f5es de Marx sobre a influ\u00eancia tendencialmente conservadora dos ve\u00edculos de massa junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica e tamb\u00e9m quanto ao papel da imprensa revolucion\u00e1ria na difus\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, enfatizando as tarefas que cabiam a jornais e revistas de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e partidos comunistas. Para L\u00eanin, seria imposs\u00edvel conduzir a luta revolucion\u00e1ria sem dispor de um meio de divulga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do qual o partido pudesse se pronunciar sobre quest\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es concretas da vida social. \u201cA cria\u00e7\u00e3o do partido, se ele n\u00e3o for representado convenientemente por um \u00f3rg\u00e3o determinado, permanecer\u00e1 em grande medida letra morta\u201d, sentenciou.1<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de L\u00eanin pode ser dividida em cinco fases, conforme Mario Caciagli.2\u00a0A primeira compreende os textos redigidos entre 1899 e 1905, nos quais atribuiu ao jornal a tarefa de organizar os militantes socialistas em um s\u00f3 partido. O peri\u00f3dico circularia entre grupos e tend\u00eancias e poderia oferecer uma s\u00edntese das atividades de base, ainda mais em um pa\u00eds com grande dispers\u00e3o territorial e localismos acentuados como a R\u00fassia. A imprensa revolucion\u00e1ria, como bra\u00e7o ideol\u00f3gico do partido, deveria oferecer orienta\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas para os trabalhadores atuarem em assembleias populares, associa\u00e7\u00f5es de classe, mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e agita\u00e7\u00f5es eleitorais. A segunda fase proposta por Caciagli remete ao per\u00edodo de 1912 a 1914, com foco na defini\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter de classe e do m\u00e9todo de an\u00e1lise social da imprensa oper\u00e1ria. O terceiro momento, de 1915 a 1917, abrange as cr\u00edticas \u00e0 imprensa burguesa, no tocante \u201caos casos de corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0s venalidades e aos compromissos a que se submetem os jornalistas burgueses, incluindo os de esquerda\u201d, em face da \u201cdepend\u00eancia da imprensa dita livre \u00e0 vontade dos propriet\u00e1rios\u201d. O quarto per\u00edodo engloba os textos produzidos na Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique de 1917, em que L\u00eanin confronta o novo cen\u00e1rio na R\u00fassia com a quest\u00e3o da \u201cliberdade de imprensa\u201d no sistema democr\u00e1tico-burgu\u00eas, \u201cque \u00e9 um sistema no qual as mais amplas garantias formais se chocam com a estrutura capitalista de economia e de poder\u201d. A quinta etapa inclui os textos p\u00f3s-revolucion\u00e1rios, entre 1917 e 1922, quando a imprensa passa \u00e0 \u00f3rbita do Estado sovi\u00e9tico e do Partido Comunista.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o de L\u00eanin com o jornalismo aconteceu ap\u00f3s um per\u00edodo de pouco mais de um ano na pris\u00e3o por conspirar contra o tsarismo. Em 1897 fora banido para a Sib\u00e9ria. No ex\u00edlio, em meio \u00e0s leituras e \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das futuras alternativas de a\u00e7\u00e3o, vislumbrou como urgente a cria\u00e7\u00e3o de um jornal partid\u00e1rio capaz de estabelecer v\u00ednculos regulares com grupos e c\u00e9lulas ativistas, com o prop\u00f3sito de entros\u00e1-los em torno de diretrizes e planos para a luta de classes, ao lado do proletariado e demais trabalhadores contra o regime imperial. Tal jornal seria o\u00a0<em>Rab\u00f3tchaia Gazeta<\/em>\u00a0(<em>Gazeta Oper\u00e1ria)<\/em>, designado \u00f3rg\u00e3o oficial do Partido Oper\u00e1rio Social Democrata Russo (POSDR) no congresso de funda\u00e7\u00e3o realizado em mar\u00e7o de 1898, em Minsk. Mas o jornal, editado em Kiev, foi interditado pelo governo tsarista no segundo n\u00famero e os artigos de L\u00eanin acabaram arquivados.<\/p>\n<p>Em 29 de janeiro de 1900, terminou o per\u00edodo de deporta\u00e7\u00e3o imposto a L\u00eanin, mas ele foi notificado pelo Minist\u00e9rio do Interior que n\u00e3o poderia residir em qualquer das capitais do pa\u00eds, em cidades universit\u00e1rias ou em grande centros oper\u00e1rios. Depois de rever a fam\u00edlia em Moscou e passar por S\u00e3o Petersburgo, Pskov e Riga, onde recrutou correspondentes para o jornal que planejava criar, com a aprova\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios com os quais se reuniu, L\u00eanin obteve um passaporte e, em 29 julho de 1900, deixou a R\u00fassia a fim de organizar, a partir do ocidente da Europa, um partido unit\u00e1rio e centralizado, impulsionado pelo esp\u00edrito do marxismo revolucion\u00e1rio e determinado a derrogar o tsarismo.<\/p>\n<p>Foi no ex\u00edlio em Genebra, Su\u00ed\u00e7a, que L\u00eanin identificou celeumas (como a revis\u00e3o de princ\u00edpios da doutrina de Marx e Engels, defendida por Eduard Bernstein nos c\u00edrculos social-democratas) que dificultavam a unifica\u00e7\u00e3o das correntes marxistas no POSDR. O ambiente de controv\u00e9rsias refor\u00e7ou em L\u00eanin a inten\u00e7\u00e3o, que alimentava desde a Sib\u00e9ria, de fundar um jornal, de circula\u00e7\u00e3o clandestina, que unisse e consolidasse os grupos militantes num partido capaz de representar os movimentos pol\u00edticos de contesta\u00e7\u00e3o do poder e combater as convic\u00e7\u00f5es nocivas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, \u201cprincipalmente aquelas que se apresentavam com a m\u00e1scara do socialismo, tais como a dos economicistas, revisionistas e populistas\u201d.3<\/p>\n<p>Seis meses ap\u00f3s a chegada a Genebra, durante os quais o projeto exigiu de L\u00eanin empenho e organiza\u00e7\u00e3o, o jornal\u00a0<em>Iskra<\/em>\u00a0(<em>Centelha<\/em>) foi lan\u00e7ado no dia 11 de dezembro de 1900 em Leipzig e depois em Munique, na Alemanha. O t\u00edtulo inspirou-se em um verso do poeta Aleksandr Odoi\u00ebvski, exilado na Sib\u00e9ria: \u201cDa centelha nascer\u00e1 a chama!\u201d Centenas de exemplares foram distribu\u00eddos \u2028por uma rede clandestina de militantes, atrav\u00e9s das fronteiras alem\u00e3, austr\u00edaca e turca. L\u00eanin era o redator-chefe e pontificavam na equipe Gue\u00f3rgui Plekh\u00e1nov, P\u00e1vel Akselrod, Vera Zass\u00falitch, Yuliy M\u00e1rtov e Aleksandr Potri\u00e9ssov.<\/p>\n<p>No \u201cProjeto de declara\u00e7\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Iskra\u00a0<\/em>e da revista\u00a0<em>Zari\u00e1<\/em>\u201d, L\u00eanin afirmou que o \u00f3rg\u00e3o comunista liga os fatos concretos \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio, conduz o leitor a um ensinamento profundo, a partir dos acontecimentos mais simples e universalmente conhecidos. N\u00e3o pode, assim, se limitar a reproduzir documentos e delibera\u00e7\u00f5es da c\u00fapula. Cabe-lhe selecionar e analisar quest\u00f5es da atualidade, em conex\u00e3o com a ideologia que sedimenta as convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entender de L\u00eanin, para fazer o elo entre elementos da ideologia comunista, a propaganda persuasiva e o chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o organizada, os folhetos e as brochuras tinham se tornado insuficientes, por se circunscrevem, geralmente, a assuntos locais ou aspectos econ\u00f4micos do cotidiano. Havia chegado a hora de criar uma \u201cforma superior de agita\u00e7\u00e3o\u201d que complementasse as anteriores, isto \u00e9, \u201cuma agita\u00e7\u00e3o pelo jornal, registrando periodicamente ao mesmo tempo as queixas dos oper\u00e1rios, as greves oper\u00e1rias, as outras formas de luta do proletariado e todas as manifesta\u00e7\u00f5es da opress\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Note-se a distin\u00e7\u00e3o que L\u00eanin estabelece entre propaganda e agita\u00e7\u00e3o. A propaganda prop\u00f5e-se a divulgar e esclarecer aos trabalhadores a teoria marxista e as estrat\u00e9gias do partido; ajuda a compreender os objetivos gerais para o futuro e o desenvolvimento da sociedade. A agita\u00e7\u00e3o baseia-se principalmente na pol\u00edtica corrente e nas quest\u00f5es socioecon\u00f4micas, contribuindo para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas t\u00e1ticos imediatos.4<\/p>\n<p>O \u201cfio condutor\u201d para a cria\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria era o jornal pol\u00edtico, que poderia \u201cfazer progredir sem cessar essa organiza\u00e7\u00e3o em profundidade e em largura, para toda a R\u00fassia (\u2026), fiel aos princ\u00edpios e abarcando os diversos aspectos da vida\u201d. Ao mesmo tempo, um ve\u00edculo capaz de \u201cdespertar em todos os elementos um pouco conscientes da popula\u00e7\u00e3o a paix\u00e3o das\u00a0<em>revela\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0pol\u00edticas (\u2026), levar a cabo a nossa tarefa: concentrar todos os elementos de descontentamento e de protesto pol\u00edticos para fecundar o movimento revolucion\u00e1rio do proletariado\u201d. Os artigos jornal\u00edsticos deveriam tirar dos fatos \u201cconclus\u00f5es determinadas em fun\u00e7\u00e3o dos objetivos finais do socialismo e das tarefas pol\u00edticas do proletariado russo\u201d.5<\/p>\n<p>Pelo menos quatro quesitos b\u00e1sicos precisavam ser cumpridos para a jornal partid\u00e1rio conquistar credibilidade junto aos leitores, segundo L\u00eanin: a) a seriedade da informa\u00e7\u00e3o, o que significa \u201cir ao local, escolher os documentos, organizar fich\u00e1rios, fazer estat\u00edsticas, n\u00e3o omitir data ou nome\u201d; b) a interpreta\u00e7\u00e3o marxista dos fatos sociais; c) o vigor da express\u00e3o\u201d; d) boas reportagens devem basear-se em \u201cdocumenta\u00e7\u00e3o nova, m\u00faltipla, recolhida e elaborada por homens competentes\u201d, recrutados entre os quadros mais preparados para a tarefa.6<\/p>\n<p>Robert Service, bi\u00f3grafo de L\u00eanin, define o estilo do\u00a0<em>Iskra\u00a0<\/em>como escolasticamente marxista, pressupondo que os leitores n\u00e3o s\u00f3 fossem \u201caltamente alfabetizados\u201d, como tamb\u00e9m tivessem \u201cs\u00f3lido conhecimento dos debates socialistas internacionais contempor\u00e2neos\u201d. E completa: \u201cOs leitores-alvo eram ativistas revolucion\u00e1rios que j\u00e1 professavam o marxismo, e\u00a0<em>Iskra<\/em>, na verdade, era menos um jornal do que um peri\u00f3dico em forma de jornal, projetado para funcionar no lugar de um comit\u00ea central partid\u00e1rio. Mas era um come\u00e7o. O pr\u00f3ximo passo seria consolidar\u00a0<em>Iskra\u00a0<\/em>e empreg\u00e1-lo como um \u00f3rg\u00e3o de propaganda para a realiza\u00e7\u00e3o do Segundo Congresso do partido.7<\/p>\n<p>O que importava, para L\u00eanin e demais redatores do\u00a0<em>Iskra<\/em>, n\u00e3o era exibir virtuosismo, e sim adotar uma linguagem de exorta\u00e7\u00e3o, imoderada e direta, que suscitasse afinidades e impelisse os leitores-militantes \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica imediata. \u201cPara eles, a ret\u00f3rica abrasiva era a manifesta\u00e7\u00e3o de uma beliger\u00e2ncia necess\u00e1ria e realista. Palavras delicadas e argumentos elegantes n\u00e3o eram as exig\u00eancias mais importantes para a derrubada da monarquia Romanov\u201d.8\u00a0O estilo aguerrido apareceu no primeiro artigo que L\u00eanin assinou com seu nome, em dezembro de 1901, na revista\u00a0<em>Zari\u00e1\u00a0<\/em>(<em>Aurora<\/em>). Ele abordou a quest\u00e3o agr\u00e1ria, inclusive denunciando o \u201ccar\u00e1ter nefasto\u201d das teses de economistas que minimizavam a import\u00e2ncia de um partido de vanguarda antitsarista e subestimavam a influ\u00eancia da consci\u00eancia socialista na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da cidade e do campo.<\/p>\n<p>A partir da ideia de L\u00eanin, e com sua colabora\u00e7\u00e3o ativa, o grupo do\u00a0<em>Iskra<\/em>\u00a0elaborou o projeto de programa do Partido Oper\u00e1rio Social Democrata Russo (publicado no n\u00famero 21 do jornal), desempenhando tamb\u00e9m papel relevante na organiza\u00e7\u00e3o do Segundo Congresso, que aconteceria em julho-agosto de 1903. O\u00a0<em>Iskra<\/em>\u00a0j\u00e1 era reconhecido como publica\u00e7\u00e3o influente entre os revolucion\u00e1rios russos. Uma resolu\u00e7\u00e3o do Congresso destacou a sua participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do POSDR e o formalizou como \u00f3rg\u00e3o central, \u201ca voz do partido que deve repercutir o essencial de suas teses\u201d, segundo L\u00eanin.9<\/p>\n<p>Em outubro daquele mesmo ano, ap\u00f3s a cis\u00e3o do partido em duas correntes \u2013 os bolcheviques (majorit\u00e1rios) e os mencheviques (minorit\u00e1rios) \u2013, estes \u00faltimos assumiram o controle do\u00a0<em>Iskra<\/em>, apoiados por Plekh\u00e1nov, que fizera parte da reda\u00e7\u00e3o inicial e rompera com L\u00eanin. A partir da\u00ed inicia-se uma diferencia\u00e7\u00e3o entre o \u201cvelho\u00a0<em>Iskra<\/em>\u201d, que compreendeu os 51 primeiros n\u00fameros do jornal, ainda leninista, e o \u201cnovo\u00a0<em>Iskra<\/em>\u201d, menchevique, publicado at\u00e9 novembro de 1905 e que se transformou em um instrumento contr\u00e1rio ao marxismo revolucion\u00e1rio. Ainda na fase de \u201cvelho\u00a0<em>Iskra<\/em>\u201d, a trajet\u00f3ria do jornal n\u00e3o seria linear. Mesmo na Alemanha sofreu censura, obrigando seu conselho editorial a transferi-lo para Londres, onde circulou em 1902. No ano seguinte, mais um deslocamento for\u00e7ado, desta vez para Genebra. De modo semelhante ao que ocorrera com projetos editoriais de Marx, o desejo de conscientizar a classe trabalhadora e difundir ideias revolucion\u00e1rias esbarrava na viol\u00eancia policial, que for\u00e7ava a reda\u00e7\u00e3o a sucessivas trocas de cidades e pa\u00edses para despistar a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>No curso das mobiliza\u00e7\u00f5es populares que resultaram na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905 \u2013 o \u201censaio geral\u201d do processo de crises, conflitos, desdobramentos e mudan\u00e7as pol\u00edticas cuja culmin\u00e2ncia ser\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique de 1917 \u2013, L\u00eanin reorientou a imprensa partid\u00e1ria a substituir o bin\u00f4mio agita\u00e7\u00e3o e propaganda por palavras de ordem t\u00e1ticas, com vistas a incrementar as lutas do proletariado e do campesinato para a futura tomada do poder. Em outras palavras, o jornal deveria converter-se num guia para a a\u00e7\u00e3o, diversificando-se ao m\u00e1ximo para alcan\u00e7ar o conjunto da classe oper\u00e1ria.10\u00a0\u00a0\u00a0De dezembro de 1904 a maio de 1905, editou, em Genebra, o\u00a0<em>Vperiod\u00a0<\/em>(<em>Avante!<\/em>), semin\u00e1rio bolchevique clandestino, com a tend\u00eancia pol\u00edtica do \u201cvelho\u201d\u00a0<em>Iskra<\/em>. O jornal serviu para preparar a corrente aglutinada em torno de L\u00eanin nas pelejas internas no Terceiro Congresso e, depois, instigar a insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do fracasso da Revolu\u00e7\u00e3o de 1905, com o refluxo e o enfraquecimento das for\u00e7as populares, o Vperiod<em>\u00a0<\/em>se dissolveu no seman\u00e1rio\u00a0<em>Prolet\u00e1ri\u00a0<\/em>(<em>Prolet\u00e1ri<wbr \/>o<\/em>), que passou a ser o \u00f3rg\u00e3o central do partido, na mesma linha de seu antecessor. A primeira fase do jornal durou de maio a novembro de 1905. L\u00eanin assinou mais de 50 artigos e notas, depois reproduzidos em folhetos e pequenos jornais clandestinos. O recrudescimento da repress\u00e3o em S\u00e3o Petersburgo obrigou L\u00eanin, em 1907, a refugiar-se em Helsinque, na Finl\u00e2ndia. A reda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi deslocada para l\u00e1. Com breves interrup\u00e7\u00f5es, o jornal circulou clandestinamente de agosto de 1906 a novembro de 1909, quando a plen\u00e1ria do Comit\u00ea Central eleito no IV Congresso (de unifica\u00e7\u00e3o) do POSDR decidiu suspender a publica\u00e7\u00e3o, a essa altura com periodicidade mensal e impress\u00e3o em Paris, embora com circula\u00e7\u00e3o restrita. Nesses tr\u00eas anos, foram editados mais de cem artigos e notas de L\u00eanin, a\u00ed inclu\u00eddos os textos em que exp\u00f4s a tese de que, nas condi\u00e7\u00f5es particulares da R\u00fassia, a classe trabalhadora assumiria o papel progressista que a Segunda Internacional atribu\u00edra \u00e0 burguesia na etapa da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, isto \u00e9, caberia essencialmente \u00e0s lutas do proletariado, em conson\u00e2ncia com a diretriz pol\u00edtica de um partido comunista centralizado, abrir caminho para uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, a despeito do atraso do pa\u00eds.11<\/p>\n<p>Com a retomada progressiva do movimento oper\u00e1rio a partir de 1910, a ideia de relan\u00e7ar um jornal partid\u00e1rio voltou a motivar L\u00eanin, que entre 1908 e 1911 viveu na Su\u00ed\u00e7a e na Franca e em deslocamentos a outros pa\u00edses europeus. \u201cEstou convencido de que o partido tem necessidade, presentemente, de um \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico que apare\u00e7a com regularidade, que conduza com firmeza e medida uma pol\u00edtica de luta contra a desagrega\u00e7\u00e3o e o desencorajamento\u201d, escreveu a M\u00e1ximo G\u00f3rki.12\u00a0L\u00eanin coletou fundos e organizou o\u00a0<em>Zvezda<\/em>\u00a0(<em>Estrela<\/em>) e, posteriormente, o\u00a0<em>N\u00f3vaia Zvezda\u00a0<\/em>(<em>Nova Estrela<\/em>), distribu\u00eddos a partir de Moscou em dezembro de 1910 e come\u00e7o de 1911, respectivamente. Ainda que com dura\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, os dois jornais levaram adiante o prop\u00f3sito de aprofundar os temas sociais, os debates ideol\u00f3gicos, promover a agita\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas e construir as bases do partido.<\/p>\n<p>Os artigos de L\u00eanin nos dois primeiros numeros do\u00a0<em>Zvezda<\/em>, sob o pseud\u00f4nimo Iline, comprovam a relev\u00e2ncia dada por ele \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas por interm\u00e9dio de peri\u00f3dicos voltados \u00e0 vanguarda revolucion\u00e1ria. Segundo Jean Fr\u00e9ville, estes textos \u201cs\u00e3o refer\u00eancias vivas de sua vis\u00e3o cr\u00edtica\u201d e se destacam como elementos essenciais na batalha das ideias que travava naquele momento com correntes do movimento oper\u00e1rio europeu\u201d. Fr\u00e9ville acentua que L\u00eanin \u201cdesaprova interpreta\u00e7\u00f5es de certos dirigentes de esquerda que empregam categorias de an\u00e1lise equivocadas e geralmente inspiradas no reformismo social-democrata, que acabam por manter as estruturas fundamentais da domina\u00e7\u00e3o da burguesia\u201d. E acrescenta: \u201cEle defende, em contrapartida, citando Engels, um \u2018marxismo criativo\u2019, que n\u00e3o seja dogm\u00e1tico em suas premissas e que se torne decisivo como guia para a a\u00e7\u00e3o, dial\u00e9tico em seus fundamentos te\u00f3ricos e capaz de elucidar o car\u00e1ter universal e contradit\u00f3rio do desenvolvimento hist\u00f3rico, dos problemas pr\u00e1ticos concretos da \u00e9poca, propondo a\u00e7\u00f5es de agita\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e ruptura econ\u00f4mica e pol\u00edtica em cada etapa hist\u00f3rica, numa perspectiva de impulsionar e levar ao triunfo as massas populares e o proletariado.\u201d13<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais recordar que, desde o ex\u00edlio no in\u00edcio do s\u00e9culo, L\u00eanin definia o \u00f3rg\u00e3o oficial do partido como elemento de liga\u00e7\u00e3o com o proletariado nas cidades e f\u00e1bricas. No artigo \u201cPor onde come\u00e7ar?\u201d, publicado no n\u00famero 4 do\u00a0<em>Iskra<\/em>, em 1901, ele pontuou que, desenvolvendo um trabalho sistem\u00e1tico, o jornal \u201cpenetrar\u00e1 entre a pequena-burguesia das cidades, os artes\u00e3os das aldeias e os camponeses, e tornar-se-\u00e1 assim um verdadeiro \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico popular\u201d14\u00a0Essa miss\u00e3o estrat\u00e9gica da imprensa revolucion\u00e1ria se articulava com quest\u00f5es program\u00e1ticas, tais como o car\u00e1ter e o conte\u00fado priorit\u00e1rio da agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, as tarefas de organiza\u00e7\u00e3o e o plano de forma\u00e7\u00e3o de um partido marxista da R\u00fassia. O artigo repercutiu tanto na R\u00fassia como no exterior, atrav\u00e9s de reedi\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es em brochura baseadas no texto divulgado pelo\u00a0<em>Iskra<\/em>.<\/p>\n<p>No seu livro\u00a0<em>Que fazer?\u00a0<\/em>(1902) \u2013 que demorou mais tempo para ser escrito do que o pretendido, justamente devido \u00e0 sua dedica\u00e7\u00e3o ao\u00a0<em>Iskra<\/em>\u00a0e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do programa do partido \u2013, L\u00eanin detalhou quais deveriam ser o p\u00fablico deste jornal e seu objetivo: \u201cEsse audit\u00f3rio ideal para as revela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e9 precisamente a classe oper\u00e1ria, que tem necessidade, antes e sobretudo, de conhecimentos pol\u00edticos amplos e vivos, e que \u00e9 a mais capaz de aproveitar esses conhecimentos para empreender uma luta ativa, mesmo que n\u00e3o prometa qualquer \u2018resultado tang\u00edvel\u2019. Ora, a tribuna para essas revela\u00e7\u00f5es diante de todo o povo, s\u00f3, pode ser um jornal para toda a R\u00fassia.\u201d Chamou a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de as organiza\u00e7\u00f5es locais se esfor\u00e7arem para viabilizar um ve\u00edculo para toda a R\u00fassia: \u201cEnquanto n\u00e3o for assim, n\u00e3o poderemos publicar nem mesmo um \u00fanico jornal que seja capaz de servir verdadeiramente o movimento, atrav\u00e9s de uma grande agita\u00e7\u00e3o pela imprensa.\u201d15<\/p>\n<p>Em 22 abril de 1912, os bolcheviques lan\u00e7aram o seu primeiro jornal di\u00e1rio, o\u00a0<em>Pravda\u00a0<\/em>(<em>Verdade<\/em>). Uma das caracter\u00edsticas marcantes foi incentivar a participa\u00e7\u00e3o dos leitores, publicando, a cada n\u00famero, dezenas de cartas e artigos escritos por oper\u00e1rios descrevendo as suas condi\u00e7\u00f5es de vida, as explora\u00e7\u00f5es e os abusos de que eram v\u00edtimas nas f\u00e1bricas, as aspira\u00e7\u00f5es para o futuro. Essa preocupa\u00e7\u00e3o em elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia sem perder de vista quest\u00f5es mais imediatas do cotidiano dos trabalhadores ajudou a popularizar o jornal, cuja tiragem m\u00e9dia alcan\u00e7ava 40 mil exemplares, tendo chegado a imprimir 60 mil. O \u00eaxito tamb\u00e9m pode ser medido pelo bom resultado da coleta de fundos junto a grupos de oper\u00e1rios de f\u00e1bricas, o que incrementava o car\u00e1ter de classe desejado pelo\u00a0<em>Pravda<\/em>. Regularmente eram divulgados balan\u00e7os das subscri\u00e7\u00f5es. A R\u00fassia vivia um per\u00edodo de agravamento de tens\u00f5es sociais e pol\u00edticas, e o\u00a0<em>Pravda\u00a0<\/em>ocupava um espa\u00e7o diferenciado na divulga\u00e7\u00e3o de reivindica\u00e7\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es e greves oper\u00e1rias, gra\u00e7as ao trabalho de correspondentes espalhados pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>L\u00eanin continuava exilado em Paris; temia perder influ\u00eancia sobre os bolcheviques e, ao mesmo tempo, estava receoso de voltar para S\u00e3o Petersburgo, onde corria alto risco de ser preso. Seguiu, ent\u00e3o, para a Crac\u00f3via, de onde enviava artigos para o\u00a0<em>Pravda<\/em>\u00a0e transmitia orienta\u00e7\u00f5es ao comando da reda\u00e7\u00e3o na R\u00fassia. Ele p\u00f4s em relevo uma vincula\u00e7\u00e3o editorial cada vez maior \u00e0s demandas da classe oper\u00e1ria: \u201cUm jornal prolet\u00e1rio \u00e9 uma tribuna dos prolet\u00e1rios. H\u00e1 que se levantar na R\u00fassia inteira, um atr\u00e1s do outro, os problemas da vida prolet\u00e1ria em geral e da democracia prolet\u00e1ria em particular. Os trabalhadores de S\u00e3o Petersburgo come\u00e7aram a obra. \u00c0 sua energia, deve o proletariado da R\u00fassia o primeiro jornal prolet\u00e1rio, depois de duros anos de prova\u00e7\u00e3o. Continuemos, ent\u00e3o, sua obra, todos apoiando e dando novo impulso ao jornal prolet\u00e1rio da capital, a primeira andorinha dessa primavera em que toda a R\u00fassia se cobrir\u00e1 de uma rede de organiza\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias com seus pr\u00f3prios jornais.\u201d16<\/p>\n<p>No dia a dia, a dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica impedia L\u00eanin de exercer interfer\u00eancia mais efetiva junto ao jornal. O conselho editorial tentava evitar multas governamentais, processos judiciais e amea\u00e7as de interdi\u00e7\u00e3o, caminhando no fio da navalha entre a combatividade e a modera\u00e7\u00e3o na abordagem de temas que pudessem ati\u00e7ar a ira do regime. S\u00f3 durante o primeiro ano do di\u00e1rio, foram abertos 36 processos contra seus redatores. Nem o pr\u00f3prio L\u00eanin escapou de \u201caltera\u00e7\u00f5es atenuadoras\u201d introduzidas pela reda\u00e7\u00e3o em alguns de seus textos, nem da rejei\u00e7\u00e3o de 47 dos seus 331 artigos escritos antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial. Irritado, ele enviou carta ao conselho interpelando-o sobre as raz\u00f5es dos vetos: \u201cDe um modo geral n\u00e3o faria mal a ningu\u00e9m dar uma notifica\u00e7\u00e3o sobre artigos recusados. Esta n\u00e3o \u00e9, de modo algum, uma exig\u00eancia excessiva. Escrever para a cesta de papel, i. e., escrever artigos que s\u00e3o rejeitados \u00e9 muito desagrad\u00e1vel\u201d.17\u00a0Na verdade, disputas internas no partido tamb\u00e9m influ\u00edam nas escolhas dos textos que deveriam ser publicados ou engavetados.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da guerra intensificou o cerco policial aos bolcheviques. A coa\u00e7\u00e3o ao\u00a0<em>Pravda<\/em>\u00a0foi implac\u00e1vel. De um total de 355 edi\u00e7\u00f5es, entre 22 de abril de 1912 a 8 de julho de 2014, 73 foram punidas, 52 confiscadas e 21 multadas, com preju\u00edzos financeiros irrecuper\u00e1veis. Sem contar as in\u00fameras apreens\u00f5es, puni\u00e7\u00f5es e multas aplicadas a oito diferentes t\u00edtulos adotados pelo\u00a0<em>Pravda<\/em>para tentar driblar a censura e resistir \u00e0s arbitrariedades.18\u00a0Em 21 de julho de 1914, depois de ser empastelado pela pol\u00edcia e ter a sua equipe presa, deixou de circular.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Pravda<\/em>\u00a0voltaria a ser publicado, como \u00f3rg\u00e3o do Comit\u00ea Central, \u00e0s v\u00e9speras da vitoriosa Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, quando a efervesc\u00eancia pol\u00edtica levou \u00e0 rearticula\u00e7\u00e3o da imprensa comunista clandestina. Com os bolcheviques em posi\u00e7\u00e3o expressiva no primeiro governo revolucion\u00e1rio, L\u00eanin n\u00e3o mais exerceu fun\u00e7\u00f5es no\u00a0<em>Pravda<\/em>, em raz\u00e3o de suas atribui\u00e7\u00f5es no Kremlin e dos problemas, tens\u00f5es, percal\u00e7os, disputas de poder e crises para administrar como chefe de governo e l\u00edder do partido. Mas n\u00e3o deixou de influir na orienta\u00e7\u00e3o editorial nem de escrever artigos no\u00a0<em>Pravda<\/em>\u00a0(foram 47 apenas em 1917). \u201cTinha uma capacidade sem igual para expor seus argumentos e para defender uma causa militante. Suas descri\u00e7\u00f5es agressivas de seus inimigos e de suas pol\u00edticas davam a todo mundo a sensa\u00e7\u00e3o de que havia um homem capaz de exercer o poder governamental\u201d.19<\/p>\n<p>Em meio ao turbilh\u00e3o de 1917, L\u00eanin abordou um tema crucial no artigo \u201cComo garantir o sucesso da Assembleia Constituinte: sobre a liberdade de imprensa\u201d, editado no n\u00famero 11 do jornal\u00a0<em>Rab\u00f3tchi P\u00faty\u00a0<\/em>(<em>O Caminho Oper\u00e1rio<\/em>), em 28 de setembro de 1917. Seu bi\u00f3grafo Tam\u00e1s Krausz foi preciso ao resumir a principal ideia do l\u00edder bolchevique no texto: \u201ca democracia burguesa n\u00e3o \u00e9 liberdade, mas \u2018liberdade de compra\u2019\u201d. A democracia burguesa como \u201cforma de domina\u00e7\u00e3o capitalista da mais alta ordem\u201d, assinala Krausz, orientava o pensamento de L\u00eanin e, por extens\u00e3o influ\u00eda em sua compreens\u00e3o da liberdade de imprensa20. Basta ler o que ele escreveu no\u00a0<em>Rab\u00f3tchi P\u00faty\u00a0<\/em>para autenticar a linha de interpreta\u00e7\u00e3o do bi\u00f3grafo: \u201cOs capitalistas (seguidos, devido \u00e0 estupidez ou \u00e0 in\u00e9rcia, por muitos SRs e mencheviques) denominam \u2018liberdade de imprensa\u2019 uma situa\u00e7\u00e3o em que a censura \u00e9 abolida e todos os grupos publicam livremente todos os tipos de peri\u00f3dicos. Na verdade, n\u00e3o se trata de liberdade de imprensa, mas liberdade dos ricos, da burguesia, para que enganem a massa oprimida e explorada do povo.\u201d L\u00eanin foi ainda mais categ\u00f3rico ao se referir \u00e0s injun\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas na conquista de maior audi\u00eancia: \u201cPegue, digamos, os jornais de Petrogrado e Moscou. Voc\u00ea ver\u00e1 imediatamente que s\u00e3o os jornais burgueses\u00a0\u2026\u00a0que t\u00eam, de longe, os maiores \u00edndices de circula\u00e7\u00e3o. O que explica essa preval\u00eancia? N\u00e3o \u00e9 de forma alguma a vontade da maioria, pois as elei\u00e7\u00f5es demonstraram que, nas duas capitais, a maioria (uma esmagadora maioria, ali\u00e1s) prefere os democratas, isto \u00e9, os SRs e os bolcheviques. Esses tr\u00eas partidos representam de tr\u00eas quartos a quatro quintos dos votos, ao passo que a circula\u00e7\u00e3o dos jornais que eles publicam \u00e9 certamente menor do que um quarto, ou at\u00e9 menos de um quinto, de toda a imprensa burguesa.\u00a0\u2026\u00a0Como isso acontece? Todos sabem muito bem por qu\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>Para desfazer a preval\u00eancia desmedida dos ve\u00edculos burgueses, ele defendeu o \u201cmonop\u00f3lio estatal sobre os an\u00fancios privados na imprensa\u201d, ap\u00f3s a tomada do poder: \u201cO poder estatal na forma dos sovietes toma\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as gr\u00e1ficas e\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os jornais e os distribui\u00a0<em>equitativamente<\/em>: o Estado deveria vir primeiro \u2013 em benef\u00edcio dos interesses da maioria das pessoas, a maioria dos pobres, particularmente a maioria dos camponeses, que por s\u00e9culos foram atormentados, esmagados e embrutecidos pelos propriet\u00e1rios de terras e pelos capitalistas.\u201d<\/p>\n<p>As circunst\u00e2ncias, contradi\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos enfrentados pelo primeiro governo revolucion\u00e1rio se refletiram nas an\u00e1lises mais esparsas de L\u00eanin sobre a imprensa. Ele voltou a tratar da liberdade de imprensa na sua 8\u00aa tese para o I Congresso da Internacional Comunista, realizado de 2 a 6 de mar\u00e7o de 1919, em Moscou. Novamente atacou os monop\u00f3lios e a opul\u00eancia financeira que, na maioria dos pa\u00edses, distorcem os processos de produ\u00e7\u00e3o informativa. A seu ver, a liberdade de imprensa \u00e9 \u201cum engano enquanto as melhores rotativas e os melhores estoque de papel est\u00e3o monopolizados pelos capitalistas e enquanto sobreviver o poder do capital sobre a imprensa\u201d. Por isso, sublinhou a necessidade de ruptura com o modelo da imprensa burguesa, que transforma a informa\u00e7\u00e3o em mercadoria como qualquer outra: \u201cPara se conquistar a igualdade efetiva e a verdadeira democracia para os trabalhadores, para os oper\u00e1rios e camponeses, \u00e9 preciso come\u00e7ar por privar o capital da possibilidade de alugar escritores, de comprar editoriais e subornar jornais.\u201d21<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s insufici\u00eancias da liberdade de imprensa sob o jugo do capital, L\u00eanin mencionou par\u00e2metros que, em linhas gerais, deveriam ser introduzidos a partir da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917: \u201cA verdadeira liberdade de imprensa surgir\u00e1 no regime em que acreditam os comunistas, no qual n\u00e3o existir\u00e1 a possibilidade de enriquecer \u00e0 custa dos outros, n\u00e3o existir\u00e1 a possibilidade objetiva de subornar direta ou indiretamente a imprensa ao poder do dinheiro, n\u00e3o haver\u00e1 obst\u00e1culos para que todo trabalhador (ou grupo de trabalhadores, qualquer que seja seu n\u00famero) tenha e desfrute do mesmo direito de utilizar as rotativas e o papel, que pertencer\u00e3o \u00e0 sociedade.\u201d22<\/p>\n<p>Em suma, ele tinha em mente uma imprensa n\u00e3o mercantilizada, por\u00e9m na esfera de influ\u00eancia e controle do Estado e do Partido Comunista, com as implica\u00e7\u00f5es e os limites da\u00ed decorrentes nos planos do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e da liberdade de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos escritos jornal\u00edsticos de L\u00eanin, percebe-se um giro conceitual quanto \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social da imprensa. O te\u00f3rico do jornal pol\u00edtico-partid\u00e1rio como pe\u00e7a-chave para a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia revolucion\u00e1ria e da unifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do proletariado inseria agora, de maneira mais realista, os meios de difus\u00e3o na complexa conjuntura do pa\u00eds, em que os problemas dificultavam uma transi\u00e7\u00e3o para o socialismo. A imprensa sovi\u00e9tica deveria deixar de lado \u201cuma aten\u00e7\u00e3o desmedida \u00e0s politicagens e quest\u00f5es pessoais de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d e dedicar-se mais aos temas de interesse dos trabalhadores. Os jornais precisavam mudar o foco: de simples produtores de not\u00edcias pol\u00edticas do dia para \u00f3rg\u00e3os s\u00e9rios de \u201ceduca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das massas\u201d. E se explicou: \u201cA imprensa ter\u00e1 que destacar os problemas do trabalho em seu enfoque mais imediato e pr\u00e1tico. Deve se converter no \u00f3rg\u00e3o da comuna de trabalho, no sentido de fazer p\u00fablica toda informa\u00e7\u00e3o que os diretores das empresas capitalistas procuravam ocultar\u201d.23<\/p>\n<p>Assim, a imprensa bolchevique n\u00e3o perdeu sua fun\u00e7\u00e3o com a chegada ao poder, mas teve que adaptar-se a diretivas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas mais severas, situa\u00e7\u00f5es complexas e conflitos de v\u00e1rias ordens vivenciados pelo pa\u00eds. Segundo \u00c1lvaro Bianchi, na sequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, os jornais \u201cpassaram a difundir e defender as tarefas colocadas pela constru\u00e7\u00e3o do novo Estado oper\u00e1rio, organizando a classe para tal\u201d. E prossegue apontando os c\u00e2mbios de \u00e9poca que se estendiam \u00e0 imprensa: \u201cDurante esse per\u00edodo, a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos temas mais frequentes na imprensa. Os debates desenvolvidos em torno da Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica e da industrializa\u00e7\u00e3o encheram as p\u00e1ginas dos jornais. A imprensa destinada aos camponeses passou a veicular, junto com os temas da pol\u00edtica nacional e internacional, artigos t\u00e9cnicos aconselhando formas de aumentar a produ\u00e7\u00e3o, a melhor \u00e9poca do ano para plantar e colher os diversos cultivos, etc.\u201d24<\/p>\n<p>Pelo exposto, podemos concluir que, para L\u00eanin, o jornal de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e9 o lugar da transi\u00e7\u00e3o entre a teoria \u201cpura\u201d e o apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel ao \u00eaxito da agita\u00e7\u00e3o e propaganda. A cada etapa hist\u00f3rica corresponde uma \u201ctarefa da hora\u201d, dominante e priorit\u00e1ria. Como organizador coletivo<em>,\u00a0<\/em>cabe ao peri\u00f3dico unificar as opini\u00f5es dos membros da agremia\u00e7\u00e3o. \u201cE a arma mais poderosa do partido para chegar \u00e0 classe oper\u00e1ria todo dia e a toda hora em sua pr\u00f3pria l\u00edngua.\u201d25<\/p>\n<p>Ao definir a imprensa como ferramenta para a solidifica\u00e7\u00e3o do partido, L\u00eanin compara-a ao andaime de um edif\u00edcio em obras, que \u201cfacilita a comunica\u00e7\u00e3o entre os diversos grupos, ajuda-os a distribuir o trabalho e a observar os resultados finais alcan\u00e7ados gra\u00e7as a um trabalho organizado\u201d.26\u00a0E vai al\u00e9m: \u201cCom a ajuda do jornal e na rela\u00e7\u00e3o com ele, ir\u00e1 se formando por si mesma a organiza\u00e7\u00e3o permanente que se ocupar\u00e1 do trabalho local, mas tamb\u00e9m do trabalho geral e regular, que acostumar\u00e1 os seus membros a seguir atentamente os acontecimentos pol\u00edticos, a valorizar a sua significa\u00e7\u00e3o e sua influ\u00eancia junto aos diversos setores da popula\u00e7\u00e3o, a elaborar m\u00e9todos adequados que permitir\u00e3o ao partido revolucion\u00e1rio influir nesses acontecimentos.\u201d27<\/p>\n<p>A teoria do jornalismo, na formula\u00e7\u00e3o leninista, \u00e9 o estudo de sua inser\u00e7\u00e3o na vida partid\u00e1ria. \u201cO nosso \u00f3rg\u00e3o diretor deve estar em rela\u00e7\u00e3o estreita com o partido, em liga\u00e7\u00e3o indissol\u00favel com o movimento do proletariado. Deve marchar \u00e0 frente, iluminar o caminho.\u201d Para isso, deve adotar um partidarismo consequente (defender o ponto de vista da classe oper\u00e1ria); ter firmeza ideol\u00f3gica; orientar o povo; buscar a veracidade; e assumir o internacionalismo oper\u00e1rio. L\u00eanin tamb\u00e9m ressalta a forma\u00e7\u00e3o de quadros: \u201cSe agruparmos as nossas for\u00e7as num jornal comum, veremos formarem-se na a\u00e7\u00e3o e destacarem-se das fileiras n\u00e3o s\u00f3 os mais avisados organizadores, os mais capazes chefes pol\u00edticos do partido, que saber\u00e3o, no momento certo, lan\u00e7ar a palavra de ordem da luta final e assumir a dire\u00e7\u00e3o\u201d.28<\/p>\n<p>Na esteira das concep\u00e7\u00f5es de Karl Marx sobre o jornalismo revolucion\u00e1rio, L\u00eanin definiu tr\u00eas princ\u00edpios b\u00e1sicos da imprensa comunista: educar as massas para elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia pol\u00edtica; organizar os setores mais combativos da classe oper\u00e1ria em torno do partido; propagar a linha program\u00e1tica. Uma s\u00edntese de vis\u00f5es convergentes com Marx pode ser verificada nas palavras de L\u00eanin, ao indicar que os jornais n\u00e3o refletem apenas a luta de classes, como mant\u00eam com ela uma rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, pois s\u00e3o sujeitos da luta ideol\u00f3gica que se trava entre as diferentes for\u00e7as pol\u00edticas: \u201cNa luta entre os \u00f3rg\u00e3os da imprensa, os partidos, as fra\u00e7\u00f5es e os grupos v\u00e3o se cristalizando as tend\u00eancias ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas com car\u00e1ter realmente de classe; cada uma das classes forja para si uma arma ideol\u00f3gica e pol\u00edtica para as batalhas futuras\u201d.29<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, tais concep\u00e7\u00f5es nortearam as diretrizes editoriais da imprensa de grande parte dos Partidos Comunistas aliados de Moscou no Ocidente \u2013 muitas vezes sem a necess\u00e1ria discuss\u00e3o cr\u00edtica e sem tomar na devida conta os problemas internos e as inser\u00e7\u00f5es espec\u00edficas das organiza\u00e7\u00f5es, as peculiaridades culturais, os contextos sociopol\u00edticos e as correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a de cada pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Notas<\/p>\n<p>* Vers\u00e3o revista, com altera\u00e7\u00f5es e acr\u00e9scimos, do cap\u00edtulo \u201cL\u00eanin: a imprensa como apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d que faz parte do ensaio \u201cImprensa e revolu\u00e7\u00e3o: Marx e L\u00eanin, precursores de Gramsci\u201d, inclu\u00eddo em meu livro\u00a0<em>Cr\u00edtica da m\u00eddia e hegemonia cultural<\/em>\u00a0(Rio de Janeiro: Mauad, 2016).<br \/>\n1\u00a0L\u00eanin citado por Madeleine Worontsov.\u00a0L\u00eanine e a imprensa. Lisboa: Ant\u00eddoto, 1977, p. 43.<br \/>\n2\u00a0Mario Caciagli, \u201cIntroducci\u00f3n\u201d, em Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0La informaci\u00f3n de clase. M\u00e9xico: Siglo Veintiuno, 1978, p. 9-15.<br \/>\n3\u00a0Luiz Alberto Moniz Bandeira.\u00a0L\u00eanin: vida e obra. 4a. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2017, p. 47.<br \/>\n4\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0Propaganda e agita\u00e7\u00e3o. Moscou: Progresso, 1984, p. 7.<br \/>\n5\u00a0Ibidem, p. 60, 70 e 71.<br \/>\n6\u00a0L\u00eanin citado por Madeleine Worontsov.\u00a0L\u00eanine e a imprensa, ob. cit., p. 116-117; Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0La informaci\u00f3n de clase, ob. cit., p. 129.<br \/>\n7\u00a0Robert Service.\u00a0L\u00eanin: a biografia definitiva. Rio de Janeiro: Difel, 2007, p. 174.<br \/>\n8\u00a0Ibidem, p. 180.<br \/>\n9\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0Propaganda e agita\u00e7\u00e3o, ob. cit., p. 41.<br \/>\n10\u00a0Madeleine Worontsov.\u00a0L\u00eanine e a imprensa, ob. cit., p. 66.<br \/>\n11\u00a0Silvio Pons.\u00a0A revolu\u00e7\u00e3o global: hist\u00f3ria do comunismo internacional. Rio de Janeiro: Contraponto\/ Funda\u00e7\u00e3o Astrojildo Pereira, 2014, p. 48.<br \/>\n12\u00a0L\u00eanin citado por M\u00e1ximo G\u00f3rki.\u00a0L\u00eanin: biografia, cartas e escritos. S\u00e3o Paulo: Quilombo, 1980, p. 86-89.<br \/>\n13\u00a0Jean Fr\u00e9ville.\u00a0L\u00e9nine \u00e0 Paris. Paris: \u00c9ditions Sociales, 1968, p. 115-116.<br \/>\n14\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0Propaganda e agita\u00e7\u00e3o, ob. cit., p. 72.<br \/>\n15\u00a0Vladimir I. L\u00eanin. \u201cQue fazer? Problemas candentes do nosso movimento\u201d, em\u00a0Obras escolhidas de V. I. L\u00e9nine(tomo 1).: Editorial Avante, 1977, p. 79-214, dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/L%C3%AAnin\/1902\/quefazer\/fazer.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/L%25C3%25AAnin\/1902\/quefazer\/fazer.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1544312295605000&amp;usg=AFQjCNGmVyjBQOOz0ptxaNXBaBspfJkd8g\">aqui<\/a>.<br \/>\n16\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0La informaci\u00f3n de clase, ob. cit., p. 128.<br \/>\n17\u00a0L\u00eanin citado por Robert Service.\u00a0L\u00eanin: a biografia definitiva, ob. cit., p. 257.<br \/>\n18\u00a0Rafael Duarte Oliveira Ven\u00e2ncio. L\u00eanin e o jornalismo sovi\u00e9tico: imprensa como vanguarda pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Bara\u00fana, 2010, p. 112.<br \/>\n19\u00a0Robert Service.\u00a0L\u00eanin: a biografia definitiva, ob. cit., p. 319-320.<br \/>\n20\u00a0Tam\u00e1s Krausz.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/reconstruindo-lenin-693\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/reconstruindo-lenin-693&amp;source=gmail&amp;ust=1544312295605000&amp;usg=AFQjCNH8cRy_UrW1ElntNH6cblit5fIpCg\"><em>Reconstruindo L\u00eanin: uma biografia intelectua<\/em>l<\/a>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017, p. 267-268.<br \/>\n21\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0La informaci\u00f3n de clase, ob. cit., p. 175.<br \/>\n22\u00a0Ibidem, p. 176.<br \/>\n23\u00a0Ibidem, p. 209.<br \/>\n24\u00a0Alvaro Bianchi, \u201cL\u00eanin e o jornal do partido\u201d,\u00a0Blog Junho, 21 de janeiro de 2016, dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/blogjunho.com.br\/L%C3%AAnin-e-o-jornal-do-partido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/blogjunho.com.br\/L%25C3%25AAnin-e-o-jornal-do-partido\/&amp;source=gmail&amp;ust=1544312295606000&amp;usg=AFQjCNG9xdWTFFvepOO1YA7CNf_ygj9DVw\">aqui<\/a>.<br \/>\n25\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0Propaganda e agita\u00e7\u00e3o, ob. cit., p. 72.<br \/>\n26\u00a0Idem.<br \/>\n27\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0La informaci\u00f3n de clase, ob. cit., p. 44.<br \/>\n28\u00a0Ibidem, p. 173.<br \/>\n29\u00a0Vladimir I. L\u00eanin.\u00a0Esquerdismo: a doen\u00e7a infantil do comunismo, 1920, dispon\u00edvel no Portal Dom\u00ednio P\u00fablico\u00a0aqui.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>D\u00eanis de Moraes\u00a0\u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com p\u00f3s-doutorados na \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales (EHESS, Fran\u00e7a) e no Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO, Argentina). \u00c9 pesquisador do CNPq, professor associado da Universidade Federal Fluminense e autor, coautor e organizador de mais de 30 livros editados no pa\u00eds e no exterior. Pela Boitempo publicou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/midia,-poder-e-contrapoder-445\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/midia,-poder-e-contrapoder-445&amp;source=gmail&amp;ust=1544312295606000&amp;usg=AFQjCNFySOk_NLh7jepoX6_Pgc3od6PE2Q\"><em>M\u00eddia, poder e contrapoder: da concentra\u00e7\u00e3o monop\u00f3lica \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>\u00a0(2013) e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-velho-graca-407\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-velho-graca-407&amp;source=gmail&amp;ust=1544312295606000&amp;usg=AFQjCNEndxD1L77lxGT0dRRBxqhKflqI7Q\"><em>O velho Gra\u00e7a: uma biografia de Graciliano Ramos<\/em><\/a>\u00a0(2012). Colabora com o\u00a0Blog da Boitempo\u00a0desde 2012.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2018\/11\/29\/lenin-e-a-imprensa-revolucionaria\/\">L\u00eanin e a imprensa&nbsp;revolucion\u00e1ria<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21587\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[218],"tags":[219],"class_list":["post-21587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Cb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21587\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}